Balaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1098, Ano XIII, publicado em outubro de 1998
Moacy Cirne
Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede
Acervo: 04404
Data: Outubro de 1998
Dimensões: 33 x 21,5 cm
Texto Salsa em portuguêsBalaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1098, Ano XIII, publicado em outubro de 1998. A edição apresenta uma composição visual diretamente ligada ao Poema Processo e identifica na margem lateral a expressão poema processo, acompanhada da indicação a partir do Projeto Poemãos, de Neide Dias de Sá, 1986 a 1996. O documento constitui importante registro da continuidade histórica, da reapropriação e da circulação dos procedimentos do Poema Processo na década de 1990, articulando a produção de Moacy Cirne com a obra de Neide Dias de Sá.A composição é construída por meio de imagens sobrepostas, formas circulares, padrões gráficos, mãos preenchidas por sinais, estruturas geométricas e elementos provenientes de diferentes repertórios visuais. Na parte superior aparece uma mão aberta coberta por sinais gráficos semelhantes a escrita ou códigos, com o símbolo da paz destacado na palma. Sobre um dos dedos encontra se um selo postal soviético com a imagem de Vladimir Lenin e a inscrição CCCP, introduzindo uma referência política e ideológica associada à história do século XX, ao socialismo e à circulação internacional de imagens.À esquerda da mão superior aparece uma forma esférica preenchida por manchas irregulares em preto e branco. Essa esfera reaparece em outras regiões da composição e funciona como elemento recorrente, estabelecendo continuidade entre as diversas partes do trabalho. A repetição de formas é associada ao princípio de transformação visual, recorrência e versão, procedimentos fundamentais para a leitura do Poema Processo.Na região central e inferior encontra se uma grande estrutura formada por um padrão semelhante a labirinto circular. Sobre esse campo surge outra mão aberta, também preenchida por signos gráficos e com o símbolo da paz na palma. Ao redor dela aparecem setas, faixas, fragmentos lineares e uma nova esfera texturizada. O labirinto visual cria relações entre percurso, leitura, orientação, perda de direção e multiplicidade de caminhos, substituindo a linearidade da escrita convencional por uma experiência espacial.A página explora intensamente a repetição da mão como signo de ação, contato, gesto, identidade e participação. O preenchimento do corpo por marcas gráficas transforma a mão em superfície de linguagem. O símbolo da paz, repetido nas palmas, acrescenta uma dimensão política e utópica, enquanto o selo com Lenin amplia a rede de referências para o campo da história, da ideologia, da propaganda e da cultura visual internacional.A associação entre mão, esfera, labirinto e imagem política cria uma estrutura de montagem que pode ser lida como diálogo entre corpo, signo, memória, poder, paz, orientação e comunicação. Em vez de apresentar uma mensagem verbal única, a página solicita ao observador a construção de relações entre seus diferentes elementos. Essa abertura interpretativa aproxima a obra dos princípios do Poema Processo, no qual o leitor participa ativamente da produção de sentido.A indicação a partir do Projeto Poemãos, de Neide Dias de Sá, 1986 a 1996 é especialmente relevante. Ela registra que a composição de Moacy Cirne parte de uma matriz visual associada ao trabalho de Neide Dias de Sá e desenvolvida ao longo de uma década. O termo projeto sugere continuidade, pesquisa e transformação, enquanto o intervalo temporal demonstra que Poemãos não deve ser compreendido como imagem isolada, mas como conjunto ou processo de investigação visual.Balaio Incomum 1098 constitui documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Projeto Poemãos, Poemãos, Poema Processo, poesia visual brasileira, poema visual, arte experimental, montagem gráfica, apropriação, versão, circulação de imagens, corpo, mão, símbolo da paz, labirinto, semiótica, comunicação visual, Vladimir Lenin, União Soviética, CCCP, política, memória histórica, participação do leitor, vanguarda brasileira e permanência do Poema Processo nas décadas de 1980 e 1990.Salsa text in EnglishBalaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, number 1098, Year XIII, published in October 1998. The issue presents a visual composition directly connected with Poema Processo and identifies along the side margin the expression poema processo, followed by the indication based on the Poemãos Project by Neide Dias de Sá, 1986 to 1996. The document is an important record of the historical continuity, reappropriation and circulation of Poema Processo procedures during the 1990s, connecting the work of Moacy Cirne with the production of Neide Dias de Sá.The composition is constructed through overlapping images, circular forms, graphic patterns, hands filled with signs, geometric structures and elements drawn from different visual repertoires. In the upper area appears an open hand covered with graphic signs resembling writing or codes, with a peace symbol clearly visible in the palm. Over one of the fingers appears a Soviet postage stamp featuring Vladimir Lenin and the inscription CCCP, introducing a political and ideological reference associated with twentieth century history, socialism and the international circulation of images.To the left of the upper hand appears a spherical form filled with irregular black and white marks. This sphere reappears in other areas of the composition and functions as a recurring element, creating continuity among the different parts of the work. The repetition of forms is connected with principles of visual transformation, recurrence and version, procedures that are fundamental to the interpretation of Poema Processo.In the central and lower region appears a large structure formed by a pattern resembling a circular labyrinth. Over this field is another open hand, also filled with graphic signs and marked by a peace symbol in the palm. Around it appear arrows, bands, linear fragments and another textured sphere. The visual labyrinth creates relationships involving movement, reading, orientation, loss of direction and multiple pathways, replacing the linearity of conventional writing with a spatial experience.The page makes intensive use of the repeated hand as a sign of action, contact, gesture, identity and participation. The filling of the body with graphic marks transforms the hand into a surface of language. The peace symbol repeated in the palms introduces a political and utopian dimension, while the stamp featuring Lenin extends the network of references into history, ideology, propaganda and international visual culture.The association among hand, sphere, labyrinth and political imagery creates a montage structure that can be interpreted as a dialogue among body, sign, memory, power, peace, orientation and communication. Instead of offering a single verbal message, the page asks the viewer to construct relationships among its different elements. This interpretive openness connects the work with the principles of Poema Processo, in which the reader actively participates in the production of meaning.The indication based on the Poemãos Project by Neide Dias de Sá, 1986 to 1996 is especially significant. It records that the composition by Moacy Cirne develops from a visual matrix associated with the work of Neide Dias de Sá and developed over a decade. The term project suggests continuity, research and transformation, while the temporal span demonstrates that Poemãos should not be understood as an isolated image but as a continuing field of visual investigation.Balaio Incomum 1098 is an important document for research on Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos Project, Poemãos, Poema Processo, Brazilian visual poetry, visual poem, experimental art, graphic montage, appropriation, version, circulation of images, body, hand, peace symbol, labyrinth, semiotics, visual communication, Vladimir Lenin, Soviet Union, CCCP, politics, historical memory, reader participation, Brazilian avant garde movements and the persistence of Poema Processo during the 1980s and 1990s.
Texto de observação em portuguêsDocumento impresso em preto e branco correspondente ao Balaio Incomum número 1098, Ano XIII, Folha Porreta, de Moacy Cirne, datado de outubro de 1998. A folha apresenta uma composição predominantemente visual e identifica lateralmente sua relação com o Poema Processo e com o Projeto Poemãos de Neide Dias de Sá, desenvolvido entre 1986 e 1996.A imagem organiza se por sobreposição de diferentes unidades visuais. Na parte superior aparece uma mão aberta preenchida por sinais gráficos, com o símbolo da paz na palma. Sobre a extremidade superior da mão encontra se um selo soviético com a imagem de Vladimir Lenin e a sigla CCCP. A presença desse selo acrescenta uma camada histórica e política à montagem e aproxima arte postal, circulação gráfica, propaganda, memória política e poesia visual.Uma esfera de textura irregular aparece à esquerda da mão e retorna em outros pontos da página. Esse elemento recorrente também aparece associado a outras versões e composições relacionadas a Poemãos, contribuindo para a identificação de uma linguagem visual baseada em repetição, transformação e recombinação.A maior área da página contém um grande labirinto circular. O centro e as bordas desse labirinto são atravessados por uma mão preenchida de signos, setas e faixas gráficas. O labirinto não funciona apenas como imagem decorativa, mas como estrutura de leitura, pois introduz a ideia de percursos múltiplos e ausência de direção única. Essa característica está diretamente relacionada à leitura aberta e não linear desenvolvida pelo Poema Processo.A repetição das mãos constitui um dos elementos estruturais mais importantes da obra. A mão pode ser associada a gesto, ação, criação, contato, comunicação e participação. Ao receber sinais escritos e o símbolo da paz, torna se simultaneamente corpo e suporte de linguagem. A obra desloca a escrita para dentro da imagem corporal, dissolvendo os limites convencionais entre palavra, desenho e signo.A presença do selo de Lenin merece registro específico para indexação. O objeto postal adiciona à composição referências à União Soviética, à iconografia política do século XX e à circulação internacional de imagens impressas. Sua incorporação não deve ser entendida isoladamente, mas como parte de uma montagem em que materiais provenientes de contextos distintos são recontextualizados.A inscrição lateral informa que a peça foi realizada a partir do Projeto Poemãos de Neide Dias de Sá, 1986 a 1996. Esse dado constitui a principal referência documental da obra e deve ser preservado integralmente no cadastro. Ele permite relacionar a página ao processo de versões e desdobramentos visuais característico do Poema Processo e evidencia a ligação direta entre Moacy Cirne e a produção de Neide Dias de Sá.A obra é particularmente importante por demonstrar que os procedimentos do Poema Processo permaneceram ativos décadas depois de 1967. A composição não funciona como simples homenagem histórica, mas como retomada prática de métodos de transformação, apropriação, versão e participação. Moacy Cirne utiliza o Balaio Incomum como suporte de circulação para uma nova configuração de materiais vinculados a Poemãos.Para fins de catalogação e indexação, o documento deve ser associado a Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, número 1098, outubro de 1998, Neide Dias de Sá, Projeto Poemãos, Poemãos, 1986, 1996, Poema Processo, poesia visual, poema visual, arte gráfica, versão, apropriação, montagem, mão, símbolo da paz, labirinto, esfera, Vladimir Lenin, Lenin, CCCP, União Soviética, selo postal, semiótica, linguagem visual, comunicação, participação, arte experimental, vanguarda brasileira e história do Poema Processo.Observation text in EnglishBlack and white printed document corresponding to Balaio Incomum number 1098, Year XIII, Folha Porreta, by Moacy Cirne, dated October 1998. The sheet presents a predominantly visual composition and identifies along its side margin its relationship with Poema Processo and with the Poemãos Project by Neide Dias de Sá, developed between 1986 and 1996.The image is organized through the superimposition of different visual units. In the upper area appears an open hand filled with graphic signs and marked by a peace symbol in the palm. At the upper edge of the hand appears a Soviet postage stamp featuring Vladimir Lenin and the abbreviation CCCP. The presence of this stamp adds a historical and political layer to the montage and creates associations among postal art, graphic circulation, propaganda, political memory and visual poetry.A sphere with an irregular texture appears to the left of the hand and recurs in other areas of the page. This recurring element also appears in other versions and compositions related to Poemãos, contributing to the identification of a visual language based on repetition, transformation and recombination.The largest area of the page contains a large circular labyrinth. Its center and edges are crossed by a hand filled with signs, arrows and graphic bands. The labyrinth does not function merely as decoration but as a reading structure because it introduces the idea of multiple pathways and the absence of a single direction. This characteristic is directly connected with the open and nonlinear modes of reading developed within Poema Processo.The repetition of hands constitutes one of the most important structural elements of the work. The hand can be associated with gesture, action, creation, contact, communication and participation. By receiving written signs and a peace symbol, it becomes simultaneously body and support for language. The work shifts writing into the bodily image and dissolves conventional boundaries among word, drawing and sign.The presence of the Lenin stamp deserves specific documentation for indexing. The postal object adds references to the Soviet Union, twentieth century political iconography and the international circulation of printed images. Its incorporation should not be understood in isolation but as part of a montage in which materials from different contexts are recontextualized.The side inscription states that the piece was created based on the Poemãos Project by Neide Dias de Sá, 1986 to 1996. This information is the principal documentary reference for the work and should be preserved in full in the catalogue. It makes it possible to connect the page with the practice of versions and visual developments characteristic of Poema Processo and provides direct evidence of the relationship between Moacy Cirne and the work of Neide Dias de Sá.The work is especially important because it demonstrates that Poema Processo procedures remained active decades after 1967. The composition does not function simply as a historical tribute but as a practical renewal of methods involving transformation, appropriation, version and participation. Moacy Cirne uses Balaio Incomum as a vehicle for circulating a new configuration of materials connected with Poemãos.For cataloguing and indexing purposes, the document should be associated with Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, number 1098, October 1998, Neide Dias de Sá, Poemãos Project, Poemãos, 1986, 1996, Poema Processo, visual poetry, visual poem, graphic art, version, appropriation, montage, hand, peace symbol, labyrinth, sphere, Vladimir Lenin, Lenin, CCCP, Soviet Union, postage stamp, semiotics, visual language, communication, participation, experimental art, Brazilian avant garde and the history of Poema Processo.
Inglês
Balaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, number 1098, Year XIII, published in October 1998.
Dimensions: 13 x 8,5 in
