Studio Brescia, Arte Sistemática, Mostra número 14, realizada em Brescia, Itália, com obras de Dekkers, de Vries e Hilgemann. A exposição teve vernissage em 30 de outubro de 1973, às 21 horas,
Studio Brescia - Italia
00892 - 30 de outubro de 1973 - Catalogo Exposição
16,7 x 11,5 cm
Texto Salsa em português
Studio Brescia, Arte Sistemática, Mostra número 14, realizada em Brescia, Itália, com obras de Dekkers, de Vries e Hilgemann. A exposição teve vernissage em 30 de outubro de 1973, às 21 horas, no Studio Brescia, então localizado na Contrada del Carmine 20, 25100 Brescia. O documento apresenta a mostra como parte da programação dedicada às pesquisas construtivas, geométricas e sistemáticas desenvolvidas no contexto da arte europeia dos anos 1970.
O convite é acompanhado por texto crítico de Rossana Apicella intitulado Dal costruttivismo storico all arte sistematica di Dekkers, de Vries, Hilgemann. A autora estabelece uma leitura histórica que conecta o construtivismo e o neoconstrutivismo às investigações contemporâneas apresentadas pelos três artistas. Apicella situa o construtivismo não apenas como linguagem formal, mas como pesquisa política e estética relacionada à posição do artista diante da coletividade e à participação do operador cultural na vida social.
O texto ressalta a importância da praxis na tradição construtivista, entendida como atuação do artista na realidade social. Apicella diferencia essa orientação da poesia visual ao afirmar que o construtivismo utiliza predominantemente uma linguagem visual monossêmica, enquanto a poesia visual seria caracterizada por uma linguagem sincrética resultante do encontro entre instrumento visual e instrumento verbal. Apesar dessa diferença, identifica uma aproximação entre ambas as pesquisas por meio da praxis e da participação ativa do artista no ambiente social.
A reflexão recupera ainda as origens do construtivismo na Rússia anterior à Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, estabelecendo relações históricas com o cubismo francês, o futurismo, as correntes europeias de vanguarda e o expressionismo alemão associado ao Blaue Reiter. O texto enfatiza a dimensão internacionalista do construtivismo e sua oposição aos nacionalismos presentes em determinados segmentos das vanguardas históricas.
A Mostra número 14 do Studio Brescia constitui, assim, um documento relevante para compreender a circulação italiana das vertentes construtivas, neoconstrutivas e sistemáticas durante a década de 1970. Ao reunir Dekkers, de Vries e Hilgemann, a exposição insere suas pesquisas numa genealogia da abstração geométrica, da organização racional da forma e dos processos sistemáticos, ao mesmo tempo em que documenta o papel do Studio Brescia como espaço de intercâmbio internacional entre diferentes tendências da arte experimental europeia.
Salsa text in English
Studio Brescia, Systematic Art, Exhibition number 14, held in Brescia, Italy, presenting works by Dekkers, de Vries and Hilgemann. The exhibition opened on 30 October 1973 at 9 pm at Studio Brescia, then located at Contrada del Carmine 20, 25100 Brescia. The document places the exhibition within a program devoted to constructive, geometric and systematic investigations developed in the context of European art during the 1970s.
The invitation is accompanied by a critical text by Rossana Apicella entitled Dal costruttivismo storico all arte sistematica di Dekkers, de Vries, Hilgemann. Apicella develops a historical reading connecting Constructivism and Neo Constructivism with the contemporary artistic investigations represented by the three artists. She understands Constructivism not only as a formal language but also as a political and aesthetic research concerned with the relationship between the artist, collective life and participation in society.
The text emphasizes the importance of praxis within the Constructivist tradition, understood as the active participation of the artist in social reality. Apicella distinguishes this approach from Visual Poetry, noting that Constructivism employs a predominantly monosemic visual language, whereas Visual Poetry develops a syncretic language emerging from the encounter between visual and verbal instruments. Despite this distinction, she identifies a common concern with praxis and with the participation of the artist in the social environment.
The essay also traces Constructivism back to Russia before the First World War, between 1914 and 1918, establishing historical relationships with French Cubism, Futurism, European avant garde movements and German Expressionism associated with the Blaue Reiter. It emphasizes the internationalist dimension of Constructivism and its opposition to forms of nationalism present within certain historical avant garde movements.
Studio Brescia Exhibition number 14 is therefore an important document for understanding the circulation of Constructivist, Neo Constructivist and systematic tendencies in Italy during the 1970s. By bringing together Dekkers, de Vries and Hilgemann, the exhibition places their work within a genealogy of geometric abstraction, rational organization of form and systematic processes, while also documenting the role of Studio Brescia as a site for international exchange among different currents of European experimental art.





