Balaio Incomun, Folha Porreta, X 887, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1996.
Moacy Cirne
04290 - 24 de agosto de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 887, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1996. O documento apresenta a obra Pátria Amada, poema visual de Dailor Varela, datado de 1996. A folha constitui um registro de grande importância para a história do Poema Processo, da poesia visual brasileira e das redes experimentais ligadas a Moacy Cirne e Dailor Varela, articulando fotografia, escrita manuscrita, palavra, imagem, crítica social e intervenção gráfica.
No alto da folha aparecem a identificação Balaio Incomun X 887 Folha Porreta, o nome de Moacy Cirne, a localização Rio de Janeiro e a data de 24 de agosto de 1996. Logo abaixo surge o título Pátria Amada, que estabelece o eixo conceitual da composição.
No centro do trabalho há uma imagem fotográfica em preto e branco mostrando uma figura masculina em ambiente interno, parcialmente obscurecida pelas características da reprodução. A fotografia funciona como núcleo visual da obra e é cercada por uma escrita manuscrita de grandes dimensões, distribuída de maneira irregular ao redor da imagem.
Entre as frases legíveis aparecem O piano ama como eu, Minha ama como eu, Eu não gosto, Eu amo com fé, Pátria, Pátria que nasceu, Não verás nenhum país como este Brasil e outras formulações parcialmente sobrepostas ou de leitura mais difícil. As palavras se espalham pelo espaço da folha sem seguir uma estrutura linear convencional, transformando o ato de leitura em percurso visual.
A construção estabelece uma relação direta entre linguagem verbal e imagem. As frases não funcionam apenas como texto a ser lido, mas também como linhas, gestos e formas gráficas. A caligrafia ocupa o espaço de maneira física e corporal, aproximando escrita, desenho, grafismo e poesia visual.
O título Pátria Amada remete imediatamente à linguagem cívica e ao imaginário nacional brasileiro, mas o poema desloca essa referência para um campo de ambiguidade, ironia e comentário crítico. O uso reiterado das palavras pátria, Brasil, amar e nascer cria uma tensão entre discurso patriótico, experiência pessoal e construção poética.
A formulação Não verás nenhum país como este Brasil produz uma evidente relação com discursos tradicionais de exaltação nacional. Inserida em uma composição irregular e manuscrita, a frase adquire caráter crítico e irônico, funcionando menos como declaração patriótica convencional e mais como questionamento do próprio imaginário de nação.
A expressão O piano ama como eu e outras construções semelhantes introduzem um campo subjetivo e afetivo que interfere na leitura política do trabalho. Pátria, amor, país e experiência individual aparecem sobrepostos, produzindo um poema que combina intimidade e crítica social.
A composição também se aproxima de procedimentos fundamentais do Poema Processo. A página deixa de funcionar como simples suporte neutro para o texto e passa a integrar o próprio processo de significação. Fotografia, caligrafia, disposição espacial, tamanho das palavras, direção das frases e vazios da folha participam da construção poética.
Dailor Varela foi um dos nomes ligados historicamente ao Poema Processo e à poesia experimental brasileira. Sua presença em Balaio Incomun X 887 reforça as conexões entre Moacy Cirne, Rio Grande do Norte, poesia visual, arte experimental e redes de vanguarda que permaneceram ativas décadas depois das primeiras manifestações do movimento.
A identificação poema de Dailor Varela 1996 aparece na parte inferior da folha e confirma a autoria e a data da obra. Esse dado possui alto valor documental porque permite catalogar a peça como poema visual autoral de Dailor Varela publicado ou reproduzido no contexto editorial de Balaio Incomun.
A obra pode ser compreendida como poema visual, composição verbo visual, poesia experimental, intervenção gráfica e trabalho de apropriação fotográfica. Seu caráter híbrido aproxima literatura, fotografia, desenho, caligrafia e arte conceitual.
Balaio Incomun X 887 constitui fonte primária relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Dailor Varela, Poema Processo, poesia visual, poesia experimental, poema visual, arte verbo visual, fotografia, escrita manuscrita, caligrafia experimental, arte conceitual, crítica social, nacionalismo, identidade brasileira, Brasil, Pátria Amada, cultura visual, Rio Grande do Norte e vanguardas brasileiras.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 887, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 24 August 1996. The document presents the work Pátria Amada, a visual poem by Dailor Varela dated 1996. The sheet is an important record for the history of Poema Processo, Brazilian visual poetry and the experimental networks associated with Moacy Cirne and Dailor Varela, combining photography, handwriting, words, image, social criticism and graphic intervention.
At the top of the sheet appear the identification Balaio Incomun X 887 Folha Porreta, the name Moacy Cirne, Rio de Janeiro and the date 24 August 1996. Immediately below is the title Pátria Amada, establishing the conceptual axis of the composition.
At the center of the work is a black and white photographic image showing a male figure in an interior setting, partly obscured by the characteristics of the reproduction. The photograph functions as the visual core of the piece and is surrounded by large handwritten phrases distributed irregularly around the image.
Among the readable formulations are O piano ama como eu, Minha ama como eu, Eu não gosto, Eu amo com fé, Pátria, Pátria que nasceu, Não verás nenhum país como este Brasil and other partially overlapping or less legible phrases. The words spread across the page without following conventional linear organization, transforming reading into a visual path.
The construction establishes a direct relationship between verbal language and image. The phrases function not only as text to be read but also as lines, gestures and graphic forms. Handwriting occupies the page in a physical and bodily manner, bringing writing, drawing, graphic design and visual poetry together.
The title Pátria Amada immediately evokes civic language and Brazilian national imagery, but the poem shifts this reference into a field of ambiguity, irony and critical commentary. The repeated use of words associated with homeland, Brazil, love and birth creates tension between patriotic discourse, personal experience and poetic construction.
The formulation Não verás nenhum país como este Brasil clearly relates to traditional expressions of national exaltation. Inserted within an irregular handwritten composition, however, the phrase acquires a critical and ironic character, functioning less as a conventional patriotic statement than as a questioning of the national imagination itself.
The expression O piano ama como eu and similar constructions introduce a subjective and emotional dimension that interferes with the political reading of the work. Homeland, love, country and individual experience overlap, producing a poem that combines intimacy and social criticism.
The composition also approaches fundamental procedures of Poema Processo. The page ceases to function as a neutral support for writing and becomes part of the process of meaning itself. Photography, handwriting, spatial arrangement, scale of words, direction of phrases and empty areas all participate in the poetic construction.
Dailor Varela was historically associated with Poema Processo and Brazilian experimental poetry. His presence in Balaio Incomun X 887 reinforces connections among Moacy Cirne, Rio Grande do Norte, visual poetry, experimental art and avant garde networks that remained active decades after the movement's first manifestations.
The identification poema de Dailor Varela 1996 appears at the bottom of the sheet and confirms the authorship and date of the work. This information has high documentary value because it allows the piece to be catalogued as an authorial visual poem by Dailor Varela published or reproduced within the editorial context of Balaio Incomun.
The work can be understood as visual poetry, verbo visual composition, experimental poetry, graphic intervention and photographic appropriation. Its hybrid nature connects literature, photography, drawing, handwriting and conceptual art.
Balaio Incomun X 887 is an important primary source for research on Moacy Cirne, Dailor Varela, Poema Processo, visual poetry, experimental poetry, visual poems, verbo visual art, photography, handwriting, experimental calligraphy, conceptual art, social criticism, nationalism, Brazilian identity, Brazil, Pátria Amada, visual culture, Rio Grande do Norte and Brazilian avant garde movements.
