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O Poema Processo refuta as acusações que lhe vêm sendo feitas

1a Exposição Nacional de Poema Processo - A 1a Grande Exposição do Movimento

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Categoria: Poema Processo

Acervo: 04705

Data: 30 de janeiro de 1968

Dimensões: 28,5 x 21,8 cm

O Poema Processo refuta as acusações que lhe vêm sendo feitas é uma carta aberta datiloscrita do Grupo do Poema Processo, datada no Rio de Janeiro em 30 de janeiro de 1968 e destinada à imprensa. O documento responde às acusações de que o movimento seria antidemocrático e procura explicar publicamente os objetivos do gesto de rasgar livros de poesia acadêmica discursiva durante as ações realizadas em torno do happening do Poema Processo no Rio de Janeiro. Na parte superior da primeira folha há a anotação manuscrita Nota enviada aos jornais.

O documento afirma que o Poema Processo rejeitava a interpretação de um gesto isolado fora de seu contexto e esclarece o sentido atribuído pelo grupo ao ato de rasgar livros ocorrido em 26 de janeiro de 1968. Segundo o próprio texto, o gesto pretendia afirmar aos novos poetas que determinados modelos de poesia presentes nesses livros estavam superados e já não deveriam funcionar como referência para a produção contemporânea.

Em uma formulação de especial importância para a história teórica do movimento, o documento declara que poesia não é literatura. O Grupo do Poema Processo associa essa posição à declaração da morte do verso como elemento de força criadora e defende uma produção compatível com a realidade técnica, informacional, científica e cultural de seu tempo.

Outro objetivo explicitado é racionalizar a luta do grupo por uma nova lógica de consumo, que, segundo a formulação do documento, conduziria ao poema processo não literário. O texto relaciona, assim, criação poética, estrutura, informação, circulação e consumo, oferecendo um registro contemporâneo da terminologia utilizada pelo movimento no início de 1968.

A carta também procura responder politicamente às acusações recebidas. O Grupo do Poema Processo declara ser favorável ao desenvolvimento da cultura e afirma que seu trabalho se desenvolvia a partir de toda uma experiência cultural anterior, ao mesmo tempo em que rejeitava uma cultura estática e acadêmica que considerava afastada dos interesses do país.

O grupo declara ainda ser antinazista, antifascista e de formação democrática. Como argumentos, menciona o caráter aberto de sua exposição, que teria reunido poetas novos de diferentes regiões do Brasil, a própria natureza dos trabalhos apresentados e a disposição do grupo para abrir sua exposição ao debate, inclusive convidando adversários e reconhecendo o valor da crítica.

Na segunda folha, o documento acusa determinados jornais de destacar um gesto isolado e interpretá lo de má fé, distorcendo seu caráter e privando o público do que o grupo denomina direito à informação justa. A carta cita nominalmente Ferreira Gullar e contesta versões relativas à sua participação nos acontecimentos e debates envolvendo o Poema Processo.

Segundo a versão apresentada pelo Grupo do Poema Processo, Ferreira Gullar não teria se retirado do debate em razão do anúncio de que participantes rasgariam livros acadêmico discursivos na porta do Teatro Municipal. O documento também critica a cobertura de O Estado de S. Paulo, mencionado como jornal no qual Gullar trabalhava naquele momento.

Em um trecho particularmente relevante para a documentação das disputas entre as vanguardas brasileiras, a carta recorda o período do neoconcretismo e apresenta a versão do Grupo do Poema Processo sobre um episódio envolvendo Ferreira Gullar, exposição, debate e a possibilidade de seu livro ser rasgado. Essas afirmações constituem a posição registrada pelo próprio grupo e devem ser entendidas como parte de uma controvérsia histórica, não como comprovação independente dos acontecimentos narrados.

A carta termina com a identificação Grupo do poema processo e dirige um pós escrito aos secretários, redatores, diretores e repórteres de jornais, solicitando expressamente a publicação integral da carta. O documento constitui uma fonte primária de grande relevância para a história do Poema Processo, pois registra a autodefesa pública do movimento, suas formulações sobre poesia não literária, morte do verso, lógica do consumo, democracia, vanguarda, crítica cultural, imprensa e a controvérsia envolvendo Ferreira Gullar no início de 1968.

TEXTO SALSA INGLÊS

Poema Processo Refutes the Accusations Made Against It is a typewritten open letter issued by the Poema Processo Group, dated Rio de Janeiro, January 30, 1968, and addressed to the press. The document responds to accusations that the movement was antidemocratic and publicly explains the objectives attributed by the group to the act of tearing books of academic discursive poetry during activities surrounding the Poema Processo happening in Rio de Janeiro. A handwritten inscription at the top of the first sheet identifies it as a note sent to newspapers.

The document states that Poema Processo rejected interpretations based on an isolated gesture removed from its context and explains the meaning the group assigned to the tearing of books carried out on January 26, 1968. According to the text itself, the gesture sought to demonstrate to new poets that certain models of poetry represented by those books were outdated and should no longer function as references for contemporary production.

In a formulation of particular importance for the theoretical history of the movement, the document states that poetry is not literature. The Poema Processo Group connects this position to the declaration of the death of verse as a creative force and advocates production compatible with the technical, informational, scientific and cultural reality of its time.

Another stated objective is to rationalize the group's struggle for a new logic of consumption which, according to the document, would inevitably lead to a nonliterary poema processo. The text therefore connects poetic creation, structure, information, circulation and consumption, providing contemporary evidence of terminology employed by the movement in early 1968.

The letter also attempts to answer the political accusations directed at the movement. The Poema Processo Group declares itself favorable to cultural development and states that its work was based on the experience of earlier culture, while rejecting what it describes as a static academic culture detached from the interests of the country.

The group further declares itself antinazi, antifascist and democratically formed. In support of this position, the document cites the open character of its exhibition, which it says brought together new poets from different parts of Brazil, the nature of the works themselves, and the group's willingness to open its exhibition to debate, including the invitation of opponents and recognition of the value of criticism.

On the second sheet, the document accuses certain newspapers of emphasizing an isolated gesture and interpreting it in bad faith, thereby distorting its meaning and depriving the public of what the group calls the right to fair information. The letter specifically names Ferreira Gullar and disputes accounts concerning his participation in events and debates involving Poema Processo.

According to the version presented by the Poema Processo Group, Ferreira Gullar had not withdrawn from the debate because participants intended to tear academic discursive books at the entrance to the Municipal Theatre. The document also criticizes coverage by O Estado de S. Paulo, identified in the letter as the newspaper where Gullar worked at that time.

In a passage especially relevant to the documentation of disputes among Brazilian avant gardes, the letter recalls the neoconcrete period and presents the Poema Processo Group's version of an episode involving Ferreira Gullar, an exhibition, a debate and the possibility of his book being torn. These statements represent the position recorded by the group itself and should be understood as part of a historical controversy rather than as independently verified facts.

The letter closes with the identification Grupo do poema processo and includes a postscript addressed to newspaper secretaries, editors, directors and reporters explicitly requesting publication of the letter. The document is an important primary source for the history of Poema Processo because it records the movement's public defense of itself and its formulations concerning nonliterary poetry, the death of verse, the logic of consumption, democracy, avant garde practice, cultural criticism, the press and the controversy involving Ferreira Gullar in early 1968.

O documento é composto por duas folhas datiloscritas. A primeira apresenta, no alto à direita, a anotação manuscrita Nota enviada aos jornais. O texto é datado Rio, 30 de janeiro de 1968 e começa com a fórmula Prezado Senhor. Não há um título formal destacado na própria folha. O título de catalogação O Poema Processo refuta as acusações que lhe vêm sendo feitas deriva da frase inicial e da identificação fornecida pelo usuário.

A primeira folha registra explicitamente que o gesto discutido ocorreu no dia 26 de janeiro, referido no documento como passado próximo. Essa informação é documentalmente importante porque ajuda a esclarecer a cronologia dos documentos anteriores relativos ao debate, à passeata, ao happening e à ação nas escadarias do Teatro Municipal. Neste documento de 30 de janeiro de 1968, o próprio Grupo do Poema Processo situa a ação em 26 de janeiro de 1968.

O grupo enumera quatro objetivos para o gesto de rasgar livros. O primeiro era afirmar aos novos poetas que determinado tipo de poesia não poderia mais servir de modelo. O segundo era mostrar que poesia não é literatura. O terceiro era decretar a morte do verso como força criadora, relacionando essa posição à realidade técnica, informacional, científica e cultural. O quarto era racionalizar uma luta por nova lógica de consumo que levaria, segundo o grupo, ao poema processo não literário.

Em seguida, a carta explicita posições políticas e culturais do grupo. O texto afirma ser favorável ao desenvolvimento da cultura, reconhece a experiência cultural anterior como base de trabalho e rejeita uma cultura definida no próprio documento como estática acadêmica e afastada dos interesses do país. Declara ainda o grupo como antinazista, antifascista e de formação democrática.

A carta cita nominalmente Ferreira Gullar e O Estado de S. Paulo. Como se trata de documento produzido por uma das partes de uma controvérsia, acusações sobre distorção dos fatos, autopromoção, manipulação jornalística e episódios envolvendo Ferreira Gullar são registradas na ficha como afirmações do Grupo do Poema Processo, sem convertê las em fatos independentes.

O pós escrito da segunda folha é dirigido aos secretários, redatores, diretores e repórteres de jornais e traz em letras maiúsculas a solicitação de publicação da carta. Esse elemento confirma sua função de comunicado público e documento destinado à circulação na imprensa.

As duas folhas apresentam perfurações na margem esquerda, marcas de dobra, pequenas perdas e sinais de envelhecimento. A existência da anotação Nota enviada aos jornais e do pedido final de publicação reforça a classificação do conjunto como documento de arquivo e comunicado à imprensa produzido pelo Grupo do Poema Processo.

A leitura integral das duas folhas permite ainda corrigir a questão cronológica observada nos documentos anteriores: o Grupo do Poema Processo afirma neste documento datado de 30 de janeiro de 1968 que o gesto de rasgar livros ocorreu em 26 de janeiro. Essa evidência documental é mais forte do que uma atribuição anterior de 26 de dezembro de 1967 e deve ser considerada na revisão catalográfica dos documentos ligados ao mesmo happening. A metodologia utilizada privilegia justamente datas e relações comprovadas pelo próprio documento e evita transformar hipóteses em fatos.

TEXTO DE OBSERVAÇÃO INGLÊS

The document consists of two typewritten sheets. At the upper right of the first sheet is the handwritten inscription Nota enviada aos jornais, indicating that the text was sent to newspapers. The letter is dated Rio, January 30, 1968 and begins with the salutation Prezado Senhor. There is no separate formal title printed on the document. The catalog title Poema Processo Refutes the Accusations Made Against It derives from the opening sentence and from the identification supplied by the user.

The first sheet explicitly states that the gesture under discussion took place on January 26, referred to in the document as the recent past. This is important documentary evidence because it helps establish the chronology of earlier records concerning the debate, procession, happening and action on the steps of the Municipal Theatre. In this document dated January 30, 1968, the Poema Processo Group itself places the action on January 26, 1968.

The group enumerates four objectives for the act of tearing books. The first was to demonstrate to new poets that a particular type of poetry could no longer serve as a model. The second was to demonstrate that poetry is not literature. The third was to declare the death of verse as a creative force in relation to the technical, informational, scientific and cultural reality of the period. The fourth was to rationalize a struggle for a new logic of consumption that, according to the group, would lead to a nonliterary poema processo.

The letter then states the group's political and cultural positions. It declares support for the development of culture, recognizes previous cultural experience as a basis for its work, and rejects what the document describes as a static academic culture removed from the interests of the country. The group also identifies itself as antinazi, antifascist and democratically formed.

The letter specifically names Ferreira Gullar and O Estado de S. Paulo. Because this document was produced by one party to a historical controversy, statements concerning distortion of facts, self promotion, journalistic manipulation and episodes involving Ferreira Gullar are cataloged as claims made by the Poema Processo Group rather than as independently verified facts.

The postscript on the second sheet is addressed to newspaper secretaries, editors, directors and reporters and explicitly requests publication of the letter. This element confirms its function as a public statement intended for circulation through the press.

Both sheets show perforations along the left margin, fold marks, minor losses and signs of aging. The handwritten annotation identifying it as a note sent to newspapers, together with the final request for publication, supports its classification as an archival document and press communication produced by the Poema Processo Group.

The complete reading of the two sheets also provides important chronological evidence for the associated documents. In this letter dated January 30, 1968, the Poema Processo Group states that the act of tearing books occurred on January 26. This primary evidence is stronger than an earlier attribution of December 26, 1967 and should be considered when reviewing the catalog records of documents related to the same happening.


Inglês

Poema Processo Refutes the Accusations Made Against It

Dimensions: 11,2 x 8,6 in

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