Sebastiao Nunes
Local de nascimento: Bocaiúva, Minas Gerais
Data de nascimento: 5 de dezembro de 1938
BIOGRAFIA EM PORTUGUÊSSebastião Nunes, nascido em 5 de dezembro de 1938 em Bocaiúva, Minas Gerais, é escritor, poeta experimental e visual, artista gráfico, editor, fotógrafo, tipógrafo, ilustrador e designer editorial brasileiro. Sua produção ocupa posição singular na história da poesia experimental brasileira por articular literatura, imagem, fotografia, desenho, tipografia, montagem, apropriação gráfica, humor, sátira política e crítica cultural. Embora sua obra seja frequentemente apresentada em exposições, arquivos e estudos relacionados ao Poema Processo e tenha circulado ao lado de artistas históricos do movimento, a relação de Sebastião Nunes com o Poema Processo exige precisão historiográfica. Em entrevista posterior, o próprio artista afirmou que conhecia Moacy Cirne e mantinha amizade com ele, mas que, naquele momento histórico, não se imaginava ligado ao movimento. Segundo Nunes, sua pesquisa o levou a uma forma híbrida própria, que denominou poesia intersemiótica. Portanto, sua presença no contexto do Poema Processo deve ser registrada como uma relação histórica, expositiva, documental e de afinidade experimental, e não automaticamente como filiação formal ao movimento.Nunes mudou se para Belo Horizonte em 1955 e estudou no Colégio Marconi até 1957. Na juventude desenvolveu intenso interesse por literatura e começou a escrever inicialmente sob influência de autores de prosa brasileira. Em 1960 ingressou na Fundação Universidade Mineira de Arte para estudar publicidade, curso que frequentou durante aproximadamente um ano e meio. A experiência profissional iniciada nesse período seria decisiva para sua futura linguagem artística. Trabalhou como tipógrafo, fotógrafo, arte finalista, publicitário e diretor de arte, incorporando conhecimentos de composição gráfica, reprodução mecânica, fotografia, impressão, montagem e comunicação de massa à construção de sua poesia. Em 1964 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG. Naquele mesmo período publicou um conto no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo e um cartum na revista Senhor.Entre 1966 e 1967, sua participação na vida cultural de Belo Horizonte intensificou se. Frequentou a Faculdade de Direito da UFMG em um ambiente no qual circulavam escritores, jornalistas e artistas como Sérgio Sant Anna, Jaime Prado Gouvêa, Humberto Werneck, Adão Ventura e Fernando Brant. Venceu concursos de conto e poesia da Faculdade de Direito e passou a frequentar a redação do Suplemento Literário de Minas Gerais, criado por Murilo Rubião, colaborando com poemas, pequenos ensaios e textos de caráter experimental. Nunes posteriormente reconheceu Murilo Rubião, Affonso Ávila e Laís Corrêa de Araújo como referências intelectuais importantes de sua geração.Em 1966 também produziu material gráfico e político relacionado ao 28º Congresso da União Nacional dos Estudantes, realizado clandestinamente durante a ditadura militar. Sua experiência com cartazes, charges, propaganda política e comunicação visual aproximou definitivamente sua atuação literária da linguagem gráfica. Essa dimensão política e visual permaneceria presente ao longo de sua produção posterior, especialmente na crítica às estruturas de poder, à publicidade, ao consumo, à classe média e aos mecanismos de manipulação ideológica.Em 1967 Nunes produziu o primeiro poema que posteriormente consideraria plenamente satisfatório e publicou poemas e pequenos ensaios no Suplemento Literário de Minas Gerais. Em maio de 1968 realizou sua primeira publicação poética independente de maior importância, um pequeno caderno de dezesseis folhas que reunia Última Carta da América, Auto da Virgem Ensimesmada e Sete Recursos Extraordinários. Essa publicação marca o início de uma trajetória de aproximadamente vinte anos dedicada de maneira sistemática à poesia experimental.Sua produção surgiu em um período de intensa transformação da poesia brasileira. Concretismo, Poema Processo, Praxis, poesia visual, poesia marginal, novas experiências tipográficas e práticas intermídia disputavam e ampliavam os limites tradicionais da literatura. Nunes conhecia esse ambiente, mas buscou deliberadamente uma trajetória independente. Em depoimento posterior explicou que não desejava tornar se seguidor dos concretistas e também não se considerava integrante do Poema Processo. A solução encontrada foi reunir sua formação literária, a experiência como artista gráfico, o interesse pela fotografia e os procedimentos da publicidade para desenvolver aquilo que chamou de poesia intersemiótica.Essa posição é particularmente importante para o cadastro do Salsa. Sebastião Nunes pertence inequivocamente à história da poesia visual e experimental brasileira e possui vínculos documentais importantes com artistas, exposições e publicações relacionadas ao Poema Processo. Entretanto, sua produção deve conservar sua autonomia conceitual. A presença de obras suas em contextos posteriormente classificados como Poema Processo não deve apagar a declaração do próprio autor de que não se considerava formalmente ligado ao movimento.Em 1970 publicou A Cidade de Deus, um dos trabalhos que consolidaram sua investigação de relações entre palavra, imagem e estrutura gráfica. No mesmo ano, Soneto Virginal apareceu na Revista de Cultura Vozes, número 9, ano 64, edição de novembro de 1970 dedicada ao panorama Arte Brasil Hoje e coordenada por Roberto Pontual. O trabalho tornou se uma das referências da poesia visual de Nunes e uma variante registrada no acervo poemaprocesso.com.br aparece como Soneto Virginalíssimo.Durante a década de 1970 Nunes aprofundou a experimentação verbo visual e editorial. Publicou Finis Operis em 1973, Zovos em 1977, O Suicídio do Ator em 1978 e Serenata em B Menor em 1979. Esses livros não devem ser compreendidos apenas como recipientes para poemas. Sua concepção gráfica, a montagem tipográfica, a inserção de fotografias, gravuras, ilustrações, cortes visuais e diferentes registros de linguagem transformam a materialidade editorial em componente da própria escrita. A investigação acadêmica posterior identificou exatamente essa articulação entre linguagem verbal e não verbal como elemento fundamental da obra de Sebastião Nunes.Em 1980 fundou as Edições Dubolso, iniciativa editorial independente criada inicialmente para publicar sua própria obra e, posteriormente, trabalhos de dezenas de outros escritores. A editora chegou a publicar aproximadamente cinquenta autores em volumes individuais ou antologias. Nunes realizava gratuitamente parte significativa da programação visual e do acompanhamento gráfico, enquanto os autores assumiam os custos de impressão e distribuição. A Dubolso constitui um capítulo importante da história das pequenas editoras e das iniciativas independentes brasileiras do final do século XX.Ainda em 1980 publicou Somos Todos Assassinos, obra de ficção experimental que utilizou sua experiência profissional na publicidade como matéria para uma crítica corrosiva aos mecanismos de persuasão, consumo e produção simbólica. O livro conheceu novas edições em 1981, 1995 e uma primeira edição comercial pela Altana em 2000.No mesmo ano, Sebastião Nunes integrou Expoema 80, Exposição de Poemas Visuais realizada no Inelivro, Biblioteca Estadual Celso Kelly, Rio de Janeiro, entre 29 de agosto e 10 de setembro de 1980. A mostra reuniu artistas históricos do Poema Processo e da poesia experimental, entre eles Wlademir Dias Pino, Neide Dias de Sá, Álvaro de Sá, Moacy Cirne, Falves Silva, J. Medeiros, Joaquim Branco, Paulo Bruscky, Paulo Leminski, Unhandeijara Lisboa, Silvio Spada e Sílvio Hansen. A participação de Sebastião Nunes comprova sua inserção no circuito ampliado da poesia visual brasileira e sua convivência expositiva com artistas diretamente ligados ao Poema Processo, sem constituir por si só prova de filiação formal ao movimento.Em 1983 publicou A Velhice do Poeta Marginal. Em 1985 lançou Papéis Higiênicos, subtitulado Estudos sobre guerrilha cultural e poética de provocação, pelas Edições Dubolso em Sabará. A publicação reúne sete poemas estruturados por diferentes procedimentos visuais, incluindo imagens antigas, fotomontagem e montagem tipográfica. A crítica e a bibliografia sobre Nunes destacam Papéis Higiênicos como uma de suas realizações gráficas mais complexas, combinando humor, violência simbólica, escatologia, memória, lirismo e experimentação editorial.Entre 1988 e 1989 publicou os dois volumes de Antologia Mamaluca e Poesia Inédita. O primeiro reuniu parte substancial de sua produção anterior e o segundo incorporou Aurea Mediocritas. Com esses volumes Nunes considerou encerrado seu ciclo como poeta experimental. Posteriormente passou a utilizar ironicamente a expressão ex poeta para definir essa decisão. A reunião histórica abrangia trabalhos desenvolvidos desde Última Carta da América, passando por A Cidade de Deus, Finis Operis, Zovos, O Suicídio do Ator, Serenata em B Menor, A Velhice do Poeta Marginal e Papéis Higiênicos.Em 1988 participou da I Mostra Internacional de Poesia Visual de São Paulo, realizada no Centro Cultural São Paulo. A mostra reuniu autores brasileiros e estrangeiros, entre eles Alonso Alvarez, Hugo Mund Jr., Joaquim Branco, Pedro Xisto, Philadelpho Menezes, Wlademir Dias Pino, Eugen Gomringer, Klaus Groh, Michele Perfetti, Miroljub Todorovi?, Mogens Otto Nielsen, Rubén Mario Tani e Shoji Yoshizawa. Um conjunto de vinte e seis cartões postais foi produzido a partir da mostra.Em 1992 publicou História do Brasil, posteriormente reeditado comercialmente. A obra utiliza colagem, apropriação, montagem gráfica e procedimentos editoriais para produzir uma leitura satírica da história e da cultura brasileira. Estudos acadêmicos sobre Nunes analisaram a relação entre essas imagens e o texto como parte de uma estratégia intersemiótica na qual ilustração, fotografia e tipografia não funcionam apenas como acompanhamento, mas como elementos constitutivos da narrativa.Em 1994 a Prefeitura de Belo Horizonte dedicou lhe uma edição da série Temporada de Poesia, com apresentação, seleção e organização de Carlos Augusto Novais e Luiz Soares Dulci. Nesse mesmo período o grupo Giramundo realizou a peça Antologia Mamaluca, dirigida por Álvaro Apocalypse, demonstrando a capacidade de sua produção de transitar entre poesia, imagem, livro e performance cênica.Em 1995 publicou Sacanagem Pura em edição associada à terceira edição de Somos Todos Assassinos. Em 1996 criou um projeto gráfico paródico baseado no suplemento Mais da Folha de S.Paulo, reproduzindo visualmente formato, nome e organização gráfica do caderno para produzir uma publicação centrada em sua própria persona artística. O projeto representa um dos exemplos mais claros de sua prática de apropriação da comunicação de massa e transformação de modelos editoriais existentes em instrumentos de crítica e ficção gráfica.Em 1998 publicou Decálogo da Classe Média. A edição original tornou se uma das experiências editoriais mais conhecidas de sua trajetória. Cerca de 120 exemplares foram remetidos pelo correio a escritores, intelectuais e apoiadores dentro de pequenos caixões de madeira acompanhados por impressos, postais, adesivos, cartões e outros materiais. A operação transformava o livro em publicação expandida, objeto, intervenção postal, performance editorial e crítica à classe média. Naquele ano Nunes participou também da Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte e apresentou a exposição 30 anos de guerrilha cultural e estética de provocaçam, com curadoria e colaboração de Ricardo Aleixo.Em 2000 participou da fundação da Editora Dubolsinho, voltada à literatura infantil e juvenil, e publicou novas edições comerciais de obras de ficção. Sua produção posterior ampliou se para literatura infantil, crônica, ensaio e memória, mantendo o princípio de experimentar simultaneamente com linguagem e edição.Entre 2001 e 2015 foi colunista dominical do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Posteriormente, de 2015 até 2022, publicou crônicas no portal GGN. Parte desses textos foi reunida em livros como Adão e Eva no Paraíso Amazônico e Começa a Envelhecer a Mulher Mais Bela do Mundo.Em setembro de 2015 sua obra esteve relacionada ao seminário Poéticas de Vanguarda em Cuiabá, realizado na Universidade Federal de Mato Grosso em homenagem a Wlademir Dias Pino. A documentação posterior identifica uma obra de Sebastião Nunes apresentada naquele contexto sob a classificação poema processo. Esse registro constitui evidência importante da recepção museológica de sua obra dentro da historiografia do Poema Processo, ainda que a autodefinição do artista permaneça distinta.Em 2018, ao completar oitenta anos, Sebastião Nunes recebeu o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura na categoria Conjunto da Obra. A Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais registrava então vinte e seis livros publicados e destacava sua atuação como escritor, editor, diagramador e ilustrador. No mesmo ano foi autor homenageado da Feira Miolo(s), realizada na Biblioteca Mário de Andrade em São Paulo, e sua obra foi examinada no projeto Sebastião Nunes: Delirante Lucidez, de Gustavo Piqueira.Em 2019 foi publicado Um Caso Liquidado: Memórias e Desvarios de um Poeta Inacabado, pela Lote 42, com projeto gráfico e ilustrações de Gustavo Piqueira. A exposição dedicada à sua trajetória foi também apresentada na Universidade do Estado de Minas Gerais.Em 2023 o Centro de Memória da Faculdade de Letras da UFMG realizou a mostra Sebastião Nunes: Oh que Estúpido Fui, dedicada à documentação de sua trajetória como poeta, escritor, artista gráfico e editor. No mesmo ano Nunes passou a integrar a Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha, ocupando a cadeira 32, cujo patrono é Adão Ventura.Em janeiro de 2026, Círculo de Poemas e Fósforo Editora publicaram nova edição de Antologia Mamaluca, organizada por Fabrício Marques. O volume, com 296 páginas, reúne mais de uma centena de trabalhos provenientes de dez núcleos fundamentais de sua produção poética, abrangendo o período de 1968 a 1989. Essa edição constitui a mais recente reintrodução editorial de sua poesia experimental em circulação comercial ampla e consolida a importância contemporânea de sua investigação verbo visual.A obra de Sebastião Nunes caracteriza se pela dissolução deliberada das fronteiras entre escritor, artista gráfico e editor. Fotografias, gravuras, anúncios, fragmentos de imprensa, desenhos, tipos gráficos e estruturas editoriais são apropriados e reorganizados para construir poemas, livros e objetos que exigem simultaneamente leitura verbal e percepção visual. Estudos acadêmicos relacionam essa operação à intermidialidade, à tradução intersemiótica e ao diálogo entre poesia, arte e tecnologia.Sua relação com a história do Poema Processo deve, portanto, ser registrada em duas camadas complementares. Documentalmente, Nunes participou de exposições e circuitos em que estiveram os principais artistas do movimento, teve obras posteriormente apresentadas e classificadas nesse contexto, manteve relação intelectual com Moacy Cirne e aparece em arquivos ligados à poesia visual e ao Poema Processo. Autobiograficamente, contudo, afirmou que não se considerava ligado ao movimento e preferiu desenvolver o conceito de poesia intersemiótica para sua prática. Essa distinção torna seu caso especialmente valioso para compreender que a poesia experimental brasileira das décadas de 1960 a 1980 formou uma rede maior e mais complexa do que as fronteiras estritas de cada movimento.
English
BIOGRAPHY IN ENGLISHSebastião Nunes, born on 5 December 1938 in Bocaiúva, Minas Gerais, Brazil, is a Brazilian writer, experimental and visual poet, graphic artist, editor, photographer, typographer, illustrator and editorial designer. His work occupies a distinctive position in the history of Brazilian experimental poetry because it combines literature, image, photography, drawing, typography, graphic montage, appropriation, humour, political satire and cultural criticism. Although his work has frequently appeared in exhibitions, archives and historical studies connected with the Process Poem Movement and has circulated alongside historical members of that movement, his relationship with Poema Processo requires precise historiographical treatment. In a later interview Nunes stated that he knew Moacy Cirne and maintained a friendship with him, but at the time did not consider himself connected with the movement. He described his own hybrid practice as intersemiotic poetry. His connection with Poema Processo should therefore be catalogued as historical, documentary, exhibition based and experimental rather than automatically described as formal membership.Nunes moved to Belo Horizonte in 1955 and studied at Colégio Marconi until 1957. As a young man he developed an intense interest in literature and began writing under the influence of Brazilian prose authors. In 1960 he entered Fundação Universidade Mineira de Arte to study advertising and remained in the course for approximately a year and a half. The professional experience that began during this period later became fundamental to his artistic language. He worked as a typographer, photographer, graphic artist, advertising professional and art director, incorporating knowledge of visual composition, mechanical reproduction, photography, printing, montage and mass communication into his poetry. In 1964 he entered the Law School of the Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, and during this period published a short story in the literary supplement of O Estado de S. Paulo and a cartoon in Senhor magazine.Between 1966 and 1967 his participation in the cultural life of Belo Horizonte intensified. At the UFMG Law School he moved within an environment that included writers and journalists such as Sérgio Sant Anna, Jaime Prado Gouvêa, Humberto Werneck, Adão Ventura and Fernando Brant. He won literary competitions in poetry and short fiction and began frequenting the offices of the Suplemento Literário de Minas Gerais, created by Murilo Rubião, contributing poems, short essays and experimental texts. Nunes later acknowledged Murilo Rubião, Affonso Ávila and Laís Corrêa de Araújo as important intellectual references for his generation.In 1966 he also produced graphic and political material connected with the clandestine 28th Congress of the União Nacional dos Estudantes during the Brazilian military dictatorship. His experience with posters, cartoons, political propaganda and visual communication permanently connected his literary activity with graphic language. This political and visual dimension remained present in his later criticism of power, advertising, consumerism, middle class behaviour and ideological manipulation.In 1967 Nunes produced the first poem he later considered fully satisfactory and published poems and short essays in the Suplemento Literário de Minas Gerais. In May 1968 he issued his first substantial independent poetry publication, a sixteen sheet booklet containing Última Carta da América, Auto da Virgem Ensimesmada and Sete Recursos Extraordinários. This publication marks the beginning of approximately two decades of systematic dedication to experimental poetry.His work developed during an intense period of transformation in Brazilian poetry. Concrete Poetry, the Process Poem Movement, Praxis, visual poetry, marginal poetry, typographic experimentation and intermedia practices were expanding the traditional boundaries of literature. Nunes knew this environment but deliberately pursued an independent path. In a later account he explained that he did not want to become a follower of the concrete poets and did not consider himself a member of Poema Processo. He combined literary experience, graphic art, photography and advertising procedures into what he called intersemiotic poetry.This distinction is essential for the Salsa record. Sebastião Nunes unquestionably belongs to the history of Brazilian visual and experimental poetry and has significant documentary connections with artists, exhibitions and publications related to Poema Processo. His practice, however, should retain its conceptual autonomy.In 1970 he published A Cidade de Deus, one of the works that consolidated his investigation of relationships among word, image and graphic structure. During the same year Soneto Virginal appeared in Revista de Cultura Vozes, issue 9, year 64, November 1970, in an edition devoted to Arte Brasil Hoje under the coordination of Roberto Pontual. The work became an important reference within his visual poetry, and a related version preserved by poemaprocesso.com.br is recorded as Soneto Virginalíssimo.During the 1970s Nunes deepened his verbal visual and editorial experimentation. He published Finis Operis in 1973, Zovos in 1977, O Suicídio do Ator in 1978 and Serenata em B Menor in 1979. These books function not simply as containers for poems but as integrated graphic structures in which typography, photography, illustration, image appropriation and page design become part of the writing itself. Later academic research has identified precisely this interaction between verbal and nonverbal language as a central characteristic of his work.In 1980 Nunes founded Edições Dubolso, an independent publishing initiative initially created to issue his own work and later that of dozens of other writers. The press eventually published approximately fifty authors in individual books and anthologies. Nunes provided much of the graphic programming and production supervision without charge, while authors generally assumed printing and distribution expenses. Dubolso represents an important chapter in the history of Brazilian independent and small press publishing.Also in 1980 he published Somos Todos Assassinos, an experimental work of fiction that transformed his professional experience in advertising into a severe critique of persuasion, consumer culture and symbolic manipulation. The book appeared in further editions in 1981 and 1995 and received its first commercial edition from Altana in 2000.That same year Sebastião Nunes participated in Expoema 80, Exposição de Poemas Visuais, held at Inelivro in the Biblioteca Estadual Celso Kelly, Rio de Janeiro, from 29 August to 10 September 1980. The exhibition brought together historical Process Poem artists and experimental poets including Wlademir Dias Pino, Neide Dias de Sá, Álvaro de Sá, Moacy Cirne, Falves Silva, J. Medeiros, Joaquim Branco, Paulo Bruscky, Paulo Leminski, Unhandeijara Lisboa, Silvio Spada and Sílvio Hansen. Nunes participation documents his presence within the expanded Brazilian visual poetry circuit and his exhibition proximity to artists directly associated with Poema Processo, without by itself proving formal membership.In 1983 he published A Velhice do Poeta Marginal. In 1985 Edições Dubolso issued Papéis Higiênicos, subtitled Estudos sobre guerrilha cultural e poética de provocação. The publication contains seven poems structured through different visual procedures, including historical images, photomontage and typographic montage. Critical and bibliographical sources identify Papéis Higiênicos as one of the most complex graphic achievements of his career, combining humour, symbolic violence, scatological imagery, memory, lyricism and editorial experimentation.Between 1988 and 1989 he published the two volumes of Antologia Mamaluca e Poesia Inédita. The volumes brought together much of his earlier poetic production and incorporated the previously unpublished Aurea Mediocritas. Nunes regarded these books as the conclusion of his cycle as an experimental poet and later adopted the ironic designation ex poet. The historical corpus included works extending from Última Carta da América through A Cidade de Deus, Finis Operis, Zovos, O Suicídio do Ator, Serenata em B Menor, A Velhice do Poeta Marginal and Papéis Higiênicos.In 1988 he participated in the I Mostra Internacional de Poesia Visual de São Paulo at the Centro Cultural São Paulo. The international exhibition included Brazilian and foreign artists such as Hugo Mund Jr., Joaquim Branco, Pedro Xisto, Philadelpho Menezes, Wlademir Dias Pino, Eugen Gomringer, Klaus Groh, Michele Perfetti, Miroljub Todorovi?, Mogens Otto Nielsen, Rubén Mario Tani and Shoji Yoshizawa. Twenty six postcards were selected from the exhibition for a publication project.In 1992 he published História do Brasil, later reissued commercially. The work uses collage, appropriation, graphic montage and editorial procedures to produce a satirical reading of Brazilian history and culture. Academic studies of the book have emphasized how images and written language operate together as part of an intersemiotic system in which illustration, photography and typography are structural elements of the narrative.In 1994 the Prefeitura de Belo Horizonte dedicated an edition of the Temporada de Poesia series to his work, with presentation, selection and organization by Carlos Augusto Novais and Luiz Soares Dulci. Around the same period the Giramundo puppet theatre created Antologia Mamaluca under the direction of Álvaro Apocalypse, demonstrating the capacity of his work to move among poetry, image, book and theatrical performance.In 1995 he published Sacanagem Pura in a combined edition with the third edition of Somos Todos Assassinos. In 1996 he produced a graphic parody based on the Mais cultural supplement of Folha de S.Paulo, reproducing its format and visual organization while transforming it into a publication centred on his own artistic persona. The project represents a characteristic use of mass communication formats as material for appropriation and criticism.In 1998 Nunes published Decálogo da Classe Média. The original edition became one of the most distinctive editorial actions of his career. Approximately 120 copies were mailed to writers, intellectuals and supporters inside miniature wooden coffins accompanied by printed matter, postcards, stickers, visiting cards and other ephemera. The operation transformed the book into an expanded artists publication, object, postal intervention and editorial performance. During the same year he participated in the Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte and presented the exhibition 30 anos de guerrilha cultural e estética de provocaçam with curatorial collaboration by Ricardo Aleixo.In 2000 Nunes participated in the creation of Editora Dubolsinho, devoted to books for children and young readers, while commercial editions of his experimental fiction began to circulate more broadly.From 2001 to 2015 he wrote a Sunday column for the Belo Horizonte newspaper O Tempo. From 2015 through 2022 he contributed Sunday columns to the GGN portal. Selections from his journalistic work were later published in books including Adão e Eva no Paraíso Amazônico and Começa a Envelhecer a Mulher Mais Bela do Mundo.In September 2015 his work appeared in the context of Poéticas de Vanguarda em Cuiabá at the Universidade Federal de Mato Grosso, a seminar honoring Wlademir Dias Pino. Later documentation explicitly identifies a Sebastião Nunes work displayed there under the classification Poema Processo. This provides important evidence of the later museological reception of his work within Process Poem historiography while remaining distinct from his own historical self identification.In 2018, the year he turned eighty, Sebastião Nunes received the Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura for his body of work. The state cultural authorities then recorded twenty six published books and emphasized his activity as writer, editor, graphic designer and illustrator. He was also an honoured author at Feira Miolo(s) at Biblioteca Mário de Andrade in São Paulo, and his work was reconsidered in Gustavo Piqueira's project Sebastião Nunes: Delirante Lucidez.In 2019 Lote 42 published Um Caso Liquidado: Memórias e Desvarios de um Poeta Inacabado, with graphic design and illustrations by Gustavo Piqueira. An exhibition devoted to his trajectory was also presented at the Universidade do Estado de Minas Gerais.In 2023 the Centro de Memória da Faculdade de Letras of UFMG presented Sebastião Nunes: Oh que Estúpido Fui, an exhibition devoted to documentation of his career as poet, writer, graphic artist and editor. During the same year he became a member of the Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha, occupying chair 32, whose patron is the poet Adão Ventura.In January 2026 Círculo de Poemas and Fósforo Editora issued a new Antologia Mamaluca organized by Fabrício Marques. The 296 page volume gathers more than one hundred works selected from ten major phases of his poetic production between 1968 and 1989. This edition represents the most recent broad commercial reintroduction of his experimental poetry and confirms the continuing relevance of his verbal visual research.Sebastião Nunes has consistently dissolved conventional distinctions among writer, graphic artist and editor. Photographs, engravings, advertisements, press fragments, drawings, typefaces and editorial structures are appropriated and reorganized into poems, books and objects that require both verbal reading and visual perception. Academic research has related these operations to intermediality, intersemiotic translation and relationships among poetry, art and technology.His relationship with the history of Poema Processo should therefore be registered on two complementary levels. Documentary evidence places him in exhibitions, publications and networks shared with major artists of the movement, while later exhibitions have explicitly located particular works within that historical field. In autobiographical testimony, however, Nunes stated that he did not consider himself a member of the movement and preferred the concept of intersemiotic poetry for his own work. This distinction makes his trajectory especially valuable for understanding Brazilian experimental poetry as a wider network extending beyond the formal boundaries of individual movements.
Currículo
CURRÍCULO EM PORTUGUÊSIDENTIFICAÇÃONome principal: Sebastião Nunes.Nascimento: 5 de dezembro de 1938.Local de nascimento: Bocaiúva, Minas Gerais, Brasil.Nacionalidade: brasileira.Áreas de atuação: poesia experimental, poesia visual, poesia intersemiótica, literatura, ficção experimental, ensaio, crônica, edição independente, design gráfico, fotografia, tipografia, ilustração, programação visual e publicação experimental.Principais cidades de atuação documentadas: Bocaiúva, Belo Horizonte, Sabará e outros contextos de Minas Gerais.Período de atividade documentado: desde a década de 1960.Relação com o Poema Processo: presença documental em exposições, arquivos e contextos históricos relacionados ao movimento. O próprio Sebastião Nunes declarou posteriormente que não se considerava integrante formal do Poema Processo e que desenvolveu sua própria definição de poesia intersemiótica.FORMAÇÃO1955 a 1957. Colégio Marconi, Belo Horizonte.1960 a aproximadamente 1961. Fundação Universidade Mineira de Arte. Curso de publicidade frequentado durante aproximadamente um ano e meio.Ingresso na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Não foi localizada nas fontes consultadas confirmação de conclusão do curso.ATUAÇÃO PROFISSIONALDécada de 1960. Trabalha como tipógrafo, fotógrafo, arte finalista, publicitário e diretor de arte.Produz material gráfico relacionado ao 28º Congresso da União Nacional dos Estudantes e cartazes políticos no ambiente universitário.1966 e 1967. Vence concursos literários na Faculdade de Direito da UFMG e passa a colaborar com o Suplemento Literário de Minas Gerais.1968 em diante. Desenvolve produção autônoma de poesia experimental e visual.Fundação das Edições Dubolso.1980 a décadas posteriores. Atuação como editor independente, programador visual e responsável pelo acompanhamento gráfico de publicações de vários autores.Encerramento definitivo de sua atividade profissional regular na publicidade, segundo relato cronológico do autor.Participação na fundação da Editora Dubolsinho, dedicada à literatura infantil e juvenil.2001 a 2015. Colunista dominical do jornal O Tempo, Belo Horizonte.2015 a 2022. Colunista do portal GGN.Ingresso na Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha, cadeira 32, tendo Adão Ventura como patrono.MOVIMENTOS, REDES E CONTEXTOSPoesia experimental brasileira.Poesia visual.Poesia intersemiótica.Publicação independente.Small press.Arte gráfica.Intermidialidade.Redes de poesia experimental.Contexto histórico do Poema Processo, com relação documental e expositiva, sem filiação formal afirmada pelo próprio artista.PROJETOS E COLABORAÇÕESDécada de 1960. Colaboração com o Suplemento Literário de Minas Gerais, em ambiente relacionado a Murilo Rubião, Affonso Ávila, Laís Corrêa de Araújo e escritores da nova geração mineira.Antologia Mamaluca, adaptação teatral pelo grupo Giramundo, direção de Álvaro Apocalypse.30 anos de guerrilha cultural e estética de provocaçam, projeto expositivo associado à Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte, com participação curatorial de Ricardo Aleixo.Sebastião Nunes: Delirante Lucidez, projeto de Gustavo Piqueira dedicado à obra gráfica e editorial do artista.Um Caso Liquidado: Memórias e Desvarios de um Poeta Inacabado, publicação com projeto gráfico e ilustrações de Gustavo Piqueira.EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS E MOSTRAS DEDICADAS À OBRA30 anos de guerrilha cultural e estética de provocaçam. Belo Horizonte. Contexto da Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte. Curadoria ou colaboração curatorial de Ricardo Aleixo.Exposição e homenagem a Sebastião Nunes no contexto da Feira Miolo(s), Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo.Remontagem de exposição dedicada à obra de Sebastião Nunes na Universidade do Estado de Minas Gerais.Sebastião Nunes: Oh que Estúpido Fui. Centro de Memória da Faculdade de Letras da UFMG, Belo Horizonte. Visitação documentada até 11 de agosto de 2023.EXPOSIÇÕES COLETIVASExpoema 80, Exposição de Poemas Visuais. Inelivro, Biblioteca Estadual Celso Kelly, Rio de Janeiro. 29 de agosto a 10 de setembro de 1980. Participação com amplo conjunto de poetas visuais, artistas do Poema Processo e produtores de poesia experimental.I Mostra Internacional de Poesia Visual de São Paulo. Centro Cultural São Paulo, São Paulo. Participação de Sebastião Nunes junto a artistas brasileiros e estrangeiros. A mostra originou seleção de vinte e seis cartões postais.Poéticas de Vanguarda em Cuiabá. Museu da Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá. Seminário e exposição realizados de 9 a 11 de setembro de 2015 em homenagem a Wlademir Dias Pino. Documentação posterior registra obra de Sebastião Nunes apresentada no contexto do Poema Processo.BIENAIS, SALÕES E FESTIVAISBienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte. Participação com palestra e projeto expositivo relacionado aos trinta anos de sua produção experimental.LIVROS DE POESIA E POESIA EXPERIMENTALÚltima Carta da América. Belo Horizonte. Edição do autor.A Cidade de Deus. Belo Horizonte. Edição do autor.Finis Operis. Edição do autor.Zovos. Edição do autor.O Suicídio do Ator. Edição do autor.Serenata em B Menor. Edição do autor.A Velhice do Poeta Marginal. Edições Dubolso.Papéis Higiênicos. Estudos sobre guerrilha cultural e poética de provocação. Sabará. Edições Dubolso. Primeira edição. Aproximadamente 75 páginas.Antologia Mamaluca 1 e Poesia Inédita. Poesias. Sabará. Edições Dubolso.Antologia Mamaluca 2 e Poesia Inédita. Aurea Mediocritas. Sabará. Edições Dubolso.Antologia Mamaluca. Organização de Fabrício Marques. Círculo de Poemas e Fósforo Editora. 296 páginas. ISBN 9786561391085. Reúne mais de cem trabalhos provenientes da produção de 1968 a 1989.FICÇÃO, ENSAIO, CRÔNICA E OUTRAS PUBLICAÇÕESSomos Todos Assassinos. Sereno de Cataguases. Dubolso.Somos Todos Assassinos. Segunda edição.História do Brasil.Somos Todos Assassinos. Terceira edição. Dubolso e Mazza.Sacanagem Pura. Publicação associada à terceira edição de Somos Todos Assassinos.Pseudo Mais. Publicação paródica baseada graficamente no suplemento Mais da Folha de S.Paulo.Decálogo da Classe Média. Dubolso, Sabará. Primeira experiência editorial enviada em aproximadamente 120 pequenos caixões acompanhados de materiais impressos.Somos Todos Assassinos. Primeira edição comercial. Altana, São Paulo.História do Brasil. Edição comercial relacionada à Altana.Adão e Eva no Paraíso Amazônico. Reunião de crônicas relacionadas à colaboração no jornal O Tempo.Começa a Envelhecer a Mulher Mais Bela do Mundo. Reunião de crônicas.Um Caso Liquidado: Memórias e Desvarios de um Poeta Inacabado. Lote 42. Projeto gráfico e ilustrações de Gustavo Piqueira.Ou o Brasil Acaba com Bolsonaro ou Bolsonaro Acaba com o Brasil. Dubolso. Edição registrada com tiragem reduzida.REVISTAS E PERIÓDICOSPublicação de conto no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo.Publicação de cartum na revista Senhor.1967 em diante. Colaborações no Suplemento Literário de Minas Gerais.Soneto Virginal. Revista de Cultura Vozes, número 9, ano 64, novembro de 1970. Edição Arte Brasil Hoje, coordenação de Roberto Pontual.2001 a 2015. Coluna dominical no jornal O Tempo.2015 a 2022. Colaboração dominical no portal GGN.PUBLICAÇÕES DE ARTISTA E EXPERIMENTAÇÃO EDITORIALÚltima Carta da América, Auto da Virgem Ensimesmada e Sete Recursos Extraordinários reunidos em pequeno caderno independente.Década de 1970. Desenvolvimento de livros e impressos em que composição gráfica, fotografia, desenho, tipografia e montagem constituem parte estrutural da poesia.Papéis Higiênicos. Publicação experimental de forte integração entre poema, fotografia, gravura e projeto gráfico.Pseudo Mais. Apropriação e transformação de um formato jornalístico existente.Decálogo da Classe Média. Livro objeto expandido por uma operação postal envolvendo pequenos caixões e múltiplos impressos.OBRAS VISUAIS DOCUMENTADASSoneto Virginal ou Soneto Virginalíssimo. Circa 1970. Poesia visual. Exemplar preservado no acervo poemaprocesso.com.br mede 16 por 29 centímetros.Outras obras visuais são preservadas em coleções e arquivos dedicados à poesia visual, mas a relação integral das seis obras atualmente cadastradas na página do artista do poemaprocesso.com.br não pôde ser recuperada com segurança pela fonte pública consultada.PRÊMIOS E RECONHECIMENTOSPrêmio Governo de Minas Gerais de Literatura. Categoria Conjunto da Obra. Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais.Autor homenageado da Feira Miolo(s), Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo.Ingresso na Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha, cadeira 32.ARQUIVOS, COLEÇÕES E INSTITUIÇÕESAcervo poemaprocesso.com.br. Preserva e cataloga obras visuais de Sebastião Nunes, incluindo Soneto Virginalíssimo, e documentação relacionada à poesia visual e ao Poema Processo.Centro de Memória da Faculdade de Letras da UFMG. Instituição responsável pela mostra Sebastião Nunes: Oh que Estúpido Fui, 2023.Coleções e arquivos bibliográficos preservam exemplares de sua produção independente e das Edições Dubolso.BIBLIOGRAFIA SELECIONADA SOBRE O ARTISTAMarques, Fabrício. Estética da provocaçam: a apropriação de técnicas publicitárias nos textos de Sebastião Nunes. Scripta, Belo Horizonte, volume 8, número 15, 2004, páginas 158 a 171.Menezes, André Araujo de; Moreira, Wagner José. Poesia, arte e tecnologia: um diálogo com a imagem do amor em Sebastião Nunes. Texto Digital, volume 10, número 1, 2014.Piqueira, Gustavo. Sebastião Nunes: Delirante Lucidez. Projeto dedicado à obra gráfica e editorial de Nunes, 2018.CRONOLOGIANasce em 5 de dezembro em Bocaiúva, Minas Gerais.Muda se para Belo Horizonte.1955 a 1957. Estuda no Colégio Marconi.Inicia estudos de publicidade na Fundação Universidade Mineira de Arte e começa a trabalhar no setor gráfico e publicitário.Ingressa na Faculdade de Direito da UFMG. Publica conto em O Estado de S. Paulo e cartum na revista Senhor.Participa de concursos literários universitários. Produz material gráfico relacionado ao 28º Congresso da UNE.Publica poemas e ensaios no Suplemento Literário de Minas Gerais. Produz o primeiro poema que considera plenamente realizado.Publica Última Carta da América, Auto da Virgem Ensimesmada e Sete Recursos Extraordinários.Publica A Cidade de Deus. Soneto Virginal aparece na Revista de Cultura Vozes.Publica Finis Operis.Publica Zovos.Publica O Suicídio do Ator.Publica Serenata em B Menor.Funda Edições Dubolso. Publica Somos Todos Assassinos. Participa de Expoema 80 no Rio de Janeiro.Publica A Velhice do Poeta Marginal.Publica Papéis Higiênicos.Publica Antologia Mamaluca 1 e Poesia Inédita. Participa da I Mostra Internacional de Poesia Visual de São Paulo.Publica Antologia Mamaluca 2 e Aurea Mediocritas e encerra seu ciclo declarado de produção poética.Publica História do Brasil.Prefeitura de Belo Horizonte publica fascículo dedicado a sua obra na série Temporada de Poesia. Giramundo apresenta adaptação de Antologia Mamaluca.Publica Sacanagem Pura e terceira edição de Somos Todos Assassinos.Produz Pseudo Mais.Publica Decálogo da Classe Média. Participa da Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte e apresenta 30 anos de guerrilha cultural e estética de provocaçam.Participa da fundação da Editora Dubolsinho. Obras de ficção recebem edições comerciais pela Altana.2001 a 2015. Colunista de O Tempo.Participação documental em Poéticas de Vanguarda em Cuiabá. Inicia colaboração com GGN.Recebe o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura pelo conjunto da obra. Homenageado na Feira Miolo(s).Publicação de Um Caso Liquidado. Exposição relacionada à sua obra na UEMG.Encerra colaboração regular com GGN.Mostra Sebastião Nunes: Oh que Estúpido Fui no Centro de Memória da FALE UFMG. Ingresso na Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha.Nova edição de Antologia Mamaluca pelo Círculo de Poemas e Fósforo Editora.
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CURRICULUM IN ENGLISHIDENTIFICATIONPrimary name: Sebastião Nunes.Born: 5 December 1938.Place of birth: Bocaiúva, Minas Gerais, Brazil.Nationality: Brazilian.Fields of activity: experimental poetry, visual poetry, intersemiotic poetry, literature, experimental fiction, essay, chronicle, independent publishing, graphic design, photography, typography, illustration, visual programming and experimental publishing.Principal documented locations of activity: Bocaiúva, Belo Horizonte, Sabará and other cultural contexts in Minas Gerais.Documented period of activity: from the 1960s onward.Relationship with the Process Poem Movement: documentary participation in exhibitions, archives and historical contexts related to Poema Processo. Sebastião Nunes later stated that he did not consider himself a formal member of the movement and used the term intersemiotic poetry to describe his own practice.EDUCATION1955 to 1957. Colégio Marconi, Belo Horizonte.1960 to approximately 1961. Fundação Universidade Mineira de Arte. Advertising course attended for approximately one and a half years.Entered the Law School of the Universidade Federal de Minas Gerais. Completion of the degree was not confirmed in the sources consulted.PROFESSIONAL ACTIVITIES1960s. Worked as typographer, photographer, graphic artist, advertising professional and art director.Produced graphic material connected with the 28th Congress of the União Nacional dos Estudantes and political posters in the university environment.1966 and 1967. Won literary competitions at the UFMG Law School and began contributing to the Suplemento Literário de Minas Gerais.From 1968. Developed an independent body of experimental and visual poetry.Founded Edições Dubolso.1980s onward. Worked as independent publisher, graphic programmer and production supervisor for publications by numerous authors.Definitively left regular professional advertising work according to his own chronology.Participated in the creation of Editora Dubolsinho, devoted to books for children and young readers.2001 to 2015. Sunday columnist for O Tempo, Belo Horizonte.2015 to 2022. Sunday columnist for GGN.Became a member of the Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha, chair 32, whose patron is Adão Ventura.MOVEMENTS, NETWORKS AND CONTEXTSBrazilian experimental poetry.Visual poetry.Intersemiotic poetry.Independent publishing.Small press publishing.Graphic art.Intermedia practices.Experimental poetry networks.Historical Process Poem context, through documentary and exhibition relationships without formal membership claimed by the artist.PROJECTS AND COLLABORATIONS1960s. Collaboration with the Suplemento Literário de Minas Gerais in an environment associated with Murilo Rubião, Affonso Ávila, Laís Corrêa de Araújo and younger Minas Gerais writers.Antologia Mamaluca, theatrical adaptation by the Giramundo puppet theatre under the direction of Álvaro Apocalypse.30 anos de guerrilha cultural e estética de provocaçam, exhibition project connected with the Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte, with curatorial participation by Ricardo Aleixo.Sebastião Nunes: Delirante Lucidez, Gustavo Piqueira project devoted to the graphic and editorial work of Nunes.Um Caso Liquidado: Memórias e Desvarios de um Poeta Inacabado, publication with graphic design and illustrations by Gustavo Piqueira.SOLO EXHIBITIONS AND EXHIBITIONS DEVOTED TO HIS WORK30 anos de guerrilha cultural e estética de provocaçam. Belo Horizonte. Presented in the context of the Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte. Curatorial participation by Ricardo Aleixo.Exhibition and homage to Sebastião Nunes during Feira Miolo(s), Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo.Exhibition devoted to Sebastião Nunes at Universidade do Estado de Minas Gerais.Sebastião Nunes: Oh que Estúpido Fui. Centro de Memória da Faculdade de Letras, UFMG, Belo Horizonte. Documented through 11 August 2023.GROUP EXHIBITIONSExpoema 80, Exposição de Poemas Visuais. Inelivro, Biblioteca Estadual Celso Kelly, Rio de Janeiro. 29 August to 10 September 1980. Participation alongside a major group of visual poets and historical Process Poem artists.I Mostra Internacional de Poesia Visual de São Paulo. Centro Cultural São Paulo, São Paulo. International group exhibition including Brazilian and foreign visual poets. Twenty six postcards were selected from the exhibition.Poéticas de Vanguarda em Cuiabá. Museu da Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá. Seminar and exhibition held from 9 to 11 September 2015 in honour of Wlademir Dias Pino. Later documentation records a Sebastião Nunes work presented within the Process Poem context.BIENNIALS, ART SALONS AND FESTIVALSBienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte. Participation with lecture and exhibition project associated with thirty years of experimental activity.POETRY AND EXPERIMENTAL POETRY BOOKSÚltima Carta da América. Belo Horizonte. Author edition.A Cidade de Deus. Belo Horizonte. Author edition.Finis Operis. Author edition.Zovos. Author edition.O Suicídio do Ator. Author edition.Serenata em B Menor. Author edition.A Velhice do Poeta Marginal. Edições Dubolso.Papéis Higiênicos. Estudos sobre guerrilha cultural e poética de provocação. Sabará. Edições Dubolso. First edition. Approximately 75 pages.Antologia Mamaluca 1 e Poesia Inédita. Poesias. Sabará. Edições Dubolso.Antologia Mamaluca 2 e Poesia Inédita. Aurea Mediocritas. Sabará. Edições Dubolso.Antologia Mamaluca. Organized by Fabrício Marques. Círculo de Poemas and Fósforo Editora. 296 pages. ISBN 9786561391085. More than one hundred works selected from the 1968 to 1989 poetic corpus.EXPERIMENTAL FICTION, ESSAYS, CHRONICLES AND OTHER PUBLICATIONSSomos Todos Assassinos. Sereno de Cataguases. Dubolso.Somos Todos Assassinos. Second edition.História do Brasil.Somos Todos Assassinos. Third edition. Dubolso and Mazza.Sacanagem Pura. Publication associated with the third edition of Somos Todos Assassinos.Pseudo Mais. Graphic parody based on the Mais supplement of Folha de S.Paulo.Decálogo da Classe Média. Dubolso, Sabará. Original experimental edition mailed in approximately 120 miniature coffins containing additional printed material.Somos Todos Assassinos. First commercial edition. Altana, São Paulo.História do Brasil. Commercial edition associated with Altana.Adão e Eva no Paraíso Amazônico. Collection related to his O Tempo columns.Começa a Envelhecer a Mulher Mais Bela do Mundo. Collection of chronicles.Um Caso Liquidado: Memórias e Desvarios de um Poeta Inacabado. Lote 42. Graphic design and illustrations by Gustavo Piqueira.Ou o Brasil Acaba com Bolsonaro ou Bolsonaro Acaba com o Brasil. Dubolso. Documented small print edition.JOURNALS AND PERIODICALSShort story published in the literary supplement of O Estado de S. Paulo.Cartoon published in Senhor magazine.From 1967. Poems and experimental texts in the Suplemento Literário de Minas Gerais.Soneto Virginal. Revista de Cultura Vozes, issue 9, year 64, November 1970. Arte Brasil Hoje issue coordinated by Roberto Pontual.2001 to 2015. Sunday column in O Tempo.2015 to 2022. Sunday contributions to GGN.ARTISTS PUBLICATIONS AND EXPERIMENTAL PUBLISHINGÚltima Carta da América, Auto da Virgem Ensimesmada and Sete Recursos Extraordinários in an independent booklet.1970s. Development of publications in which graphic composition, photography, drawing, typography and montage function as structural elements of poetry.Papéis Higiênicos. Experimental publication integrating poetry, photography, engraving and graphic design.Pseudo Mais. Appropriation and transformation of an existing newspaper supplement format.Decálogo da Classe Média. Expanded publication transformed through a postal action involving miniature coffins and multiple printed elements.DOCUMENTED VISUAL WORKSSoneto Virginal or Soneto Virginalíssimo. Circa 1970. Visual poetry. The copy preserved by poemaprocesso.com.br measures 16 by 29 centimetres.Additional visual works are preserved in visual poetry collections and archives, but a complete list of the six works currently associated with the artist on poemaprocesso.com.br could not be securely recovered from the publicly accessible source.AWARDS AND RECOGNITIONPrêmio Governo de Minas Gerais de Literatura. Body of Work category. Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais.Honoured author at Feira Miolo(s), Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo.Membership in the Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha, chair 32.ARCHIVES, COLLECTIONS AND INSTITUTIONSPoemaprocesso.com.br archive, Brazil. Preserves and catalogues visual works by Sebastião Nunes, including Soneto Virginalíssimo, within a collection devoted to visual poetry and the Process Poem historical environment.Centro de Memória da Faculdade de Letras, UFMG, Belo Horizonte. Presented the 2023 exhibition Sebastião Nunes: Oh que Estúpido Fui.Libraries and specialist collections preserve independent publications and books issued by Edições Dubolso.SELECTED BIBLIOGRAPHYMarques, Fabrício. Estética da provocaçam: a apropriação de técnicas publicitárias nos textos de Sebastião Nunes. Scripta. Belo Horizonte. Volume 8, issue 15. 2004. Pages 158 to 171.Menezes, André Araujo de; Moreira, Wagner José. Poesia, arte e tecnologia: um diálogo com a imagem do amor em Sebastião Nunes. Texto Digital. Volume 10, issue 1. 2014.Piqueira, Gustavo. Sebastião Nunes: Delirante Lucidez. Project devoted to the graphic and editorial work of Nunes. 2018.CHRONOLOGYBorn on 5 December in Bocaiúva, Minas Gerais.Moves to Belo Horizonte.1955 to 1957. Studies at Colégio Marconi.Begins advertising studies at Fundação Universidade Mineira de Arte and professional work in graphic production and advertising.Enters the UFMG Law School. Publishes a short story in O Estado de S. Paulo and a cartoon in Senhor.Participates in university literary competitions. Produces political graphic material connected with the 28th Congress of the UNE.Publishes poems and essays in the Suplemento Literário de Minas Gerais. Produces the first poem he later regards as fully achieved.Publishes Última Carta da América, Auto da Virgem Ensimesmada and Sete Recursos Extraordinários.Publishes A Cidade de Deus. Soneto Virginal appears in Revista de Cultura Vozes.Publishes Finis Operis.Publishes Zovos.Publishes O Suicídio do Ator.Publishes Serenata em B Menor.Founds Edições Dubolso. Publishes Somos Todos Assassinos. Participates in Expoema 80 in Rio de Janeiro.Publishes A Velhice do Poeta Marginal.Publishes Papéis Higiênicos.Publishes Antologia Mamaluca 1 e Poesia Inédita. Participates in the I Mostra Internacional de Poesia Visual de São Paulo.Publishes Antologia Mamaluca 2 and Aurea Mediocritas and declares the conclusion of his poetic production.Publishes História do Brasil.Prefeitura de Belo Horizonte issues a publication devoted to his work in the Temporada de Poesia series. Giramundo stages an adaptation of Antologia Mamaluca.Publishes Sacanagem Pura and the third edition of Somos Todos Assassinos.Produces Pseudo Mais.Publishes Decálogo da Classe Média. Participates in the Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte and presents 30 anos de guerrilha cultural e estética de provocaçam.Participates in the establishment of Editora Dubolsinho. Commercial editions of experimental fiction are issued by Altana.2001 to 2015. Columnist for O Tempo.Documentary participation in Poéticas de Vanguarda em Cuiabá. Begins contributing to GGN.Receives the Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura for his body of work. Honoured at Feira Miolo(s).Um Caso Liquidado is published. Exhibition related to his work presented at UEMG.Ends regular collaboration with GGN.Sebastião Nunes: Oh que Estúpido Fui presented at the Centro de Memória da FALE UFMG. Becomes a member of the Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha.New edition of Antologia Mamaluca issued by Círculo de Poemas and Fósforo Editora.