Home Acervo Balaio 918, Tristes Utópicos, poema visual de Dailor Varela realizado em 1996 e integrado ao universo editorial de Balaio Incomum e Folha Porreta.

Balaio 918, Tristes Utópicos, poema visual de Dailor Varela realizado em 1996 e integrado ao universo editorial de Balaio Incomum e Folha Porreta.

Moacy Cirne

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Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede

Acervo: 04305

Data: Dezembro de 1996

Dimensões: 33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊSBalaio 918, Tristes Utópicos, poema visual de Dailor Varela realizado em 1996 e integrado ao universo editorial de Balaio Incomum e Folha Porreta. A composição articula imagem histórica, fotografia de violência, montagem, contraste visual e referência à utopia para construir uma reflexão política e poética sobre sonho coletivo, fracasso histórico, repressão, sofrimento e desencanto.No alto da página aparece o título Tristes Utópicos, seguido da identificação poema de Dailor Varela 1996. A expressão estabelece imediatamente uma tensão entre esperança e derrota. A palavra utópicos remete a projetos de transformação social, idealismo e construção de futuros possíveis, enquanto tristes introduz perda, frustração e sofrimento.A estrutura visual é formada por duas imagens principais. Na parte superior existe uma gravura histórica com numerosos personagens, cenas de conflito, movimentação coletiva, figuras armadas e corpos em ação. O caráter antigo da imagem sugere um passado marcado por confrontos, violência, conquista, guerra ou repressão.Na parte inferior encontra se uma fotografia em preto e branco de um corpo caído no chão, aparentemente vítima de violência. A imagem ocupa grande parte da composição e produz forte impacto documental e emocional. A aproximação entre a gravura histórica e o corpo contemporâneo estabelece uma continuidade visual entre violência do passado e violência do presente.O poema não depende de uma sequência verbal extensa. O título, a identificação autoral e a relação entre as imagens constituem o próprio mecanismo poético. Dailor Varela transforma a justaposição visual em argumento, fazendo com que o observador construa relações entre utopia, história, violência e morte.A oposição entre as duas imagens é também temporal. A gravura remete a um passado distante, enquanto a fotografia parece pertencer a um contexto moderno ou contemporâneo. A montagem sugere que os projetos de progresso e transformação não eliminaram a violência e que determinadas formas de dominação continuam reaparecendo ao longo da história.A palavra utopia ganha assim sentido ambivalente. Ela pode indicar esperança, desejo de mudança e horizonte político, mas também frustração diante da permanência da violência. O adjetivo tristes impede qualquer leitura triunfalista e aproxima a obra de uma reflexão sobre derrotas históricas, repressão e desencanto político.A composição possui forte dimensão política, especialmente quando inserida no contexto da produção experimental brasileira e das relações de Dailor Varela com o Poema Processo. A utilização de imagens apropriadas, o abandono do verso tradicional e a criação de sentido por montagem visual aproximam a peça das experiências de poesia visual e de poesia processo.No canto inferior direito aparece a identificação manuscrita Balaio 918, que situa a obra dentro da sequência editorial de Balaio. Esse dado possui grande importância arquivística e permite relacionar a peça a outras edições de Moacy Cirne e ao circuito de circulação de poesia experimental e crítica cultural nos anos 1990.Tristes Utópicos deve ser compreendido como poema visual de caráter político e memorial. A violência não é apresentada por descrição verbal, mas por choque de imagens. História, corpo, morte e utopia são colocados em uma mesma superfície e transformados em experiência de leitura visual.Documento relevante para pesquisas sobre Dailor Varela, Balaio 918, Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, Tristes Utópicos, 1996, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, arte política, montagem, apropriação de imagens, violência, repressão, utopia, memória, história, corpo, morte, crítica social, vanguarda brasileira e publicações independentes.TEXTO SALSA EM INGLÊSBalaio 918, Tristes Utópicos, is a visual poem by Dailor Varela produced in 1996 and integrated into the editorial universe of Balaio Incomum and Folha Porreta. The composition combines historical imagery, a photograph of violence, montage, visual contrast and the idea of utopia in order to construct a political and poetic reflection on collective dreams, historical failure, repression, suffering and disillusionment.At the top of the page appears the title Tristes Utópicos, followed by the identification poema de Dailor Varela 1996. The expression immediately establishes a tension between hope and defeat. The word utópicos evokes projects of social transformation, idealism and the construction of possible futures, while tristes introduces loss, frustration and suffering.The visual structure is formed by two principal images. In the upper section there is a historical engraving containing numerous figures, scenes of conflict, collective movement, armed characters and bodies in action. The old character of the image suggests a past marked by confrontation, violence, conquest, war or repression.In the lower section there is a black and white photograph of a body lying on the ground, apparently the victim of violence. The image occupies a large part of the composition and produces strong documentary and emotional impact. The proximity between the historical engraving and the contemporary body establishes a visual continuity between violence in the past and violence in the present.The poem does not depend on an extensive verbal sequence. The title, authorial identification and relationship between the images constitute the poetic mechanism itself. Dailor Varela transforms visual juxtaposition into argument, requiring the viewer to construct relationships among utopia, history, violence and death.The opposition between the two images is also temporal. The engraving refers to a distant past, while the photograph appears to belong to a modern or contemporary context. The montage suggests that projects of progress and transformation have not eliminated violence and that certain forms of domination continue to return throughout history.The word utopia therefore acquires an ambivalent meaning. It may indicate hope, desire for change and a political horizon, but also frustration in the face of persistent violence. The adjective sad prevents any triumphant reading and connects the work with reflections on historical defeat, repression and political disenchantment.The composition has a strong political dimension, especially when situated within Brazilian experimental production and Dailor Varela's relationship with Poema Processo. The use of appropriated images, rejection of traditional verse and construction of meaning through visual montage connect the piece with visual poetry and process poetry practices.In the lower right corner appears the handwritten identification Balaio 918, locating the work within the editorial sequence of Balaio. This information has significant archival importance and allows the piece to be connected with other issues associated with Moacy Cirne and with the circulation of experimental poetry and cultural criticism during the 1990s.Tristes Utópicos should be understood as a political and memorial visual poem. Violence is not described verbally but presented through the collision of images. History, body, death and utopia are placed on the same surface and transformed into an experience of visual reading.This document is relevant to research on Dailor Varela, Balaio 918, Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, Tristes Utópicos, 1996, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, political art, montage, image appropriation, violence, repression, utopia, memory, history, the body, death, social criticism, Brazilian avant garde and independent publications.

TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSDocumento identificado visualmente como Balaio 918, com o título Tristes Utópicos e a indicação poema de Dailor Varela 1996. A página apresenta composição predominantemente visual em preto e branco, com grande área branca e duas imagens centrais organizadas em sequência vertical.O título Tristes Utópicos aparece na região superior esquerda, em composição tipográfica simples. Logo abaixo encontra se a identificação poema de Dailor Varela 1996. Esses dados devem ser preservados integralmente na catalogação.A primeira imagem é uma gravura histórica de composição bastante densa. São visíveis numerosos personagens, cavalos, armas, deslocamentos coletivos e cenas de conflito. A reprodução apresenta caráter antigo e pode corresponder a uma cena histórica ou alegórica.A identificação exata da gravura não pode ser estabelecida somente a partir da fotografia disponível. Para evitar atribuição incorreta, a catalogação deve descrevê la como imagem histórica apropriada até que documentação complementar permita reconhecer sua fonte.A parte inferior da página é dominada por uma fotografia de forte caráter documental. A imagem apresenta um corpo humano caído ou deitado no chão, com roupas visíveis e posição corporal associada a morte, ferimento ou violência.A fotografia parece deliberadamente recortada e integrada à página de maneira a ocupar uma área maior que a gravura superior. Essa diferença de escala aumenta o impacto visual da imagem contemporânea.A relação espacial entre gravura e fotografia constitui a principal operação poética da peça. A primeira apresenta violência histórica em uma cena coletiva. A segunda concentra a atenção sobre um único corpo. A passagem do coletivo para o individual intensifica a dimensão humana da violência.O título funciona como chave interpretativa da montagem. Tristes Utópicos pode ser relacionado a indivíduos ou grupos que acreditaram em transformações políticas, sociais ou históricas e que enfrentaram derrota, repressão ou violência.Entretanto, não é possível determinar a partir da imagem quais acontecimentos ou grupos específicos Dailor Varela pretendia representar. A interpretação deve permanecer aberta e evitar atribuições históricas não comprovadas.No canto inferior direito aparece uma inscrição manuscrita Balaio 918. A numeração deve ser registrada como elemento de identificação da série e utilizada para relacionar esta página à sequência editorial de Balaio.A peça não apresenta um cabeçalho convencional de Folha Porreta visível nesta reprodução. Sua identificação editorial encontra se incorporada diretamente à composição por meio da inscrição Balaio 918.A ausência de texto extenso reforça a classificação como poema visual. O sentido é produzido principalmente por título, montagem de imagens, escala, contraste e relação temporal entre os materiais apropriados.Do ponto de vista formal, a obra utiliza apropriação, montagem, contraste, fragmentação, deslocamento de contexto e economia verbal. Esses procedimentos são compatíveis com práticas de poesia visual e de experimentação relacionadas ao Poema Processo.Dailor Varela possui importância para a história do Poema Processo, e a presença de seu nome em Balaio 918 amplia o valor do documento para pesquisas sobre continuidade, memória e circulação dos participantes do movimento em décadas posteriores.A data 1996 aparece expressamente junto ao nome de Dailor Varela e deve ser preservada como data do poema conforme registrado na própria folha.O documento também deve ser relacionado ao universo de Moacy Cirne e Balaio Incomum, especialmente por integrar uma sequência numerada de publicações que funcionava como espaço de circulação de poesia, crítica, humor, política e experimentação visual.Para indexação devem ser preservados Balaio 918, Tristes Utópicos, Dailor Varela, 1996, Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, Poema Processo, poesia visual, poesia experimental, arte política, montagem, apropriação, fotografia, gravura histórica, corpo, violência, morte, repressão, utopia, desencanto, memória, história, crítica social e publicação independente.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHDocument visually identified as Balaio 918, with the title Tristes Utópicos and the indication poema de Dailor Varela 1996. The page presents a predominantly visual black and white composition with extensive white space and two central images arranged vertically.The title Tristes Utópicos appears in the upper left area in a simple typographic composition. Directly below is the identification poema de Dailor Varela 1996. These elements should be fully preserved in cataloguing.The first image is a densely composed historical engraving. Numerous figures, horses, weapons, collective movements and scenes of conflict can be seen. The reproduction has an old historical character and may correspond to a historical or allegorical scene.The exact source of the engraving cannot be established from the available photograph alone. In order to avoid incorrect attribution, it should be described in cataloguing as an appropriated historical image until additional documentation allows its source to be identified.The lower section of the page is dominated by a photograph with strong documentary character. The image presents a human body lying on the ground, with visible clothing and a bodily position associated with death, injury or violence.The photograph appears deliberately cropped and integrated into the page at a larger scale than the upper engraving. This difference in scale increases the visual impact of the contemporary image.The spatial relationship between engraving and photograph constitutes the principal poetic operation of the piece. The first presents historical violence within a collective scene. The second concentrates attention on a single body. The transition from collective to individual intensifies the human dimension of violence.The title functions as the interpretive key to the montage. Tristes Utópicos can be related to individuals or groups who believed in political, social or historical transformation and who encountered defeat, repression or violence.However, the image does not allow the specific historical events or groups intended by Dailor Varela to be securely identified. Interpretation should therefore remain open and avoid unsupported historical attribution.In the lower right corner appears the handwritten inscription Balaio 918. The numbering should be recorded as an identifying element of the series and used to connect this page with the editorial sequence of Balaio.The piece does not display a conventional Folha Porreta heading in the supplied reproduction. Its editorial identification is directly incorporated into the composition through the Balaio 918 inscription.The absence of extensive text reinforces its classification as visual poetry. Meaning is produced mainly through title, image montage, scale, contrast and the temporal relationship between the appropriated materials.Formally, the work employs appropriation, montage, contrast, fragmentation, displacement of context and verbal economy. These procedures are compatible with visual poetry and experimental practices related to Poema Processo.Dailor Varela is significant to the history of Poema Processo, and the presence of his name in Balaio 918 increases the documentary value of the sheet for research on the continuity, memory and later circulation of participants in the movement.The date 1996 appears explicitly beside Dailor Varela's name and should be preserved as the date of the poem according to the document itself.The document should also be connected with the universe of Moacy Cirne and Balaio Incomum, particularly because it forms part of a numbered publication sequence that functioned as a space for the circulation of poetry, criticism, humor, politics and visual experimentation.For indexing purposes the record should preserve Balaio 918, Tristes Utópicos, Dailor Varela, 1996, Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, Poema Processo, visual poetry, experimental poetry, political art, montage, appropriation, photography, historical engraving, body, violence, death, repression, utopia, disenchantment, memory, history, social criticism and independent publishing.


Inglês

Balaio 918, Tristes Utópicos, is a visual poem by Dailor Varela produced in 1996 and integrated into the editorial universe of Balaio Incomum and Folha Porreta.

Dimensions: 13 x 8,5 in