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História do Poema Processo

1a Exposição Nacional de Poema Processo - A 1a Grande Exposição do Movimento

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Categoria: Poema Processo

Acervo: 04707

Data: Março de 1968

Dimensões: 28,7 x 21,8 cm

História do Poema Processo é um texto teórico datiloscrito de Moacy Cirne, datado no Rio de Janeiro em março de 1968, dedicado à formulação conceitual, histórica e crítica do Poema Processo. Composto por duas folhas, o documento constitui um registro contemporâneo da fase inicial do movimento e apresenta princípios teóricos, referências artísticas, conceitos de participação e informação, além de uma leitura específica da atuação do Poema Processo no Rio Grande do Norte e no Nordeste brasileiro.

Moacy Cirne inicia o texto afirmando que o poema processo nasce das condições históricas e sociais do Brasil e relaciona sua emergência à necessidade de transformação cultural, política e social. O autor reconhece que a poesia concreta já havia apresentado um processo de ação a partir do contexto brasileiro e cita Oswald de Andrade e Décio Pignatari dentro de uma genealogia de enfrentamento e experimentação. Cirne defende que a dimensão teórica deveria ser ampliada pela prática e por uma luta comum contra o subdesenvolvimento cultural, político e social.

O autor afirma que, naquele momento, a teoria do Poema Processo ainda se encontrava em elaboração e procura resumi la em linhas fundamentais. A primeira formulação define poema processo como aquilo que inaugura, a cada experiência, novos processos informacionais. Moacy Cirne acrescenta que essas experiências permitem versões diversas e apresenta como exemplo Sólida, de Wlademir Dias Pino.

Em seguida, o texto registra uma formulação atribuída a Álvaro de Sá segundo a qual poema processo é a relação dinâmica necessária entre as estruturas. Moacy Cirne amplia essa definição propondo o desencadeamento crítico de estruturas sempre novas. A noção de processo é apresentada, portanto, como dinâmica, transformação e produção contínua de novas possibilidades estruturais.

Outro princípio é a criação de probabilidades criativas, soluções operacionais e possibilidades estruturais destinadas ao espectador operador. Essa expressão revela a importância atribuída à participação do público. Para Cirne, o participante não é apenas receptor, mas pode interferir objetivamente no processo, de modo que, em determinadas situações, o poema somente passa a existir plenamente mediante essa participação.

O texto também relaciona o Poema Processo ao mecanismo do processo, ao consumo, à voltagem e à funcionalidade. O autor propõe compreender o funcionamento da obra e sua circulação, defendendo uma participação criativa capaz de transformar a relação tradicional entre poema e espectador.

Moacy Cirne formula ainda o conceito de contra estilo. Segundo o documento, o estilo corresponde ao procedimento e à tática de soluções, enquanto o contra estilo corresponde ao processo e à estratégia de soluções. Essa distinção coloca o processo acima da repetição de uma forma estilística previamente estabilizada.

Outra proposição central afirma que criar novas linguagens e operar sobre elas para obter nova informação significa criar novos processos. O documento acrescenta que essa informação pode ser estética ou não, sendo fundamental sua funcionalidade e possibilidade de consumo. Linguagem, informação, processo, estrutura, funcionalidade e consumo aparecem assim como conceitos articulados dentro da teoria inicial do Poema Processo.

Na segunda folha, Moacy Cirne desloca a análise para o plano poético e para o Nordeste brasileiro, com atenção especial ao Rio Grande do Norte. O autor afirma que o estado, ao lado de outros centros brasileiros, vinha se destacando desde o início do movimento e situa uma fase concreta anterior, iniciada em dezembro de 1966, como momento de ruptura radical na poesia norte riograndense.

O documento registra nominalmente Dailor Varela, Anchieta Fernandes e Nei Leandro de Castro entre os poetas ligados a esse contexto, e Marcos Silva e Falves entre os antipoetas. Também destaca as experiências fotográficas de Frederico Marcos. Para Moacy Cirne, esses nomes marcavam profundamente o contexto da nova arte nordestina.

Cirne rejeita versos subtropicais, obras lineares e atitudes provincianas e afirma que a nova arte do Nordeste exigia radicalidade contextual. O texto critica uma concepção romântica e museológica do Nordeste e reivindica instrumentos modernos para os pesquisadores e artistas nordestinos.

O texto menciona a obra 1822, de Nei Leandro, e registra a reação atribuída a um popular carioca, utilizada como exemplo da capacidade de uma obra experimental produzir informação de maneira sintética e imediata. A passagem reforça conceitos como liberdade criadora, invenção, consumo imediato e funcionalidade do processo.

Moacy Cirne volta a citar Anchieta Fernandes ao propor a inversão entre processo e estrutura, afirmando que não se trata mais do processo em função da estrutura, mas da estrutura em função do processo. O autor também menciona os objetos e colagens de Marcos Silva, o sistemismo discutido por Dailor Varela e os caminhos desenvolvidos por Falves e Frederico Marcos.

Uma das formulações mais importantes do documento é poesia não é literatura. Moacy Cirne define poesia como linguagem, verbal ou não verbal, voltada para a problemática informacional. A afirmação situa o Poema Processo para além da definição exclusivamente literária do poema e aproxima sua prática das linguagens visuais, objetuais, informacionais e experimentais.

Ao final, o autor lembra a participação de poetas cearenses na vanguarda brasileira de 1957 e 1958 e sua contribuição para formulações da poesia concreta. Apesar desse reconhecimento histórico, afirma que o interesse central daquele momento era o Poema Processo e conclui reconhecendo que a poesia concreta também permanecia como vanguarda em 1968.

Assinado por Moacy Cirne e datado no Rio de Janeiro em março de 1968, o documento constitui uma fonte primária para o estudo da teoria inicial do Poema Processo e de suas relações com Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Décio Pignatari, Oswald de Andrade, Dailor Varela, Anchieta Fernandes, Nei Leandro de Castro, Marcos Silva, Falves e Frederico Marcos. É também um registro fundamental para compreender a articulação entre Poema Processo, informação, estrutura, processo, participação, contra estilo, funcionalidade, consumo e a formação de uma nova arte nordestina no final da década de 1960.

TEXTO SALSA INGLÊS

History of Poema Processo is a typewritten theoretical text by Moacy Cirne, dated Rio de Janeiro, March 1968, devoted to the conceptual, historical and critical formulation of Poema Processo. Consisting of two sheets, the document is a contemporary record of the movement's early phase and presents theoretical principles, artistic references, concepts of participation and information, as well as a specific interpretation of Poema Processo activity in Rio Grande do Norte and northeastern Brazil.

Moacy Cirne begins by stating that poema processo emerged from the historical and social conditions of Brazil and connects its development with the need for cultural, political and social transformation. He acknowledges that concrete poetry had already introduced a process of action based on the Brazilian context and refers to Oswald de Andrade and Décio Pignatari within a genealogy of confrontation and experimentation. Cirne argues that theoretical activity should be expanded through practice and through a common struggle against cultural, political and social underdevelopment.

The author states that Poema Processo theory was still being developed at that moment and attempts to summarize its fundamental principles. His first formulation defines poema processo as that which inaugurates new informational processes with each new experience. Moacy Cirne adds that these experiences allow different versions and cites Sólida by Wlademir Dias Pino as an example.

The text then records a formulation attributed to Álvaro de Sá according to which poema processo is the necessary dynamic relationship between structures. Moacy Cirne expands this definition by proposing the critical unfolding of continually new structures. Process is therefore presented as dynamics, transformation and continuous production of new structural possibilities.

Another principle concerns the creation of creative probabilities, operational solutions and structural possibilities for the spectator operator. This expression reveals the importance assigned to public participation. For Cirne, the participant is not merely a receiver but can intervene objectively in the process, so that in certain situations the poem only fully exists through such participation.

The document also relates Poema Processo to the mechanism of process, consumption, voltage and functionality. The author proposes an understanding of how the work functions and circulates, defending creative participation capable of transforming the traditional relationship between poem and spectator.

Moacy Cirne also formulates the concept of counter style. According to the document, style corresponds to procedure and a tactic of solutions, whereas counter style corresponds to process and a strategy of solutions. This distinction places process above the repetition of a previously stabilized stylistic form.

Another central proposition states that creating new languages and operating upon them in order to obtain new information means creating new processes. The document adds that this information may be aesthetic or non aesthetic, with functionality and consumption being fundamental. Language, information, process, structure, functionality and consumption thus appear as interconnected concepts within the early theory of Poema Processo.

On the second sheet, Moacy Cirne shifts the discussion to the poetic field and to northeastern Brazil, with particular attention to Rio Grande do Norte. He states that the state, alongside other Brazilian centers, had distinguished itself from the earliest moment of the movement and identifies an earlier concrete phase beginning in December 1966 as a period of radical rupture in poetry from Rio Grande do Norte.

The document specifically names Dailor Varela, Anchieta Fernandes and Nei Leandro de Castro among the poets connected with this context, and Marcos Silva and Falves among the antipoets. It also emphasizes the photographic experiments of Frederico Marcos. According to Moacy Cirne, these figures profoundly marked the context of the new art of northeastern Brazil.

Cirne rejects subtropical verse, linear works and provincial attitudes and argues that the new art of the Northeast required contextual radicality. The text criticizes a romantic and museological conception of the region and calls for modern instruments for northeastern researchers and artists.

The text mentions the work 1822 by Nei Leandro and records a reaction attributed to a person from Rio de Janeiro, using it as an example of the ability of an experimental work to communicate information synthetically and immediately. The passage reinforces concepts such as creative freedom, invention, immediate consumption and functionality of process.

Moacy Cirne again refers to Anchieta Fernandes when proposing an inversion between process and structure, stating that it is no longer process functioning according to structure but structure functioning according to process. The author also mentions the objects and collages of Marcos Silva, the systematism discussed by Dailor Varela and the paths developed by Falves and Frederico Marcos.

One of the document's most important formulations is that poetry is not literature. Moacy Cirne defines poetry as language, verbal or nonverbal, directed toward informational problems. This statement places Poema Processo beyond an exclusively literary definition of poetry and connects its practice with visual, object based, informational and experimental languages.

At the conclusion, the author recalls the participation of poets from Ceará in the Brazilian avant garde during 1957 and 1958 and their contribution to formulations of concrete poetry. Despite this historical recognition, he states that the central concern of the present moment was Poema Processo and concludes by acknowledging that concrete poetry also remained avant garde in 1968.

Signed by Moacy Cirne and dated Rio de Janeiro, March 1968, the document is a primary source for the study of the early theory of Poema Processo and its relationships with Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Décio Pignatari, Oswald de Andrade, Dailor Varela, Anchieta Fernandes, Nei Leandro de Castro, Marcos Silva, Falves and Frederico Marcos. It is also an important record for understanding the connections among Poema Processo, information, structure, process, participation, counter style, functionality, consumption and the formation of a new northeastern Brazilian art in the late 1960s.

O documento é composto por duas folhas datiloscritas, numeradas 1/2 e 2/2 no canto superior direito. Na parte inferior da segunda folha aparece o nome moacy cirne datilografado e, à esquerda, uma anotação manuscrita que indica Rio, março de 68. Esses elementos permitem identificar autoria, local e mês e ano do documento.

O título História do Poema Processo foi fornecido pelo usuário como identificação do item. Nas duas folhas apresentadas não se observa um título formal destacado antes do início do texto. Por isso, deve ser entendido catalograficamente como título atribuído ao documento e não necessariamente como cabeçalho original presente no datiloscrito.

A primeira folha contém seis formulações numeradas sobre o Poema Processo. Entre os conceitos documentados encontram se novos processos informacionais, relação dinâmica entre estruturas, espectador operador, participação objetiva, funcionalidade, consumo, estilo, contra estilo e criação de novas linguagens.

O documento cita diretamente Sólida, de Wlademir Dias Pino, como exemplo de experiência que permite versões diversas. Registra ainda uma formulação atribuída a Álvaro de Sá sobre a relação dinâmica necessária entre estruturas. Décio Pignatari e Oswald de Andrade aparecem no parágrafo inicial em uma discussão sobre vanguarda, prática e transformação cultural.

Na segunda folha, Moacy Cirne registra uma genealogia regional do Poema Processo e da nova arte nordestina. São citados Dailor Varela, Anchieta Fernandes, Nei Leandro de Castro, Marcos Silva, Falves e Frederico Marcos. O autor diferencia poetas e antipoetas e destaca experiências fotográficas, objetos e colagens como parte dessa produção experimental.

O texto também contém referências ao Rio Grande do Norte, ao Nordeste e aos poetas cearenses que participaram da vanguarda brasileira em 1957 e 1958. A formulação sobre uma ruptura radical na poesia norte riograndense em dezembro de 1966 constitui dado cronológico importante para futuras pesquisas sobre os antecedentes do Poema Processo no estado.

A afirmação poesia não é literatura aparece de forma explícita no documento, seguida pela definição de poesia como linguagem verbal ou não verbal voltada para a problemática informacional. Essa passagem possui especial valor documental por registrar diretamente uma das formulações teóricas do movimento em março de 1968.

O datiloscrito contém correções, palavras sublinhadas, sobreposições de datilografia e intervenções manuscritas. As folhas apresentam perfurações na margem esquerda, marcas de dobra, desgaste e envelhecimento do suporte.

Como o documento foi produzido por Moacy Cirne durante a fase inicial do Poema Processo, suas formulações devem ser tratadas como fonte primária da posição teórica do autor naquele momento. Afirmações críticas, classificações regionais e avaliações sobre outros artistas representam o discurso de Moacy Cirne em 1968 e não devem ser transformadas automaticamente em julgamentos historiográficos independentes.

A catalogação privilegia as entidades, relações, conceitos e datas efetivamente documentados, conforme a orientação de extrair o máximo de informação historicamente importante e semanticamente útil sem transformar hipóteses em fatos.

TEXTO DE OBSERVAÇÃO INGLÊS

The document consists of two typewritten sheets numbered 1/2 and 2/2 in the upper right corner. At the bottom of the second sheet the name moacy cirne is typewritten, while a handwritten annotation at the lower left indicates Rio, March 68. These elements establish the authorship, location and month and year of the document.

The title History of Poema Processo was supplied by the user as the identification of the item. No formal title heading is visible at the beginning of either of the two sheets presented. It should therefore be understood catalogically as an attributed title rather than necessarily as an original heading appearing on the typewritten document.

The first sheet contains six numbered formulations concerning Poema Processo. Concepts documented in the text include new informational processes, dynamic relationships between structures, spectator operator, objective participation, functionality, consumption, style, counter style and the creation of new languages.

The document directly cites Sólida by Wlademir Dias Pino as an example of an experience allowing different versions. It also records a formulation attributed to Álvaro de Sá concerning the necessary dynamic relationship between structures. Décio Pignatari and Oswald de Andrade appear in the opening paragraph within a discussion of avant garde practice and cultural transformation.

On the second sheet, Moacy Cirne records a regional genealogy of Poema Processo and of the new art of northeastern Brazil. Dailor Varela, Anchieta Fernandes, Nei Leandro de Castro, Marcos Silva, Falves and Frederico Marcos are specifically named. The author distinguishes poets from antipoets and highlights photography, objects and collage as elements of this experimental production.

The text also refers to Rio Grande do Norte, northeastern Brazil and poets from Ceará who participated in the Brazilian avant garde during 1957 and 1958. The statement concerning a radical rupture in poetry from Rio Grande do Norte in December 1966 is an important chronological element for future research on the regional antecedents of Poema Processo.

The declaration that poetry is not literature appears explicitly in the document and is followed by the definition of poetry as verbal or nonverbal language directed toward informational problems. This passage is particularly significant because it directly records one of the theoretical formulations associated with the movement in March 1968.

The typewritten document contains corrections, underlined words, overwritten passages and handwritten interventions. Both sheets show perforations along the left margin, fold marks, wear and signs of aging.

Because the document was produced by Moacy Cirne during the early phase of Poema Processo, its formulations should be treated as a primary source for the author's theoretical position at that historical moment. Critical statements, regional classifications and assessments of other artists represent Moacy Cirne's discourse in 1968 and should not automatically be transformed into independent historiographical judgments.


Inglês

History of Poema Processo

Dimensions: 11,3 x 8,6 in

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