Studio Brescia, Poesia Visiva, Mostra número 8, exposição individual de Luciano Ori realizada em Brescia, Itália, com vernissage em 7 de março de 1973 às 21 horas e 30 minutos.
Studio Brescia - Italia
00890 - 7 de março de 1973 - Catalogo Exposição
16,5 x 11,8 cm
Texto Salsa em português
Studio Brescia, Poesia Visiva, Mostra número 8, exposição individual de Luciano Ori realizada em Brescia, Itália, com vernissage em 7 de março de 1973 às 21 horas e 30 minutos. O documento identifica o Studio Brescia no endereço Via Benedetto Croce 25 I, 25100 Brescia, telefone 030 50044, e registra esta apresentação como a oitava mostra numerada da programação do espaço.
A capa apresenta Studio Brescia, Luciano Ori e Poesia Visiva, acompanhados pela marca gráfica SB. A publicação segue a identidade editorial utilizada pelo Studio Brescia em sua série de exposições do início da década de 1970, associando convite, catálogo, texto crítico e documentação da produção artística.
O verso registra Mostra numero 8, vernissage em 7 de março de 1973 às 21 horas e 30 minutos. O horário da galeria nos dias úteis era das 10 às 12 horas e das 16 às 20 horas. Nos dias festivos o espaço permanecia fechado. O destinatário do impresso era formalmente convidado para o vernissage.
O conjunto contém o importante texto crítico de Rossana Apicella intitulado La poesia visiva di Luciano Ori. O ensaio constitui uma fonte contemporânea para a compreensão da produção poético visual de Luciano Ori e explicita conceitos essenciais de sua pesquisa, entre eles linguagem verbal, linguagem visual, materiais de uso preexistentes, comunicação de massa, publicidade, imagem, organização, percepção e singlossia.
Rossana Apicella caracteriza a pesquisa poética de Luciano Ori como uma investigação desenvolvida em diversas direções e realizada mediante instrumentos e materiais heterogêneos. A aparente diversidade de procedimentos não é apresentada como dispersão, mas como parte de uma experimentação dinâmica sustentada por dois princípios fundamentais, a continuidade rigorosa da pesquisa e a clareza do compromisso teórico.
Segundo o texto, esse rigor assume na poética de Ori um caráter reformista. Sua prática se constrói mediante uma atitude crítica diante dos materiais oferecidos pela sociedade de comunicação e consumo. Apicella menciona diretamente elementos provenientes dos meios de comunicação de massa, da publicidade e de objetos e imagens da vida cotidiana, demonstrando que esses materiais entram na operação poética não como simples ilustração, mas como componentes de uma linguagem já socialmente carregada de significados.
A crítica chega a definir Luciano Ori como o calvinista da poesia visual, formulação que enfatiza a disciplina, a austeridade e a recusa de soluções fáceis dentro de sua experimentação. A expressão sintetiza a interpretação de Apicella sobre uma produção que combina rigor conceitual e transformação dos códigos da comunicação contemporânea.
Um conceito especialmente importante no texto é singlossia. Rossana Apicella afirma que a clareza do compromisso teórico de Ori se manifesta na descoberta de uma singlossia considerada singular dentro das propostas da pesquisa poética contemporânea. O termo descreve a articulação conjunta de códigos diferentes e ajuda a compreender a integração entre palavra, imagem e materiais de comunicação na obra do artista.
A operação de Luciano Ori é descrita como uma unidade de linguagem na qual o discurso visual e o discurso verbal são extraídos de materiais de uso já existentes. Esses materiais são considerados objetivos porque não são originalmente construídos pelo artista. Ori seleciona, aproxima, cruza e funde linguagens previamente presentes no ambiente social, provocando uma nova relação entre seus códigos.
A operação de singlossia surge, segundo Apicella, no momento em que o artista coloca em contato essas linguagens com um gesto único. A obra resultante parece surgir diretamente desse encontro, como consequência de uma operação imediata, embora essa aparência de espontaneidade esteja sustentada por uma estrutura racional e por grande precisão teórica e técnica.
O texto destaca portanto uma tensão central na produção de Luciano Ori entre improvisação aparente e construção rigorosa. Por trás do caráter lúdico ou inesperado das combinações permanece uma operação mental organizada, que seleciona e estrutura materiais já dotados de capacidade comunicativa.
Rossana Apicella afirma ainda que a operação poética de Ori consiste sobretudo na escolha e na organização de materiais que já possuem uma linguagem própria de circulação e recepção. Esse ponto é decisivo para compreender sua poesia visual como apropriação crítica de signos existentes e como reorganização dos mecanismos da comunicação social.
A página reproduzida termina durante o desenvolvimento de uma análise em que Apicella afirma que a operação de Ori ocorre em dois tempos simultâneos e começa a explicar o cruzamento entre linguagem visual e outro campo de linguagem. Como a continuação não está visível no material apresentado, essa parte não deve ser completada por inferência.
Luciano Ori já havia participado da primeira exposição numerada do Studio Brescia, Poesia Visiva Internazionale, inaugurada em 13 de setembro de 1972. Sua apresentação individual como Mostra número 8, em março de 1973, comprova sua presença continuada na formação inicial do programa internacional de poesia visual desenvolvido pelo espaço.
A exposição constitui documento relevante para a história da poesia visual italiana porque reúne três agentes diretamente vinculados ao desenvolvimento desse campo em Brescia no início dos anos 1970, Luciano Ori como artista, Rossana Apicella como autora da interpretação crítica e Studio Brescia como estrutura expositiva e editorial ligada à circulação internacional da poesia experimental.
Para pesquisa e indexação, o documento relaciona Luciano Ori, Rossana Apicella, Studio Brescia, Poesia Visiva, Mostra número 8, La poesia visiva di Luciano Ori, 7 de março de 1973, Brescia, Via Benedetto Croce 25 I, telefone 030 50044, poesia visual italiana, poesia experimental, escrita visual, poesia concreta, singlossia, linguagem verbal, linguagem visual, comunicação de massa, publicidade, materiais preexistentes, apropriação, organização de signos, arte conceitual, publicação experimental e vanguarda italiana.
A relação com o Poema Processo deve ser apresentada como contexto histórico comparativo. O documento não comprova participação de Luciano Ori no movimento brasileiro, mas sua utilização de materiais preexistentes, integração entre códigos verbais e visuais, crítica à comunicação de massa e concepção da operação poética como organização de estruturas aproximam sua pesquisa do amplo ambiente internacional de experimentação em que o Poema Processo também questionou os limites tradicionais do poema.
Salsa text in English
Studio Brescia, Poesia Visiva, Exhibition number 8, was a solo exhibition by Luciano Ori held in Brescia, Italy, with an opening on March 7, 1973 at 9.30 PM. The document identifies Studio Brescia at Via Benedetto Croce 25 I, 25100 Brescia, telephone 030 50044, and records this presentation as the eighth numbered exhibition in the program of the space.
The cover presents Studio Brescia, Luciano Ori and Poesia Visiva together with the SB graphic mark. The publication follows the editorial identity used by Studio Brescia in its early 1970s exhibition series, combining invitation, catalogue, critical essay and documentation of artistic production.
The reverse side records Exhibition number 8 and the opening on March 7, 1973 at 9.30 PM. Gallery hours on weekdays were from 10 AM to 12 PM and from 4 PM to 8 PM. The gallery remained closed on holidays. The recipient of the publication was formally invited to the opening.
The documentary group contains an important critical essay by Rossana Apicella entitled La poesia visiva di Luciano Ori. The essay is a contemporary source for understanding Luciano Ori poetical visual practice and explicitly addresses essential concepts in his research, including verbal language, visual language, preexisting materials, mass communication, advertising, image, organization, perception and singlossia.
Rossana Apicella characterizes Luciano Ori poetic research as an investigation moving in different directions and employing heterogeneous instruments and materials. This apparent diversity is not presented as dispersion but as part of a dynamic experimentation sustained by two fundamental principles, persistent research and clarity of theoretical commitment.
According to the text, this rigor assumes a reformist character within Ori poetics. His practice is constructed through a critical attitude toward materials provided by the society of communication and consumption. Apicella directly refers to material derived from mass media, advertising and images and objects of everyday life, demonstrating that these elements enter the poetic operation not as simple illustration but as components of languages already charged with social meanings.
The critic describes Luciano Ori as the Calvinist of visual poetry, a formulation emphasizing discipline, austerity and resistance to easy solutions within his experimentation. This expression summarizes Apicella interpretation of a practice combining conceptual rigor with the transformation of contemporary communication codes.
A particularly important concept in the essay is singlossia. Rossana Apicella argues that the clarity of Ori theoretical commitment manifests itself in the discovery of a singlossia considered distinctive within contemporary poetic research. The term describes the combined articulation of different codes and helps explain the integration of word, image and communication materials within the artist work.
Luciano Ori operation is described as a unity of language in which visual discourse and verbal discourse are derived from already existing materials of use. These materials are considered objective because they are not originally constructed by the artist. Ori selects, juxtaposes, crosses and fuses languages already present in the social environment, producing new relationships among their codes.
According to Apicella, the operation of singlossia emerges when the artist brings these languages into contact through a unique gesture. The resulting work appears to arise directly from this encounter as an immediate operation, although this appearance of spontaneity is supported by rational structure and considerable theoretical and technical precision.
The essay therefore emphasizes a central tension in Luciano Ori work between apparent improvisation and rigorous construction. Behind the playful or unexpected character of the combinations remains an organized mental operation that selects and structures materials already possessing communicative value.
Rossana Apicella also states that Ori poetic operation consists above all in selecting and organizing materials that already contain their own language of circulation and reception. This point is fundamental for understanding his visual poetry as a critical appropriation of existing signs and a reorganization of the mechanisms of social communication.
The reproduced page ends while Apicella is developing an analysis in which she states that Ori operation unfolds in two simultaneous phases and begins to explain the intersection of visual language with another linguistic field. Since the continuation is not visible in the supplied material, this passage should not be completed through inference.
Luciano Ori had already participated in the first numbered exhibition at Studio Brescia, Poesia Visiva Internazionale, opened on September 13, 1972. His solo presentation as Exhibition number 8 in March 1973 confirms his continuing presence in the formation of the early international visual poetry program developed by the space.
The exhibition is an important document for the history of Italian visual poetry because it brings together three agents directly connected with the development of the field in Brescia during the early 1970s, Luciano Ori as artist, Rossana Apicella as critical author and Studio Brescia as an exhibition and publishing structure connected with the international circulation of experimental poetry.
For research and indexing purposes, the document connects Luciano Ori, Rossana Apicella, Studio Brescia, Poesia Visiva, Exhibition number 8, La poesia visiva di Luciano Ori, March 7 1973, Brescia, Via Benedetto Croce 25 I, telephone 030 50044, Italian visual poetry, experimental poetry, visual writing, concrete poetry, singlossia, verbal language, visual language, mass communication, advertising, preexisting materials, appropriation, organization of signs, conceptual art, experimental publishing and the Italian avant garde.
Its relationship with the Process Poem Movement should be presented as comparative historical context. The document does not demonstrate participation by Luciano Ori in the Brazilian movement, but his use of preexisting materials, integration of verbal and visual codes, critique of mass communication and conception of poetic operation as an organization of structures connect his practice with the wider international environment of experimentation in which Poema Processo also questioned the traditional limits of the poem.




