Home Acervo Impressão gráfica da obra Descodificar o Irreal, de Marcelo Dolabela, estruturada como composição de poesia visual e experimentação gráfica baseada na relação entre escrita, imagem, signo, tempo, linguagem e percepção.

Impressão gráfica da obra Descodificar o Irreal, de Marcelo Dolabela, estruturada como composição de poesia visual e experimentação gráfica baseada na relação entre escrita, imagem, signo, tempo, linguagem e percepção.

Marcelo Dolabela

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01442 - - Cartao

11 x 26 cm

Texto para o Salsa em português

Impressão gráfica da obra Descodificar o Irreal, de Marcelo Dolabela, estruturada como composição de poesia visual e experimentação gráfica baseada na relação entre escrita, imagem, signo, tempo, linguagem e percepção. A obra reúne diferentes sistemas de representação e comunicação em uma mesma superfície, criando uma espécie de painel visual em que códigos reconhecíveis e códigos de leitura incerta coexistem.

Na margem esquerda aparece verticalmente o título Descodificar o Irreal. A escolha desse enunciado funciona como chave conceitual para toda a composição. A obra propõe uma operação de leitura em que o observador é confrontado com diferentes formas de codificação e precisa estabelecer relações entre sinais gráficos, imagens figurativas, palavras, símbolos e estruturas visuais.

A área esquerda é ocupada por uma extensa sequência de sinais manuscritos ou pseudoescrita. Esses sinais lembram uma escrita codificada, taquigráfica ou inventada, mas não oferecem uma leitura verbal imediata. O conjunto cria a aparência de um texto cuja compreensão depende de uma chave ausente. Dessa forma, a própria ideia de decodificação torna se parte material da experiência da obra.

Na região superior central aparece a imagem de um relógio ou instrumento de marcação temporal. O relógio introduz o tempo como outro sistema de codificação. Horas, ponteiros e mostradores funcionam como convenções visuais universalmente reconhecidas, em contraste com os sinais ilegíveis da área esquerda. Logo abaixo aparece a expressão OUT DOR, dividida graficamente em dois segmentos. Essa construção pode remeter visualmente ao termo outdoor e simultaneamente permitir outras associações semânticas a partir da separação entre OUT e DOR.

Abaixo do relógio encontra se um módulo tipográfico dividido por uma forma semelhante a uma fechadura ou buraco de chave. À esquerda e à direita dessa forma aparecem conjuntos de letras em diferentes orientações e disposições. A fechadura introduz visualmente a ideia de acesso, abertura, segredo, código e chave, reforçando o conceito geral de decodificação sugerido pelo título.

Na área direita aparece uma figura apropriada de personagem de histórias em quadrinhos em posição dinâmica, sobre um campo constituído por linhas horizontais. A figura está integrada a uma estrutura gráfica que lembra simultaneamente linhas de escrita, pauta, grade de registro ou superfície de reprodução. O personagem reconhecível da cultura de massa passa a funcionar como mais um signo dentro da montagem visual.

A composição estabelece um confronto entre linguagens conhecidas e desconhecidas. De um lado estão o relógio, a figura de quadrinhos e elementos tipográficos reconhecíveis. De outro aparecem sinais indecifráveis, letras fragmentadas e combinações gráficas que resistem à leitura imediata. Essa oposição transforma o ato de olhar em tentativa de interpretação e posiciona a obra no campo da poesia visual, em que o significado nasce tanto das palavras quanto da organização espacial dos signos.

O termo Descodificar o Irreal sugere uma investigação dos mecanismos pelos quais a realidade é produzida, representada e interpretada através de códigos. A obra não apresenta uma narrativa linear. Em vez disso, oferece fragmentos que precisam ser relacionados pelo observador. Tempo, escrita, cultura de massa, sinal gráfico, linguagem, segredo e imagem são tratados como sistemas paralelos de produção de sentido.

Na parte inferior direita encontra se a identificação Marcelo Dolabela, confirmando a autoria da impressão. O formato horizontal e a organização modular reforçam seu caráter de peça gráfica concebida para reprodução e circulação. Embora a imagem apresentada não possua data visível, seus procedimentos podem ser relacionados ao conjunto da produção experimental de Dolabela baseada em poesia visual, apropriação, montagem, reprodução gráfica e circulação de impressos.

Descodificar o Irreal constitui documento importante da pesquisa verbo visual de Marcelo Dolabela. A obra demonstra seu interesse pela transformação da linguagem em matéria gráfica e pela confrontação entre sistemas de comunicação. O trabalho aproxima escrita e imagem, legibilidade e ilegibilidade, realidade e representação, estabelecendo uma experiência de leitura que depende da participação ativa do observador.

Palavras e entidades relevantes para indexação incluem Marcelo Dolabela, Descodificar o Irreal, poesia visual, poesia experimental, arte gráfica, impressão gráfica, linguagem visual, código, decodificação, pseudoescrita, relógio, tempo, tipografia experimental, cultura de massa, histórias em quadrinhos, apropriação, montagem, comunicação visual, arte conceitual, publicação de artista, arte postal e arte experimental brasileira.

Salsa text in English

Descodificar o Irreal is a graphic work by Marcelo Dolabela structured as a visual poetry composition and an experiment with the relationships between writing, image, sign, time, language and perception. The work brings different systems of representation and communication together on a single surface, creating a visual field in which recognizable codes coexist with forms whose reading remains uncertain.

The title Descodificar o Irreal appears vertically along the left margin and functions as a conceptual key to the composition. The work proposes an act of reading in which the viewer is confronted with several forms of encoding and must establish relationships between graphic signals, figurative images, words, symbols and visual structures.

The left section is occupied by an extensive sequence of handwritten signs or pseudo writing. These marks resemble coded, shorthand or invented writing, but they do not offer an immediately accessible verbal reading. The sequence creates the appearance of a text whose interpretation would require a missing key. The idea of decoding therefore becomes a material component of the work itself.

In the upper central section appears the image of a clock or time measuring instrument. The clock introduces time as another coding system. Hours, hands and dials operate through widely recognizable visual conventions, contrasting with the unreadable signs occupying the left side. Immediately below appears the expression OUT DOR, graphically divided into two parts. This construction visually evokes the word outdoor while also opening other semantic possibilities through the separation between OUT and DOR.

Below the clock is a typographic module divided by a form resembling a keyhole. Groups of letters appear on both sides of this shape in different orientations and arrangements. The keyhole introduces associations with access, opening, secrecy, code and key, strengthening the broader concept of decoding established by the title.

On the right side, an appropriated comic book character appears in a dynamic pose against a field of horizontal lines. The figure is incorporated into a graphic structure that can resemble lines of writing, a ruled surface, a recording grid or a reproductive field. The recognizable figure from mass culture becomes another sign within the visual montage.

The composition establishes a confrontation between familiar and unfamiliar languages. The clock, comic figure and certain typographic elements are recognizable, while the pseudo writing, fragmented letters and unconventional combinations resist immediate interpretation. This opposition transforms looking into an act of interpretation and places the work within visual poetry, where meaning emerges through both language and the spatial organization of signs.

The title Descodificar o Irreal suggests an investigation into the mechanisms through which reality is produced, represented and interpreted through codes. The work does not offer a linear narrative. Instead, it presents fragments that viewers must connect. Time, writing, mass culture, graphic signs, language, secrecy and image operate as parallel systems for producing meaning.

Marcelo Dolabela's name appears at the lower right, confirming authorship. The horizontal format and modular organization reinforce the character of the piece as a graphic work conceived for reproduction and circulation. Although no visible date appears in the supplied image, its procedures relate to Dolabela's broader experimental practice involving visual poetry, appropriation, montage, graphic reproduction and circulating printed matter.

Descodificar o Irreal is an important document of Marcelo Dolabela's verbal visual research. The work demonstrates his interest in transforming language into graphic material and in confronting different communication systems. Writing and image, legibility and illegibility, reality and representation are placed into tension, creating a reading experience that depends on the viewer's active participation.

Relevant indexing entities and terms include Marcelo Dolabela, Descodificar o Irreal, visual poetry, experimental poetry, graphic art, graphic print, visual language, code, decoding, pseudo writing, clock, time, experimental typography, mass culture, comics, appropriation, montage, visual communication, conceptual art, artists publication, mail art and Brazilian experimental art.

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