Ézio Pires: Fabricar o Poema para Educação de um Mundo su/SUBREALISTA
III Festival de Poesia de Pirapora - III Fespopi - 1970
Categoria: Exposição Coletiva Nacional
Acervo: 04843
Data: Junho de 1970
Dimensões: 35 x 32 cm
TEXTO SALSA PORTUGUÊS
Ézio Pires: Fabricar o Poema para Educação de um Mundo su/SUBREALISTA é uma entrevista publicada na Tribuna Literária, de Pirapora, Minas Gerais, em junho de 1970. O texto integra a seção T. L. Dá Margem ao Debate e apresenta Ézio Pires como poeta residente em Brasília, Distrito Federal, convidado a discutir poesia de vanguarda, Poema Processo, palavra, realidade nacional, engajamento artístico e os valores da produção poética contemporânea.
A apresentação da entrevista caracteriza Ézio Pires como participante do debate sobre a vanguarda poética. À pergunta sobre a necessidade da poesia de vanguarda, ele responde que ela deve ser processada com lucidez e coragem e afirma preferir a designação poemas de vanguarda, necessários quando projetados como pontes sobre um rio de sangue. A imagem das pontes aparece como formulação para diminuir distâncias e barreiras culturais, ao mesmo tempo em que Ézio Pires rejeita a transformação da poesia de vanguarda em simples produto destinado ao consumo.
Questionado sobre sua posição diante do movimento processo, Ézio Pires afirma assumir a posição de franco atirador, com a finalidade de observar melhor o processo em seu estado de mutação. A resposta situa o poeta como interlocutor crítico do Poema Processo, sem adesão automática e sem rejeição absoluta.
Ao ser perguntado se a palavra é necessária, Ézio Pires responde que, no processo, a palavra somente se torna necessária quando se desprende ou estala como as vigas de uma casa que se desmorona. A formulação atribui à palavra uma função condicionada pela necessidade estrutural da obra e rejeita seu uso como elemento obrigatório.
Sobre a relação entre palavra e construção poética, Ézio Pires afirma que o poeta processo não deve ser responsabilizado pelo suicídio ou automortandade da palavra como texto. A resposta insere a discussão no debate mais amplo sobre a crise da palavra, a poesia não verbal e as transformações promovidas pelas experiências de vanguarda.
Perguntado sobre a perspectiva diante da realidade nacional e do movimento processo, Ézio Pires apresenta a formulação que dá título à entrevista: fabricar o poema para a educação de um mundo su/SUBREALISTA e cheio de homens sem nomes que ainda não se libertaram do medo e das falsas vaidades. O trecho relaciona poesia, transformação social, educação e crítica da realidade brasileira.
A entrevista também aborda o problema do engajamento. Ézio Pires rejeita tanto a identificação de seu trabalho com um engajamento convencional quanto a posição de mero diletante. Afirma que, no processo, não existe o engajamento tal como é tradicionalmente entendido e critica o que chama de fácil troca de elogios adotada por engajados e diletantes ligados à literatura.
Outra pergunta indaga se os valores associados aos anos de 1922 e 1945 estariam ultrapassados. Ézio Pires responde perguntando quais valores estariam em questão e recomenda os ensaístas vinculados a 1922. Sobre a geração de 1945, afirma que ainda seria necessário verificar se determinados autores figurariam nos arquivos do que denomina glorioso Exército Nacional, que naquela época os teria chamado para o serviço militar.
A entrevista pergunta também sobre a queima de livros de Drummond, Cabral e Bandeira. Ézio Pires responde que queimar constitui uma intriga nascida na cabeça de quem não resiste ao significado de limpeza do processo histórico e poético. Ele remete à experiência realizada em praça pública, na qual ocorreu a rasgação de livros desses autores. O registro é relevante para a documentação das ações performativas e críticas relacionadas às disputas poéticas do período.
Na pergunta final visível, Ézio Pires é convidado a considerar a possibilidade de um primeiro encontro de poetas novos. Ele responde que considera possível promover debate sobre a problemática do poema para a educação de um mundo SUBREALISTA e sugere Brasília ou Rio de Janeiro como possíveis locais para o encontro, no mês de julho.
A entrevista documenta uma posição crítica de Ézio Pires diante do Poema Processo e das discussões de vanguarda em 1970. O texto articula poesia, linguagem, palavra, processo, educação, realidade nacional, engajamento, tradição literária e transformação cultural, fornecendo registro direto do vocabulário e das tensões teóricas presentes no ambiente da poesia experimental brasileira.
Na mesma página aparece a coluna OFF sina, assinada por Marcos Vinicius de Andrade, com o texto Radicalizar o processo. A proximidade editorial entre a entrevista de Ézio Pires e o artigo de Marcos Vinicius de Andrade reforça a concentração, nessa edição da Tribuna Literária, de debates diretamente relacionados ao Poema Processo, à poesia de vanguarda e às formas de comunicação artística.
TEXTO SALSA INGLÊS
Ézio Pires: Fabricar o Poema para Educação de um Mundo su/SUBREALISTA is an interview published in Tribuna Literária of Pirapora, Minas Gerais, Brazil, in June 1970. The text appears in the section T. L. Dá Margem ao Debate and presents Ézio Pires, a poet living in Brasília, Federal District, as a participant in a discussion on avant garde poetry, Poema Processo, the word, national reality, artistic engagement, and the values of contemporary poetic production.
The introduction presents Ézio Pires as an interlocutor in the debate on poetic experimentation. Asked whether avant garde poetry is necessary, he replies that it must be developed with lucidity and courage and states that he prefers the designation avant garde poems, necessary when conceived as bridges over a river of blood. The image of bridges serves as a metaphor for reducing distances and cultural barriers, while Pires rejects the transformation of avant garde poetry into a product intended merely for consumption.
Asked about his position in relation to the process movement, Ézio Pires describes himself as a free shooter, a position that allows him to observe the process more clearly in its state of transformation. The answer places him as a critical interlocutor of Poema Processo rather than as an unconditional adherent or opponent.
When questioned about whether the word is necessary, Ézio Pires answers that within the process the word becomes necessary only when it breaks away or cracks like the beams of a collapsing house. This formulation gives the word a function determined by the structural needs of the work rather than treating it as an obligatory component.
Regarding the relationship between the word and poetic construction, Ézio Pires argues that the process poet should not be held responsible for the suicide or self destruction of the word as text. The statement places the discussion within the broader debate on the crisis of verbal language, nonverbal poetry, and the transformations introduced by avant garde experimentation.
Asked about the perspective of the process movement in relation to Brazilian reality, Ézio Pires gives the formulation that provides the title of the interview: to make the poem for the education of a su/SUBREALIST world filled with nameless men who have not yet freed themselves from fear and false vanities. The passage connects poetry with social transformation, education, and criticism of contemporary reality.
The interview also addresses artistic engagement. Ézio Pires rejects both conventional engagement and the position of the mere dilettante. He argues that engagement in its traditional form does not exist within the process and criticizes what he describes as the easy exchange of praise among engaged writers and dilettantes associated with literature.
Another question asks whether the values associated with 1922 and 1945 had become outdated. Ézio Pires responds by questioning which values are being discussed and recommends essayists associated with 1922. Regarding 1945, he suggests that it would still be necessary to determine whether some of its authors appeared in the records of what he calls the glorious National Army, which at that time had summoned them for military service.
The interview also asks about the burning of books by Drummond, Cabral, and Bandeira. Ézio Pires replies that burning is an intrigue created by those who resist the meaning of the cleansing of the historical and poetic process. He refers instead to an action carried out in a public square involving the tearing of books by those authors. This passage is important for documenting performative and critical actions associated with the poetic disputes of the period.
In the final visible question, Ézio Pires is asked about the possibility of organizing a first meeting of new poets. He considers such an encounter possible and proposes debate around the problem of the poem for the education of a SUBREALIST world, suggesting Brasília or Rio de Janeiro as possible locations in July.
The interview documents a critical position taken by Ézio Pires in relation to Poema Processo and avant garde debates in 1970. It brings together questions of poetry, language, the word, process, education, national reality, engagement, literary tradition, and cultural transformation, preserving the vocabulary and theoretical tensions of Brazilian experimental poetry at that historical moment.
The same page also contains the column OFF sina, signed by Marcos Vinicius de Andrade, with the text Radicalizar o processo. The editorial proximity of Ézio Pires's interview and Marcos Vinicius de Andrade's article reinforces the concentration in this issue of Tribuna Literária of debates directly related to Poema Processo, avant garde poetry, and forms of artistic communication.
TEXTO DE OBSERVAÇÃO PORTUGUÊS
Recorte da Tribuna Literária de Pirapora, identificado por anotação manuscrita como edição de junho de 1970. A matéria principal possui o cabeçalho T. L. Dá Margem ao Debate e o título Ézio Pires: Fabricar o Poema para Educação de um Mundo su/SUBREALISTA.
A apresentação informa que Ézio Pires residia em Brasília, Distrito Federal, e o identifica como poeta convidado a debater poesia de vanguarda. A entrevista é estruturada em perguntas e respostas e trata diretamente de poesia de vanguarda, movimento processo, necessidade da palavra, realidade nacional, engajamento, gerações literárias, ações de rasgação de livros e possibilidade de encontro de novos poetas.
O documento registra Ézio Pires qualificando sua posição diante do movimento processo como a de franco atirador. Ele entende essa posição como forma de observar o processo em estado de mutação. Também afirma que a palavra não deve funcionar como elemento obrigatório, mas tornar se necessária apenas quando exigida pela própria estrutura do processo.
A expressão fabricar o poema para educação de um mundo su/SUBREALISTA aparece na resposta sobre a perspectiva do movimento diante da realidade nacional e constitui a formulação central que foi utilizada como título da entrevista.
O trecho referente a Drummond, Cabral e Bandeira diferencia queima de livros de rasgação de livros. Ézio Pires associa a ação à limpeza do processo histórico e poético e menciona rasgação pública dos livros desses autores. O documento deve ser preservado como testemunho da formulação do entrevistado, sem transformar essa posição em descrição neutra ou universal dos acontecimentos.
Na mesma página aparece OFF sina, de Marcos Vinicius de Andrade, com o texto Radicalizar o processo, dedicado a conceitos como processo, comunicação artística, simultaneidade espaço temporal, obra aberta, matriz, participação do público e radicalização das experiências poéticas. Na parte inferior aparece o expediente da Tribuna Literária, identificada como órgão oficial do Clube Literário Inácio Quinaud.
A folha apresenta dobra vertical, perfurações laterais, marcas de montagem, manchas e sinais de envelhecimento. A dimensão física não foi informada.
TEXTO DE OBSERVAÇÃO INGLÊS
Press clipping from Tribuna Literária of Pirapora, identified by a handwritten annotation as an issue from June 1970. The main article bears the heading T. L. Dá Margem ao Debate and the title Ézio Pires: Fabricar o Poema para Educação de um Mundo su/SUBREALISTA.
The introduction states that Ézio Pires lived in Brasília, Federal District, and presents him as a poet invited to discuss avant garde poetry. The interview is structured through questions and answers and directly addresses avant garde poetry, the process movement, the necessity of the word, national reality, artistic engagement, literary generations, book tearing actions, and the possibility of a meeting of new poets.
The document records Ézio Pires describing his position toward the process movement as that of a free shooter. He presents this position as a means of observing the process in a state of transformation. He also argues that the word should not function as an obligatory element but should become necessary only when required by the structure of the process itself.
The expression making the poem for the education of a su/SUBREALIST world appears in his answer concerning the relationship between the movement and national reality and forms the central statement used as the title of the interview.
The passage concerning Drummond, Cabral, and Bandeira distinguishes book burning from book tearing. Ézio Pires connects the action with what he calls the cleansing of the historical and poetic process and refers to the public tearing of books by those authors. The document should be understood as a record of the interviewee's own formulation rather than as a neutral or universal description of the events.
The same page contains OFF sina by Marcos Vinicius de Andrade, with the text Radicalizar o processo, devoted to concepts including process, artistic communication, spatial and temporal simultaneity, the open work, the matrix, audience participation, and the radicalization of poetic experimentation. At the bottom appears the masthead of Tribuna Literária, identified as the official publication of the Clube Literário Inácio Quinaud.
Proveniência
Coleção Poema ProcessoInglês
Ézio Pires: Making the Poem for the Education of a su/SUBREALIST World
Dimensions: 13,8 x 12,6 in
