Balaio Incomum, Folha Porreta, X 805, Rio de Janeiro, 19 de março de 1996, documento textual de Moacy Cirne iniciado pelo texto Uma greve e seguido por notas e listas dedicadas ao cinema, ao humor verbal e à memória cinematográfica.
Moacy Cirne
Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede
Acervo: 04258
Data: 19 de março de 1996
Dimensões: 33 x 21,5 cm
Texto Salsa em portuguêsBalaio Incomum, Folha Porreta, X 805, Rio de Janeiro, 19 de março de 1996, documento textual de Moacy Cirne iniciado pelo texto Uma greve e seguido por notas e listas dedicadas ao cinema, ao humor verbal e à memória cinematográfica. A folha reúne diferentes registros da produção crítica e experimental de Cirne, combinando comentário político, reflexão cultural, referências cinematográficas, jogos de linguagem e repertórios de filmes que revelam seu interesse pela articulação entre arte, comunicação, sociedade e cultura de massa.O texto de abertura, Uma greve, apresenta uma reflexão política sobre a greve como construção coletiva e instrumento de luta social. Moacy Cirne afirma que uma greve exige sabedoria política, responsabilidade social, organização, paciência e capacidade revolucionária. A greve é apresentada como resposta necessária a um governo descrito como sufocante, opressor e responsável por tratar os cidadãos como pessoas de categoria inferior. Cirne enfatiza que a paralisação não deve ser entendida apenas como interrupção circunstancial, mas como forma de enfrentamento político e como possibilidade concreta de transformação. O autor encerra essa passagem afirmando que a greve necessária é uma questão de tempo e de esperança.Na seção Cinema, intitulada Os 20 melhores filmes, Moacy Cirne dedica a seleção a Bené Chaves, identificado como dentista e crítico de cinema de Natal, Rio Grande do Norte. Cirne organiza uma lista pessoal dos filmes que considera mais importantes da história do cinema. Entre os títulos legíveis encontram se O ano passado em Marienbad, de Alain Resnais, Cidadão Kane, de Orson Welles, A aventura, de Michelangelo Antonioni, Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais, Tempos modernos, de Charles Chaplin, Luzes da cidade, de Charles Chaplin, Outubro, de Sergei Eisenstein, A marca da maldade, de Orson Welles, O encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, Morangos silvestres, de Ingmar Bergman, Oito e meio, de Federico Fellini, A grande ilusão, de Jean Renoir, A última gargalhada, de Friedrich Wilhelm Murnau, O martírio de Joana d Arc, de Carl Theodor Dreyer, A terra, de Aleksandr Dovjenko, Um Buquê do luar, de Charles Chaplin, Um corpo que cai, de Alfred Hitchcock, Contos da lua vaga, de Kenji Mizoguchi, Sem novidades no front, de Lewis Milestone, e Desencanto, de David Lean.A seleção evidencia um cânone cinematográfico pessoal marcado pelo cinema moderno europeu, pelo expressionismo, pelo cinema soviético, pela comédia de Charles Chaplin, pelo cinema de autor, pelo cinema japonês e por alguns dos principais realizadores da história cinematográfica internacional. Alain Resnais, Orson Welles, Michelangelo Antonioni, Sergei Eisenstein, Ingmar Bergman, Federico Fellini, Jean Renoir, Friedrich Wilhelm Murnau, Carl Theodor Dreyer, Alfred Hitchcock e Kenji Mizoguchi aparecem como referências centrais.Outra seção do documento é intitulada Dicionário Bem Transado, com indicação de fonte Playboy. Cirne reproduz definições humorísticas e absurdas construídas a partir do deslocamento de significados. Entre os verbetes aparecem safadista, estupro, climax, unicórnio, orgasmo e artesão. As definições transformam palavras conhecidas em pequenas peças de humor verbal, aproximando o documento de práticas de experimentação semântica, paródia e desmontagem da linguagem cotidiana.A folha contém ainda a seção 40 anos de registro cinematográfico, atribuída a MCirne, na qual são apresentados repertórios de curtas metragens. Entre os melhores curtas internacionais aparecem Um cão andaluz, de Luis Buñuel, La jetée, de Chris Marker, Nuit et brouillard, de Alain Resnais, 49 primaveras, de Santiago Álvarez, Entr acto, de René Clair, Blá blá blá, de Andrea Tonacci, Dois homens e um armário, de Roman Polanski, N U, de Michelangelo Antonioni, Fireworks, de Kenneth Anger, e Ombro, armas, de Charles Chaplin.Na seleção de melhores curtas nacionais aparecem Blá blá blá, de Andrea Tonacci, A velha a fiar, de Humberto Mauro, O couro de gato, de Joaquim Pedro de Andrade, Di, de Glauber Rocha, Aruanda, de Linduarte Noronha, A pedra da riqueza, de Vladimir Carvalho, Vocês, de Antonio Manuel, Isto é Brasil, de Sérgio Santeiro, Desobediência, de Luiz Rosemberg Filho, e Ilha das Flores, de Jorge Furtado. O documento apresenta também uma seleção de curtas de animação, ampliando o interesse de Cirne por diferentes linguagens cinematográficas.Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, Uma greve, X 805, Rio de Janeiro, 1996, cinema brasileiro, cinema internacional, crítica cinematográfica, greve, política, cultura de massa, humor, linguagem experimental, Poema Processo, poesia experimental, Charles Chaplin, Alain Resnais, Orson Welles, Sergei Eisenstein, Michelangelo Antonioni, Glauber Rocha, Andrea Tonacci, Humberto Mauro, Joaquim Pedro de Andrade, Jorge Furtado e história do cinema constituem termos fundamentais para identificação, pesquisa e indexação deste documento.Salsa Text in EnglishBalaio Incomum, Folha Porreta, X 805, Rio de Janeiro, March 19, 1996, textual document by Moacy Cirne beginning with the text Uma greve and followed by notes and lists devoted to cinema, verbal humor and cinematic memory. The sheet brings together different aspects of Cirne's critical and experimental production, combining political commentary, cultural reflection, cinematic references, language games and film repertories that reveal his interest in the connections between art, communication, society and mass culture.The opening text, Uma greve, presents a political reflection on the strike as a collective construction and an instrument of social struggle. Moacy Cirne states that a strike requires political wisdom, social responsibility, organization, patience and revolutionary capacity. The strike is presented as a necessary response to a government described as suffocating and oppressive, one that treats citizens as people of inferior status. Cirne emphasizes that a strike should not be understood merely as a temporary interruption, but as a form of political confrontation and a concrete possibility for transformation. He concludes this passage by stating that the necessary strike is a matter of time and hope.In the Cinema section, entitled Os 20 melhores filmes, Moacy Cirne dedicates the selection to Bené Chaves, identified as a dentist and film critic from Natal, Rio Grande do Norte. Cirne organizes a personal list of films he considers among the most important in cinema history. Legible titles include Last Year at Marienbad by Alain Resnais, Citizen Kane by Orson Welles, L Avventura by Michelangelo Antonioni, Hiroshima mon amour by Alain Resnais, Modern Times by Charles Chaplin, City Lights by Charles Chaplin, October by Sergei Eisenstein, Touch of Evil by Orson Welles, Battleship Potemkin by Sergei Eisenstein, Wild Strawberries by Ingmar Bergman, Eight and a Half by Federico Fellini, Grand Illusion by Jean Renoir, The Last Laugh by Friedrich Wilhelm Murnau, The Passion of Joan of Arc by Carl Theodor Dreyer, Earth by Aleksandr Dovzhenko, Um Buquê do luar by Charles Chaplin, Vertigo by Alfred Hitchcock, Ugetsu by Kenji Mizoguchi, All Quiet on the Western Front by Lewis Milestone and Brief Encounter by David Lean.The selection reveals a personal cinematic canon strongly marked by European modern cinema, expressionism, Soviet cinema, the comedy of Charles Chaplin, auteur cinema, Japanese cinema and several of the most influential filmmakers in international film history. Alain Resnais, Orson Welles, Michelangelo Antonioni, Sergei Eisenstein, Ingmar Bergman, Federico Fellini, Jean Renoir, Friedrich Wilhelm Murnau, Carl Theodor Dreyer, Alfred Hitchcock and Kenji Mizoguchi appear as central references.Another section of the document is entitled Dicionário Bem Transado, with Playboy indicated as its source. Cirne reproduces humorous and absurd definitions created through shifts in meaning. Entries include safadista, estupro, climax, unicórnio, orgasmo and artesão. The definitions transform familiar words into brief examples of verbal humor, bringing the document close to practices of semantic experimentation, parody and the dismantling of everyday language.The sheet also includes the section 40 anos de registro cinematográfico, attributed to MCirne, presenting repertories of short films. Among the international short films listed are Un Chien Andalou by Luis Buñuel, La Jetée by Chris Marker, Nuit et brouillard by Alain Resnais, 49 primaveras by Santiago Álvarez, Entr acte by René Clair, Blá blá blá by Andrea Tonacci, Two Men and a Wardrobe by Roman Polanski, N U by Michelangelo Antonioni, Fireworks by Kenneth Anger and Shoulder Arms by Charles Chaplin.Among the Brazilian short films listed are Blá blá blá by Andrea Tonacci, A velha a fiar by Humberto Mauro, O couro de gato by Joaquim Pedro de Andrade, Di by Glauber Rocha, Aruanda by Linduarte Noronha, A pedra da riqueza by Vladimir Carvalho, Vocês by Antonio Manuel, Isto é Brasil by Sérgio Santeiro, Desobediência by Luiz Rosemberg Filho and Ilha das Flores by Jorge Furtado. The document also includes a selection of animated short films, expanding Cirne's interest in different cinematic languages.Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, Uma greve, X 805, Rio de Janeiro, 1996, Brazilian cinema, international cinema, film criticism, strike, politics, mass culture, humor, experimental language, Poema Processo, experimental poetry, Charles Chaplin, Alain Resnais, Orson Welles, Sergei Eisenstein, Michelangelo Antonioni, Glauber Rocha, Andrea Tonacci, Humberto Mauro, Joaquim Pedro de Andrade, Jorge Furtado and film history are fundamental terms for the identification, research and indexing of this document.
Texto de observação em portuguêsFolha datilografada identificada no cabeçalho como Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, X 805, Rio de Janeiro, 19 de março de 1996. O documento reúne múltiplos blocos textuais e revela o caráter fragmentário, enciclopédico e experimental da produção de Cirne, articulando política, cinema, crítica cultural, humor e memória.Na abertura encontra se o texto Uma greve, reflexão direta sobre organização política e luta social. Cirne afirma que uma greve não é realizada de maneira fácil ou improvisada, exigindo preparação, responsabilidade, paciência e articulação coletiva. O texto critica um governo que, segundo o autor, sufoca, oprime e humilha os cidadãos, defendendo a greve como instrumento legítimo de luta política e associando sua realização à esperança de transformação.A parte central da folha é amplamente dedicada ao cinema. A seção Os 20 melhores filmes apresenta uma seleção pessoal de Moacy Cirne, dedicada a Bené Chaves, crítico de cinema de Natal. A lista reúne obras de Alain Resnais, Orson Welles, Michelangelo Antonioni, Charles Chaplin, Sergei Eisenstein, Ingmar Bergman, Federico Fellini, Jean Renoir, Friedrich Wilhelm Murnau, Carl Theodor Dreyer, Aleksandr Dovjenko, Alfred Hitchcock, Kenji Mizoguchi, Lewis Milestone e David Lean, permitindo observar diretamente referências estéticas e cinematográficas valorizadas pelo autor.A seção Dicionário Bem Transado introduz uma dimensão de humor e experimentação verbal por meio de definições deliberadamente absurdas. Já a seção 40 anos de registro cinematográfico reúne listas de melhores curtas internacionais, melhores curtas nacionais e melhores curtas de animação. Entre os realizadores brasileiros citados estão Andrea Tonacci, Humberto Mauro, Joaquim Pedro de Andrade, Glauber Rocha, Linduarte Noronha, Vladimir Carvalho, Antonio Manuel, Sérgio Santeiro, Luiz Rosemberg Filho e Jorge Furtado.O documento possui interesse para pesquisas sobre Moacy Cirne, Poema Processo, cinema, crítica cinematográfica, cultura brasileira, comunicação, humor, experimentalismo linguístico e história cultural da década de 1990. A coexistência de reflexão política, repertório cinematográfico e jogos semânticos demonstra a amplitude dos interesses intelectuais de Cirne e sua prática de aproximar crítica, informação, invenção e experimentação dentro de uma mesma folha de circulação textual.Observation Text in EnglishTypewritten sheet identified in the header as Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, X 805, Rio de Janeiro, March 19, 1996. The document brings together multiple textual sections and reveals the fragmentary, encyclopedic and experimental character of Cirne's production, connecting politics, cinema, cultural criticism, humor and memory.The opening contains the text Uma greve, a direct reflection on political organization and social struggle. Cirne argues that a strike cannot be carried out easily or through improvisation, requiring preparation, responsibility, patience and collective coordination. The text criticizes a government that, according to the author, suffocates, oppresses and humiliates its citizens, defending the strike as a legitimate instrument of political struggle and associating its realization with the hope of transformation.A substantial part of the sheet is devoted to cinema. The section Os 20 melhores filmes presents Moacy Cirne's personal selection, dedicated to Bené Chaves, a film critic from Natal. The list includes works by Alain Resnais, Orson Welles, Michelangelo Antonioni, Charles Chaplin, Sergei Eisenstein, Ingmar Bergman, Federico Fellini, Jean Renoir, Friedrich Wilhelm Murnau, Carl Theodor Dreyer, Aleksandr Dovzhenko, Alfred Hitchcock, Kenji Mizoguchi, Lewis Milestone and David Lean, providing direct evidence of the aesthetic and cinematic references valued by the author.The section Dicionário Bem Transado introduces a dimension of humor and verbal experimentation through deliberately absurd definitions. The section 40 anos de registro cinematográfico presents lists of international short films, Brazilian short films and animated short films. Brazilian filmmakers mentioned include Andrea Tonacci, Humberto Mauro, Joaquim Pedro de Andrade, Glauber Rocha, Linduarte Noronha, Vladimir Carvalho, Antonio Manuel, Sérgio Santeiro, Luiz Rosemberg Filho and Jorge Furtado.The document is relevant to research on Moacy Cirne, Poema Processo, cinema, film criticism, Brazilian culture, communication, humor, linguistic experimentation and the cultural history of the 1990s. The coexistence of political reflection, cinematic repertory and semantic games demonstrates the breadth of Cirne's intellectual interests and his practice of combining criticism, information, invention and experimentation within a single textual publication.
Inglês
Balaio Incomum, Folha Porreta, X 805, Rio de Janeiro, March 19, 1996, textual document by Moacy Cirne beginning with the text Uma greve and followed by notes and lists devoted to cinema, verbal humor and cinematic memory.
Dimensions: 13 x 8,5 in
