Balaio Incomum, Folha Porreta, número XII 1011, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 13 de outubro de 1997.
Moacy Cirne
Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede
Acervo: 04366
Data: 13 de outubro de 1997
Dimensões: 33 x 21,5 cm
Texto Salsa em portuguêsBalaio Incomum, Folha Porreta, número XII 1011, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 13 de outubro de 1997. A folha reúne memória universitária, comentário político, intervenção crítica, referências literárias, humor, classificados amorosos e uma homenagem aos 30 anos do Poema Processo. O texto principal, intitulado A ADUFF em seu início, recupera a formação da Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense no contexto político de 1978 e registra a participação de Moacy Cirne naquele processo.Na seção Memória, Moacy Cirne recorda o ano de 1978, ainda marcado pela ditadura militar brasileira, embora já em período de abertura política. O autor menciona a revogação do AI 5 e observa que, apesar das mudanças institucionais, a situação política permanecia tensa. A narrativa relaciona esse cenário nacional à mobilização de professores e estudantes e ao surgimento de novas formas de organização no interior das universidades.Cirne relata que, naquele momento, foi procurado por uma jovem professora de Economia chamada Elisa, que pretendia reunir professores interessados na criação de uma associação de docentes. Segundo o relato, havia um ambiente de semiclandestinidade e cautela. O primeiro encontro mencionado ocorreu em uma sala de cursinho no centro de Niterói e contou com cerca de vinte ou vinte e cinco professores. As discussões apontaram para a necessidade de ampliar a participação e convidar docentes de diferentes áreas da Comunicação para uma reunião posterior.Moacy Cirne registra que procurou outros professores da Comunicação e que a reunião seguinte ocorreu dentro do mesmo clima de tensão e expectativa. O próprio autor afirma que compareceu ao encontro com cerca de trinta ou quarenta docentes, número que simboliza o crescimento inicial da articulação. O texto acompanha assim o processo de nascimento da ADUFF, posteriormente consolidada como entidade representativa dos docentes da Universidade Federal Fluminense.Cirne afirma que, em outubro daquele ano, a fundação da ADUFF já se realizava em ambiente mais aberto. Ao escrever em 1997, observa que haviam transcorrido dezenove anos desde aqueles acontecimentos. O texto associa a memória institucional à defesa da organização coletiva, da universidade pública, da democracia e da capacidade de reação política diante das diferentes formas de autoritarismo.Abaixo da memória sobre a ADUFF aparece a identificação Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1011, Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1997. A folha prossegue com a seção Eleições departamentais em novembro, dedicada à disputa pela chefia do Departamento de Comunicação. O texto menciona duas chapas, uma identificada por Davide e Cirne e outra por Sylvia e Afonso. Moacy Cirne valoriza o caráter democrático da disputa e comenta a importância da renovação institucional, observando que nem toda tradição exclui a renovação e que nem toda novidade representa necessariamente uma transformação efetiva.Outra seção recebe o título Escrotéu de merda internacional e é dirigida a Bill Clinton. O presidente dos Estados Unidos é criticado por sua política internacional e por ações contra povos livres do mundo. O tom é deliberadamente satírico, agressivo e político, típico da linguagem irreverente utilizada por Cirne em diferentes números da Folha Porreta.Na seção O que pretendemos ler aparecem referências a livros de interesse do autor. São mencionados Entre todos os homens, associado a Frei Betto, e A beleza difícil, vinculada a G M Hopkins e à editora Perspectiva. Essas referências ajudam a documentar o universo de leituras de Moacy Cirne e a dimensão literária e ensaística de sua produção.Em outro Escrotéu de merda, Cirne dirige sua crítica a Gustavo Franco, então presidente do Banco Central, relacionando o comentário à defesa considerada por ele equivocada do fim das universidades públicas. A passagem insere o documento nos debates brasileiros da década de 1990 sobre educação pública, política econômica, neoliberalismo, Estado e universidade.A seção Classificados amorosos combina humor, paródia e literatura. O texto utiliza referências a personagens, autores e imaginários literários, incluindo Frei Betto, Valonguinho e Rodrigo, produzindo uma espécie de anúncio afetivo e poético característico da dimensão lúdica do Balaio Incomum.A parte inferior da folha é dedicada aos 30 anos do Poema Processo. Sob o título Poema Processo, 30 anos, aparece a indicação Releitura gráfico temática de um poema de J. Cardias. A composição utiliza letras de diferentes estilos, sinais gráficos, uma mão indicativa, formas geométricas e elementos visuais que transformam a leitura em experiência espacial e gráfica. A homenagem conecta diretamente este número de Balaio Incomum à história do movimento Poema Processo, iniciado em 1967 e celebrado em 1997 por seus trinta anos.O documento é especialmente relevante por reunir história da ADUFF, Universidade Federal Fluminense, memória da ditadura militar, sindicalismo docente, política universitária, crítica ao governo dos Estados Unidos, debate sobre universidade pública, referências literárias, humor e Poema Processo em uma única folha. Constitui fonte para estudos sobre Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, ADUFF, UFF, Universidade Federal Fluminense, Niterói, sindicalismo universitário, movimento docente, ditadura militar brasileira, abertura política, AI 5, comunicação, política cultural, literatura, crítica política, Bill Clinton, Gustavo Franco, Banco Central, universidade pública, Poema Processo, J. Cardias, poesia visual e vanguarda brasileira.Salsa text in EnglishBalaio Incomum, Folha Porreta, issue XII 1011, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on October 13, 1997. The sheet combines university memory, political commentary, critical intervention, literary references, humor, personal advertisements and a tribute to the 30th anniversary of Poema Processo. The main text, titled A ADUFF em seu início, reconstructs the formation of the Association of Professors of the Federal Fluminense University within the political context of 1978 and records the involvement of Moacy Cirne in that process.In the section Memória, Moacy Cirne recalls the year 1978, still marked by the Brazilian military dictatorship although already entering a period of political opening. The author refers to the revocation of AI 5 and notes that, despite institutional changes, the political situation remained tense. The narrative connects this national context with the mobilization of professors and students and with the emergence of new forms of organization within universities.Cirne recalls that at that time he was approached by a young Economics professor named Elisa who intended to gather professors interested in creating a teachers association. According to the account, the atmosphere was one of partial secrecy and caution. The first meeting mentioned took place in a classroom in central Niterói and included approximately twenty or twenty five professors. The discussions emphasized the need to broaden participation and invite professors from different areas of Communication to a later meeting.Moacy Cirne records that he contacted other professors from Communication and that the following meeting occurred within the same atmosphere of tension and expectation. The author states that he attended the meeting together with approximately thirty or forty professors, a number that symbolizes the early growth of the movement. The text therefore follows the emergence of ADUFF, which would later become the representative organization of professors at the Federal Fluminense University.Cirne states that by October of that year the foundation of ADUFF was already taking place in a more open environment. Writing in 1997, he observes that nineteen years had passed since those events. The text connects institutional memory with the defense of collective organization, public universities, democracy and the capacity for political reaction against different forms of authoritarianism.Below the text on ADUFF appears the identification Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1011, Rio de Janeiro, October 13, 1997. The sheet continues with the section Eleições departamentais em novembro, devoted to the election for leadership of the Department of Communication. The text mentions two candidate groups, one identified by Davide and Cirne and another by Sylvia and Afonso. Moacy Cirne values the democratic character of the dispute and comments on institutional renewal, observing that tradition does not necessarily exclude renewal and that novelty does not automatically constitute real transformation.Another section is titled Escrotéu de merda internacional and is directed at Bill Clinton. The president of the United States is criticized for his international policies and for actions against free peoples throughout the world. The tone is deliberately satirical, aggressive and political, characteristic of the irreverent language employed by Cirne in different issues of Folha Porreta.The section O que pretendemos ler presents references to books of interest to the author. It mentions Entre todos os homens, associated with Frei Betto, and A beleza difícil, connected with G M Hopkins and the publisher Perspectiva. These references help document the literary and essayistic universe of Moacy Cirne.In another Escrotéu de merda, Cirne directs his criticism toward Gustavo Franco, then president of the Brazilian Central Bank, relating the comment to what he considered an inappropriate defense of the end of public universities. This passage places the document within Brazilian debates of the 1990s concerning public education, economic policy, neoliberalism, the State and the university.The section Classificados amorosos combines humor, parody and literature. The text uses references to characters, authors and literary imagery, including Frei Betto, Valonguinho and Rodrigo, producing a form of affectionate and poetic classified advertisement typical of the playful dimension of Balaio Incomum.The lower section of the sheet is devoted to the 30th anniversary of Poema Processo. Under the title Poema Processo, 30 anos appears the indication Releitura gráfico temática de um poema de J. Cardias. The composition employs letters in different styles, graphic signs, a pointing hand, geometric forms and visual elements that transform reading into a spatial and graphic experience. The tribute directly connects this issue of Balaio Incomum with the history of the Poema Processo movement, initiated in 1967 and celebrated in 1997 on its thirtieth anniversary.The document is particularly relevant because it combines the history of ADUFF, Federal Fluminense University, memory of the military dictatorship, professors union organization, university politics, criticism of United States government policy, debates about public universities, literary references, humor and Poema Processo within a single sheet. It constitutes a source for research on Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, ADUFF, UFF, Federal Fluminense University, Niterói, university unionism, professors movements, Brazilian military dictatorship, political opening, AI 5, Communication studies, cultural politics, literature, political criticism, Bill Clinton, Gustavo Franco, Brazilian Central Bank, public universities, Poema Processo, J. Cardias, visual poetry and the Brazilian avant garde.
Texto de observação em portuguêsDocumento impresso pertencente à série Balaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, identificado como XII 1011, Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1997. A página apresenta estrutura complexa, reunindo diversos textos e uma composição visual ligada aos 30 anos do Poema Processo.Na parte superior encontra se a seção Memória e o texto A ADUFF em seu início. Moacy Cirne situa a narrativa em 1978, durante o período final da ditadura militar brasileira. O autor menciona a revogação do AI 5, o ambiente político de abertura e a continuidade das tensões daquele momento.A narrativa registra o processo inicial de formação da ADUFF. Cirne menciona uma jovem professora de Economia chamada Elisa, responsável por procurar docentes interessados na criação de uma associação. O autor descreve um primeiro encontro realizado em uma sala no centro de Niterói, com aproximadamente vinte ou vinte e cinco professores, seguido de novas articulações que ampliaram a participação para cerca de trinta ou quarenta docentes.O texto informa que a ADUFF começava a nascer naquele processo e que, em outubro, sua fundação já ocorria em contexto mais aberto. Em 1997, Cirne assinala os dezenove anos transcorridos e apresenta a história da associação como parte da resistência democrática e da organização dos professores universitários.Na região central da página aparece o cabeçalho Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1011, Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1997. Logo abaixo surge a seção Eleições departamentais em novembro. São citadas duas chapas para a chefia do Departamento de Comunicação, Davide e Cirne e Sylvia e Afonso. O texto apresenta a eleição como fato positivo em termos democráticos e discute a relação entre tradição, renovação e novidade.A seção Escrotéu de merda internacional é dedicada a Bill Clinton e utiliza linguagem satírica para criticar sua política internacional. O texto expressa oposição ao comportamento político atribuído ao presidente norte americano e insere a folha no contexto da crítica política internacional praticada por Moacy Cirne.Na seção O que pretendemos ler aparecem referências a Entre todos os homens, associado a Frei Betto, e A beleza difícil, relacionado a G M Hopkins e à editora Perspectiva. A presença desses títulos registra interesses de leitura e amplia o valor do documento para pesquisas sobre o repertório intelectual de Cirne.Outra seção intitulada Escrotéu de merda dirige crítica a Gustavo Franco, identificado no documento como presidente do Banco Central. O comentário relaciona seu nome à defesa do fim das universidades públicas e evidencia o posicionamento de Cirne em favor da universidade pública brasileira.Na sequência aparece Classificados amorosos, pequena seção de caráter literário, humorístico e paródico. O conteúdo combina referências pessoais e culturais em formato de anúncio, procedimento recorrente na mistura entre crítica, poesia, humor e cotidiano característica do Balaio Incomum.A região inferior apresenta o título Poema Processo, 30 anos e a indicação Releitura gráfico temática de um poema de J. Cardias. A composição visual utiliza caracteres tipográficos de diferentes estilos, signos, setas, formas geométricas e uma mão apontando. A imagem funciona como releitura visual e reafirma a ligação direta de Moacy Cirne com o Poema Processo.A peça é importante por documentar simultaneamente a memória da criação da ADUFF e as comemorações dos trinta anos do Poema Processo. Reúne história política, história universitária, sindicalismo docente, literatura, humor, crítica econômica, relações internacionais e poesia visual.Para catalogação e indexação recomenda se utilizar os termos Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XII 1011, 13 de outubro de 1997, Rio de Janeiro, A ADUFF em seu início, ADUFF, Universidade Federal Fluminense, UFF, Niterói, associação de docentes, sindicalismo docente, movimento universitário, ditadura militar, AI 5, abertura política, Departamento de Comunicação, eleições departamentais, Bill Clinton, Gustavo Franco, Banco Central, universidade pública, Frei Betto, G M Hopkins, J. Cardias, Poema Processo, 30 anos de Poema Processo, poesia visual, poema visual, comunicação visual, vanguarda brasileira e memória política brasileira.Observation text in EnglishPrinted document belonging to the Balaio Incomum, Folha Porreta series by Moacy Cirne, identified as XII 1011, Rio de Janeiro, October 13, 1997. The page has a complex structure combining several texts with a visual composition related to the 30th anniversary of Poema Processo.The upper section contains Memória and the text A ADUFF em seu início. Moacy Cirne places the narrative in 1978 during the final period of the Brazilian military dictatorship. The author mentions the revocation of AI 5, the atmosphere of political opening and the continuing tensions of that moment.The narrative documents the early formation of ADUFF. Cirne refers to a young Economics professor named Elisa who approached professors interested in creating an association. The author describes an initial meeting held in a room in central Niterói with approximately twenty or twenty five professors, followed by further organizing efforts that increased participation to approximately thirty or forty professors.The text states that ADUFF was beginning to emerge through this process and that by October its foundation was already occurring in a more open context. Writing in 1997, Cirne notes the nineteen years that had passed and presents the history of the association as part of democratic resistance and the collective organization of university professors.In the central area appears the heading Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1011, Rio de Janeiro, October 13, 1997. Immediately below is the section Eleições departamentais em novembro. Two candidate groups are mentioned for the leadership of the Department of Communication, Davide and Cirne and Sylvia and Afonso. The text presents the election as a positive democratic event and discusses the relationship between tradition, renewal and novelty.The section Escrotéu de merda internacional is devoted to Bill Clinton and uses satirical language to criticize his international policies. The passage expresses opposition to the political conduct attributed to the American president and places the sheet within the context of international political criticism practiced by Moacy Cirne.The section O que pretendemos ler contains references to Entre todos os homens, associated with Frei Betto, and A beleza difícil, connected with G M Hopkins and the publisher Perspectiva. These titles document Cirne s reading interests and increase the value of the piece for research into his intellectual repertoire.Another section titled Escrotéu de merda criticizes Gustavo Franco, identified in the document as president of the Brazilian Central Bank. The comment connects his name to support for ending public universities and demonstrates Cirne s position in defense of Brazilian public higher education.The following section, Classificados amorosos, is a short literary, humorous and parodic text. Its content combines personal and cultural references in the form of a classified advertisement, reflecting the characteristic mixture of criticism, poetry, humor and everyday life found in Balaio Incomum.The lower area presents the title Poema Processo, 30 anos and the indication Releitura gráfico temática de um poema de J. Cardias. The visual composition employs typographic characters in different styles, signs, arrows, geometric forms and a pointing hand. The image functions as a visual reinterpretation and reinforces the direct connection of Moacy Cirne with Poema Processo.The piece is particularly important because it simultaneously documents the memory of the creation of ADUFF and the celebration of the thirtieth anniversary of Poema Processo. It brings together political history, university history, professors union activity, literature, humor, economic criticism, international politics and visual poetry.For cataloguing and indexing, relevant terms include Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XII 1011, October 13 1997, Rio de Janeiro, A ADUFF em seu início, ADUFF, Federal Fluminense University, UFF, Niterói, professors association, university unionism, university movement, military dictatorship, AI 5, political opening, Department of Communication, departmental elections, Bill Clinton, Gustavo Franco, Brazilian Central Bank, public university, Frei Betto, G M Hopkins, J. Cardias, Poema Processo, 30 years of Poema Processo, visual poetry, visual poem, visual communication, Brazilian avant garde and Brazilian political memory.
Inglês
Balaio Incomum, Folha Porreta, issue XII 1011, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on October 13, 1997.
Dimensions: 13 x 8,5 in
