Marcelo Dolabela
Local de nascimento: Lajinha, Minas Gerais
Data de nascimento: 17 de Stembro de 1957
Local de falecimento: Belo Horizonte , Minas Gerais
Data de falecimento: 2020
BIOGRAFIA EM PORTUGUÊSMarcelo Gomes Dolabela, conhecido como Marcelo Dolabela, nasceu em Lajinha, Minas Gerais, em 1957, e faleceu em Belo Horizonte em 2020. Foi poeta, artista visual, artista postal, pesquisador, professor, editor, roteirista, músico, letrista, performer, colecionador e articulador cultural. Sua produção atravessou poesia marginal, poesia visual, poesia experimental, arte postal, Mail Art, publicações independentes, livros de artista, música, cinema, performance e pesquisa documental. Graduado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais, atuou no ensino superior durante mais de três décadas. A UFMG também registra sua pós graduação em literatura brasileira, com pesquisa sobre Dolores Duran, e mestrado em comunicação pela Universidade São Marcos.A trajetória de Dolabela tornou se especialmente ligada à cultura experimental de Belo Horizonte a partir do final da década de 1970. Sua estreia editorial ocorreu em 1978. Fontes contemporâneas registram nesse período Através das Paredes e Arte Suor Souvenir, enquanto estudo publicado pela UFMG destaca Arte suor souvenir como seu primeiro livro publicado. A partir desse núcleo inicial, desenvolveu uma produção independente extensa, estimada em aproximadamente sessenta livros e livretos, frequentemente situada entre poesia marginal, poesia visual, experimentação tipográfica, objeto editorial e circulação alternativa.Entre suas publicações documentadas encontram se Coração malasarte, de 1980, Radicais, de 1985, Amônia, de 1997, Poeminhas & outros poemas, de 1998, Letrolatria, de 2000, Batuques de limeriques, de 2005, Lorem ipsus: antologia poética & outros poemas, de 2006, Acre Ácido Azedo, de 2015, e Lira dos 60 anos: meus poemas favoritos & prediletos, de 2017. Após sua morte, parte de sua produção foi novamente reunida em Jogo que Jogo, publicado em 2024, com organização de Gustavo Cerqueira Guimarães e seleção de 145 poemas distribuídos em nove séries, incluindo textos inéditos.A relação de Marcelo Dolabela com a poesia visual possui documentação particularmente relevante. Letrolatria, publicado em Belo Horizonte em 2000 em tiragem de 200 exemplares, reúne poemas visuais produzidos entre 1975 e 1996 em folhas soltas acondicionadas em caixa. Um exemplar é documentado pela Coleção Livro de Artista da Universidade Federal de Minas Gerais, importante acervo público dedicado ao livro de artista e às publicações experimentais.Outro marco foi Poesia: a experiência visual, projeto realizado em Belo Horizonte em 1994 no contexto da Temporada de Poesia, com apresentação, seleção e organização de Marcelo Dolabela e publicação ligada à Prefeitura de Belo Horizonte. O projeto evidencia sua atuação não apenas como autor, mas como pesquisador, organizador e divulgador da poesia visual e das linguagens experimentais.Sua inserção na Arte Postal e na Mail Art é central para compreender sua trajetória. No final dos anos 1970, Marcelo Dolabela integrou o ambiente do coletivo Cemflores, formado em Belo Horizonte em conexão com o movimento estudantil, a contracultura, a poesia marginal e a produção independente. Entre 1978 e 1979, Cemflores publicou quatro números de sua revista em grande formato com apoio do DCE da UFMG, incorporando manifestos, poemas visuais, traduções e experimentação gráfica. Posteriormente surgiram publicações como Aqui Ó, Cemflores Pirata e Alegria Bluesbanda, além de dezenas de livretos mimeografados e xerográficos distribuídos em manifestações, bares, recitais e ações políticas.A partir de 1980, Cemflores passou a integrar uma rede internacional de Arte Postal. Na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG foi organizada a Primeira Mostra Internacional de Arte Postal de Belo Horizonte, Todos os Arquinimigos dos Supermen. A documentação acadêmica registra entre os participantes Julio Plaza, Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, J. Medeiros, Falves Silva, Bené Fonteles, Maria Irene Ribeiro, Teresa Poester, Alberto Harrigan, Joaquim Branco, Hugo Pontes, Nicolas Behr e Hudinilson Jr., além do próprio ambiente coletivo do Cemflores. Outras mostras de Arte Postal foram desenvolvidas pelo grupo nos anos seguintes.Uma fotografia documental registra Marcelo Dolabela com integrantes do Cemflores durante uma mostra de Arte Postal realizada na FAFICH em 1981. A mesma pesquisa registra que o arquivo pessoal de Dolabela preservou durante mais de quarenta anos milhares de documentos, incluindo publicações, fotografias, slides, arquivos audiovisuais, cartas, bilhetes e Arte Postal. A pesquisadora Clara Albinati identifica nesse conjunto vestígios importantes da história da poesia visual latino americana.A correspondência preservada permite reconstruir Marcelo Dolabela como um importante nodo de circulação da Arte Postal brasileira. Em 25 de janeiro de 1979 recebeu cartão de Unhandeijara Lisboa enviado de João Pessoa. Outro cartão de Lisboa circulou em 14 de março de 1979 e traz identificação explícita de Mail Art, Arte Correio e Arte Postal. Esses documentos conectam Belo Horizonte a artistas relacionados à poesia visual e às experiências derivadas do Poema Processo, sem que isso autorize classificar Marcelo Dolabela como integrante histórico do Poema Processo. Sua relação documentada é de intercâmbio, circulação e diálogo com artistas vinculados a esse campo experimental.Em fevereiro de 1980, João Proteti enviou a Dolabela um cartão postal intervencionado combinando desenho, colagem, escrita manuscrita e referência poética, transformando a correspondência em obra. Em maio de 1980, Paulo Ró enviou correspondência visual com colagem, pintura, folha vegetal e desenho. Outros envios de Paulo Ró para Dolabela foram registrados em junho e agosto do mesmo ano, revelando que a comunicação postal não era episódio isolado, mas uma sequência continuada de intercâmbio artístico.A rede possuía também dimensão internacional. Correspondência enviada de Calgary, Canadá, relacionada a Chuck Stake, identidade artística de Don Mabie, chegou a Marcelo Dolabela no contexto da exposição internacional de Correspondence Art e Mail Art dedicada ao tema 1984 e às previsões sobre os anos 1980. O conjunto documental demonstra contato de Dolabela com circuitos canadenses de arte por correspondência, embora o simples recebimento do material não seja prova suficiente de participação como expositor naquele projeto específico.Em 1981, Avelino de Araújo enviou a Marcelo Dolabela uma obra da série Exercícios de Caligrafia, conectando as redes de poesia visual e Arte Postal do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Também em 1981 há registro de cartão de Akemi Waki destinado a Dolabela, combinando poema datilografado, intervenção gráfica, colagem e circulação postal. Esses materiais mostram a diversidade de linguagens que chegavam ao seu arquivo e a função da correspondência como meio de produção, intercâmbio e documentação artística.Em 1982, o Grupo Picaré de Literatura e Arte, de Santos, enviou cartão a Marcelo Dolabela agradecendo o recebimento de Setembro, provavelmente relacionado à circulação de produção editorial independente. Em 1984, P. J. Ribeiro enviou envelope e obra combinando desenho, colagem, poesia visual e imagem apropriada. No mesmo ano, Joaquim Branco enviou a obra FMI, registrando por correspondência a relação entre poesia experimental, crítica social, Arte Postal e comunicação alternativa.A documentação segue pela década de 1980. Em 1987, Maynand Sobral enviou a Dolabela uma obra postal baseada na palavra FOME e em estrutura circular móvel, demonstrando a permanência de sua participação nas redes experimentais. Em 1988, cartões de Moisés Ramires enviados a Dolabela associaram intervenção sobre imagens, cultura de massa, música independente e informações sobre projetos culturais. Essa correspondência evidencia que a rede postal de Marcelo Dolabela atravessava poesia, artes visuais, música, publicações e produção cultural alternativa.No início da década de 1980, Dolabela também viajou ao Rio de Janeiro, hospedou se na casa de Eduardo Kac e entrou em contato com o Movimento de Poesia Pornô. De volta a Belo Horizonte, participou do aprofundamento das ações performáticas ligadas ao ambiente do Cemflores. A experiência coletiva progressivamente aproximou poesia, ruído, gravações, fitas cassete, discos e performance, contribuindo para o surgimento de grupos musicais associados à cena pós punk belo horizontina, entre eles Sexo Explícito, Divergência Socialista e O Último Número.Na música, Marcelo Dolabela destacou se como letrista e vocalista da Divergência Socialista. A documentação acadêmica registra os álbuns Christiane Keller, de 1986, e Lilith Lunaire, de 1990. Atuou também no cinema, com trabalhos relacionados aos filmes Uakti, de 1987, A hora vagabunda, de 1998, e Maldito Popular Brasileiro: Arnaldo Baptista, de 1991. Foi ainda pesquisador dedicado à música brasileira e manteve durante mais de dez anos uma coluna semanal no jornal Hoje em Dia.Em sua atividade de pesquisa musical publicou ABZ do Rock Brasileiro e posteriormente organizou a exposição Rock Brasileiro em 1000 discos, realizada em 2012. O trânsito entre arquivo, coleção, poesia, música e produção editorial constitui uma característica recorrente de sua atuação.O arquivo de Marcelo Dolabela tornou se parte essencial de seu legado. Além da própria obra, ele preservou durante décadas documentação de artistas, poetas, grupos, revistas, correspondências e experiências efêmeras que poderiam ter desaparecido. Atualmente o portal dedicado ao artista apresenta uma seção específica de Arte Postal e informa que sua coleção está em processo de catalogação.A importância histórica de Marcelo Dolabela para a Arte Postal não se limita à produção de peças individuais. Ele funcionou como destinatário, remetente, organizador, arquivista, editor, colecionador e articulador de uma rede. Sua correspondência documenta conexões entre Belo Horizonte, João Pessoa, Natal, Rio de Janeiro, Campinas, Santos e circuitos internacionais. Sua posição aproxima poesia marginal, poesia visual, Mail Art, publicação independente e práticas coletivas de artistas vinculados a diferentes vertentes da vanguarda brasileira.Em relação ao Poema Processo, a documentação consultada recomenda precisão. Não foi localizada comprovação suficiente para incluí lo entre os fundadores ou integrantes históricos do movimento lançado em 1967. O vínculo relevante encontra se na geração posterior de intercâmbio, especialmente através da Arte Postal e da poesia visual, na qual Dolabela estabeleceu contato com artistas associados ao Poema Processo e às suas derivações, entre eles Unhandeijara Lisboa, Falves Silva, J. Medeiros, Joaquim Branco e Avelino de Araújo. A importância dessa relação está justamente na circulação posterior das experiências processuais e visuais pelas redes alternativas brasileiras.Marcelo Dolabela deve ser compreendido, portanto, como uma entidade central para o estudo da poesia experimental e das redes independentes de Belo Horizonte nas últimas décadas do século XX. Sua produção e seu arquivo conectam poesia marginal, poesia visual, Arte Postal, Mail Art, livro de artista, publicação experimental, performance, música independente, cinema, cultura punk, pesquisa e memória documental. A própria estrutura do arquivo que preservou demonstra que, em seu trabalho, produzir, receber, guardar, editar, distribuir e estabelecer relações faziam parte de um mesmo campo ampliado de ação poética.
English
BIOGRAPHY IN ENGLISHMarcelo Gomes Dolabela, known as Marcelo Dolabela, was born in Lajinha, Minas Gerais, Brazil, in 1957 and died in Belo Horizonte in 2020. He was a poet, visual artist, mail artist, researcher, professor, editor, screenwriter, musician, lyricist, performer, collector and cultural organizer. His practice encompassed Brazilian Marginal Poetry, visual poetry, experimental poetry, mail art, independent publishing, artists books, music, film, performance and documentary research. He graduated in Letters from the Federal University of Minas Gerais and taught in higher education for more than three decades. UFMG also records postgraduate studies in Brazilian literature focused on Dolores Duran and a masters degree in communication from Universidade São Marcos.Dolabela became closely associated with the experimental cultural scene of Belo Horizonte from the late 1970s onward. His publishing activity began in 1978. Contemporary sources identify Através das Paredes and Arte Suor Souvenir with this initial period, while academic research published by UFMG identifies Arte suor souvenir as his first published book. From this beginning he developed an extensive independent publishing practice estimated at approximately sixty books and booklets, often situated at the intersection of Marginal Poetry, visual poetry, typographic experimentation, experimental publishing and alternative circulation.Documented publications include Coração malasarte from 1980, Radicais from 1985, Amônia from 1997, Poeminhas & outros poemas from 1998, Letrolatria from 2000, Batuques de limeriques from 2005, Lorem ipsus: antologia poética & outros poemas from 2006, Acre Ácido Azedo from 2015 and Lira dos 60 anos: meus poemas favoritos & prediletos from 2017. In 2024, part of his poetic production was assembled posthumously in Jogo que Jogo, edited by Gustavo Cerqueira Guimarães and containing 145 poems organized into nine series, including previously unpublished works.Dolabela also has an important place in the history of Brazilian visual poetry. Letrolatria, published in Belo Horizonte in 2000 in an edition of 200 copies, consists of loose visual poems produced between 1975 and 1996 and housed in a box. An example is documented in the Artists Book Collection of the Federal University of Minas Gerais, a major public collection devoted to artists books and experimental publications.Another significant project was Poesia: a experiência visual, developed in Belo Horizonte in 1994 within the Temporada de Poesia program. Marcelo Dolabela was responsible for its presentation, selection and organization, and the publication was connected with the Municipality of Belo Horizonte. The project demonstrates his role not only as an author but also as a researcher, editor and organizer of visual and experimental poetry.His relationship with Mail Art is fundamental to any understanding of his career. During the late 1970s Marcelo Dolabela was involved with Cemflores, a Belo Horizonte collective connected with the student movement, counterculture, Marginal Poetry and independent publishing. Between 1978 and 1979 Cemflores published four issues of its magazine with support from the UFMG student organization, combining manifestos, visual poems, translations and graphic experimentation. Other publications followed, including Aqui Ó, Cemflores Pirata and Alegria Bluesbanda, together with dozens of mimeographed and xerographic booklets distributed through demonstrations, bars, poetry readings and political actions.Beginning in 1980, Cemflores entered an international Mail Art network and organized at the UFMG Faculty of Philosophy and Human Sciences the Primeira Mostra Internacional de Arte Postal de Belo Horizonte, Todos os Arquinimigos dos Supermen. Documented participants included Julio Plaza, Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, J. Medeiros, Falves Silva, Bené Fonteles, Maria Irene Ribeiro, Teresa Poester, Alberto Harrigan, Joaquim Branco, Hugo Pontes, Nicolas Behr and Hudinilson Jr., alongside the collective environment of Cemflores. Similar Mail Art exhibitions were organized by the group in subsequent years.A documentary photograph records Marcelo Dolabela together with members of Cemflores during a Mail Art exhibition at FAFICH in 1981. Research into his archive establishes that for more than forty years Dolabela preserved thousands of documents, including publications, photographs, slides, audiovisual material, letters, notes and Mail Art. Researcher Clara Albinati identifies this archive as containing significant traces of the history of Latin American visual poetry.Surviving correspondence makes it possible to reconstruct Marcelo Dolabela as an important node in Brazilian Mail Art circulation. On January 25, 1979 he received a postcard from Unhandeijara Lisboa sent from João Pessoa. Another card from Lisboa, mailed in March 1979, bears explicit references to Mail Art, Arte Correio and Arte Postal. These documents connect Belo Horizonte with artists related to visual poetry and practices derived from the Process Poem Movement. They do not, however, provide sufficient evidence for identifying Marcelo Dolabela as a historical member of the Process Poem Movement itself. His documented relationship is one of exchange, circulation and dialogue with artists connected to this experimental field.In February 1980 João Proteti sent Dolabela an intervened postcard combining drawing, collage, handwriting and poetic reference, turning correspondence itself into an artwork. In May 1980 Paulo Ró sent visual correspondence incorporating collage, painting, a plant leaf and drawing. Additional postal works from Paulo Ró to Dolabela are documented in June and August of the same year, demonstrating sustained exchange rather than an isolated contact.The network was international. Material sent from Calgary, Canada, in connection with Chuck Stake, the artistic identity of Don Mabie, reached Marcelo Dolabela in the context of an international Correspondence Art and Mail Art exhibition focused on 1984 and predictions for the 1980s. The material establishes contact between Dolabela and Canadian correspondence art networks, although receipt of the documentation alone cannot confirm his participation as an exhibiting artist in that particular project.In 1981 Avelino de Araújo sent Marcelo Dolabela a work from the Exercícios de Caligrafia series, linking visual poetry and Mail Art circuits between Rio de Janeiro and Belo Horizonte. A 1981 postcard by Akemi Waki addressed to Dolabela combines a typewritten poem, graphic intervention, collage and postal circulation. Such objects demonstrate the diversity of languages entering his archive and the role of correspondence as artistic production, exchange and documentation.In 1982 the Grupo Picaré de Literatura e Arte in Santos sent Dolabela a card thanking him for sending Setembro, apparently connected with independent literary circulation. In 1984 P. J. Ribeiro sent an envelope and artwork combining drawing, collage, visual poetry and appropriated imagery. That same year Joaquim Branco sent the work FMI, documenting connections among experimental poetry, social criticism, Mail Art and alternative communication.His Mail Art relationships continued throughout the decade. In 1987 Maynand Sobral sent Dolabela a postal work structured around the word FOME and a movable circular element. In 1988 cards by Moisés Ramires combined interventions on images, mass culture, independent music and information concerning cultural projects. These exchanges show how Dolabela's correspondence network crossed poetry, visual art, music, publishing and independent cultural production.In the early 1980s Dolabela also traveled to Rio de Janeiro, stayed at the home of Eduardo Kac and encountered the Movimento de Poesia Pornô. Returning to Belo Horizonte, he participated in the intensification of performative actions related to the Cemflores environment. These activities increasingly connected poetry with noise, vinyl records, cassette tapes and performance and contributed to the emergence of post punk groups associated with the Belo Horizonte scene, including Sexo Explícito, Divergência Socialista and O Último Número.In music Marcelo Dolabela worked notably as lyricist and vocalist for Divergência Socialista. Academic documentation records the albums Christiane Keller from 1986 and Lilith Lunaire from 1990. His film activities included work connected with Uakti from 1987, Maldito Popular Brasileiro: Arnaldo Baptista from 1991 and A hora vagabunda from 1998. He was also a researcher of Brazilian music and maintained a weekly column in the Belo Horizonte newspaper Hoje em Dia for more than ten years.His research on popular music resulted in ABZ do Rock Brasileiro, and in 2012 he organized the exhibition Rock Brasileiro em 1000 discos. The movement between archive, collection, poetry, music and editorial production remained a recurring characteristic of his work.Marcelo Dolabela's archive became a fundamental part of his legacy. In addition to his own work, he preserved documentation relating to artists, poets, groups, magazines, correspondence and ephemeral experimental practices that might otherwise have disappeared. The current digital archive devoted to Dolabela includes a specific Mail Art section and states that the collection remains under cataloguing.His historical importance within Mail Art therefore goes beyond the creation of individual postal works. Dolabela functioned as recipient, sender, organizer, archivist, editor, collector and networker. His correspondence documents connections between Belo Horizonte, João Pessoa, Natal, Rio de Janeiro, Campinas, Santos and international circuits.Regarding the Process Poem Movement, the available documentation requires precision. No sufficiently reliable evidence was located to identify Marcelo Dolabela as a founder or historical member of the movement launched in 1967. His significant connection belongs to the later field of exchange through Mail Art and visual poetry, where he maintained contact with artists associated with Poema Processo and its subsequent networks, including Unhandeijara Lisboa, Falves Silva, J. Medeiros, Joaquim Branco and Avelino de Araújo. This relationship is historically important because it demonstrates the later circulation of process oriented and visual practices through Brazilian alternative art networks.Marcelo Dolabela should therefore be understood as a major figure for the study of experimental poetry and independent cultural networks in Belo Horizonte during the final decades of the twentieth century. His production and archive connect Marginal Poetry, visual poetry, Mail Art, artists books, experimental publishing, performance, independent music, film, punk culture, research and documentary memory. In his practice, producing, receiving, preserving, editing, distributing and establishing relationships formed parts of a single expanded field of poetic action.
Currículo
CURRÍCULO EM PORTUGUÊSIDENTIFICAÇÃOMarcelo Gomes Dolabela. Nome de atuação Marcelo Dolabela. Nascido em Lajinha, Minas Gerais, em 1957. Falecido em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 2020. Brasileiro. Poeta, artista visual, artista postal, professor, pesquisador, editor, roteirista, músico, letrista, performer, colecionador e articulador cultural. Áreas principais de atuação: poesia marginal, poesia visual, poesia experimental, Arte Postal, Mail Art, publicação independente, livro de artista, música, performance, cinema e pesquisa.FORMAÇÃOGraduado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Pós graduação em literatura brasileira pela UFMG, com pesquisa relacionada a Dolores Duran. Mestre em comunicação pela Universidade São Marcos. Atuou como professor no ensino superior por mais de três décadas.MOVIMENTOS, GRUPOS E COLETIVOSFinal da década de 1970 e década de 1980. Cemflores, Belo Horizonte. Participação em ambiente coletivo ligado ao movimento estudantil, poesia marginal, contracultura, publicação independente, poesia visual, Arte Postal, recitais e ações político poéticas. O coletivo produziu revistas, livretos mimeografados, publicações xerográficas, manifestações poéticas e exposições de Arte Postal.Início da década de 1980. Contato com o Movimento de Poesia Pornô no Rio de Janeiro durante estadia na casa de Eduardo Kac. Após o retorno a Belo Horizonte, participação em desdobramentos performáticos associados ao ambiente ex Cemflores.Década de 1980. Atuação musical relacionada às bandas Sexo Explícito, Divergência Socialista e ao ambiente que originou O Último Número. Na Divergência Socialista atuou como letrista e vocalista.ARTE POSTAL E MAIL ARTCorrespondência de Unhandeijara Lisboa enviada de João Pessoa para Marcelo Dolabela em Belo Horizonte. Registros de janeiro e março documentam intercâmbio direto entre poesia visual, Arte Postal e redes relacionadas ao Poema Processo.Final de 1979 e início de 1980. Recebimento em Belo Horizonte de documentação enviada de Calgary, Canadá, relacionada ao circuito de Chuck Stake e à exposição internacional dedicada ao tema 1984. O documento comprova contato com a rede canadense de Correspondence Art e Mail Art, mas não é prova isolada de participação de Dolabela como expositor.Cemflores ingressa em rede internacional de Arte Postal. Organização na FAFICH UFMG da Primeira Mostra Internacional de Arte Postal de Belo Horizonte, Todos os Arquinimigos dos Supermen. Entre os artistas documentados no catálogo estão Julio Plaza, Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, J. Medeiros, Falves Silva, Bené Fonteles, Maria Irene Ribeiro, Teresa Poester, Alberto Harrigan, Joaquim Branco, Hugo Pontes, Nicolas Behr e Hudinilson Jr.Cartão de João Proteti para Marcelo Dolabela, circulado em 22 de fevereiro, combinando intervenção gráfica, desenho, colagem e correspondência.Série de correspondências visuais de Paulo Ró para Marcelo Dolabela, com registros em maio, junho e agosto, utilizando colagem, desenho, pintura, papéis e materiais apropriados.João da Rua envia material para Marcelo Dolabela a partir de Natal, Rio Grande do Norte, solicitando colaboração para Avaca Mecânica e aproximando poesia por correspondência, Arte Correio e experiências processuais.Marcelo Dolabela é registrado fotograficamente durante mostra de Arte Postal na FAFICH com integrantes do Cemflores.Avelino de Araújo envia a Marcelo Dolabela trabalho da série Exercícios de Caligrafia, documentando intercâmbio entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte.Akemi Waki envia a Marcelo Dolabela cartão combinando poema datilografado, colagem, intervenção gráfica e circulação postal.Grupo Picaré de Literatura e Arte, Santos, envia cartão a Marcelo Dolabela e agradece o recebimento de Setembro, registrando intercâmbio entre produção independente paulista e mineira.P. J. Ribeiro envia a Marcelo Dolabela envelope e obra de Arte Postal combinando desenho, colagem, apropriação de imagem e poesia visual.Joaquim Branco envia a Marcelo Dolabela a obra FMI, constituindo registro de troca entre poesia experimental, Arte Postal e comunicação alternativa.Maynand Sobral envia a Marcelo Dolabela obra postal baseada na palavra FOME e em elemento circular móvel.Moisés Ramires envia a Marcelo Dolabela cartões com interferências gráficas e correspondência relacionada à música independente, apresentações e projetos culturais.Marcelo Dolabela e a Comissão BH 100 Temporada de Poesia aparecem como destinatários de Arte Postal de Roberto Keppler, documentando continuidade das redes de poesia experimental e comunicação alternativa em Belo Horizonte.PUBLICAÇÕES E LIVROSAtravés das Paredes. Publicação documentada entre os trabalhos iniciais de Marcelo Dolabela.Arte Suor Souvenir. Livro associado à estreia literária de Dolabela e posteriormente adotado como referência para estudos e exposições de sua trajetória.Coração malasarte. Livro de poesia.Radicais. Livro de poesia.ABZ do Rock Brasileiro. Pesquisa e publicação dedicada ao rock brasileiro.Amônia. Livro de poesia.Poeminhas & outros poemas. Livro de poesia.Letrolatria. Belo Horizonte. Tiragem documentada de 200 exemplares. Conjunto de poemas visuais de 1975 a 1996 em folhas soltas acondicionadas em caixa. Obra documentada na Coleção Livro de Artista da UFMG.Batuques de limeriques. Livro de poesia.Lorem ipsus: antologia poética & outros poemas. Belo Horizonte. Minimem.ria.Antologia dez faces. Organização de Camilo Lara, Carlos Augusto Novais e Marcelo Dolabela. Belo Horizonte. O Lutador.Acre Ácido Azedo. Livro de poesia.Lira dos 60 anos: meus poemas favoritos & prediletos. Livro de poesia.Jogo que Jogo. Antologia póstuma organizada por Gustavo Cerqueira Guimarães. Impressões de Minas. 160 páginas. Reúne 145 poemas em nove séries, sendo 37 indicados como inéditos.REVISTAS E PUBLICAÇÕES INDEPENDENTES1978 a 1979. Revista Cemflores. Quatro números em grande formato, impressos em offset com apoio do DCE UFMG. Conteúdo envolvendo manifestos, poesia visual, traduções e experimentação gráfica.Final da década de 1970 e início da década de 1980. Aqui Ó. Quatro números documentados. Publicação produzida em formatos simples e de circulação alternativa.Final da década de 1970 e início da década de 1980. Cemflores Pirata. Dois números documentados em folhas impressas em ambos os lados com poemas e imagens.Início da década de 1980. Alegria Bluesbanda. Quatro números documentados, com forte elaboração poética e visual.1980 a 1982. Produção coletiva de aproximadamente cinco dezenas de livretos de autoria individual ou compartilhada associados ao ambiente Cemflores, vendidos e distribuídos diretamente em bares, manifestações e circuitos independentes.EXPOSIÇÕES E PROJETOSPrimeira Mostra Internacional de Arte Postal de Belo Horizonte, Todos os Arquinimigos dos Supermen. FAFICH UFMG, Belo Horizonte. Organização vinculada ao Cemflores e à rede internacional de Arte Postal.Mostra de Arte Postal na FAFICH, Belo Horizonte. Marcelo Dolabela aparece em registro fotográfico com outros integrantes do Cemflores.Poesia: a experiência visual. Temporada de Poesia. Belo Horizonte. Prefeitura de Belo Horizonte. Apresentação, seleção e organização de Marcelo Dolabela.Sentimentos do Mundo, UFMG, Belo Horizonte. Performances poéticas de Marcelo Dolabela e Ricardo Aleixo com participação de Chacal. No mesmo contexto foi apresentada a exposição Marginália & Experimentação: Poesia e Movimento Estudantil.Rock Brasileiro em 1000 discos. Exposição organizada por Marcelo Dolabela, relacionada à sua extensa atividade de pesquisa e coleção musical.Marcelo Dolabela: arte, suor, souvenir. Mostra no Centro de Memória da Faculdade de Letras da UFMG dedicada aos livros, produção poética e trajetória do artista. A divulgação institucional destaca sua intensa atividade como artista postal.MÚSICADécada de 1980. Participação em Sexo Explícito e Divergência Socialista.Divergência Socialista. Christiane Keller. Álbum. Marcelo Dolabela como letrista e vocalista.Divergência Socialista. Lilith Lunaire. Álbum. Marcelo Dolabela como letrista e vocalista.CINEMAUakti. Trabalho de roteiro associado ao filme de Rafael Conde.Maldito Popular Brasileiro: Arnaldo Baptista, de Patrícia Moran. Participação em roteiro documentada.A hora vagabunda, de Rafael Conde. Participação como corroteirista documentada.ATUAÇÃO ACADÊMICA E PROFISSIONALProfessor de ensino superior durante mais de três décadas. Pesquisador de poesia e música brasileira. Manteve coluna semanal no jornal Hoje em Dia durante período superior a dez anos. Desenvolveu atividades relacionadas a poesia, crítica musical, edição, pesquisa, cinema, performance e organização cultural.COLEÇÕES E ARQUIVOSColeção Livro de Artista da UFMG. Preserva Letrolatria, Belo Horizonte, 2000, em edição de 200 exemplares, com poemas visuais produzidos entre 1975 e 1996.Arquivo Marcelo Dolabela. Conjunto reunido pelo artista durante mais de quarenta anos, contendo milhares de documentos, publicações, fotografias, slides, material audiovisual, cartas, bilhetes e Arte Postal. Parte do acervo vem sendo organizada e disponibilizada por meio do portal Dadalobela.RELAÇÃO COM POEMA PROCESSONão foi localizada, nas fontes verificadas, documentação suficiente para classificar Marcelo Dolabela como fundador ou integrante histórico do Poema Processo. Está amplamente documentada, porém, sua relação posterior com artistas e circuitos ligados ao movimento através da poesia visual e da Arte Postal. Entre os nomes que aparecem nas redes documentadas estão Unhandeijara Lisboa, Falves Silva, J. Medeiros, Joaquim Branco e Avelino de Araújo.CRONOLOGIA SINTÉTICA DOCUMENTADANascimento em Lajinha, Minas Gerais.1975 a 1996. Período dos poemas visuais posteriormente reunidos em Letrolatria.Publicação de Arte Suor Souvenir e documentação de Através das Paredes. Atuação no ambiente Cemflores.1978 a 1979. Publicação da revista Cemflores.Correspondência de Arte Postal com Unhandeijara Lisboa.Entrada do Cemflores na rede internacional de Arte Postal. Organização de Todos os Arquinimigos dos Supermen na FAFICH UFMG. Correspondências com João Proteti, Paulo Ró e outros artistas.Mostra de Arte Postal na FAFICH. Correspondências com Avelino de Araújo e Akemi Waki.Intercâmbio com Grupo Picaré.Correspondências com P. J. Ribeiro e Joaquim Branco.Publicação de Radicais.Christiane Keller com Divergência Socialista.ABZ do Rock Brasileiro. Trabalho relacionado ao filme Uakti. Correspondência de Maynand Sobral.Correspondências com Moisés Ramires.Lilith Lunaire com Divergência Socialista.Trabalho relacionado a Maldito Popular Brasileiro: Arnaldo Baptista.Organização de Poesia: a experiência visual na Temporada de Poesia de Belo Horizonte.Amônia.Poeminhas & outros poemas. Trabalho relacionado a A hora vagabunda.Letrolatria.Batuques de limeriques.Lorem ipsus: antologia poética & outros poemas.Organização compartilhada da Antologia dez faces.Performance no ciclo Sentimentos do Mundo da UFMG.Rock Brasileiro em 1000 discos.Acre Ácido Azedo.Lira dos 60 anos.Falecimento em Belo Horizonte.Publicação póstuma de Jogo que Jogo e realização de exposição dedicada à sua produção na UFMG.
English
CURRICULUM IN ENGLISHIDENTIFICATIONMarcelo Gomes Dolabela. Professional name Marcelo Dolabela. Born in Lajinha, Minas Gerais, Brazil, in 1957. Died in Belo Horizonte, Minas Gerais, in 2020. Brazilian poet, visual artist, mail artist, professor, researcher, editor, screenwriter, musician, lyricist, performer, collector and cultural organizer. Main fields of activity include Marginal Poetry, visual poetry, experimental poetry, Mail Art, independent publishing, artists books, music, performance, film and research.EDUCATIONGraduated in Letters from the Federal University of Minas Gerais. Postgraduate studies in Brazilian literature at UFMG with research concerning Dolores Duran. Masters degree in communication from Universidade São Marcos. Worked in higher education for more than three decades.MOVEMENTS, GROUPS AND COLLECTIVESLate 1970s and 1980s. Cemflores, Belo Horizonte. Participated in a collective environment connected with the student movement, Marginal Poetry, counterculture, independent publishing, visual poetry, Mail Art, poetry readings and political poetic actions. The group produced magazines, mimeographed booklets, xerographic publications, poetic demonstrations and Mail Art exhibitions.Early 1980s. Contact with the Movimento de Poesia Pornô in Rio de Janeiro during a stay at the home of Eduardo Kac. Following his return to Belo Horizonte he participated in performative developments associated with the former Cemflores environment.1980s. Musical activities associated with Sexo Explícito, Divergência Socialista and the cultural environment from which O Último Número emerged. Dolabela worked as lyricist and vocalist for Divergência Socialista.MAIL ARTMail Art correspondence from Unhandeijara Lisboa sent from João Pessoa to Marcelo Dolabela in Belo Horizonte. Records from January and March document direct exchange involving visual poetry, Mail Art and networks connected with the Process Poem field.Late 1979 and early 1980. Material from Calgary, Canada, connected with Chuck Stake and an international project concerning 1984 reached Marcelo Dolabela. The material confirms contact with Canadian Correspondence Art and Mail Art networks but does not by itself establish Dolabela as an exhibiting participant in that specific exhibition.Cemflores entered an international Mail Art network and organized the Primeira Mostra Internacional de Arte Postal de Belo Horizonte, Todos os Arquinimigos dos Supermen, at FAFICH UFMG. Documented names include Julio Plaza, Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, J. Medeiros, Falves Silva, Bené Fonteles, Maria Irene Ribeiro, Teresa Poester, Alberto Harrigan, Joaquim Branco, Hugo Pontes, Nicolas Behr and Hudinilson Jr.João Proteti sent Marcelo Dolabela a postal artwork combining drawing, collage, graphic intervention and correspondence.A series of visual correspondences from Paulo Ró to Marcelo Dolabela is documented in May, June and August, incorporating collage, drawing, painting and appropriated materials.João da Rua sent work from Natal, Rio Grande do Norte, to Marcelo Dolabela and requested material for the experimental publication Avaca Mecânica, linking correspondence poetry, Mail Art and process oriented practices.Marcelo Dolabela appears in a documentary photograph during a Mail Art exhibition at FAFICH together with members of Cemflores.Avelino de Araújo sent a work from the Exercícios de Caligrafia series to Marcelo Dolabela, documenting exchange between Rio de Janeiro and Belo Horizonte.Akemi Waki sent Marcelo Dolabela a card combining a typewritten poem, collage, graphic intervention and postal circulation.Grupo Picaré de Literatura e Arte in Santos sent a card to Marcelo Dolabela thanking him for sending Setembro and documenting independent literary circulation between São Paulo and Minas Gerais.P. J. Ribeiro sent Marcelo Dolabela an envelope and Mail Art work combining drawing, collage, appropriated imagery and visual poetry.Joaquim Branco sent Marcelo Dolabela the work FMI, documenting exchange connecting experimental poetry, Mail Art and alternative communication.Maynand Sobral sent Marcelo Dolabela a postal work based on the word FOME and a movable circular element.Moisés Ramires sent Marcelo Dolabela cards combining graphic interventions and correspondence concerning independent music, performances and cultural projects.Marcelo Dolabela and Comissão BH 100 Temporada de Poesia are documented as recipients of Mail Art from Roberto Keppler, showing the continuation of experimental poetry and alternative communication networks in Belo Horizonte.BOOKS AND PUBLICATIONSAtravés das Paredes. Documented among Marcelo Dolabela's early publications.Arte Suor Souvenir. Publication associated with the beginning of Dolabela's literary career.Coração malasarte. Poetry book.Radicais. Poetry book.ABZ do Rock Brasileiro. Research publication concerning Brazilian rock music.Amônia. Poetry book.Poeminhas & outros poemas. Poetry book.Letrolatria. Belo Horizonte. Edition of 200 copies. Loose visual poems produced between 1975 and 1996 and housed in a box. Documented in the Artists Book Collection at UFMG.Batuques de limeriques. Poetry book.Lorem ipsus: antologia poética & outros poemas. Belo Horizonte. Minimem.ria.Antologia dez faces. Edited by Camilo Lara, Carlos Augusto Novais and Marcelo Dolabela. Belo Horizonte. O Lutador.Acre Ácido Azedo. Poetry book.Lira dos 60 anos: meus poemas favoritos & prediletos. Poetry book.Jogo que Jogo. Posthumous anthology edited by Gustavo Cerqueira Guimarães. Impressões de Minas. 160 pages. Contains 145 poems organized into nine series, including 37 identified as previously unpublished.JOURNALS AND INDEPENDENT PUBLICATIONS1978 to 1979. Cemflores magazine. Four issues in large format, printed in offset with support from the UFMG student organization. Content included manifestos, visual poetry, translations and graphic experimentation.Late 1970s and early 1980s. Aqui Ó. Four documented issues produced for alternative circulation.Late 1970s and early 1980s. Cemflores Pirata. Two documented issues consisting of sheets printed on both sides with poems and images.Early 1980s. Alegria Bluesbanda. Four documented issues characterized by visual and poetic experimentation.1980 to 1982. Approximately fifty individual and collaborative booklets were produced in the Cemflores environment and circulated directly in bars, political demonstrations and independent cultural networks.EXHIBITIONS AND PROJECTSPrimeira Mostra Internacional de Arte Postal de Belo Horizonte, Todos os Arquinimigos dos Supermen. FAFICH UFMG, Belo Horizonte. Organized within the Cemflores environment and international Mail Art network.Mail Art exhibition at FAFICH, Belo Horizonte. Marcelo Dolabela appears in photographic documentation together with other Cemflores participants.Poesia: a experiência visual. Temporada de Poesia, Belo Horizonte, Municipality of Belo Horizonte. Presentation, selection and organization by Marcelo Dolabela.Sentimentos do Mundo, UFMG, Belo Horizonte. Poetry performances by Marcelo Dolabela and Ricardo Aleixo with Chacal. The related program also included the exhibition Marginália & Experimentação: Poesia e Movimento Estudantil.Rock Brasileiro em 1000 discos. Exhibition organized by Marcelo Dolabela in connection with his extensive research and music collection.Marcelo Dolabela: arte, suor, souvenir. Exhibition at the Memory Center of the Faculty of Letters at UFMG devoted to his books, poetry and artistic trajectory. Institutional material specifically highlights his extensive activity in Mail Art.MUSIC1980s. Participation in the cultural and musical environments of Sexo Explícito and Divergência Socialista.Divergência Socialista. Christiane Keller. Album. Marcelo Dolabela as lyricist and vocalist.Divergência Socialista. Lilith Lunaire. Album. Marcelo Dolabela as lyricist and vocalist.FILMUakti. Screenwriting activity connected with the film by Rafael Conde.Maldito Popular Brasileiro: Arnaldo Baptista, by Patrícia Moran. Documented screenwriting participation.A hora vagabunda, by Rafael Conde. Documented work as co screenwriter.PROFESSIONAL AND ACADEMIC ACTIVITIESProfessor in higher education for more than three decades. Researcher of Brazilian poetry and music. Maintained a weekly column in the Belo Horizonte newspaper Hoje em Dia for more than ten years. His professional activities also included poetry, music criticism, editing, research, film, performance and cultural organization.PUBLIC COLLECTIONS AND ARCHIVESArtists Book Collection, Federal University of Minas Gerais. Preserves Letrolatria, Belo Horizonte, 2000, edition of 200 copies, containing visual poems produced from 1975 to 1996.Marcelo Dolabela Archive. A collection assembled by the artist over more than forty years, containing thousands of documents, publications, photographs, slides, audiovisual material, letters, notes and Mail Art. Part of the material is being organized and made accessible through the Dadalobela digital archive.RELATIONSHIP WITH THE PROCESS POEM MOVEMENTThe sources consulted do not provide sufficient documentation to identify Marcelo Dolabela as a founder or historical member of the Process Poem Movement. His later connection with artists and networks related to the movement is nevertheless strongly documented through visual poetry and Mail Art. Names appearing in these networks include Unhandeijara Lisboa, Falves Silva, J. Medeiros, Joaquim Branco and Avelino de Araújo.DOCUMENTED CHRONOLOGYBorn in Lajinha, Minas Gerais.1975 to 1996. Period of the visual poems later collected in Letrolatria.Publication of Arte Suor Souvenir and documentation of Através das Paredes. Activity within the Cemflores environment.1978 to 1979. Publication of Cemflores magazine.Mail Art correspondence with Unhandeijara Lisboa.Cemflores enters the international Mail Art network. Organization of Todos os Arquinimigos dos Supermen at FAFICH UFMG. Correspondence with João Proteti, Paulo Ró and other artists.Mail Art exhibition at FAFICH. Correspondence with Avelino de Araújo and Akemi Waki.Exchange with Grupo Picaré.Correspondence with P. J. Ribeiro and Joaquim Branco.Radicais.Christiane Keller with Divergência Socialista.ABZ do Rock Brasileiro. Film activity connected with Uakti. Mail Art exchange with Maynand Sobral.Correspondence with Moisés Ramires.Lilith Lunaire with Divergência Socialista.Film activity connected with Maldito Popular Brasileiro: Arnaldo Baptista.Organization of Poesia: a experiência visual in Belo Horizonte.Amônia.Poeminhas & outros poemas. Film activity connected with A hora vagabunda.Letrolatria.Batuques de limeriques.Lorem ipsus: antologia poética & outros poemas.Co editing of Antologia dez faces.Performance in the UFMG Sentimentos do Mundo program.Rock Brasileiro em 1000 discos.Acre Ácido Azedo.Lira dos 60 anos.Death in Belo Horizonte.Posthumous publication of Jogo que Jogo and a UFMG exhibition devoted to his work.O texto foi estruturado segundo o prompt mestre fornecido, que exige quatro entregas, biografia em português e inglês e currículo em português e inglês, com rigor documental, separação das categorias e atenção específica a Arte Postal, Mail Art, poesia visual e campos associados.
