Home Acervo Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1001, Rio de Janeiro, 10 de setembro de 1997.

Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1001, Rio de Janeiro, 10 de setembro de 1997.

Moacy Cirne

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Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede

Acervo: 04357

Data: 10 de setembro de 1997.

Dimensões: 33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊSBalaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1001, Rio de Janeiro, 10 de setembro de 1997. Um Grito para Ficar na História. Edição imediatamente posterior ao número 1000 de Balaio Incomum, reunindo balanço crítico da pesquisa A Poesia e o Poema Brasileiros, comentário político, memória da própria publicação, homenagem a Madre Teresa de Calcutá, referência a Di Cavalcanti e intervenção social. No texto de abertura, Os Livros Fundamentais da Poesia Brasileira, Moacy Cirne analisa o resultado da enquete realizada com 43 poetas de diferentes estados e destaca o equilíbrio entre obras de vanguarda e títulos considerados clássicos. Entre os livros experimentais são citados A Ave, Viva vaia e Poemics, enquanto A rosa do povo, Invenção de Orfeu, Libertinagem e Eu aparecem entre os títulos de tradição mais consolidada. Cirne observa ainda obras que funcionariam como fusão desses dois campos, como Cantaria barroca, A luta corporal, Antologia mamaluca e Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade. O autor destaca especialmente A Ave, de Wlademir Dias Pino, publicada em edição limitada em 1956, em Cuiabá, e posteriormente reconhecida como livro poema emblemático da produção antiliterária brasileira. O texto reafirma que A Ave foi o livro mais citado na pesquisa e que Wlademir Dias Pino ocupou posição de destaque entre os poetas mais lembrados. Cirne anuncia também que Balaio 1010 publicaria uma Biblioteca Básica da Poesia Brasileira, reunindo os 16 livros registrados na pesquisa e mais 44 títulos selecionados por critérios de razão e emoção.A edição inclui ainda Um Grito para Ficar na História, texto sobre o terceiro Grito dos Excluídos e sua mobilização política em cidades brasileiras, com referência à CNBB e à CUT e defesa da luta contra injustiça social, desemprego e fome. Em Toda a Atenção é Pouca, Cirne comenta criticamente posições políticas de Miguel Arraes e Roberto Freire e dirige críticas ao PFL e a Fernando Henrique Cardoso. Em Uma Balaiada como nos Velhos Tempos, registra a comemoração do número 1000 e dos 11 anos do Balaio, mencionando livros, CDs, vídeos, homenagens a Glauber Rocha e a participação de colaboradores como João Batista Abreu, Cristina Ferraz, Dênis de Moraes e Rodrigo Ferrari. A folha também homenageia Madre Teresa de Calcutá, falecida recentemente, e comenta exposições dedicadas a Di Cavalcanti no Museu de Arte Moderna e no Centro Cultural Banco do Brasil, além de criticar a proibição do filme Di, de Glauber Rocha. Na parte inferior, um texto invertido denuncia a desigualdade social ao contrastar grandes fraudes econômicas com a prisão de uma mulher desempregada por tentar obter um medicamento de baixo custo para a filha doente. Documento de grande importância para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomum, Wlademir Dias Pino, A Ave, Poema Processo, poesia visual brasileira, crítica literária, política, cultura e redes intelectuais brasileiras dos anos 1990.SALSA TEXT IN ENGLISHBalaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1001, Rio de Janeiro, September 10, 1997. Um Grito para Ficar na História. The issue immediately follows the thousandth number of Balaio Incomum and combines a critical assessment of the survey A Poesia e o Poema Brasileiros, political commentary, reflection on the publication itself, a tribute to Mother Teresa of Calcutta, references to Di Cavalcanti and social criticism. In the opening text, Os Livros Fundamentais da Poesia Brasileira, Moacy Cirne analyzes the results of a survey conducted with 43 poets from different Brazilian states and emphasizes the balance between avant garde works and titles considered more classical. Experimental books cited include A Ave, Viva vaia and Poemics, while A rosa do povo, Invenção de Orfeu, Libertinagem and Eu appear among works of more established literary tradition. Cirne also identifies books that combine elements of these two fields, including Cantaria barroca, A luta corporal, Antologia mamaluca and Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade. He gives particular emphasis to A Ave by Wlademir Dias Pino, originally published in a limited edition in 1956 in Cuiabá and later recognized as an emblematic book poem within Brazilian antiliterary production. The text reaffirms that A Ave was the most frequently cited book in the survey and that Wlademir Dias Pino occupied a prominent position among the most frequently cited poets. Cirne also announces that Balaio 1010 would publish a Biblioteca Básica da Poesia Brasileira containing the 16 books recorded in the survey together with 44 additional titles selected according to criteria of reason and emotion.The issue also includes Um Grito para Ficar na História, a text on the third Grito dos Excluídos and its political mobilization in Brazilian cities, with references to CNBB and CUT and support for struggles against social injustice, unemployment and hunger. In Toda a Atenção é Pouca, Cirne critically comments on political positions associated with Miguel Arraes and Roberto Freire and directs criticism toward the PFL and Fernando Henrique Cardoso. In Uma Balaiada como nos Velhos Tempos, he records the celebration of issue 1000 and the 11th anniversary of Balaio, mentioning books, CDs, videos, tributes to Glauber Rocha and participation by collaborators including João Batista Abreu, Cristina Ferraz, Dênis de Moraes and Rodrigo Ferrari. The sheet also pays tribute to Mother Teresa of Calcutta following her recent death and comments on exhibitions dedicated to Di Cavalcanti at the Museu de Arte Moderna and the Centro Cultural Banco do Brasil, while criticizing the prohibition of the film Di by Glauber Rocha. At the bottom, an upside down text denounces social inequality by contrasting major economic frauds with the imprisonment of an unemployed woman who attempted to obtain a low cost medicine for her sick daughter. The document is highly relevant for research on Moacy Cirne, Balaio Incomum, Wlademir Dias Pino, A Ave, Poema Processo, Brazilian visual poetry, literary criticism, politics, culture and Brazilian intellectual networks of the 1990s.

TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSExemplar XII 1001 de Balaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, datado do Rio de Janeiro em 10 de setembro de 1997. A edição dá continuidade direta ao balanço publicado no número 1000 e começa com o texto Os Livros Fundamentais da Poesia Brasileira. Cirne afirma que o resultado da enquete promovida por Balaio sobre a poesia e o poema brasileiros foi excepcional por dois motivos principais. O primeiro seria o equilíbrio entre títulos de vanguarda e obras mais clássicas. Entre os exemplos do primeiro grupo aparecem A Ave, Viva vaia e Poemics. Entre os títulos mais tradicionais aparecem A rosa do povo, Invenção de Orfeu, Libertinagem, Eu e outros. Cirne identifica ainda obras que realizariam uma espécie de fusão desses campos, mencionando Cantaria barroca, A luta corporal, Antologia mamaluca e Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade.O segundo aspecto destacado pelo autor é a proporção entre obras amplamente conhecidas e outras acessíveis apenas a círculos mais restritos. Nesse ponto, Cirne destaca A Ave, de Wlademir Dias Pino. O texto registra que sua primeira edição foi limitada, publicada em 1956 em Cuiabá, Mato Grosso, e afirma que, ao longo dos anos, a obra se tornou o livro poema mais emblemático da produção antiliterária brasileira. Cirne observa que os dois poetas mais citados, João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade, demonstram a força de uma poesia integralmente ligada à própria essência literária. Entre os 16 livros mais citados pelos 43 participantes, Drummond aparece com três títulos e Oswald de Andrade como o único outro poeta com mais de uma obra. A edição informa ainda que Murilo Mendes, Castro Alves, Manoel de Barros e Paulo Leminski estavam entre os 16 poetas mais lembrados, embora nenhum livro individual desses autores tivesse entrado entre os 16 fundamentais.O texto anuncia que o Balaio 1010 publicaria uma Biblioteca Básica da Poesia Brasileira reunindo os 16 livros registrados pela pesquisa e mais 44 títulos escolhidos pelos organizadores, independentemente de terem sido mencionados durante a enquete. Esse anúncio amplia o valor documental do exemplar por registrar um projeto de construção de cânone poético a partir das escolhas coletivas reunidas por Moacy Cirne.A seção Um Grito para Ficar na História é apresentada como emoção pura e comenta o terceiro Grito dos Excluídos, movimento que teria mobilizado várias cidades brasileiras no domingo, dia 7. O texto elogia a CNBB e a CUT e afirma ser necessário gritar contra injustiça social, desemprego e fome. A expressão funciona simultaneamente como comentário político e como defesa da mobilização popular.Em Toda a Atenção é Pouca, Cirne comenta dois políticos de esquerda que considera de trajetória anteriormente respeitável, Miguel Arraes e Roberto Freire, mas afirma que ambos deixariam de merecer sua consideração por se aproximarem politicamente do PFL e de Fernando Henrique Cardoso. O tom é agressivo e satírico, coerente com a linguagem editorial de Folha Porreta.A seção Uma Balaiada como nos Velhos Tempos documenta a comemoração do número 1000 e dos 11 anos de existência de Balaio. Cirne menciona uma cachaça norte riograndense, uma aguardente mineira, batidas, livros e CDs. Entre os materiais distribuídos ou sorteados aparecem livros de Cristina Ferraz sobre Nietzsche e de Dênis de Moraes sobre mídia e globalização, além de CDs de Coltrane, Davis, Jacob do Bandolim, Brahms e Jornard Muniz de Britto. Também é citado um vídeo de Terra em transe em homenagem a Glauber Rocha e uma assinatura da revista Roda de Choro oferecida por Rodrigo Ferrari. Cirne registra que, ao longo de 11 anos, Balaio já havia distribuído cerca de 350 livros, revistas e discos, além de aproximadamente 150 camisetas.Em A Morte de uma Grande Senhora, a folha lamenta o falecimento de Madre Teresa de Calcutá e destaca sua atuação assistencial e sua memória como figura humanitária. Em Di Cavalcanti, Cirne comenta exposições promovidas pelo Museu de Arte Moderna e pelo Centro Cultural Banco do Brasil em homenagem ao centenário de nascimento do artista. O texto afirma que Di, pequena obra prima de Glauber Rocha, continuava proibida e considera essa situação um atentado à cultura brasileira.Na extremidade inferior da página aparece um texto impresso de cabeça para baixo. A passagem afirma que banqueiros, políticos tradicionais e usineiros poderiam roubar milhões sem maiores consequências, enquanto uma mulher desempregada e desesperada não poderia se apropriar de um simples remédio para sua filha doente, mesmo que custasse apenas 5,80. O texto conclui perguntando repetidamente Que Brasil é este, reforçando a crítica de Cirne à desigualdade social, ao sistema penal e à seletividade da justiça.O exemplar é particularmente importante para indexação porque consolida o resultado da pesquisa sobre os livros fundamentais da poesia brasileira e reafirma A Ave, de Wlademir Dias Pino, como obra central nesse levantamento. Também documenta a continuidade de Balaio após o número 1000, as redes de colaboração intelectual ao redor de Moacy Cirne e a articulação permanente entre poesia, política, música, artes visuais, cinema e crítica social.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHIssue XII 1001 of Balaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, dated Rio de Janeiro, September 10, 1997. The issue directly continues the assessment published in number 1000 and opens with the text Os Livros Fundamentais da Poesia Brasileira. Cirne states that the results of the survey promoted by Balaio on Brazilian poetry and the Brazilian poem were exceptional for two main reasons. The first was the balance between avant garde titles and more classical works. Examples of the first group include A Ave, Viva vaia and Poemics. More traditional titles include A rosa do povo, Invenção de Orfeu, Libertinagem and Eu. Cirne also identifies works that in his view combine these different fields, including Cantaria barroca, A luta corporal, Antologia mamaluca and Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade.The second point emphasized by the author is the balance between widely known works and others accessible only to more restricted circles. In this context, Cirne gives special attention to A Ave by Wlademir Dias Pino. The text records that its first edition was limited and published in 1956 in Cuiabá, Mato Grosso, and states that over the years it became the most emblematic book poem of Brazilian antiliterary production. Cirne notes that the two most frequently cited poets, João Cabral de Melo Neto and Carlos Drummond de Andrade, demonstrate the strength of poetry closely connected with literary form itself. Among the 16 books most frequently cited by the 43 participants, Drummond appears with three titles and Oswald de Andrade is the only other poet represented by more than one work. The issue also notes that Murilo Mendes, Castro Alves, Manoel de Barros and Paulo Leminski were among the 16 most frequently cited poets even though none of their individual books entered the list of 16 fundamental works.The text announces that Balaio 1010 would publish a Biblioteca Básica da Poesia Brasileira bringing together the 16 books identified in the survey and 44 additional titles chosen by the organizers, regardless of whether they had been cited during the survey. This announcement increases the documentary value of the issue because it records an attempt to construct a poetic canon from the collective selections gathered by Moacy Cirne.The section Um Grito para Ficar na História is introduced as pure emotion and comments on the third Grito dos Excluídos, a movement said to have mobilized several Brazilian cities on Sunday the 7th. The text praises CNBB and CUT and argues for public protest against social injustice, unemployment and hunger. The phrase functions simultaneously as political commentary and as a defense of popular mobilization.In Toda a Atenção é Pouca, Cirne comments on two Brazilian political figures of the left whose earlier trajectories he considers respectable, Miguel Arraes and Roberto Freire, but states that they no longer deserved the same consideration because of political proximity to the PFL and Fernando Henrique Cardoso. The tone is aggressive and satirical, consistent with the editorial language of Folha Porreta.The section Uma Balaiada como nos Velhos Tempos documents the celebration of issue 1000 and the 11th anniversary of Balaio. Cirne mentions a spirit from Rio Grande do Norte, a beverage from Minas Gerais, mixed drinks, books and CDs. Among the materials distributed or offered were books by Cristina Ferraz on Nietzsche and by Dênis de Moraes on media and globalization, as well as CDs by Coltrane, Davis, Jacob do Bandolim, Brahms and Jornard Muniz de Britto. A video of Terra em transe is mentioned as a tribute to Glauber Rocha, together with a subscription to the magazine Roda de Choro offered by Rodrigo Ferrari. Cirne states that during its 11 years of existence Balaio had already distributed around 350 books, magazines and records, as well as approximately 150 shirts.In A Morte de uma Grande Senhora, the sheet mourns the death of Mother Teresa of Calcutta and highlights her humanitarian work and public memory. In Di Cavalcanti, Cirne comments on exhibitions organized by the Museu de Arte Moderna and the Centro Cultural Banco do Brasil in honor of the centenary of the artist's birth. The text states that Di, the short film by Glauber Rocha, remained prohibited and describes this situation as an attack on Brazilian culture.At the very bottom of the page an upside down text appears. It states that bankers, traditional politicians and sugar mill owners could steal millions without major consequences, while an unemployed and desperate woman could not take a simple medicine for her sick daughter even if it cost only 5.80. The passage repeatedly asks Que Brasil é este, reinforcing Cirne's criticism of social inequality, the penal system and selective justice.The issue is especially important for indexing because it consolidates the survey on fundamental books of Brazilian poetry and reaffirms A Ave by Wlademir Dias Pino as a central work within that survey. It also documents the continuation of Balaio after issue 1000, the intellectual networks surrounding Moacy Cirne and the constant articulation of poetry, politics, music, visual arts, cinema and social criticism.


Inglês

Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1001, Rio de Janeiro, September 10, 1997.

Dimensions: 13 x 8,5 in