Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, X 830, é uma publicação autoral de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 5 de junho de 1996

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 830, é uma publicação autoral de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 5 de junho de 1996

Moacy Cirne

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04269 - 5 de junho de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 830, é uma publicação autoral de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 5 de junho de 1996. O exemplar integra a série comemorativa 1986 1996, Dez anos de Balaio, identificada nesta folha como número 20. O documento articula literatura, artes visuais, música, cinema, histórias em quadrinhos, poesia experimental e produção cultural independente, oferecendo um panorama muito significativo das referências intelectuais e artísticas de Moacy Cirne.

A primeira seção apresenta Dez Monumentos da Arte e Literatura do Nosso Século. Moacy Cirne seleciona dez obras, movimentos e produções que considera fundamentais para a cultura do século XX, atravessando diferentes linguagens artísticas.

A relação começa com Pierrot Lunaire, de Arnold Schoenberg, de 1912, classificado no campo da música. Em seguida aparece o movimento Dada, indicado entre 1916 e 1922 e associado a Marcel Duchamp e outros artistas. No campo literário são destacados Ulisses, de James Joyce, de 1922, e A Montanha Mágica, de Thomas Mann, de 1924, com referência também a uma revisão de 1952.

Na área das artes visuais, Cirne seleciona a produção de Joan Miró, especialmente o período compreendido entre 1928 e 1938. Na literatura brasileira aparece Grande Sertão Veredas, de João Guimarães Rosa, de 1956.

Um dos registros mais importantes para a história da poesia experimental brasileira é a inclusão de A Ave, de Wlademir Dias Pino, datada de 1956. Moacy Cirne classifica a obra no campo do poema e a coloca ao lado de Joyce, Thomas Mann, Schoenberg, Dada, Miró, Antonioni, John Coltrane e Moebius como um dos dez monumentos culturais do século XX. Essa escolha constitui testemunho particularmente significativo da importância atribuída por Cirne a Wlademir Dias Pino e à genealogia que posteriormente levaria ao Poema Processo.

No campo cinematográfico é selecionado A Aventura, de Michelangelo Antonioni, de 1960. Na música aparece A Love Supreme, de John Coltrane, de 1964. A relação termina com Arzach, de Moebius, de 1978, classificado no campo dos quadrinhos.

A presença de Arzach demonstra a valorização das histórias em quadrinhos por Moacy Cirne como linguagem artística de importância equivalente à literatura, cinema, música e artes visuais. Essa perspectiva é coerente com sua trajetória intelectual como um dos principais estudiosos brasileiros dos quadrinhos e da cultura de massa.

A segunda grande seção é dedicada ao cinema e registra escolhas de diferentes participantes. A primeira seleção reproduz a opinião de Rui Campos, do Rio de Janeiro, identificado como livreiro da Livraria da Travessa.

Entre os filmes escolhidos por Rui Campos aparecem Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, Amarcord e Noites de Cabíria, de Federico Fellini, O Incrível Exército de Brancaleone, de Mario Monicelli, A Faca na Água e O Inquilino, de Roman Polanski, e As Aventuras do Barão de Munchausen, de Terry Gilliam.

A lista continua com Acossado, Pierrot le Fou e La Chinoise, de Jean Luc Godard, Trono Manchado de Sangue, de Akira Kurosawa, Terra em Transe, de Glauber Rocha, Cidadão Kane, de Orson Welles, Esse Obscuro Objeto do Desejo, de Luis Buñuel, Charada, de Stanley Donen, Sabrina, de Billy Wilder, Terra Estrangeira, de Walter Salles Junior, Hiroshima Meu Amor, de Alain Resnais, Blade Runner, de Ridley Scott, e A Noite, de Michelangelo Antonioni.

Essa seleção associa obras do cinema brasileiro a produções europeias, norte americanas e japonesas. Macunaíma, Terra em Transe e Terra Estrangeira aparecem em diálogo direto com Godard, Fellini, Polanski, Kurosawa, Welles, Buñuel, Resnais, Scott e Antonioni.

Outra seleção é atribuída a Dailor Varela, de São Paulo, identificado como poeta e jornalista. Em primeiro lugar aparece Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Seguem Pierrot le Fou, de Jean Luc Godard, Oito e Meio, de Federico Fellini, 2001 Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, e Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos.

A relação prossegue com Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski, Hiroshima Meu Amor, de Alain Resnais, A Noite, de Michelangelo Antonioni, Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues, e A Doce Vida, de Federico Fellini. A presença de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Cacá Diegues destaca novamente o cinema brasileiro dentro de uma perspectiva internacional.

Na mesma área da folha aparece um Manifesto atribuído a Dailor Varela. O texto critica os suplementos culturais da grande imprensa e afirma a importância da produção independente brasileira. Entre as referências apresentadas como exemplos dessa produção aparecem Poema Processo, Jards Macalé, Balaio Incomum e a expressão Tantas e Tontas Coisas. O manifesto é localizado em Monteiro Lobato, São Paulo, em 1996.

Esse pequeno manifesto é particularmente significativo por relacionar explicitamente Poema Processo e Balaio Incomum a uma concepção de produção cultural brasileira independente. O documento oferece assim uma evidência de como o movimento e a publicação continuavam sendo percebidos, durante os anos 1990, dentro de uma genealogia de resistência às estruturas tradicionais da grande imprensa e da cultura institucional.

Na parte inferior encontra se outra seleção de filmes, atribuída a José Raimundo Pereira da Costa, do Rio de Janeiro, identificado como poeta e cinéfilo. A lista começa com A Regra do Jogo, de Jean Renoir, Em Busca do Ouro, de Charles Chaplin, A Besta Humana, de Renoir, O Morro dos Ventos Uivantes, de William Wyler, e Os Boas Vidas, de Federico Fellini.

A sequência inclui Cidadão Kane, de Orson Welles, A Comilança, de Marco Ferreri, Teorema, de Pier Paolo Pasolini, Sorrisos de uma Noite de Amor, de Ingmar Bergman, Rocco e Seus Irmãos, de Luchino Visconti, Blow Up, de Michelangelo Antonioni, Oito e Meio, de Fellini, O Conformista, de Bernardo Bertolucci, As Amigas, de Antonioni, e Julieta dos Espíritos, de Fellini.

Completam a parte legível da seleção A Terra do Sonho Distante, de Elia Kazan, O Jogador, de Robert Altman, Lua de Fel, de Roman Polanski, Era Uma Vez na América, de Sergio Leone, e Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos.

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 830, constitui documento especialmente relevante porque registra uma concepção ampla de cultura em Moacy Cirne. Literatura de vanguarda, música erudita, jazz, Dada, pintura, poesia experimental, cinema moderno e histórias em quadrinhos aparecem no mesmo plano de importância.

A inclusão de A Ave, de Wlademir Dias Pino, entre dez monumentos culturais do século XX possui especial interesse para pesquisas sobre Poema Processo, poesia concreta, poesia visual e poesia experimental brasileira. O documento confirma a posição central atribuída por Moacy Cirne à obra de Wlademir Dias Pino e estabelece sua produção em diálogo direto com algumas das referências internacionais mais importantes da arte e da literatura do século XX.

O exemplar X 830 é relevante para indexação de Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Dez anos de Balaio, Wlademir Dias Pino, A Ave, Poema Processo, poesia experimental brasileira, poesia visual, James Joyce, Thomas Mann, Guimarães Rosa, Arnold Schoenberg, Marcel Duchamp, Dada, Joan Miró, Michelangelo Antonioni, John Coltrane, Moebius, histórias em quadrinhos, cinema brasileiro, Cinema Novo, Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Walter Salles Junior, Jean Luc Godard, Federico Fellini, Alain Resnais, Luis Buñuel, Orson Welles, Rui Campos, Dailor Varela, José Raimundo Pereira da Costa, Livraria da Travessa, produção independente brasileira e crítica cultural.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 830, is an authorial publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on 5 June 1996. The issue belongs to the commemorative series 1986 1996, Dez anos de Balaio, and is identified on this sheet as number 20. The document combines literature, visual arts, music, cinema, comics, experimental poetry and independent cultural production, providing a significant panorama of Moacy Cirnes artistic and intellectual references.

The first section is entitled Dez Monumentos da Arte e Literatura do Nosso Século. Moacy Cirne selects ten works, movements and artistic productions that he considers fundamental to twentieth century culture.

The list begins with Pierrot Lunaire by Arnold Schoenberg from 1912, classified as music. It continues with the Dada movement, dated between 1916 and 1922 and associated with Marcel Duchamp and other artists. Literary landmarks include Ulysses by James Joyce from 1922 and The Magic Mountain by Thomas Mann from 1924, with an additional reference to a 1952 revision.

Within visual art, Cirne highlights the production of Joan Miró, particularly the period between 1928 and 1938. Brazilian literature is represented by Grande Sertão Veredas by João Guimarães Rosa from 1956.

One of the most important entries for the history of Brazilian experimental poetry is A Ave by Wlademir Dias Pino, dated 1956. Moacy Cirne classifies the work as a poem and places it alongside Joyce, Thomas Mann, Schoenberg, Dada, Miró, Antonioni, John Coltrane and Moebius as one of the ten cultural monuments of the twentieth century. This selection provides particularly important evidence of the significance Cirne attributed to Wlademir Dias Pino and to the genealogy that would later contribute to Poema Processo.

Cinema is represented by L Avventura by Michelangelo Antonioni from 1960. Music also appears through A Love Supreme by John Coltrane from 1964. The list concludes with Arzach by Moebius from 1978, classified within comics.

The presence of Arzach demonstrates Moacy Cirnes recognition of comics as an artistic language capable of standing alongside literature, cinema, music and the visual arts. This perspective is consistent with his intellectual career as one of the major Brazilian scholars of comics and mass culture.

The second major section is dedicated to cinema and records the preferences of several participants. The first selection presents the opinion of Rui Campos from Rio de Janeiro, identified as a bookseller at Livraria da Travessa.

Films selected by Rui Campos include Macunaíma by Joaquim Pedro de Andrade, Amarcord and Nights of Cabiria by Federico Fellini, The Incredible Army of Brancaleone by Mario Monicelli, Knife in the Water and The Tenant by Roman Polanski, and The Adventures of Baron Munchausen by Terry Gilliam.

The list continues with Breathless, Pierrot le Fou and La Chinoise by Jean Luc Godard, Throne of Blood by Akira Kurosawa, Terra em Transe by Glauber Rocha, Citizen Kane by Orson Welles, That Obscure Object of Desire by Luis Buñuel, Charade by Stanley Donen, Sabrina by Billy Wilder, Terra Estrangeira by Walter Salles Junior, Hiroshima Mon Amour by Alain Resnais, Blade Runner by Ridley Scott and La Notte by Michelangelo Antonioni.

This selection places Brazilian cinema in direct dialogue with European, American and Japanese filmmaking. Macunaíma, Terra em Transe and Terra Estrangeira appear alongside Godard, Fellini, Polanski, Kurosawa, Welles, Buñuel, Resnais, Scott and Antonioni.

Another selection is attributed to Dailor Varela from São Paulo, identified as a poet and journalist. His list begins with Deus e o Diabo na Terra do Sol by Glauber Rocha, followed by Pierrot le Fou by Jean Luc Godard, 8½ by Federico Fellini, 2001 A Space Odyssey by Stanley Kubrick and Vidas Secas by Nelson Pereira dos Santos.

The list continues with Repulsion by Roman Polanski, Hiroshima Mon Amour by Alain Resnais, La Notte by Michelangelo Antonioni, Bye Bye Brasil by Cacá Diegues and La Dolce Vita by Federico Fellini. The presence of Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos and Cacá Diegues again emphasizes Brazilian cinema within an international framework.

The same area contains a Manifesto attributed to Dailor Varela. The text criticizes the cultural supplements of the mainstream press and affirms the importance of independent Brazilian cultural production. Poema Processo, Jards Macalé, Balaio Incomum and the expression Tantas e Tontas Coisas appear among the references associated with this independent production. The manifesto is located in Monteiro Lobato, São Paulo, in 1996.

This brief manifesto is particularly significant because it explicitly associates Poema Processo and Balaio Incomum with a conception of independent Brazilian cultural production. It provides evidence of how the movement and the publication continued to be understood during the 1990s within a genealogy of resistance to mainstream media and institutional culture.

A further film selection in the lower section is attributed to José Raimundo Pereira da Costa from Rio de Janeiro, identified as a poet and film enthusiast. The list begins with The Rules of the Game by Jean Renoir, The Gold Rush by Charles Chaplin, La Bête Humaine by Renoir, Wuthering Heights by William Wyler and I Vitelloni by Federico Fellini.

The sequence includes Citizen Kane by Orson Welles, La Grande Bouffe by Marco Ferreri, Teorema by Pier Paolo Pasolini, Smiles of a Summer Night by Ingmar Bergman, Rocco and His Brothers by Luchino Visconti, Blow Up by Michelangelo Antonioni, 8½ by Fellini, The Conformist by Bernardo Bertolucci, Le Amiche by Antonioni and Juliet of the Spirits by Fellini.

The visible section concludes with The Grass Is Greener by Elia Kazan as recorded on the sheet, The Player by Robert Altman, Bitter Moon by Roman Polanski, Once Upon a Time in America by Sergio Leone and Vidas Secas by Nelson Pereira dos Santos.

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 830 is particularly important because it documents Moacy Cirnes broad conception of culture. Avant garde literature, classical music, jazz, Dada, painting, experimental poetry, modern cinema and comics are presented on the same level of cultural significance.

The inclusion of A Ave by Wlademir Dias Pino among ten cultural monuments of the twentieth century is especially valuable for research on Poema Processo, concrete poetry, visual poetry and Brazilian experimental poetry. The document confirms the central position that Moacy Cirne attributed to Wlademir Dias Pinos work and places it in direct dialogue with some of the most important international references of twentieth century art and literature.

Copy X 830 is relevant for indexing Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Dez anos de Balaio, Wlademir Dias Pino, A Ave, Poema Processo, Brazilian experimental poetry, visual poetry, James Joyce, Thomas Mann, Guimarães Rosa, Arnold Schoenberg, Marcel Duchamp, Dada, Joan Miró, Michelangelo Antonioni, John Coltrane, Moebius, comics, Brazilian cinema, Cinema Novo, Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Walter Salles Junior, Jean Luc Godard, Federico Fellini, Alain Resnais, Luis Buñuel, Orson Welles, Rui Campos, Dailor Varela, José Raimundo Pereira da Costa, Livraria da Travessa, independent Brazilian cultural production and cultural criticism.