Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, X 840, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 17 de junho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 30

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 840, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 17 de junho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 30

Moacy Cirne

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04273 - 17 de junho de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 840, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 17 de junho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 30, e reúne música brasileira, choro, crítica política, universidade pública, poesia, cinema, literatura, humor e intervenções culturais. O exemplar evidencia a estrutura livre e interdisciplinar de Balaio Incomun e constitui registro significativo da produção editorial independente de Moacy Cirne nos anos 1990.

A abertura apresenta Dez CDs de chorinho primorosos, seleção dedicada ao choro brasileiro e a intérpretes e compositores fundamentais de sua história. A relação inclui História de um bandolim, de Luperce Miranda, São Pixinguinha, de Pixinguinha, Chorando pelos dedos, de Joel Nascimento, Mistura e manda, de Paulo Moura, Choro é isto, de Abel Ferreira e outros, Noites cariocas, de Altamiro Carrilho e outros, Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto e cia, de Henrique Cazes, Os melhores choros de todos os tempos, de Mequezinho da Flauta e outros, Chorando baixinho, da série Época de Ouro e outros, e Jacob do Bandolim in memoriam, dedicado a Jacob do Bandolim. A seleção estabelece uma cartografia afetiva e histórica do chorinho e reúne nomes essenciais da música instrumental brasileira, como Pixinguinha, Luperce Miranda, Joel Nascimento, Paulo Moura, Abel Ferreira, Altamiro Carrilho, Waldir Azevedo, Hermeto Pascoal, Henrique Cazes e Jacob do Bandolim.

Em seguida aparece um texto político sobre a situação das universidades públicas brasileiras em 1996. O texto afirma que, na história recente do Brasil, poucos governos teriam demonstrado tamanha insensibilidade às questões universitárias. A greve universitária é apresentada como um enfrentamento político motivado simultaneamente por necessidades acadêmicas e políticas. O governo é mencionado de forma crítica como Fernando Henrique Cardoso de Mello, formulação que combina nomes da política brasileira e intensifica o caráter satírico do comentário. O texto declara que teria sido aberta uma guerra contra as universidades públicas e sustenta que, embora uma batalha grevista tivesse sido encerrada, a luta deveria prosseguir em defesa de uma universidade pública, democrática e de qualidade.

A publicação incorpora ainda o poema Vamos beber à tarde, de José Neumanne, identificado como pertencente ao livro Solos do silêncio, São Paulo, 1996. O poema aproxima imagens cotidianas e sensoriais, citando Beethoven, lápis, papel, copo, tarde, lábios, sonho, espanto e dor. Sua inclusão demonstra a circulação de poesia contemporânea dentro da rede cultural de Balaio Incomun e a abertura da publicação para diferentes formas de criação literária.

Na seção Filmes de amor, Moacy Cirne registra uma nova colaboração do escritor e agitador cultural Jomard Muniz de Britto, de Recife. O texto informa que Jomard já tivera sua relação de melhores filmes publicada em Balaio número 836 e que enviara uma nova lista, desta vez dedicada aos grandes filmes de amor da história do cinema. A seleção de Jomard Muniz de Britto inclui Hiroshima, mon amour, relacionado a Marguerite Duras e Alain Resnais, Desencanto, de David Lean, Jules et Jim, de François Truffaut, Teorema, de Pier Paolo Pasolini, Vagas estrelas da Ursa, de Luchino Visconti, Um lugar ao sol, de George Stevens, Les amants, de Louis Malle, A bela e a fera, de Jean Cocteau, O discreto charme da burguesia, de Luis Buñuel, A lira do delírio, de Walter Lima Júnior, Querelle, relacionado a Jean Genet e Rainer Werner Fassbinder, A grande cidade, de Cacá Diegues, e Noites de Cabíria, de Federico Fellini.

A parte final apresenta Conselhos incomuns, contribuição de Dailor Varela, datada de Monteiro Lobato, São Paulo, 1996. Em tom irônico, provocador e bem humorado, Dailor Varela recomenda ouvir cada vez mais Frank Zappa, critica Fernando Collor, aconselha a leitura de João Cabral de Melo Neto, propõe ser um viciado em amor, defender camelôs e biscateiros, prestar atenção em Fernando Gabeira, colocar a bandeira negra do anarquismo na janela, conhecer Natal, escrever cartas de amor para Leon Góes e oferecer um disco de Itamar Assumpção à própria mulher. A seção aproxima música experimental, poesia brasileira, política, anarquismo, cultura urbana, afetividade e referências pessoais.

A presença de Dailor Varela é particularmente relevante para o contexto do arquivo de Moacy Cirne e das redes de poesia experimental brasileiras, aproximando Balaio Incomun de circuitos vinculados ao Poema Processo, à poesia visual, à produção independente e às trocas intelectuais entre Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pernambuco e São Paulo.

Balaio Incomun X 840 constitui uma fonte primária para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Poema Processo, Dailor Varela, Jomard Muniz de Britto, José Neumanne, choro brasileiro, chorinho, música instrumental brasileira, Frank Zappa, Itamar Assumpção, João Cabral de Melo Neto, cinema, crítica cultural, universidade pública brasileira, greve universitária, política brasileira, poesia experimental, cultura alternativa e imprensa independente na década de 1990.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 840, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 17 June 1996. The document belongs to the commemorative series 1986 1996 Ten Years of Balaio, number 30, and brings together Brazilian music, choro, political criticism, public universities, poetry, cinema, literature, humor and cultural interventions. The issue demonstrates the free and interdisciplinary structure of Balaio Incomun and represents an important record of Moacy Cirne's independent editorial production during the 1990s.

The opening section presents Ten superb choro CDs, a selection devoted to Brazilian choro and to major performers and composers in its history. The list includes História de um bandolim by Luperce Miranda, São Pixinguinha by Pixinguinha, Chorando pelos dedos by Joel Nascimento, Mistura e manda by Paulo Moura, Choro é isto by Abel Ferreira and others, Noites cariocas by Altamiro Carrilho and others, Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto e cia by Henrique Cazes, Os melhores choros de todos os tempos by Mequezinho da Flauta and others, Chorando baixinho by Época de Ouro and others, and Jacob do Bandolim in memoriam, dedicated to Jacob do Bandolim. The selection creates an affective and historical map of Brazilian choro and brings together major figures of Brazilian instrumental music, including Pixinguinha, Luperce Miranda, Joel Nascimento, Paulo Moura, Abel Ferreira, Altamiro Carrilho, Waldir Azevedo, Hermeto Pascoal, Henrique Cazes and Jacob do Bandolim.

A political text follows, addressing the situation of Brazilian public universities in 1996. It argues that few governments in recent Brazilian history had shown such insensitivity toward university issues. The university strike is described as a political confrontation motivated by both academic and political necessities. The government is critically referred to as Fernando Henrique Cardoso de Mello, a formulation that combines names from Brazilian political history and reinforces the satirical tone of the commentary. The text states that an open war had been declared against public universities and argues that, although the strike battle had ended, the broader struggle should continue in defense of a public, democratic and high quality university.

The publication also includes the poem Vamos beber à tarde by José Neumanne, identified as coming from the book Solos do silêncio, São Paulo, 1996. The poem combines everyday and sensory images, referring to Beethoven, a pencil, paper, a glass, an afternoon, lips, dreams, astonishment and pain. Its presence documents the circulation of contemporary poetry within the cultural network surrounding Balaio Incomun and the publication's openness to different forms of literary creation.

In the section Filmes de amor, Moacy Cirne records a new contribution by writer and cultural agitator Jomard Muniz de Britto from Recife. The text notes that Jomard had previously published his list of best films in Balaio number 836 and had now sent another selection devoted to the great love films in the history of cinema. Jomard Muniz de Britto's list includes Hiroshima, mon amour, associated with Marguerite Duras and Alain Resnais, Brief Encounter by David Lean, Jules et Jim by François Truffaut, Teorema by Pier Paolo Pasolini, Vaghe stelle dell Orsa by Luchino Visconti, A Place in the Sun by George Stevens, Les amants by Louis Malle, Beauty and the Beast by Jean Cocteau, The Discreet Charm of the Bourgeoisie by Luis Buñuel, A lira do delírio by Walter Lima Júnior, Querelle, associated with Jean Genet and Rainer Werner Fassbinder, A grande cidade by Cacá Diegues, and Nights of Cabiria by Federico Fellini.

The final section presents Conselhos incomuns, a contribution by Dailor Varela dated Monteiro Lobato, São Paulo, 1996. In an ironic, provocative and humorous tone, Dailor Varela recommends listening increasingly to Frank Zappa, criticizes Fernando Collor, recommends reading João Cabral de Melo Neto, proposes becoming addicted to love, defending street vendors and informal workers, paying attention to Fernando Gabeira, displaying the black flag of anarchism in an apartment window, visiting Natal, writing love letters to Leon Góes and giving an Itamar Assumpção record to one's wife. The section connects experimental music, Brazilian poetry, politics, anarchism, urban culture, affection and personal references.

The presence of Dailor Varela is particularly significant within the context of Moacy Cirne's archive and Brazilian experimental poetry networks, connecting Balaio Incomun with circuits associated with Poema Processo, visual poetry, independent publishing and intellectual exchanges among Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pernambuco and São Paulo.

Balaio Incomun X 840 is a primary source for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Poema Processo, Dailor Varela, Jomard Muniz de Britto, José Neumanne, Brazilian choro, instrumental music, Frank Zappa, Itamar Assumpção, João Cabral de Melo Neto, cinema, cultural criticism, Brazilian public universities, university strikes, Brazilian politics, experimental poetry, alternative culture and independent publishing in the 1990s.