1a Exposição Nacional de Poema Processo - A 1a Grande Exposição do Movimento
Local de nascimento: Escola Superior de Desenho Industrial, ESDI, na Rua do Passeio, Rio de Janeiro,
Data de nascimento: 11 de dezembro de 1967
BIOGRAFIA EM PORTUGUÊSA 1ª Exposição Nacional de Poema Processo, identificada nos documentos originais também como Exposição Nacional Poema de Processo e Exposição Nacional Poemas de Processo, foi inaugurada em 11 de dezembro de 1967, às 17 horas, na Escola Superior de Desenho Industrial, ESDI, na Rua do Passeio, Rio de Janeiro, então Estado da Guanabara, Brasil. A manifestação integrou um lançamento nacional realizado simultaneamente no Rio de Janeiro e em Natal, Rio Grande do Norte, constituindo o marco público de apresentação do movimento Poema Processo. Um convite preservado registra a ESDI e a Rua do Passeio, enquanto outro informa Pavilhão de Exposição, Rua do Passeio 84, com a data 11.12.67 e o horário de 17 horas.A exposição não foi concebida apenas como reunião de trabalhos artísticos. A documentação preparatória demonstra que seus organizadores pensavam a mostra como instrumento de divulgação, experimentação, formação de público, participação coletiva e desenvolvimento de uma nova leitura do poema. No manuscrito de Neide de Sá sobre a organização da exposição aparecem conceitos como leitura de processo, processos informacionais, simultaneidade, levantamento de poetas de todo o Brasil, lançamento de revista, objeto poema, poema tipográfico e reprodutivo, além da preocupação em ampliar o número de participantes e pessoas atingidas. O mesmo documento registra estudantes e populares entre os públicos pretendidos e relaciona a escolha da Escola de Desenho Industrial às questões de objeto, reprodução e comunicação visual.A escolha da ESDI foi particularmente significativa para a natureza do evento. A aproximação entre Poema Processo e uma escola vinculada ao desenho industrial inseria a manifestação em um ambiente de programação visual, estrutura, informação, reprodução e projeto. No manuscrito de Neide de Sá, Carmen Portinho aparece ligada às providências para obtenção do espaço. O documento registra ainda que o catálogo da exposição seria associado ao suplemento de O Sol, datado de 9 de novembro de 1967, com Reinaldo Jardim como editor, estabelecendo uma conexão direta entre exposição, imprensa, design gráfico e circulação de ideias.O Programa de Trabalho da 1ª Exposição de Poema Processo confirma a dimensão operacional e coletiva da preparação. O documento registra atividades ligadas a dobrar, colar, distribuir, preparar textos, poemas, envelopes e cartazes, conseguir a chave do espaço, armar a exposição, utilizar projetor, chapas e display e organizar os trabalhos. Álvaro de Sá e Neide de Sá aparecem claramente entre os nomes relacionados às tarefas. O próprio verso do documento informa que o programa não foi integralmente cumprido, razão pela qual ele deve ser interpretado como registro das intenções e do planejamento e não como prova de que cada atividade prevista efetivamente ocorreu.Outro documento fundamental para compreender a formação da exposição é o Cronograma do Surgimento do Poema Processo, elaborado em 1969. O esquema reconstrói articulações desenvolvidas entre 1965 e dezembro de 1967 e coloca Wlademir Dias Pino em posição central, relacionando o surgimento do movimento a palestras sobre poesia experimental, concursos, contatos entre artistas, experiências em Natal, debates com slides, coleta de material para revista, impressão de cartazes, circulação pública e preparação de Ponto 1. Álvaro de Sá, Ariel Tacla, Neide Sá, José Luís Serafini, Nei Leandro de Castro, Dailor Varela, Anchieta Fernandes e Moacy Cirne aparecem nessa rede, juntamente com Fernando Goldgaber e Reinaldo Jardim em relações ligadas à organização e divulgação.A documentação teórica produzida no momento imediatamente posterior esclarece o sentido atribuído à manifestação. Em março de 1968, Moacy Cirne definiu o Poema Processo em relação à criação de novos processos informacionais, transformação contínua das estruturas, participação do espectador operador, funcionalidade, consumo e produção de novas linguagens. O texto atribui a Álvaro de Sá uma formulação do processo como relação dinâmica necessária entre estruturas e insiste na participação criativa como elemento capaz de converter a estrutura em processo.O documento Processo: A Leitura do Projeto, também de março de 1968, afirma que o movimento surgiu oficialmente em dezembro de 1967 com exposições nacionais simultâneas na Guanabara e no Rio Grande do Norte. Segundo esse registro contemporâneo do próprio grupo, participaram 25 poetas provenientes de nove estados: Guanabara, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco. O documento relaciona ainda o lançamento da revista Ponto 1 diretamente às exposições nacionais inaugurais. Esse total de 25 participantes refere se ao conjunto das exposições nacionais simultâneas e não deve ser confundido automaticamente com o número de nomes hoje legíveis na lista específica da exposição do Rio de Janeiro.A mais importante fonte atualmente disponível para reconstruir nominalmente os participantes e as obras da apresentação do Rio de Janeiro é a Lista Original Manuscrita de artistas e obras da 1ª Exposição Nacional de Poema Processo, documento datilografado em frente e verso e posteriormente complementado com anotações manuscritas. A lista constitui fonte primária porque relaciona diretamente artistas e trabalhos vinculados à exposição. Os convites estabelecem 11 de dezembro de 1967 como data de abertura, mas a própria lista apresenta no canto superior direito a anotação manuscrita Poemas que participaram da exposição de 15/12/67. Essa divergência deve ser preservada. A data de 11 de dezembro corresponde à abertura impressa nos convites, enquanto 15 de dezembro pode indicar outro momento da exposição ou da elaboração da relação.A relação documental atualmente legível registra José Luís Serafini com O Ovo; Pedro Bertolino com o conjunto Essencializações do Ser e referência a 11 cartazes; Cláudio Guimarães com quatro colagens; Jorge Antunes, sem título de obra determinado com segurança na transcrição atual; Marco Antonio Amaral Rezende com Som; Neide Dias de Sá; Álvaro de Sá; Wlademir Dias Pino; Celso Dias; Nei Leandro de Castro; Anchieta Fernandes; Dailor Varela; Laércio Bezerra; Décio Pignatari; Ariel Tacla; Anselmo Santos, conforme leitura visual da folha original, embora a transcrição atual da página registre Angelino Santos; Marilita Pereira Nager; George Smith; Henry Corrêa de Araújo; Márcio Sampaio; Sebastião Nunes; Affonso Ávila; Laís Corrêa de Araújo; e Affonso Romano de Sant'Anna. A lista deve permanecer como documento aberto a futuras revisões paleográficas porque alguns registros apresentam rasuras, baixa definição e acréscimos manuscritos.Para Neide Dias de Sá, a lista registra Ver, Ouvir, Cheirar, Claro Escuro, A Corda, Palavra Escultura e Retícula Escultura. Para Álvaro de Sá aparecem O Lixo, A Guilhotina, O Tempo e Poema Comestível. Wlademir Dias Pino aparece com A Espada, Abaixo os Monogramáticos Defensores das Letras, O Homem é um Animal que Sabe Fazer Embrulhos, Metacódigo, Sólida e Sol. Celso Dias recebeu posteriormente anotações manuscritas referentes a Forma e Contraforma e Fumaça. Nei Leandro de Castro está relacionado a 1822, Anchieta Fernandes a Olho, Dailor Varela a Signo e Décio Pignatari a Life.Ariel Tacla aparece com seis colagens, entre as quais a documentação atual permite identificar Vida, Limão, Aviva e Bem Tudo É Amargo na Vida. O registro atribuído na transcrição do site a Angelino Santos aparece visualmente na folha como Anselmo Santos e relaciona Censurado, A Botelha e As Setas. Como existe divergência entre a imagem do documento e a transcrição textual atualmente publicada, a identificação deve ser revista diretamente no cadastro antes de ser tratada como normalização definitiva.Henry Corrêa de Araújo aparece na lista com Poemaleque, Anelo e Ver Havendo. Essa identificação possui confirmação independente em carta datada de 13 de dezembro de 1967 enviada por Henry a Wlademir Dias Pino. Na correspondência, o artista informa que, conforme pedido de Affonso Ávila, estava enviando exatamente esses três poemas para a exposição no Rio de Janeiro. Henry descreve os trabalhos como poemas tácteis e solicita que fiquem disponíveis para manuseio pelo público, estabelecendo documentalmente uma dimensão física e participativa para sua presença na exposição.No verso da lista, Márcio Sampaio está relacionado a Constelação nº 1, descrita como signos de macarrão, Constelação nº 2, associada à indicação do plástico que se enrola, Constelação nº 3 e Estela nº 2, acompanhada de instrução envolvendo manipulação de bolas através do plástico. Sebastião Nunes aparece com Soneto Virginal, Descrição do Cenário, Projeto para um Suicídio Perfeito e Algum Jogo Floral Sobre a Natureza Íntima da Poesia. Affonso Ávila está relacionado a Carta Sobre a Usura, três fragmentos; Laís Corrêa de Araújo a Trabalho; e Affonso Romano de Sant'Anna a A Pesca. George Smith apresenta registros com rasuras e inscrições parcialmente legíveis, entre elas Escala e Ilusão, que não devem ser reconstruídas além do que o documento permite.A lista evidencia que a exposição reuniu linguagens muito diferentes entre si. Havia colagens, estruturas visuais, poemas manipuláveis, poemas tácteis, cartazes, experimentações com plástico, objetos, signos, palavra, sequências e propostas nas quais a participação física do público podia integrar o funcionamento da obra. A presença de Life, de Décio Pignatari, ao lado de trabalhos de Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Neide de Sá, artistas do Rio Grande do Norte, Minas Gerais e outros estados também evidencia a complexa rede de interlocuções formada no momento inaugural do Poema Processo.A exposição estava igualmente ligada à publicação Ponto 1, Revista de Poemas de Processo. A documentação do próprio movimento informa que Ponto 1 foi lançada na ocasião das primeiras exposições nacionais de dezembro de 1967. A revista registra Álvaro de Sá, Anchieta Fernandes, Anselmo Santos, Ariel Tacla, Dailor Varela, George Smith, José Luis Serafini, Moacy Cirne, Nei Leandro de Castro, Neide Sá e Wlademir Dias Pino entre seus participantes. Essa relação não deve ser usada automaticamente como substituta da lista expositiva, mas confirma a integração entre exposição, publicação e circulação gráfica no momento fundador.A matriz comparativa de Álvaro de Sá entre poema acadêmico, concreto e processo fornece outro núcleo teórico essencial para interpretar as obras mostradas. O manuscrito distingue o acadêmico, o concreto e o processo e associa este último a variedade de matrizes, formas funcionais, dados, funcionalidade e um estado de máquina do poema. A formulação ajuda a compreender por que a exposição reunia não apenas textos visuais, mas sistemas, objetos, materiais manipuláveis e estruturas abertas a transformação.A 1ª Exposição Nacional de Poema Processo deve, portanto, ser compreendida como exposição coletiva, acontecimento programático, dispositivo editorial, experiência de comunicação visual e momento fundador de uma rede nacional de poesia experimental. A simultaneidade entre Rio de Janeiro e Natal, a presença da ESDI, a publicação de Ponto 1, o vínculo com O Sol, a circulação de convites e cartazes, a utilização de projetor e outros recursos, a diversidade material das obras e a concepção participativa documentada pelos próprios artistas demonstram que o lançamento público do movimento ultrapassou os limites de uma exposição literária convencional. A mostra colocou em circulação uma concepção do poema como estrutura, projeto, sistema, objeto, informação e processo transformável.
English
BIOGRAPHY IN ENGLISHThe 1st National Poema Processo Exhibition, also identified in the surviving documents as Exposição Nacional Poema de Processo and Exposição Nacional Poemas de Processo, opened on 11 December 1967 at 5 pm at the Escola Superior de Desenho Industrial, ESDI, on Rua do Passeio in Rio de Janeiro, then the State of Guanabara, Brazil. The event formed part of a national launch presented simultaneously in Rio de Janeiro and Natal, Rio Grande do Norte, and constituted the public presentation of the Poema Processo movement. One surviving invitation identifies ESDI and Rua do Passeio, while another records Pavilhão de Exposição, Rua do Passeio 84, together with the date 11.12.67 and the opening time of 5 pm.The exhibition was not conceived simply as a gathering of artworks. Preparatory documents show that its organizers understood it as an instrument for dissemination, experimentation, public education, collective participation and the development of a new mode of reading the poem. In Neide de Sá's handwritten notes on the organization of the exhibition, concepts such as process reading, informational processes, simultaneity, a survey of poets throughout Brazil, the launch of a magazine, poem object and typographic and reproductive poem appear alongside a concern with increasing both participation and the number of people reached. The same document identifies students and the general public among the intended audiences and connects the choice of the School of Industrial Design with questions of objects, reproduction and visual communication.The choice of ESDI was especially significant to the character of the event. Bringing Poema Processo into an institution connected with industrial design placed the exhibition within an environment concerned with visual programming, structure, information, reproduction and project based thinking. Neide de Sá's manuscript mentions Carmen Portinho in connection with arrangements for obtaining the venue. The document also records that the exhibition catalogue would be associated with a supplement of O Sol dated 9 November 1967 and edited by Reinaldo Jardim, establishing a direct connection among exhibition practice, newspapers, graphic design and the circulation of ideas.The Work Program for the 1st Poema Processo Exhibition confirms the operational and collective character of its preparation. It records activities related to folding, gluing, distributing, preparing texts, poems, envelopes and posters, obtaining the key to the space, installing the exhibition and working with a projector, plates and display structures. Álvaro de Sá and Neide de Sá are clearly identifiable among the names connected with the distribution of tasks. A note on the reverse states that the program was not fully carried out, so the document must be understood as evidence of planning rather than proof that every scheduled action took place exactly as intended.Another fundamental source for understanding the development of the exhibition is the Cronograma do Surgimento do Poema Processo, produced in 1969. The diagram reconstructs connections developed between 1965 and December 1967 and places Wlademir Dias Pino in a central position. It relates the emergence of the movement to lectures on experimental poetry, competitions, contacts among artists, activities in Natal, debates involving slides, the collection of material for a magazine, the printing and street circulation of posters and the preparation of Ponto 1. Álvaro de Sá, Ariel Tacla, Neide Sá, José Luís Serafini, Nei Leandro de Castro, Dailor Varela, Anchieta Fernandes and Moacy Cirne appear within this network, together with Fernando Goldgaber and Reinaldo Jardim in connections involving organization and publicity.The theoretical documentation produced immediately afterward clarifies the ideas attached to the exhibition. In March 1968 Moacy Cirne described Poema Processo in terms of new informational processes, continuous structural transformation, participation by the spectator operator, functionality, consumption and the production of new languages. His text records a formulation attributed to Álvaro de Sá in which process is understood as a necessary dynamic relationship among structures and emphasizes creative participation as a factor capable of turning structure into process.Processo: A Leitura do Projeto, also dated March 1968, states that the movement officially emerged in December 1967 through national exhibitions held simultaneously in Guanabara and Rio Grande do Norte. According to this contemporary document produced within the movement, 25 poets from nine Brazilian states participated: Guanabara, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia and Pernambuco. The same source directly associates the launch of Ponto 1 with these inaugural national exhibitions. The figure of 25 participants refers to the combined national exhibitions and should not automatically be treated as the number of names represented on the surviving list specifically associated with the Rio de Janeiro presentation.The most important source currently available for reconstructing the participants and works in the Rio de Janeiro presentation is the Lista Original Manuscrita de artistas e obras da 1ª Exposição Nacional de Poema Processo. The document is typewritten on both sides and includes later handwritten additions. It is a primary source because it directly associates artists and works with the exhibition. Surviving invitations establish 11 December 1967 as the opening date, while the list itself bears the handwritten annotation Poemas que participaram da exposição de 15/12/67. Both pieces of evidence should be preserved. The printed date of 11 December identifies the opening, while 15 December may refer to another moment in the exhibition or to the preparation of the list itself.The legible documentary list records José Luís Serafini with O Ovo; Pedro Bertolino with a group identified as Essencializações do Ser and a reference to eleven posters; Cláudio Guimarães with four collages; Jorge Antunes, with no securely identified title in the current transcription; Marco Antonio Amaral Rezende with Som; Neide Dias de Sá; Álvaro de Sá; Wlademir Dias Pino; Celso Dias; Nei Leandro de Castro; Anchieta Fernandes; Dailor Varela; Laércio Bezerra; Décio Pignatari; Ariel Tacla; Anselmo Santos according to the visible original sheet, although the current web transcription gives Angelino Santos; Marilita Pereira Nager; George Smith; Henry Corrêa de Araújo; Márcio Sampaio; Sebastião Nunes; Affonso Ávila; Laís Corrêa de Araújo; and Affonso Romano de Sant'Anna. Some entries remain affected by corrections, fading and handwriting and should remain open to further archival comparison.For Neide Dias de Sá the document lists Ver, Ouvir, Cheirar, Claro Escuro, A Corda, Palavra Escultura and Retícula Escultura. Álvaro de Sá is represented by O Lixo, A Guilhotina, O Tempo and Poema Comestível. Wlademir Dias Pino is associated with A Espada, Abaixo os Monogramáticos Defensores das Letras, O Homem é um Animal que Sabe Fazer Embrulhos, Metacódigo, Sólida and Sol. Handwritten additions beside Celso Dias refer to Forma e Contraforma and Fumaça. Nei Leandro de Castro appears with 1822, Anchieta Fernandes with Olho, Dailor Varela with Signo and Décio Pignatari with Life.Ariel Tacla is listed with six collages, among which the current documentation identifies Vida, Limão, Aviva and Bem Tudo É Amargo na Vida. The artist transcribed on the current web page as Angelino Santos appears visually on the original sheet as Anselmo Santos and is associated with Censurado, A Botelha and As Setas. Because the image and the present transcription diverge, this identification should be checked directly in the catalogue record before being permanently normalized.Henry Corrêa de Araújo appears with Poemaleque, Anelo and Ver Havendo. This identification is independently confirmed by a letter dated 13 December 1967 sent by Henry to Wlademir Dias Pino. In the letter the artist states that, following a request from Affonso Ávila, he was sending those exact three poems to the exhibition in Rio de Janeiro. He describes them as tactile poems and asks that they remain available for handling by the public, documenting a physical and participatory dimension of his contribution to the exhibition.On the reverse of the list, Márcio Sampaio is associated with Constelação nº 1, described as signos de macarrão, Constelação nº 2, linked with the indication o plástico que se enrola, Constelação nº 3 and Estela nº 2, the latter accompanied by an instruction concerning the manipulation of balls through plastic. Sebastião Nunes appears with Soneto Virginal, Descrição do Cenário, Projeto para um Suicídio Perfeito and Algum Jogo Floral Sobre a Natureza Íntima da Poesia. Affonso Ávila is associated with Carta Sobre a Usura, three fragments; Laís Corrêa de Araújo with Trabalho; and Affonso Romano de Sant'Anna with A Pesca. The George Smith entry contains corrections and partially legible handwritten references including Escala and Ilusão, which should not be reconstructed beyond what the surviving document securely supports.The list demonstrates the considerable range of artistic languages represented in the exhibition. It includes collages, visual structures, manipulable poems, tactile poems, posters, plastic materials, objects, signs, verbal elements, sequences and proposals in which physical audience participation could form part of the work itself. The presence of Life by Décio Pignatari alongside works by Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Neide de Sá and artists from Rio Grande do Norte, Minas Gerais and other Brazilian states also documents the complex network of contacts that converged at the inaugural moment of Poema Processo.The exhibition was also directly associated with Ponto 1, Revista de Poemas de Processo. Documentation produced by the movement states that Ponto 1 was launched during the first national exhibitions of December 1967. The publication includes Álvaro de Sá, Anchieta Fernandes, Anselmo Santos, Ariel Tacla, Dailor Varela, George Smith, José Luis Serafini, Moacy Cirne, Nei Leandro de Castro, Neide Sá and Wlademir Dias Pino. This contributor list should not replace the exhibition list automatically, but it confirms the close relationship among exhibition practice, publication and graphic circulation at the founding moment.Álvaro de Sá's comparative matrix between academic poem, concrete poem and process provides another essential theoretical key. The manuscript distinguishes academic, concrete and process models and associates process with a variety of matrices, functional forms, data, functionality and a machine state of the poem. This formulation helps explain why the exhibition contained not merely visual texts but systems, objects, manipulable materials and structures open to transformation.The 1st National Poema Processo Exhibition should therefore be understood as a group exhibition, a programmatic event, an editorial device, an experiment in visual communication and a founding moment in a national network of experimental poetry. The simultaneity between Rio de Janeiro and Natal, the use of ESDI, the publication of Ponto 1, the connection with O Sol, the circulation of invitations and posters, the use of projection equipment, the material diversity of the works and the participatory conception documented by the artists themselves demonstrate that the public launch of the movement extended far beyond the conventional limits of a literary exhibition. It introduced a conception of the poem as structure, project, system, object, information and transformable process.
Currículo
CURRÍCULO EM PORTUGUÊSA 1ª Exposição Nacional de Poema Processo foi uma exposição coletiva nacional e manifestação inaugural do movimento Poema Processo, realizada em dezembro de 1967 no Rio de Janeiro em articulação simultânea com Natal, Rio Grande do Norte. No Rio de Janeiro, a abertura está documentalmente estabelecida em 11 de dezembro de 1967, às 17 horas, na Escola Superior de Desenho Industrial, ESDI, Rua do Passeio. Outro convite registra Pavilhão de Exposição, Rua do Passeio 84.Identificação e contexto: Nome principal: 1ª Exposição Nacional de Poema Processo. Denominações documentadas: Exposição Nacional Poema de Processo e Exposição Nacional Poemas de Processo. Tipo: exposição coletiva nacional, manifestação inaugural do Poema Processo, exposição de poesia experimental, poesia visual, objetos poéticos e processos de comunicação. Data de abertura no Rio de Janeiro: 11 de dezembro de 1967. Horário: 17 horas. Instituição: Escola Superior de Desenho Industrial, ESDI. Local: Rua do Passeio, Rio de Janeiro, Guanabara, Brasil. Apresentação nacional simultânea: Rio de Janeiro e Natal. Movimento: Poema Processo.Planejamento e organização em 1967: o manuscrito de Neide de Sá registra objetivos táticos e didáticos, simultaneidade, levantamento de poetas em âmbito nacional, leitura de processo, processos informacionais, ampliação da participação, lançamento de revista, distinção entre objeto poema e poema tipográfico e reprodutivo, escolha da Escola de Desenho Industrial e referência a Carmen Portinho. Registra ainda o suplemento de O Sol, com Reinaldo Jardim como editor, como elemento relacionado ao catálogo da exposição.Programa de trabalho: documento de 1967 registra tarefas de preparação e montagem relacionadas a textos, poemas, envelopes, cartazes, distribuição, livrarias, chave do espaço, montagem, projetor, chapas e display. Álvaro de Sá e Neide de Sá aparecem entre os nomes claramente identificáveis. O programa contém anotação informando que não foi integralmente cumprido.Participação nacional documentada pelo Grupo Poema Processo: Processo: A Leitura do Projeto informa que as exposições nacionais simultâneas de dezembro de 1967 envolveram 25 poetas provenientes de Guanabara, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco. Esse dado se refere ao lançamento nacional e não deve ser convertido automaticamente em número exato de expositores na montagem específica da ESDI.Participantes e obras documentados na lista da exposição do Rio de Janeiro: José Luís Serafini, O Ovo. Pedro Bertolino, Essencializações do Ser, com referência a 11 cartazes. Cláudio Guimarães, quatro colagens. Jorge Antunes, obra não determinada com segurança na transcrição atual. Marco Antonio Amaral Rezende, Som. Neide Dias de Sá, Ver, Ouvir, Cheirar, Claro Escuro, A Corda, Palavra Escultura e Retícula Escultura. Álvaro de Sá, O Lixo, A Guilhotina, O Tempo e Poema Comestível. Wlademir Dias Pino, A Espada, Abaixo os Monogramáticos Defensores das Letras, O Homem é um Animal que Sabe Fazer Embrulhos, Metacódigo, Sólida e Sol. Celso Dias, com acréscimos manuscritos Forma e Contraforma e Fumaça. Nei Leandro de Castro, 1822. Anchieta Fernandes, Olho. Dailor Varela, Signo. Laércio Bezerra, com título de leitura ainda não suficientemente segura. Décio Pignatari, Life. Ariel Tacla, seis colagens, entre elas Vida, Limão, Aviva e Bem Tudo É Amargo na Vida. Anselmo Santos segundo leitura direta da imagem original, embora a atual transcrição do site registre Angelino Santos, com Censurado, A Botelha e As Setas. Marilita Pereira Nager, obra não determinada com segurança na transcrição atual. George Smith, registros parcialmente rasurados, entre eles Escala e Ilusão. Henry Corrêa de Araújo, Poemaleque, Anelo e Ver Havendo. Márcio Sampaio, Constelação nº 1, Constelação nº 2, Constelação nº 3 e Estela nº 2. Sebastião Nunes, Soneto Virginal, Descrição do Cenário, Projeto para um Suicídio Perfeito e Algum Jogo Floral Sobre a Natureza Íntima da Poesia. Affonso Ávila, Carta Sobre a Usura, três fragmentos. Laís Corrêa de Araújo, Trabalho. Affonso Romano de Sant'Anna, A Pesca.Henry Corrêa de Araújo e poemas tácteis: carta datada de 13 de dezembro de 1967 confirma Poemaleque, Anelo e Ver Havendo como três poemas enviados ao Rio de Janeiro. Henry informa que o envio ocorreu conforme pedido de Affonso Ávila e orienta que os poemas tácteis fossem colocados à disposição do público para manuseio.Publicações associadas: Ponto 1, Revista de Poemas de Processo, lançada no contexto das exposições inaugurais de dezembro de 1967. Participantes documentados na publicação incluem Álvaro de Sá, Anchieta Fernandes, Anselmo Santos, Ariel Tacla, Dailor Varela, George Smith, José Luis Serafini, Moacy Cirne, Nei Leandro de Castro, Neide Sá e Wlademir Dias Pino. O suplemento de O Sol aparece na documentação preparatória de Neide de Sá relacionado ao catálogo e à estratégia de apresentação pública.Documentos teóricos relacionados: Matriz comparativa entre poema acadêmico, concreto e processo, Álvaro de Sá, 1967. Organização da Exposição, Neide de Sá, 1967. Programa de Trabalho para a 1ª Exposição de Poema Processo, 1967. História do Poema Processo, Moacy Cirne, março de 1968. Processo: A Leitura do Projeto, Grupo Poema Processo, março de 1968. Cronograma do Surgimento do Poema Processo, 1969. Esses documentos registram conceitos como processo informacional, estrutura, funcionalidade, participação, consumo, matriz, conteúdo optativo, poema objeto e leitura de processo.Linguagens e procedimentos documentados: poesia visual, poesia experimental, poema processo, poema objeto, poema táctil, poema participativo, colagem, cartaz, estrutura visual, signo, objeto manipulável, plástico, sequência, comunicação visual, design gráfico, projeção, processos informacionais e participação do público. A documentação do grupo referente à primeira exposição registra também filme poema e poemas slides no contexto da apresentação da Guanabara.Cronologia: entre 1965 e 1967 formam se redes de contatos, palestras, debates, concursos, atividades em Natal e no Rio de Janeiro e projetos editoriais relacionados à poesia experimental. Em 1967 ocorre a preparação de Ponto 1, a circulação de cartazes e convites, a definição do espaço da ESDI e o planejamento da exposição. Em 11 de dezembro de 1967 ocorre a abertura documentada no Rio de Janeiro às 17 horas, simultaneamente ao lançamento nacional ligado a Natal. Em 13 de dezembro de 1967 Henry Corrêa de Araújo escreve a Wlademir Dias Pino a respeito do envio de Poemaleque, Anelo e Ver Havendo. A lista de participantes possui anotação manuscrita referente a 15 de dezembro de 1967. Em janeiro de 1968 os trabalhos foram apresentados novamente na Guanabara segundo documentação do próprio movimento. Em março de 1968 surgem os textos História do Poema Processo e Processo: A Leitura do Projeto, que sistematizam a experiência inaugural. Em 1969 é produzido o Cronograma do Surgimento do Poema Processo, reconstruindo o caminho que levou às exposições nacionais de dezembro de 1967.Importância histórica: a exposição constitui um dos documentos fundamentais para compreender a transformação do poema em estrutura, sistema, objeto, projeto e processo. A realização na ESDI aproximou poesia experimental, design e comunicação visual. A apresentação simultânea no Rio de Janeiro e em Natal conferiu caráter nacional e descentralizado ao lançamento. A lista original de artistas e obras hoje permite reconstruir com precisão muito maior a composição efetiva da manifestação e corrigir a afirmação anteriormente presente na página segundo a qual não existia uma relação primária suficientemente completa dos participantes da ESDI.
English
CURRICULUM IN ENGLISHThe 1st National Poema Processo Exhibition was a national group exhibition and inaugural public manifestation of the Poema Processo movement, presented in December 1967 in Rio de Janeiro in simultaneous coordination with Natal, Rio Grande do Norte. In Rio de Janeiro, the documented opening took place on 11 December 1967 at 5 pm at the Escola Superior de Desenho Industrial, ESDI, on Rua do Passeio. Another invitation records Pavilhão de Exposição, Rua do Passeio 84.Identification and context: Main name: 1st National Poema Processo Exhibition. Documented historical titles: Exposição Nacional Poema de Processo and Exposição Nacional Poemas de Processo. Type: national group exhibition, inaugural manifestation of Poema Processo, exhibition of experimental poetry, visual poetry, poetic objects and communication processes. Opening date in Rio de Janeiro: 11 December 1967. Opening time: 5 pm. Institution: Escola Superior de Desenho Industrial, ESDI. Location: Rua do Passeio, Rio de Janeiro, Guanabara, Brazil. Simultaneous national presentation: Rio de Janeiro and Natal. Movement: Poema Processo.Planning and organization in 1967: Neide de Sá's manuscript records tactical and didactic objectives, simultaneity, a nationwide survey of poets, process reading, informational processes, expansion of participation, the launch of a magazine and a distinction between poem object and typographic and reproductive poem. It also documents the selection of the School of Industrial Design, mentions Carmen Portinho and connects the exhibition catalogue with the newspaper O Sol and editor Reinaldo Jardim.Work program: A 1967 planning document records tasks related to texts, poems, envelopes, posters, distribution, bookstores, obtaining the venue key, installation, projector, plates and display structures. Álvaro de Sá and Neide de Sá are among the clearly identifiable names. The document states that the schedule was not fully carried out.National participation documented by the Poema Processo Group: Processo: A Leitura do Projeto states that the simultaneous national exhibitions of December 1967 involved 25 poets from Guanabara, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia and Pernambuco. This figure refers to the combined national launch and should not automatically be converted into an exact count of exhibitors represented in the specific ESDI installation.Participants and works documented in the Rio de Janeiro exhibition list: José Luís Serafini, O Ovo. Pedro Bertolino, Essencializações do Ser, with a reference to eleven posters. Cláudio Guimarães, four collages. Jorge Antunes, work not securely determined in the current transcription. Marco Antonio Amaral Rezende, Som. Neide Dias de Sá, Ver, Ouvir, Cheirar, Claro Escuro, A Corda, Palavra Escultura and Retícula Escultura. Álvaro de Sá, O Lixo, A Guilhotina, O Tempo and Poema Comestível. Wlademir Dias Pino, A Espada, Abaixo os Monogramáticos Defensores das Letras, O Homem é um Animal que Sabe Fazer Embrulhos, Metacódigo, Sólida and Sol. Celso Dias, with handwritten additions referring to Forma e Contraforma and Fumaça. Nei Leandro de Castro, 1822. Anchieta Fernandes, Olho. Dailor Varela, Signo. Laércio Bezerra, with a title whose reading is not yet sufficiently secure. Décio Pignatari, Life. Ariel Tacla, six collages, including Vida, Limão, Aviva and Bem Tudo É Amargo na Vida. Anselmo Santos according to direct visual reading of the original document, although the current web transcription gives Angelino Santos, with Censurado, A Botelha and As Setas. Marilita Pereira Nager, work not securely identified in the current transcription. George Smith, partly corrected and difficult entries including Escala and Ilusão. Henry Corrêa de Araújo, Poemaleque, Anelo and Ver Havendo. Márcio Sampaio, Constelação nº 1, Constelação nº 2, Constelação nº 3 and Estela nº 2. Sebastião Nunes, Soneto Virginal, Descrição do Cenário, Projeto para um Suicídio Perfeito and Algum Jogo Floral Sobre a Natureza Íntima da Poesia. Affonso Ávila, Carta Sobre a Usura, three fragments. Laís Corrêa de Araújo, Trabalho. Affonso Romano de Sant'Anna, A Pesca.Henry Corrêa de Araújo and tactile poems: A letter dated 13 December 1967 confirms Poemaleque, Anelo and Ver Havendo as three poems sent to Rio de Janeiro. Henry states that the works were sent following a request by Affonso Ávila and asks that the tactile poems remain available for public handling.Related publications: Ponto 1, Revista de Poemas de Processo, launched in the context of the inaugural national exhibitions of December 1967. Documented contributors include Álvaro de Sá, Anchieta Fernandes, Anselmo Santos, Ariel Tacla, Dailor Varela, George Smith, José Luis Serafini, Moacy Cirne, Nei Leandro de Castro, Neide Sá and Wlademir Dias Pino. The O Sol supplement appears in Neide de Sá's preparatory documentation in relation to the exhibition catalogue and public presentation strategy.Related theoretical and historical documents: Matriz comparativa entre poema acadêmico, concreto e processo by Álvaro de Sá, 1967. Organização da Exposição by Neide de Sá, 1967. Programa de Trabalho para a 1ª Exposição de Poema Processo, 1967. História do Poema Processo by Moacy Cirne, March 1968. Processo: A Leitura do Projeto by the Poema Processo Group, March 1968. Cronograma do Surgimento do Poema Processo, 1969. Together these sources document concepts including informational process, structure, functionality, participation, consumption, matrix, optional content, poem object and process reading.Documented media and procedures: visual poetry, experimental poetry, process poem, object poem, tactile poem, participatory poem, collage, poster, visual structure, sign, manipulable object, plastic materials, sequence, visual communication, graphic design, projection, informational processes and audience participation. Historical documentation of the Guanabara presentation also records a film poem and several slide poems.Chronology: Between 1965 and 1967 networks of contacts, lectures, debates, competitions, activities in Natal and Rio de Janeiro and experimental publishing projects contributed to the formation of the movement. During 1967 Ponto 1 was prepared, posters and invitations were circulated, ESDI was selected as the Rio de Janeiro venue and the exhibition was organized. On 11 December 1967 the documented Rio de Janeiro opening took place at 5 pm as part of the simultaneous national launch involving Natal. On 13 December Henry Corrêa de Araújo wrote to Wlademir Dias Pino concerning Poemaleque, Anelo and Ver Havendo. The surviving participant list bears a handwritten reference to 15 December 1967. In January 1968 the same poems were presented again in Guanabara according to the movement's own documentation. In March 1968 História do Poema Processo and Processo: A Leitura do Projeto systematized the theoretical and historical meaning of the inaugural events. In 1969 the Cronograma do Surgimento do Poema Processo reconstructed the sequence of activities that had led to the national exhibitions of December 1967.Historical significance: The exhibition is a fundamental event for understanding the transformation of the poem into structure, system, object, project and process. Its presentation at ESDI connected experimental poetry with design and visual communication. Its simultaneous realization in Rio de Janeiro and Natal gave the public launch a national and decentralized character. The surviving original list of artists and works now makes it possible to reconstruct the actual artistic composition of the Rio de Janeiro exhibition with substantially greater precision and supersedes the earlier statement on the exhibition page that a sufficiently complete primary participant list for ESDI had not been located.
