Home Acervo Marcelo Dolabela. 100 Flores. O Aqui. Belo Horizonte, Minas Gerais, 1979. Livro de artista e publicação experimental vinculada ao ambiente de produção independente de Marcelo Dolabela e do coletivo Cemflores, também representado graficamente como 100 Flores.

Marcelo Dolabela. 100 Flores. O Aqui. Belo Horizonte, Minas Gerais, 1979. Livro de artista e publicação experimental vinculada ao ambiente de produção independente de Marcelo Dolabela e do coletivo Cemflores, também representado graficamente como 100 Flores.

Marcelo Dolabela

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04023 - 1979 - Livro de Artista

16 x 10,7 cm

Marcelo Dolabela. 100 Flores. O Aqui. Belo Horizonte, Minas Gerais, 1979. Livro de artista e publicação experimental vinculada ao ambiente de produção independente de Marcelo Dolabela e do coletivo Cemflores, também representado graficamente como 100 Flores. O exemplar documenta um momento inicial da atuação de Dolabela na poesia marginal, poesia visual, experimentação gráfica, edição alternativa e circuitos independentes de Belo Horizonte no final da década de 1970. Pesquisas acadêmicas sobre o arquivo de Marcelo Dolabela confirmam que o Cemflores surgiu em Belo Horizonte em 1978, no contexto do movimento estudantil, da contracultura e das práticas coletivas de poesia e arte, desenvolvendo revistas, impressos, livretos, poesia visual e posteriormente ações ligadas à Arte Postal.

A capa apresenta composição gráfica manual em preto sobre papel de tonalidade parda. No alto aparece a inscrição PÔSTER DOS PROFESSORES, acompanhada abaixo pela expressão NO MEIO. No centro da página encontra se uma grande estrutura circular, formada por linhas grossas e uma extensa área negra curva, dentro da qual aparece a palavra AQUI seguida de ponto de exclamação. Na região superior direita surge uma pequena construção gráfica angular semelhante a uma seta, forma geométrica ou sinal de orientação. Na parte inferior encontram se as inscrições HUM e 100FLORES. A composição utiliza deliberadamente desenho manual, letras irregulares, contraste monocromático, síntese gráfica e aparência de impressão artesanal.

A indicação 100FLORES constitui elemento importante para a identificação histórica da publicação. Ela remete ao Cemflores, coletivo que surgiu em Belo Horizonte em 1978 e que reuniu estudantes e trabalhadores em arte ligados à Universidade Federal de Minas Gerais, ao movimento estudantil e às práticas culturais alternativas. A produção do grupo articulava poesia, artes visuais, manifestações políticas, publicação independente, experimentação gráfica e circulação direta de impressos.

Entre as publicações relacionadas ao ambiente do Cemflores encontra se Aqui Ó, documentada pela pesquisa de Clara Albinati sobre o grupo. O estudo registra a existência de quatro números de Aqui Ó, além de Cemflores Pirata, Alegria Bluesbanda e numerosos livretos produzidos por seus participantes. Essas publicações eram realizadas por meios gráficos econômicos e integravam uma prática de circulação alternativa na qual produção editorial, poesia e intervenção cultural se confundiam.

O exemplar de 1979 apresentado aqui deve ser compreendido dentro desse contexto de publicação independente. Sua visualidade privilegia o impacto imediato da palavra AQUI, colocada no centro de uma estrutura circular que transforma a expressão verbal em acontecimento gráfico. O termo deixa de funcionar apenas como palavra e passa a indicar posição, presença e localização. A leitura é simultaneamente linguística e visual.

A grande figura circular pode ser interpretada formalmente como dispositivo de enquadramento e concentração da leitura. O olhar é conduzido para o núcleo onde se encontra AQUI, enquanto a massa negra curva estabelece tensão entre espaço cheio e espaço vazio. Essa articulação aproxima o trabalho das experiências de poesia visual em que tipografia, desenho, sinal, composição e disposição espacial participam da construção do poema.

A palavra AQUI possui também uma dimensão espacial particularmente significativa. Ela designa o lugar presente e, impressa no centro da página, transforma o próprio suporte em referência. A página não funciona simplesmente como recipiente do texto. Ela passa a participar semanticamente do trabalho. A localização da palavra e sua relação com o círculo produzem uma leitura na qual espaço gráfico e linguagem se tornam inseparáveis.

A expressão PÔSTER DOS PROFESSORES introduz outra camada de leitura. A formulação sugere relação com o ambiente universitário, acadêmico ou educacional, enquanto a expressão NO MEIO reforça novamente uma lógica de posição espacial. A composição combina referências verbais ao lugar com a disposição concreta dos elementos na página, construindo um jogo entre dentro, fora, centro, meio e presença.

A inscrição HUM na área inferior pode funcionar simultaneamente como palavra, som, interjeição ou unidade gráfica. Ao lado de 100FLORES, ela contribui para o caráter experimental da página e para a ruptura com uma leitura discursiva tradicional.

O trabalho integra o período inicial da trajetória de Marcelo Dolabela em Belo Horizonte. Dolabela estava relacionado ao ambiente do Cemflores e à produção de impressos independentes desde o final da década de 1970. Seu arquivo pessoal preservou durante mais de quarenta anos documentos, revistas, publicações, fotografias, correspondências e obras relacionadas às experiências do grupo e às redes experimentais brasileiras.

A importância de O Aqui dentro desse contexto reside também em sua condição editorial. O objeto aproxima livro de artista, livreto, publicação de artista, poesia visual e impresso independente. Sua materialidade simples, a economia cromática, o desenho manual e a integração entre palavra e imagem correspondem a estratégias recorrentes das publicações alternativas brasileiras da década de 1970, nas quais restrições materiais podiam ser incorporadas como linguagem estética.

O documento antecede a inserção mais ampla de Marcelo Dolabela e do Cemflores nas redes internacionais de Arte Postal durante o início da década de 1980. A pesquisa histórica sobre o coletivo registra que o grupo passou posteriormente a desenvolver intercâmbios internacionais e mostras de Mail Art em Belo Horizonte. Dessa maneira, publicações como O Aqui ajudam a documentar o ambiente gráfico, editorial e coletivo a partir do qual se ampliariam as relações de Dolabela com poesia visual, Arte Postal, Mail Art e redes alternativas de circulação artística.

O exemplar constitui fonte primária para pesquisas sobre Marcelo Dolabela, Cemflores, 100 Flores, Aqui Ó, Belo Horizonte, Minas Gerais, poesia marginal, poesia visual, publicação independente, publicação de artista, livro de artista, arte gráfica, contracultura, movimento estudantil, Universidade Federal de Minas Gerais, cultura alternativa brasileira, Arte Postal e Mail Art.

Palavras chave para indexação: Marcelo Dolabela, Marcelo Gomes Dolabela, 100 Flores, Cemflores, O Aqui, Aqui Ó, Belo Horizonte, Minas Gerais, 1979, livro de artista, publicação de artista, publicação experimental, poesia visual, poesia marginal, poesia experimental, arte gráfica, design gráfico experimental, tipografia experimental, publicação independente, contracultura brasileira, movimento estudantil, UFMG, Universidade Federal de Minas Gerais, Arte Postal, Mail Art, arte correio, redes alternativas, poesia brasileira, arte brasileira dos anos 1970.

Salsa text in English

Marcelo Dolabela. 100 Flores. O Aqui. Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil, 1979. Artists book and experimental publication associated with the independent publishing environment of Marcelo Dolabela and the Cemflores collective, also represented graphically as 100 Flores. The documented copy belongs to an early period in Dolabela's activities involving Brazilian Marginal Poetry, visual poetry, graphic experimentation, alternative publishing and independent cultural networks in Belo Horizonte during the late 1970s. Academic research on the Marcelo Dolabela archive confirms that Cemflores emerged in Belo Horizonte in 1978 within the context of the student movement, counterculture and collective practices involving poetry and art, producing magazines, printed matter, booklets, visual poetry and later activities connected with Mail Art.

The cover presents a manually constructed black graphic composition printed on brownish paper. At the top appears the inscription PÔSTER DOS PROFESSORES, followed below by NO MEIO. A large circular structure dominates the center of the page, formed by heavy lines and a broad curved black area. Inside this structure appears the word AQUI followed by an exclamation mark. In the upper right area is a small angular graphic construction resembling an arrow, geometric form or directional sign. At the bottom are the inscriptions HUM and 100FLORES. The composition deliberately employs handmade lettering, irregular forms, monochromatic contrast, graphic synthesis and the visual character of an artisanal publication.

The inscription 100FLORES is important for the historical identification of the publication. It relates to Cemflores, a collective that emerged in Belo Horizonte in 1978 and brought together students and cultural workers connected with the Federal University of Minas Gerais, the student movement and alternative cultural practices. The group's production combined poetry, visual art, political manifestations, independent publishing, graphic experimentation and direct circulation of printed material.

Among publications connected with the Cemflores environment was Aqui Ó, documented in Clara Albinati's research on the collective. The study records four issues of Aqui Ó together with Cemflores Pirata, Alegria Bluesbanda and numerous booklets produced by participants. Such publications used economical graphic processes and belonged to an alternative circulation system in which editorial production, poetry and cultural intervention overlapped.

The 1979 example documented here should be understood within this independent publishing context. Its visual structure gives immediate prominence to the word AQUI, placing it at the center of a circular form and transforming verbal language into a graphic event. The term no longer functions only as a word. It simultaneously indicates position, presence and location.

The large circular form can be formally understood as a device for framing and concentrating the act of reading. The viewer is directed toward the central word AQUI while the curved black mass produces tension between occupied and empty space. This articulation connects the publication with visual poetry practices in which typography, drawing, signs, composition and spatial organization participate directly in the construction of the poem.

The word AQUI also possesses a particularly significant spatial dimension. It identifies the present place and, because it appears at the center of the page, converts the physical support itself into a reference. The page is therefore not simply a container for text. It becomes an active semantic component of the work.

The expression PÔSTER DOS PROFESSORES introduces another interpretive layer. It suggests a relationship with a university, academic or educational environment, while NO MEIO again establishes a spatial logic. The composition combines verbal references to place with the concrete positioning of elements on the page, creating relationships among inside, outside, center, middle and presence.

The inscription HUM at the bottom may operate simultaneously as a word, sound, interjection or graphic unit. Together with 100FLORES it contributes to the experimental character of the publication and to its departure from conventional discursive reading.

The work belongs to the early period of Marcelo Dolabela's activities in Belo Horizonte. Dolabela was connected with the Cemflores environment and independent publishing from the late 1970s. His personal archive preserved for more than forty years magazines, publications, photographs, correspondence and other documents related to the collective and to Brazilian experimental networks.

The significance of O Aqui also derives from its editorial condition. The object occupies a field between artists book, booklet, artists publication, visual poetry and independent printed matter. Its simple material construction, restricted chromatic range, manual drawing and integration of word and image are consistent with strategies found in Brazilian alternative publishing during the 1970s, when material limitations could themselves become components of artistic language.

This publication predates the broader integration of Marcelo Dolabela and Cemflores into international Mail Art networks during the early 1980s. Historical research on the collective records the subsequent development of international exchanges and Mail Art exhibitions in Belo Horizonte. Publications such as O Aqui therefore help document the graphic, editorial and collective environment from which Dolabela's connections with visual poetry, Mail Art and alternative artistic networks expanded.

The work is a primary source for research concerning Marcelo Dolabela, Cemflores, 100 Flores, Aqui Ó, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazilian Marginal Poetry, visual poetry, independent publishing, artists publications, artists books, graphic art, counterculture, the student movement, the Federal University of Minas Gerais, Brazilian alternative culture and Mail Art.

Research and indexing terms: Marcelo Dolabela, Marcelo Gomes Dolabela, 100 Flores, Cemflores, O Aqui, Aqui Ó, Belo Horizonte, Minas Gerais, 1979, artists book, artists publication, experimental publication, visual poetry, Marginal Poetry, experimental poetry, graphic art, experimental graphic design, experimental typography, independent publishing, Brazilian counterculture, student movement, UFMG, Federal University of Minas Gerais, Mail Art, correspondence art, alternative art networks, Brazilian poetry, Brazilian art of the 1970s.