Balaio Incomun, Folha Porreta, X 856, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 12 de julho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 46
Moacy Cirne
04284 - 12 de julho de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 856, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 12 de julho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 46, e articula história da fotografia, cinema, crítica cultural, memória editorial, participação de professores e escritores e recuperação histórica de uma enquete cinematográfica realizada pelo próprio Balaio entre 1986 e 1987.
A abertura apresenta Dez grandes fotógrafos, seleção que reúne Julia Margaret Cameron, 1815 1879, Paul Martin, 1864 1942, Edward J. Steichen, nascido em 1879, Alfred Stieglitz, 1864 1946, Paul Strand, nascido em 1890, László Moholy Nagy, 1895 1946, Man Ray, 1890 1976, Henri Cartier Bresson, nascido em 1908, Felix H. Man, nascido em 1893, e Sebastião Salgado.
A relação percorre momentos fundamentais da história internacional da fotografia. Julia Margaret Cameron representa experiências pioneiras do retrato fotográfico no século XIX. Alfred Stieglitz, Edward Steichen e Paul Strand remetem à consolidação da fotografia moderna e à afirmação de seu estatuto artístico. László Moholy Nagy e Man Ray aproximam fotografia, vanguarda, experimentação, Bauhaus, dadaísmo e surrealismo. Henri Cartier Bresson estabelece uma referência central à fotografia documental e ao fotojornalismo moderno. Sebastião Salgado introduz a fotografia brasileira contemporânea e sua dimensão social e documental.
Moacy Cirne registra como referência bibliográfica A Concise History of Photography, de Helmut Gernsheim e Alison Gernsheim, Londres, 1971. Essa indicação transforma a seleção em um registro útil também para pesquisas sobre a biblioteca intelectual de Cirne e sobre as fontes utilizadas na construção de seus repertórios culturais.
Na seção Cinema, Os melhores filmes, a primeira seleção é atribuída a Benedito Câmara Silveira, do Rio de Janeiro, identificado como professor do segundo grau. Sua relação inclui Sonhos, de Akira Kurosawa, Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais, O homem que sabia demais, de Alfred Hitchcock, Carrossel da esperança, de Jacques Tati, Os intocáveis, de Brian De Palma, Cria cuervos, de Carlos Saura, O homem de mármore, de Andrzej Wajda, Veludo azul, de David Lynch, Caravaggio, de Derek Jarman, Drácula, de Francis Ford Coppola, Querelle, de Rainer Werner Fassbinder, Sangue de heróis, de John Ford, Morangos silvestres, de Ingmar Bergman, Para o resto de nossas vidas, associado a Kenneth Branagh, Não amarás, de Krzysztof Kieslowski, Lanternas vermelhas, de Zhang Yimou, A aventura, de Michelangelo Antonioni, Contos de Nova York, com episódio de Martin Scorsese, MASH, de Robert Altman, e Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha.
A seleção reúne cinema europeu, norte americano, japonês, chinês e brasileiro e destaca cineastas recorrentes ao longo da pesquisa de Balaio, como Resnais, Hitchcock, Bergman, Antonioni e Glauber Rocha.
Outra participação é de Afonso Duarte Soares, do Rio de Janeiro, apresentado de forma bem humorada como aprendiz de poeta. Sua lista contém O encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, Roma, cidade aberta, de Roberto Rossellini, Terra estrangeira, de Walter Salles Jr. e Daniela Thomas, Tudo bem, de Arnaldo Jabor, O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, Taxi Driver, de Martin Scorsese, Paris, Texas, de Wim Wenders, Manhattan, de Woody Allen, Novecento, de Bernardo Bertolucci, O selvagem da motocicleta, de Francis Ford Coppola, Teorema, de Pier Paolo Pasolini, Sociedade dos Poetas Mortos, de Peter Weir, Coração satânico, de Alan Parker, Dersu Uzala, de Akira Kurosawa, O carteiro e o poeta, associado a Michael Radford, A noite americana, de François Truffaut, Vertigo, de Alfred Hitchcock, Blow Up, de Michelangelo Antonioni, e Morangos silvestres, de Ingmar Bergman.
A lista de Afonso Duarte Soares apresenta forte presença do cinema brasileiro. Terra estrangeira, Tudo bem, O padre e a moça e Deus e o diabo na terra do sol colocam Walter Salles Jr., Daniela Thomas, Arnaldo Jabor, Joaquim Pedro de Andrade e Glauber Rocha em diálogo com alguns dos principais realizadores da história do cinema internacional.
Na parte inferior encontra se a seção Memória, intitulada Os melhores filmes para os nossos professores. Esse bloco possui grande valor documental porque recupera a primeira enquete cinematográfica realizada por Balaio entre novembro de 1986 e março de 1987. Segundo o texto, participaram 38 professores do departamento, convidados a indicar seus filmes preferidos. O resultado final foi publicado no número 41, de 31 de março de 1987.
Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, e Cidadão Kane, de Orson Welles, ficaram em primeiro lugar, com 19 citações cada. Tempos modernos recebeu 11 citações. Ano passado em Marienbad, O encouraçado Potemkin e Vidas secas receberam 10 citações cada.
Hiroshima, meu amor, Oito e meio, Terra em transe e O sétimo selo obtiveram 8 citações. Blow Up, Pierrot le fou e Dersu Uzala receberam 7. Morangos silvestres, 2001 uma odisseia no espaço, Cantando na chuva, Amarcord, O bandido da luz vermelha e Macunaíma aparecem com 6 citações. Eclipse, Os sete samurais, O último tango em Paris, O discreto charme da burguesia, Solaris, O criado e O baile registraram 5 citações.
A memória da enquete informa ainda os diretores mais votados. Ingmar Bergman aparece em primeiro lugar com 34 citações, seguido por Luis Buñuel com 32, Glauber Rocha com 28, Federico Fellini com 26, Orson Welles com 25, Jean Luc Godard com 25, Charles Chaplin com 25, Alain Resnais com 23, Michelangelo Antonioni com 22 e Sergei Eisenstein com 18.
Esses números possuem grande relevância histórica porque permitem reconstruir de maneira quantitativa a recepção cinematográfica dentro do ambiente intelectual em que Moacy Cirne atuava. A liderança de Bergman e Buñuel, acompanhados de Glauber Rocha, Fellini, Welles, Godard, Chaplin, Resnais, Antonioni e Eisenstein, revela um cânone marcado pelo cinema moderno, pelas vanguardas, pelo cinema de autor e pelo Cinema Novo.
O destaque alcançado por Glauber Rocha é especialmente significativo. Deus e o diabo na terra do sol aparece como filme mais citado ao lado de Cidadão Kane, enquanto Terra em transe também figura entre os títulos mais votados. Glauber Rocha ocupa ainda a terceira posição entre os diretores, com 28 citações. Vidas secas, O bandido da luz vermelha e Macunaíma mostram a força do cinema brasileiro nessa primeira pesquisa realizada por Balaio.
Balaio Incomun X 856 constitui assim uma fonte primária excepcional para estudos sobre Moacy Cirne, pois associa fotografia e cinema e recupera dados quantitativos de uma enquete cultural realizada dez anos antes. O documento permite acompanhar a formação de repertórios, a memória editorial de Balaio e a circulação de referências entre professores, escritores, cinéfilos e participantes das redes culturais ligadas a Cirne.
Documento relevante para pesquisas e indexação sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Dez anos de Balaio, história da fotografia, fotografia brasileira, Sebastião Salgado, Henri Cartier Bresson, Man Ray, László Moholy Nagy, Alfred Stieglitz, Edward Steichen, Paul Strand, Julia Margaret Cameron, Helmut Gernsheim, Alison Gernsheim, cinema brasileiro, Cinema Novo, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Rogério Sganzerla, Joaquim Pedro de Andrade, Macunaíma, O bandido da luz vermelha, crítica cinematográfica, Ingmar Bergman, Luis Buñuel, Federico Fellini, Orson Welles, Jean Luc Godard, Charles Chaplin, Alain Resnais, Michelangelo Antonioni, Sergei Eisenstein, Poema Processo, cultura visual e imprensa independente brasileira.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 856, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 12 July 1996. The document belongs to the commemorative series 1986 1996 Ten Years of Balaio, number 46, and connects the history of photography, cinema, cultural criticism, editorial memory, participation by professors and writers and the historical reconstruction of a film survey conducted by Balaio between 1986 and 1987.
The opening section presents Ten great photographers, a selection including Julia Margaret Cameron, 1815 1879, Paul Martin, 1864 1942, Edward J. Steichen, born in 1879, Alfred Stieglitz, 1864 1946, Paul Strand, born in 1890, László Moholy Nagy, 1895 1946, Man Ray, 1890 1976, Henri Cartier Bresson, born in 1908, Felix H. Man, born in 1893, and Sebastião Salgado.
The list covers fundamental moments in the international history of photography. Julia Margaret Cameron represents pioneering nineteenth century portrait photography. Alfred Stieglitz, Edward Steichen and Paul Strand are connected with the consolidation of modern photography and its recognition as an artistic medium. László Moholy Nagy and Man Ray connect photography with the avant garde, experimentation, Bauhaus, Dada and Surrealism. Henri Cartier Bresson represents a central reference in documentary photography and modern photojournalism. Sebastião Salgado introduces contemporary Brazilian photography and its social and documentary dimensions.
Moacy Cirne records A Concise History of Photography by Helmut Gernsheim and Alison Gernsheim, London, 1971, as a bibliographical reference. This citation also makes the document useful for research into Cirne's intellectual library and the sources used in constructing his cultural repertories.
In the Cinema section, The Best Films, the first selection is attributed to Benedito Câmara Silveira from Rio de Janeiro, identified as a secondary school teacher. His list includes Dreams by Akira Kurosawa, Hiroshima mon amour by Alain Resnais, The Man Who Knew Too Much by Alfred Hitchcock, Carrossel da esperança by Jacques Tati, The Untouchables by Brian De Palma, Cria cuervos by Carlos Saura, Man of Marble by Andrzej Wajda, Blue Velvet by David Lynch, Caravaggio by Derek Jarman, Dracula by Francis Ford Coppola, Querelle by Rainer Werner Fassbinder, Sangue de heróis by John Ford, Wild Strawberries by Ingmar Bergman, Para o resto de nossas vidas associated with Kenneth Branagh, A Short Film About Love by Krzysztof Kieslowski, Raise the Red Lantern by Zhang Yimou, L Avventura by Michelangelo Antonioni, New York Stories with a segment by Martin Scorsese, MASH by Robert Altman, and Black God White Devil by Glauber Rocha.
The selection brings together European, American, Japanese, Chinese and Brazilian cinema and includes filmmakers who recur throughout the Balaio survey, including Resnais, Hitchcock, Bergman, Antonioni and Glauber Rocha.
Another contribution is by Afonso Duarte Soares from Rio de Janeiro, humorously described as an apprentice poet. His list contains Battleship Potemkin by Sergei Eisenstein, Rome Open City by Roberto Rossellini, Foreign Land by Walter Salles Jr. and Daniela Thomas, Tudo bem by Arnaldo Jabor, O padre e a moça by Joaquim Pedro de Andrade, Black God White Devil by Glauber Rocha, Taxi Driver by Martin Scorsese, Paris Texas by Wim Wenders, Manhattan by Woody Allen, Novecento by Bernardo Bertolucci, Rumble Fish by Francis Ford Coppola, Teorema by Pier Paolo Pasolini, Dead Poets Society by Peter Weir, Angel Heart by Alan Parker, Dersu Uzala by Akira Kurosawa, The Postman associated with Michael Radford, Day for Night by François Truffaut, Vertigo by Alfred Hitchcock, Blow Up by Michelangelo Antonioni, and Wild Strawberries by Ingmar Bergman.
Afonso Duarte Soares's selection has a strong Brazilian presence. Foreign Land, Tudo bem, O padre e a moça and Black God White Devil place Walter Salles Jr., Daniela Thomas, Arnaldo Jabor, Joaquim Pedro de Andrade and Glauber Rocha in dialogue with major figures in international film history.
The lower section is entitled Memory, The Best Films for Our Professors. This section has exceptional documentary value because it reconstructs the first film survey conducted by Balaio between November 1986 and March 1987. According to the text, 38 professors from the department participated by indicating their favorite films. The final result appeared in issue 41, dated 31 March 1987.
Black God White Devil by Glauber Rocha and Citizen Kane by Orson Welles shared first place with 19 mentions each. Modern Times received 11 mentions. Last Year at Marienbad, Battleship Potemkin and Barren Lives each received 10.
Hiroshima mon amour, Eight and a Half, Entranced Earth and The Seventh Seal received 8 mentions. Blow Up, Pierrot le fou and Dersu Uzala received 7. Wild Strawberries, 2001 A Space Odyssey, Singin in the Rain, Amarcord, The Red Light Bandit and Macunaíma received 6 mentions. L Eclisse, Seven Samurai, Last Tango in Paris, The Discreet Charm of the Bourgeoisie, Solaris, The Servant and The Ball each received 5.
The historical survey also records the most frequently cited directors. Ingmar Bergman occupies first place with 34 citations, followed by Luis Buñuel with 32, Glauber Rocha with 28, Federico Fellini with 26, Orson Welles with 25, Jean Luc Godard with 25, Charles Chaplin with 25, Alain Resnais with 23, Michelangelo Antonioni with 22 and Sergei Eisenstein with 18.
These figures are historically significant because they allow a quantitative reconstruction of film reception within the intellectual environment in which Moacy Cirne worked. The prominence of Bergman and Buñuel, followed by Glauber Rocha, Fellini, Welles, Godard, Chaplin, Resnais, Antonioni and Eisenstein, reveals a canon strongly marked by modern cinema, avant garde practices, auteur cinema and Brazilian Cinema Novo.
The position achieved by Glauber Rocha is particularly significant. Black God White Devil shares first place with Citizen Kane, while Entranced Earth also appears among the most frequently cited films. Glauber Rocha occupies third place among directors with 28 citations. Barren Lives, The Red Light Bandit and Macunaíma further demonstrate the strong presence of Brazilian cinema in this first Balaio survey.
Balaio Incomun X 856 is therefore an exceptional primary source for studies of Moacy Cirne because it combines photography and cinema while preserving quantitative information from a cultural survey conducted ten years earlier. The document makes it possible to study the formation of cultural repertoires, the editorial memory of Balaio and the circulation of references among professors, writers, cinephiles and participants in Cirne's cultural networks.
The document is relevant for research and indexing on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Ten Years of Balaio, history of photography, Brazilian photography, Sebastião Salgado, Henri Cartier Bresson, Man Ray, László Moholy Nagy, Alfred Stieglitz, Edward Steichen, Paul Strand, Julia Margaret Cameron, Helmut Gernsheim, Alison Gernsheim, Brazilian cinema, Cinema Novo, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Rogério Sganzerla, Joaquim Pedro de Andrade, Macunaíma, The Red Light Bandit, film criticism, Ingmar Bergman, Luis Buñuel, Federico Fellini, Orson Welles, Jean Luc Godard, Charles Chaplin, Alain Resnais, Michelangelo Antonioni, Sergei Eisenstein, Poema Processo, visual culture and Brazilian independent publishing.
