Cartão de Arte Postal de Marcelo Dolabela intitulado Joseph Stalin loves you, produzido em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.
Marcelo Dolabela
04043 - - Cartao
10,5 x 14,2 cm
TEXTO PARA O SALSA EM PORTUGUÊS
Cartão de Arte Postal de Marcelo Dolabela intitulado Joseph Stalin loves you, produzido em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. A peça integra a produção experimental do artista relacionada à Mail Art, Arte Postal, poesia visual, apropriação de imagens, cultura de massa, intervenção gráfica e arte conceitual. O cartão utiliza suporte em papel de tonalidade alaranjada e apresenta na frente uma imagem impressa de Joseph Stalin acompanhado por outras figuras, apropriada de material gráfico ou fotográfico e transformada em elemento de uma proposição poética e política.
Abaixo da imagem encontra se a inscrição manuscrita Joseph Stalin loves you. A construção estabelece uma associação contraditória entre a imagem histórica de Stalin e uma declaração afetiva formulada em inglês. A palavra loves introduz uma linguagem de proximidade e afeto em contraste com uma figura associada ao poder político, ao autoritarismo e à propaganda do século XX. Esse deslocamento produz ironia e ambiguidade, características recorrentes das práticas de apropriação e ressignificação desenvolvidas pela Arte Postal e pela poesia visual.
A composição também trabalha diretamente com a lógica da comunicação de massa. A fotografia reproduzida deixa de funcionar apenas como documento histórico e passa a ser manipulada como signo visual. A frase Joseph Stalin loves you modifica sua leitura, transformando o retrato político em uma mensagem aparentemente pessoal dirigida ao observador. A obra opera assim entre propaganda, comunicação, imagem pública, ironia, poder e construção ideológica.
No verso aparece a palavra HATE, em inglês, posicionada isoladamente na região inferior esquerda. A presença de HATE estabelece uma oposição direta à palavra loves da frente do cartão. Amor e ódio passam a constituir os dois polos semânticos da peça, conectados através das duas faces do mesmo objeto. Essa oposição amplia o sentido conceitual do trabalho e transforma o ato de virar o cartão em parte de sua leitura. Na frente encontra se a declaração de amor e no verso surge a palavra ódio, criando uma estrutura baseada em contradição, inversão e deslocamento.
Também aparece no verso, em disposição vertical, a identificação MARCELO DOLABELA, RUA TUPIS 207, apartamento 1101, BELO HORIZONTE, MG, registrando o endereço utilizado pelo artista em sua produção e circulação postal. Há ainda área reservada para selo e linhas destinadas ao endereço do destinatário, evidenciando que o trabalho foi concebido para funcionar dentro do sistema de correspondência.
Joseph Stalin loves you constitui um documento significativo da produção de Marcelo Dolabela e de sua investigação sobre imagem, palavra, comunicação e apropriação. O cartão aproxima Arte Postal, poesia visual, arte conceitual e crítica dos códigos políticos e midiáticos. A relação entre Joseph Stalin, loves e HATE transforma uma imagem histórica reconhecível em uma estrutura poética aberta, na qual afeto e violência, propaganda e intimidade, poder e comunicação entram em conflito.
TEXT FOR SALSA IN ENGLISH
Mail Art postcard by Marcelo Dolabela entitled Joseph Stalin loves you, produced in Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil. The piece belongs to the artist's experimental production associated with Mail Art, Postal Art, visual poetry, image appropriation, mass culture, graphic intervention and conceptual art. The postcard uses an orange toned paper support and presents on the front a printed image of Joseph Stalin accompanied by other figures, appropriated from graphic or photographic material and transformed into an element of a poetic and political proposition.
Below the image appears the handwritten statement Joseph Stalin loves you. The construction establishes a contradictory association between the historical image of Stalin and an affectionate declaration formulated in English. The word loves introduces a language of intimacy and affection in contrast with a figure associated with political power, authoritarianism and twentieth century propaganda. This displacement creates irony and ambiguity, characteristics frequently explored through appropriation and resignification in Mail Art and visual poetry.
The composition also engages directly with the logic of mass communication. The reproduced photograph ceases to function only as a historical document and is manipulated as a visual sign. The statement Joseph Stalin loves you changes its interpretation, transforming a political portrait into an apparently personal message addressed to the viewer. The work therefore operates between propaganda, communication, public imagery, irony, power and ideological construction.
On the reverse appears the isolated word HATE in the lower left area. The presence of HATE creates a direct opposition to the word loves on the front. Love and hate become the two semantic poles of the work, connected through the two sides of the same object. This opposition expands the conceptual meaning of the piece and makes the physical act of turning the postcard part of its reading. The front presents a declaration of love while the reverse introduces the word hate, establishing a structure based on contradiction, inversion and displacement.
The reverse also presents vertically the identification MARCELO DOLABELA, RUA TUPIS 207, apartment 1101, BELO HORIZONTE, MG, documenting the address used by the artist in his production and postal circulation. A designated postage area and address lines are also present, demonstrating that the work was conceived to function within the correspondence system.
Joseph Stalin loves you is a significant document of Marcelo Dolabela's production and his investigation of image, language, communication and appropriation. The postcard connects Postal Art, visual poetry, conceptual art and a critical engagement with political and media codes. The relationship between Joseph Stalin, loves and HATE transforms a recognizable historical image into an open poetic structure in which affection and violence, propaganda and intimacy, power and communication confront one another.


