Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 931, de Moacy Cirne, publicado no Rio de Janeiro em 14 de março de 1997, é um documento de intervenção cultural, política e literária que reúne os textos A Mesmice
Moacy Cirne
04310 - 14 de março de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 931, de Moacy Cirne, publicado no Rio de Janeiro em 14 de março de 1997, é um documento de intervenção cultural, política e literária que reúne os textos A Mesmice, A Venda da Vale, Liberdade Sem Censura e Um Ano de Estação das Letras. A edição registra o posicionamento crítico de Moacy Cirne diante da realidade brasileira dos anos 1990 e articula poesia, cinema, política, resistência cultural, liberdade de expressão e defesa da cultura.
Em A Mesmice, Moacy Cirne afirma que a mesmice política, intelectual, artística e literária que, segundo ele, assolava o Brasil deveria ser combatida por aqueles que acreditavam no sonho, na poesia, no socialismo, na arte e na aventura libertária. O autor recupera a formulação Ver com olhos livres, de origem oswaldiana, associando o Balaio a uma tradição crítica vinculada ao pensamento de Oswald de Andrade e à renovação cultural brasileira. O texto assume posição explícita contra o preconceito, o racismo e o fascismo, defendendo a luta pela dignidade humana e recusando qualquer manifestação discriminatória. Cirne também critica o neoliberalismo e reafirma como referências do Balaio o chorinho, o jazz, a música erudita, o cinema, a poesia alternativa, a poesia revolucionária, o socialismo e a aventura libertária.
Na seção A Venda da Vale, Moacy Cirne manifesta oposição ao processo de venda da Companhia Vale do Rio Doce. O texto apresenta a privatização como entrega de patrimônio brasileiro e utiliza linguagem deliberadamente contundente para denunciar o que considera a desvalorização de uma empresa estratégica do país. A passagem constitui testemunho documental das disputas políticas e ideológicas que cercaram as privatizações brasileiras durante a década de 1990.
Em Liberdade Sem Censura, Cirne trata do documentário Di, realizado em 1976 por Glauber Rocha, dedicado ao pintor brasileiro Di Cavalcanti. O autor critica a permanência da proibição judicial da obra, decorrente de iniciativa da família de Di Cavalcanti, classificando a situação como um absurdo e defendendo a liberdade de circulação cultural. O texto menciona Jamard Muniz de Brito, professor e agitador cultural de Recife, sugerindo a organização de uma Ação Popular contra a medida judicial. A nota relaciona diretamente o Balaio Incomun à defesa da liberdade artística, da memória cinematográfica brasileira e do acesso público à obra de Glauber Rocha.
A edição termina com Um Ano de Estação das Letras, registrando o primeiro aniversário do Estação das Letras, localizado na Rua Almirante Tamandaré, 66, Largo do Machado, Rio de Janeiro. O espaço, dedicado a oficinas de leitura e escrita coordenadas pela poeta Suzana Vargas, comemoraria um ano de atividades em 5 de abril de 1997. Moacy Cirne informa ainda a participação de Ferreira Gullar, que leria poemas e conversaria com o público, e define o Estação das Letras como uma importante iniciativa cultural.
Este exemplar de Balaio Incomun integra a produção independente de Moacy Cirne e documenta sua atuação como poeta, crítico, intelectual e agente da cultura brasileira. O número XI 931 preserva referências importantes à poesia experimental, à tradição oswaldiana, ao socialismo, à crítica ao neoliberalismo e às privatizações, ao combate ao racismo e ao fascismo, à liberdade de expressão, ao cinema de Glauber Rocha, à obra de Di Cavalcanti, a Jamard Muniz de Brito, Suzana Vargas, Ferreira Gullar e ao circuito cultural do Rio de Janeiro em 1997. É também fonte relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, cultura alternativa brasileira, publicações independentes, poesia visual, poesia experimental e redes intelectuais relacionadas ao contexto histórico do Poema Processo.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 931, by Moacy Cirne, published in Rio de Janeiro on March 14, 1997, is a document of cultural, political and literary intervention containing the texts A Mesmice, A Venda da Vale, Liberdade Sem Censura and Um Ano de Estação das Letras. The issue records Moacy Cirne's critical position toward Brazilian reality during the 1990s and connects poetry, cinema, politics, cultural resistance, freedom of expression and the defense of culture.
In A Mesmice, Moacy Cirne argues that the political, intellectual, artistic and literary sameness affecting Brazil should be challenged by those who believed in dreams, poetry, socialism, art and libertarian adventure. He invokes the expression Ver com olhos livres, associated with Oswald de Andrade, connecting Balaio with a critical tradition of Brazilian cultural renewal. The text takes an explicit position against prejudice, racism and fascism, defending human dignity and rejecting discriminatory practices. Cirne also criticizes neoliberalism and identifies chorinho, jazz, classical music, cinema, alternative poetry, revolutionary poetry, socialism and libertarian adventure as continuing cultural references for Balaio.
In A Venda da Vale, Moacy Cirne expresses his opposition to the sale of Companhia Vale do Rio Doce. The text presents privatization as the surrender of Brazilian national assets and uses deliberately forceful language to denounce what the author considered the undervaluation of a strategic Brazilian company. The passage is an important documentary record of the political and ideological disputes surrounding privatization in Brazil during the 1990s.
In Liberdade Sem Censura, Cirne discusses Di, the 1976 documentary by Brazilian filmmaker Glauber Rocha about painter Di Cavalcanti. He criticizes the continuing judicial prohibition of the film following legal action involving the family of Di Cavalcanti and defends the unrestricted circulation of cultural works. The text mentions Jamard Muniz de Brito, a professor and cultural agitator from Recife, and proposes an Ação Popular against the judicial measure. This section connects Balaio Incomun directly with the defense of artistic freedom, Brazilian film heritage and public access to the work of Glauber Rocha.
The issue concludes with Um Ano de Estação das Letras, recording the first anniversary of Estação das Letras, located at Rua Almirante Tamandaré, 66, Largo do Machado, Rio de Janeiro. The cultural space offered reading and writing workshops coordinated by poet Suzana Vargas and was preparing to celebrate its first year on April 5, 1997. Moacy Cirne also announces the participation of Ferreira Gullar, who would read poems and speak with the public, describing Estação das Letras as an important cultural initiative.
This issue of Balaio Incomun is part of the independent production of Moacy Cirne and documents his activity as a poet, critic, intellectual and cultural agent in Brazil. Issue XI 931 preserves important references to experimental poetry, the Oswaldian tradition, socialism, criticism of neoliberalism and privatization, opposition to racism and fascism, freedom of expression, the cinema of Glauber Rocha, the work of Di Cavalcanti, Jamard Muniz de Brito, Suzana Vargas, Ferreira Gullar and the cultural environment of Rio de Janeiro in 1997. It is also a relevant primary source for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Brazilian alternative culture, independent publishing, visual poetry, experimental poetry and intellectual networks connected with the historical context of Poema Processo
