Sobre
Arquivo do Poema Processo das origens até hoje.
Coleção: Otavio Cutait Abdalla e Gustavo Cutait Abdalla
Obras provenientes do arquivo único e original de Wlademir Dias Pino, Neide de Sá e Alvaro de Sá, entre outros.

CRONOLOGIA DO POEMA PROCESSO
Origens e Antecedentes 1950 a 1966
O Poema Processo surgiu como uma das mais importantes vanguardas da arte e da poesia experimental brasileira do século XX. Suas origens estão relacionadas às transformações promovidas pela poesia concreta, pelo neoconcretismo, pela poesia visual, pelo design gráfico moderno e pelas pesquisas interdisciplinares que marcaram a cultura brasileira entre as décadas de 1950 e 1960.
Entre os antecedentes fundamentais encontram se as experiências desenvolvidas por Wlademir Dias Pino, especialmente em obras como A Ave, Solida e outras investigações que ampliaram as possibilidades estruturais do poema para além da palavra escrita. Ao mesmo tempo, artistas, designers, arquitetos e poetas brasileiros buscavam novos sistemas de comunicação capazes de ultrapassar os limites do verso tradicional e da literatura convencional.
O ambiente cultural brasileiro do período era marcado pela industrialização, pela expansão dos meios de comunicação de massa, pela cultura visual urbana e pelo surgimento de novas linguagens artísticas que questionavam as fronteiras entre arte, poesia, design e informação.
Fundação do Movimento 1967
Em 15 de dezembro de 1967 ocorre a fundação pública do Poema Processo através de exposições simultâneas realizadas no Rio de Janeiro e em Natal. O movimento apresenta uma proposta radical que rompe com a centralidade da palavra e propõe uma nova concepção de poema baseada em estruturas visuais, processos de leitura, sistemas informacionais e mecanismos de participação do observador.
Participam da formação inicial nomes como Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Neide Dias de Sá, Moacy Cirne, Anchieta Fernandes, Dailor Varela e diversos outros artistas e pesquisadores.
A data de 15 de dezembro de 1967 é reconhecida como o marco oficial de nascimento do movimento.
Consolidação Conceitual 1968
Durante 1968 o Poema Processo desenvolve seus principais fundamentos teóricos. O movimento passa a defender o poema como sistema aberto, processo informacional e estrutura dinâmica.
Os participantes questionam a permanência da palavra como elemento obrigatório da poesia e defendem a criação de linguagens capazes de operar por imagens, sinais, formas, diagramas, objetos, sequências e estruturas visuais.
Nesse período são produzidos manifestos, textos críticos, exposições e experiências coletivas que consolidam o movimento como uma das mais radicais propostas de renovação da poesia internacional.
Expansão Nacional 1968 a 1969
Entre 1968 e 1969 o Poema Processo amplia significativamente sua presença no cenário cultural brasileiro. Exposições, debates, publicações e ações experimentais são realizadas em diferentes estados.
O movimento passa a reunir artistas visuais, poetas, designers, arquitetos, professores universitários e pesquisadores interessados na criação de novos sistemas de comunicação estética.
As propostas do grupo dialogam com questões relacionadas à semiótica, teoria da informação, comunicação visual, cultura gráfica, participação do público e crítica aos modelos tradicionais da literatura.
O Episódio Rasga Rasga 1969
Um dos acontecimentos mais conhecidos da história do Poema Processo ocorre em 1969 com a realização da ação denominada Rasga Rasga.
O evento simboliza a ruptura dos participantes com modelos considerados esgotados da poesia tradicional e representa um dos gestos mais emblemáticos das vanguardas brasileiras do período.
O episódio permanece como um dos momentos mais discutidos na historiografia da poesia experimental brasileira.
Internacionalização e Redes Experimentais 1970
A partir de 1970 o Poema Processo intensifica seus contatos internacionais. Os artistas estabelecem relações com criadores da América Latina, Europa, América do Norte e Ásia.
Essas conexões aproximam o movimento de experiências ligadas à poesia visual, poesia experimental, arte conceitual, livros de artista e sistemas alternativos de comunicação.
O diálogo internacional amplia a circulação das propostas brasileiras e insere o Poema Processo em uma rede global de experimentação artística.
Última Fase Coletiva 1971 a 1972
Entre 1971 e 1972 o movimento atinge elevado grau de elaboração teórica e formal.
São produzidos poemas visuais, matrizes, objetos processuais, estruturas combinatórias, poemas participativos, jogos visuais e experiências intersemióticas que aprofundam a ideia do poema como processo.
A repressão política do período, associada às dificuldades estruturais de circulação cultural, contribui para a redução gradual das atividades coletivas.
Embora o movimento organizado se encerre, seus conceitos continuam ativos através da produção individual de seus participantes.
Arte Postal e Novas Redes 1973 a 1980
Após o encerramento das atividades coletivas, muitos artistas ligados ao Poema Processo passam a atuar intensamente nas redes internacionais de arte postal.
Cartões de artista, envelopes, selos de artista, carimbos, publicações independentes, xerografias, livros de artista e intervenções gráficas tornam se meios fundamentais de circulação das propostas experimentais.
As redes de Mail Art conectam artistas brasileiros a centenas de criadores em diferentes continentes, ampliando a presença internacional das ideias originadas no Poema Processo.
Revisão Histórica 1980 a 1999
Durante as décadas de 1980 e 1990 ocorre uma crescente reavaliação crítica do movimento.
Pesquisadores, universidades, museus, arquivos e centros culturais passam a reconhecer a importância histórica do Poema Processo para a compreensão das vanguardas brasileiras.
Exposições retrospectivas, dissertações, teses, livros e artigos acadêmicos contribuem para consolidar sua relevância na história da arte contemporânea.
Reconhecimento Internacional 2000 a 2020
Nas primeiras décadas do século XXI o Poema Processo passa a ser cada vez mais estudado em pesquisas internacionais relacionadas à poesia experimental, arte conceitual, design gráfico, cultura visual, semiótica, intermidialidade e redes de comunicação artística.
Documentos históricos, manifestos, obras originais e correspondências tornam se objeto de interesse crescente por parte de pesquisadores brasileiros e estrangeiros.
Arquivo Poema Processo e Preservação Digital 2020 até o presente
A preservação da memória do movimento entra em uma nova etapa com a digitalização sistemática de documentos históricos, obras originais, cartas, catálogos, convites, livros de artista, periódicos, fotografias e registros documentais.
O Arquivo Poema Processo reúne milhares de itens relacionados ao movimento, seus artistas, suas exposições e suas conexões internacionais.
O objetivo do projeto é preservar, pesquisar e difundir a história do Poema Processo, da poesia visual, da arte postal, da poesia experimental e das redes alternativas de comunicação artística que transformaram a cultura contemporânea
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