Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 971, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 3 de junho de 1997.
Moacy Cirne
04341 - 3 de junho de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS
Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 971, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 3 de junho de 1997. A edição apresenta o texto Da Vanguarda Anti Literária e Outras Questões, reflexão teórica sobre vanguarda, poesia experimental, Poema Processo, poesia concreta, política, leitura produtiva e transformação da linguagem poética. Moacy Cirne discute a necessidade de politizar a vanguarda e recorda Maiakovski e Oswald de Andrade como referências históricas de uma literatura ligada a contextos políticos e sociais. Ao abordar a poesia concreta, Cirne menciona o salto conteudístico participante ocorrido em meados de 1964 e avalia criticamente os limites do realismo semiótico e de determinadas soluções formais diante das contradições políticas e estéticas. Em contraposição, apresenta o Poema Processo como experiência que avançou ao incorporar leitura, projeto, elaboração gráfica e visualidade como elementos estruturantes da criação. Segundo o texto, leitura e processo modificaram qualitativamente o sentido da vanguarda e ampliaram suas possibilidades políticas. Cirne relaciona a leitura produtiva e o processo semiológico histórico informacional ao aparecimento, a partir de 1972 e 1973, de poetas interessados em trabalhar experimentalmente, politicamente e produtivamente a linguagem do poema. A reflexão é organizada em torno de três dimensões fundamentais, experimental, política e produtiva. No campo experimental, o autor propõe novas leituras do real e da própria tradição artística, retomando a antropofagia oswaldiana e defendendo uma produção capaz de responder às condições sociais e políticas contemporâneas. No campo político, afirma que a eficácia de uma produção anti literária depende de sua prática experimental e de sua capacidade de responder às necessidades políticas e sociais do poeta e do poema. No campo produtivo, destaca a produtividade do texto e a transformação do leitor em futuro produtor, recusando uma relação baseada apenas no consumo. O texto menciona como referência o período de 1967 a 1977, dez anos de Poema Processo, estabelecendo uma síntese conceitual da vanguarda anti literária como prática politizada, produtiva, estrutural e experimental. Documento fundamental para compreender o pensamento crítico de Moacy Cirne e a formulação teórica do Poema Processo no contexto das vanguardas brasileiras.
SALSA TEXT IN ENGLISH
Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 971, a publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on June 3, 1997. This issue presents the text On the Anti Literary Avant Garde and Other Questions, a theoretical reflection on avant garde practices, experimental poetry, Poema Processo, concrete poetry, politics, productive reading and the transformation of poetic language. Moacy Cirne discusses the need to politicize the avant garde and recalls Mayakovsky and Oswald de Andrade as historical references for literature connected to political and social contexts. When addressing concrete poetry, Cirne mentions the content oriented participatory shift that occurred around 1964 and critically examines the limits of semiotic realism and certain formal solutions when confronted with political and aesthetic contradictions. In contrast, he presents Poema Processo as an experience that advanced by incorporating reading, project, graphic construction and visuality as structural elements of creation. According to the text, reading and process qualitatively transformed the meaning of the avant garde and expanded its political possibilities. Cirne connects productive reading and the semiological historical informational process with the emergence, from 1972 and 1973 onward, of poets interested in working with the language of the poem experimentally, politically and productively. His reflection is organized around three fundamental dimensions, experimental, political and productive. In the experimental field, the author proposes new readings of reality and artistic tradition, returning to Oswaldian anthropophagy and defending a form of production capable of responding to contemporary social and political conditions. In the political field, he argues that the effectiveness of anti literary production depends on experimental practice and on its ability to respond to the political and social needs of both poet and poem. In the productive field, he emphasizes textual productivity and the transformation of the reader into a future producer, rejecting a relationship based solely on consumption. The text refers to the period from 1967 to 1977, marking ten years of Poema Processo, and offers a conceptual synthesis of the anti literary avant garde as a politicized, productive, structural and experimental practice. This document is fundamental for understanding Moacy Cirne's critical thought and the theoretical formulation of Poema Processo within the history of Brazilian avant gardes.
