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Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1027, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1997

Moacy Cirne

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04376 - 27 de novembro de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1027, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1997. Edição dedicada aos 30 anos do Poema Processo, reunindo duas contribuições diretamente relacionadas à história e à continuidade do movimento. Na parte superior encontra se A Rede, poema processo de Moacy Cirne. Na parte inferior aparece uma obra da série Desconstrução verbal, poema processo de Falves Silva, produzida em Natal em 1997. O exemplar documenta, portanto, o diálogo entre dois importantes participantes da experiência do Poema Processo no Rio Grande do Norte e constitui registro significativo das comemorações realizadas três décadas após o lançamento do movimento em 1967.

A Rede, de Moacy Cirne, apresenta uma proposição poética construída como descrição de uma situação espacial. O texto imagina uma rede branca estendida entre uma parede azul e uma parede vermelha. Sobre a rede encontra se uma jovem completamente nua lendo em voz alta textos do Livro de poemas, de Jorge Fernandes. A combinação de corpo, cor, espaço, objeto, leitura e literatura transforma a descrição em uma estrutura potencialmente visual, performática e ambiental.

Sob a rede, Moacy Cirne estabelece um chão amarelo sobre o qual distribui uma série de objetos. Entre eles aparecem três discos de Luiz Gonzaga, o livro Navegos, de Zila Mamede, um gibi identificado como Grupehq, duas garrafas vazias de cerveja, uma lata aberta de tinta verde, flâmulas do ABC, América, Alecrim e Caicó, a Antologia Poética de José Bezerra Gomes, 35 folhetos de cordel, uma garrafa de Malhada Vermelha quase cheia e uma bola de futebol bastante usada.

A enumeração dos objetos cria uma cartografia cultural do Rio Grande do Norte e do Nordeste brasileiro. Literatura, música, histórias em quadrinhos, futebol, cordel, bebida, cor e cultura popular convivem em um mesmo campo poético. Jorge Fernandes, Zila Mamede, José Bezerra Gomes e Luiz Gonzaga são inseridos ao lado de referências aos clubes ABC, América, Alecrim e Caicó, produzindo uma rede de memória regional, cultura urbana e identidade nordestina.

A estrutura de A Rede ultrapassa o poema verbal convencional. O texto pode ser compreendido como projeto de instalação, proposição ambiental, roteiro performático e poema processo, pois organiza relações entre cores, materiais, objetos, corpo humano, livros, discos, imagens e espaço físico. A palavra rede funciona simultaneamente como objeto concreto e como princípio de conexão entre diferentes referências culturais.

A disposição dos elementos também evidencia procedimentos associados ao Poema Processo, como montagem, apropriação de signos existentes, organização espacial, leitura não linear, utilização de objetos cotidianos e transformação da informação cultural em estrutura poética. O poema não depende exclusivamente da linguagem escrita, pois sua realização imaginada envolve visualidade, corporalidade, espacialidade, som e ação.

Na parte inferior da folha encontra se uma obra de Falves Silva identificada como pertencente à série Desconstrução verbal, poema processo, Natal, 1997. A composição utiliza colagem, fotografia, tipografia e grande concentração de letras, fragmentos de palavras e formas gráficas. O conjunto é inclinado no espaço da página e produz uma massa visual formada pela sobreposição e fragmentação de imagens e linguagem.

A obra de Falves Silva apresenta figuras humanas e fragmentos fotográficos cercados por letras e palavras de diferentes tamanhos. A tipografia deixa de funcionar apenas como instrumento de leitura e passa a constituir matéria visual. Letras ampliadas, fragmentos textuais, imagens e áreas de forte contraste criam uma estrutura de alta densidade gráfica na qual leitura verbal e percepção visual se tornam inseparáveis.

A expressão Desconstrução verbal descreve um procedimento no qual a palavra é fragmentada, deslocada e reorganizada para produzir novos campos de significado. A composição dialoga diretamente com princípios históricos do Poema Processo, particularmente a ruptura com a linearidade discursiva, a exploração do signo visual, a utilização da montagem e a compreensão da página como espaço ativo.

A presença conjunta de Moacy Cirne e Falves Silva em uma edição comemorativa dos 30 anos do Poema Processo possui especial importância histórica. Ambos estiveram ligados ao núcleo potiguar do movimento e contribuíram para a expansão da poesia experimental no Rio Grande do Norte. O exemplar demonstra que, em 1997, o Poema Processo continuava sendo retomado não apenas como memória histórica, mas como prática artística ainda produtiva.

Balaio Incomun XII 1027 constitui documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Falves Silva, Poema Processo, poesia visual, poesia experimental, arte postal, colagem, tipografia experimental, cultura do Rio Grande do Norte, Natal, literatura potiguar, Jorge Fernandes, Zila Mamede, José Bezerra Gomes, Luiz Gonzaga, literatura de cordel, histórias em quadrinhos, futebol, ABC Futebol Clube, América de Natal, Alecrim Futebol Clube, Caicó, cultura nordestina, montagem, performance, instalação, arte conceitual e vanguarda brasileira.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1027, publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, November 27, 1997. This issue is dedicated to the 30th anniversary of Poema Processo and brings together two contributions directly connected with the history and continuity of the movement. The upper section presents A Rede, a Poema Processo work by Moacy Cirne. The lower section presents a work from the series Desconstrução verbal, identified as a Poema Processo work by Falves Silva, produced in Natal in 1997. The issue therefore documents a dialogue between two important participants in the Poema Processo experience in Rio Grande do Norte and constitutes a significant record of celebrations held three decades after the movement was launched in 1967.

A Rede by Moacy Cirne presents a poetic proposition constructed as the description of a spatial situation. The text imagines a white hammock stretched between a blue wall and a red wall. On the hammock lies a completely nude young woman reading aloud texts from Livro de poemas by Jorge Fernandes. The combination of body, color, space, object, reading and literature transforms the description into a potentially visual, performative and environmental structure.

Under the hammock, Moacy Cirne establishes a yellow floor on which a series of objects are distributed. They include three records by Luiz Gonzaga, the book Navegos by Zila Mamede, a comic identified as Grupehq, two empty beer bottles, an open can of green paint, pennants from ABC, América, Alecrim and Caicó, Antologia Poética by José Bezerra Gomes, 35 cordel pamphlets, a nearly full bottle of Malhada Vermelha and a heavily used football.

The enumeration of these objects creates a cultural map of Rio Grande do Norte and Northeastern Brazil. Literature, music, comics, football, cordel literature, drink, color and popular culture coexist within the same poetic field. Jorge Fernandes, Zila Mamede, José Bezerra Gomes and Luiz Gonzaga appear alongside references to ABC, América, Alecrim and Caicó football clubs, creating a network of regional memory, urban culture and Northeastern identity.

The structure of A Rede goes beyond conventional verbal poetry. The text can be understood as a project for an installation, an environmental proposition, a performance script and a Poema Processo work because it organizes relationships among colors, materials, objects, the human body, books, records, images and physical space. The word rede functions simultaneously as a concrete object and as a principle connecting different cultural references.

The arrangement of the elements also reveals procedures associated with Poema Processo, including montage, appropriation of existing signs, spatial organization, nonlinear reading, use of everyday objects and transformation of cultural information into poetic structure. The poem does not depend exclusively on written language because its imagined realization involves visuality, corporeality, space, sound and action.

The lower part of the sheet presents a work by Falves Silva identified as belonging to the series Desconstrução verbal, Poema Processo, Natal, 1997. The composition uses collage, photography, typography and a dense concentration of letters, word fragments and graphic forms. The entire structure is tilted within the page and produces a visual mass created through the superimposition and fragmentation of images and language.

Falves Silva's work presents human figures and photographic fragments surrounded by letters and words in different sizes. Typography no longer functions only as a tool for reading and becomes visual material. Enlarged letters, textual fragments, images and areas of strong contrast produce a highly dense graphic structure in which verbal reading and visual perception become inseparable.

The expression Desconstrução verbal describes a procedure in which the word is fragmented, displaced and reorganized to produce new fields of meaning. The composition directly engages with historical principles of Poema Processo, particularly the break with discursive linearity, the exploration of the visual sign, the use of montage and the understanding of the page as an active space.

The joint presence of Moacy Cirne and Falves Silva in an issue commemorating the 30th anniversary of Poema Processo has particular historical importance. Both were connected with the Rio Grande do Norte nucleus of the movement and contributed to the expansion of experimental poetry in the region. The issue demonstrates that in 1997 Poema Processo continued to be approached not only as historical memory but also as an active artistic practice.

Balaio Incomun XII 1027 is an important document for research on Moacy Cirne, Falves Silva, Poema Processo, visual poetry, experimental poetry, mail art, collage, experimental typography, culture of Rio Grande do Norte, Natal, literature from Rio Grande do Norte, Jorge Fernandes, Zila Mamede, José Bezerra Gomes, Luiz Gonzaga, cordel literature, comics, football, ABC Futebol Clube, América de Natal, Alecrim Futebol Clube, Caicó, Northeastern Brazilian culture, montage, performance, installation, conceptual art and Brazilian avant garde movements.