Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 930, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 12 de março de 1997.
Moacy Cirne
04309 - 12 de março de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS
Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 930, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 12 de março de 1997. Intitulada 30 Anos de Rio de Janeiro, a folha apresenta um amplo balanço autobiográfico, cultural e político dos trinta anos transcorridos desde a chegada de Moacy Cirne ao Rio de Janeiro em 12 de março de 1967. O documento reúne memória pessoal, Poema Processo, artes visuais, cinema, literatura, quadrinhos, música, política, resistência à ditadura militar, Universidade Federal Fluminense e acontecimentos centrais da cultura brasileira entre 1967 e os anos 1990.
Moacy Cirne inicia o texto destacando 1967 como ano fundamental. Registra a fundação do Poema Processo no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte e menciona também a Nova Objetividade Brasileira no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A aproximação entre esses dois acontecimentos situa a experiência do Poema Processo no interior de um momento de intensa transformação das vanguardas brasileiras.
O autor constrói um panorama cultural de 1967 com referências ao cinema internacional e brasileiro. São mencionados Crônica de Anna Magdalena Bach, de Jean Marie Straub e Danièle Huillet, A Chinesa, de Jean Luc Godard, e Terra em Transe, de Glauber Rocha. No teatro aparecem O e A, relacionado ao TICA em São Paulo, e O Rei da Vela, encenado pelo Teatro Oficina.
A música também ocupa lugar central nesse panorama. Moacy Cirne registra a Tropicália, com Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros artistas, e menciona Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Na literatura, destaca Quarup, de Antonio Callado. Dessa maneira, 1967 aparece como ponto de convergência entre poesia experimental, artes visuais, cinema novo, teatro, música popular, cultura internacional e literatura brasileira.
Cirne lembra ainda que em 1967 morreram Che Guevara, João Guimarães Rosa e John Coltrane. No texto, esses desaparecimentos são tratados por meio da expressão poética se encantaram, aproximando política, literatura e música em uma memória afetiva do período.
O acontecimento biográfico central ocorreu em 12 de março de 1967, quando Moacy Cirne chegou ao Rio de Janeiro. Ele descreve essa chegada como a de um olhar norte riograndense pousado na Cidade Grande, movido pela vontade de redescobrir o mundo, fazer política, produzir arte e criar artimanhas.
A partir dessa chegada, a folha transforma se numa cronologia pessoal. Cirne afirma que pretende realizar apenas um balanço rápido das experiências que mais diretamente o atingiram, sem a intenção de produzir uma memorialística convencional. O objetivo é relembrar vivências consideradas mais intensas ou iluminadas.
Ainda em 1967, Moacy Cirne registra sua participação no lançamento do Poema Processo. Menciona o contato com obras e pensamentos ligados a Gaston Bachelard e Louis Althusser e recorda ter visto Terra em Transe e Blow Up, de Michelangelo Antonioni. Cinema, teoria e poesia aparecem articulados como elementos de sua formação intelectual.
Em 1968, Cirne recorda a Passeata dos Cem Mil, uma das manifestações mais importantes contra a ditadura militar brasileira. Menciona novamente O Rei da Vela e O e A e registra filmes como Persona, 2001 e A Chinesa. Também menciona Mao e, logo depois, o medo provocado pelo AI 5, marco do endurecimento da repressão durante a ditadura.
Em 1969, a militância política aparece explicitamente. Cirne registra sua atuação política e recorda filmes como O Deserto Vermelho, de Antonioni, e One Plus One, de Godard. O cinema permanece integrado à experiência política e existencial.
O futebol também surge como memória do Rio de Janeiro. Cirne menciona sua primeira experiência no Maracanã e uma partida histórica entre Fluminense e Flamengo, vencida pelo Fluminense por três a dois. A presença do futebol revela como sua autobiografia cultural inclui não apenas as vanguardas e a política, mas também paixões populares cariocas.
Em 1970, Moacy Cirne registra a publicação de seu livro inaugural sobre histórias em quadrinhos no Brasil, A Explosão Criativa dos Quadrinhos, publicado pela Editora Vozes. O título constitui referência fundamental na história dos estudos brasileiros sobre quadrinhos e confirma o papel pioneiro de Cirne na legitimação acadêmica e crítica dessa linguagem.
Nesse mesmo período, Cirne afirma que Althusser, Roland Barthes, Mao e Michel Foucault mobilizavam corações e mentes. A formulação demonstra a importância da teoria marxista, da semiologia, do estruturalismo e da filosofia francesa em seu repertório intelectual.
Em 1971, Moacy Cirne ingressou no Departamento de Comunicação da Universidade Federal Fluminense, UFF. Esse dado é essencial para compreender sua trajetória acadêmica e a ligação entre pesquisa universitária, comunicação, quadrinhos, cinema, poesia e cultura de massa.
Cirne registra também que assumiu a secretaria de redação da Revista de Cultura Vozes. A publicação tornou se outro espaço importante de sua atuação editorial e crítica.
Entre suas memórias cinematográficas do período aparece O Estranho Caminho de Santiago, de Luis Buñuel. A recorrência de Antonioni, Godard, Bergman e Buñuel ao longo de Balaio demonstra a importância estrutural do cinema na formação e no pensamento de Moacy Cirne.
Em 1972, segundo a cronologia da folha, o Poema Processo chega ao fim como movimento organizado. Essa informação possui grande relevância historiográfica porque distingue o encerramento da organização coletiva da continuidade posterior das pesquisas, obras e relações do movimento.
Cirne registra ainda acontecimentos ligados à cultura alternativa e aos quadrinhos, entre eles O Balão, publicação de São Paulo, e Zeferino, personagem de Henfil publicado no Jornal do Brasil. A proximidade entre poesia experimental e quadrinhos alternativos revela a amplitude das vanguardas culturais acompanhadas pelo autor.
Em 1973, Cirne homenageia Pixinguinha, referido como o grande Pixinguinha. Também registra acontecimentos relacionados à PUC e à Ex Poesia, demonstrando a continuidade dos circuitos de poesia experimental após o encerramento formal do Poema Processo.
Em 1974, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro aparece novamente com referência ao Poemação. Ao lado da atividade cultural, Cirne recorda que a ditadura continuava firme e forte, estabelecendo contraste entre criação artística e repressão política.
A folha contém uma formulação particularmente expressiva sobre os anos de chumbo. Cirne recorda a dificuldade daquele período e define os anos da ditadura também como anos de literatura alternativa, cultura alternativa e resistência alternativa.
Essa associação é fundamental para compreender sua perspectiva histórica. A produção experimental não aparece separada da política. Poesia, quadrinhos, cinema, imprensa independente e cultura alternativa são apresentados como formas de resistência cultural.
Em 1975, Moacy Cirne menciona o ciclo de debates do Teatro Casa Grande e o assassinato do jornalista Vladimir Herzog pela ditadura. Recorda ainda que muitos outros brasileiros já haviam sido torturados e assassinados. O documento estabelece assim uma memória explícita da violência do regime militar.
Em 1976, o cinema volta ao centro das recordações com O Passageiro, de Michelangelo Antonioni. Cirne registra também que vários filmes continuavam submetidos à censura, conectando diretamente cinema, repressão e liberdade cultural.
Em 1977, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Cirne registra Assuntina das Américas, de Luiz Rosemberg Filho, classificando a experiência como um impacto. A menção documenta a proximidade intelectual entre Moacy Cirne e Luiz Rosemberg Filho e o interesse comum por cinema experimental e intervenção cultural.
Em 1978, o texto fala de greves e de uma nova esperança para a poesia. A passagem situa a retomada da mobilização social no final da década e relaciona transformação política e renovação cultural.
O ano de 1979 aparece como o ano da anistia, referência decisiva ao processo de abertura política brasileira.
Em 1980, Moacy Cirne registra seu ingresso no Partido dos Trabalhadores e acrescenta que militância é preciso. O dado possui grande importância para compreender suas posições políticas posteriores e numerosas intervenções partidárias publicadas em Balaio Incomum durante a década de 1990.
Também em 1980, o documento menciona Vivaldi e Pixinguinha, com Radamés Gnattali e a Camerata Carioca, demonstrando novamente a amplitude musical do repertório de Cirne e seu interesse por encontros entre música erudita e popular.
Em 1984, Cirne registra um segundo casamento e também o comício das Diretas, associado à ideia de que mudar é preciso. Vida privada e história política aparecem lado a lado, característica essencial da estrutura memorialística desta folha.
Em 1986, registra o nascimento de Ana Morena e a criação do Balaio. Essa informação é fundamental para a cronologia da publicação, pois vincula diretamente o início de Balaio ao ano de 1986.
Em 1989, Moacy Cirne recorda a campanha de Lula para Presidente, que caracteriza como empolgante. A referência estabelece relação direta com sua militância no Partido dos Trabalhadores e com sua participação nas disputas políticas brasileiras da redemocratização.
Em 1990, registra o nascimento de Isadora e a publicação de História e Crítica dos Quadrinhos Brasileiros, outra obra central de sua produção teórica sobre histórias em quadrinhos.
Em 1991, menciona o lançamento de Chico Doido de Caicó no Balaio, aproximando a publicação de suas referências nordestinas, da cultura popular, do humor e da poesia do absurdo.
Em 1992, aparece a campanha pelo impeachment de Fernando Collor, referido satiricamente no texto por uma deformação do sobrenome. Essa formulação confirma o uso recorrente do humor verbal e da sátira política por Moacy Cirne.
A fotografia fornecida termina durante a continuação da cronologia, de modo que os acontecimentos posteriores não podem ser recuperados integralmente a partir desta reprodução. Para uma transcrição documental completa seria necessário examinar a continuação da folha.
Balaio Incomum XI 930 constitui uma fonte primária excepcional para a biografia intelectual de Moacy Cirne. Em uma única página são articulados Poema Processo, Nova Objetividade Brasileira, Cinema Novo, Tropicália, Teatro Oficina, Beatles, Antonio Callado, Che Guevara, Guimarães Rosa, John Coltrane, Passeata dos Cem Mil, AI 5, quadrinhos, Universidade Federal Fluminense, Revista de Cultura Vozes, Museu de Arte Moderna, ditadura militar, Vladimir Herzog, cultura alternativa, Partido dos Trabalhadores, Diretas Já, Lula e a própria criação de Balaio.
Documento essencial para indexação por Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 930, Rio de Janeiro, 12 de março de 1997, 30 Anos de Rio de Janeiro, Poema Processo, 1967, 30 anos do Poema Processo, Nova Objetividade Brasileira, MAM Rio, Neide de Sá, Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Dailor Varela, Gaston Bachelard, Louis Althusser, Roland Barthes, Michel Foucault, Jean Luc Godard, Michelangelo Antonioni, Glauber Rocha, Ingmar Bergman, Luis Buñuel, Teatro Oficina, Tropicália, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Beatles, Antonio Callado, Che Guevara, João Guimarães Rosa, John Coltrane, Passeata dos Cem Mil, AI 5, ditadura militar, Vladimir Herzog, UFF, Universidade Federal Fluminense, Revista de Cultura Vozes, quadrinhos brasileiros, Henfil, Luiz Rosemberg Filho, Partido dos Trabalhadores, PT, Diretas Já, Lula, Balaio e cultura brasileira das décadas de 1960 a 1990.
TEXTO SALSA EM INGLÊS
Balaio Incomum, Folha Porreta, issue XI 930, a publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on March 12, 1997. Entitled 30 Anos de Rio de Janeiro, the sheet presents an extensive autobiographical, cultural and political assessment of the thirty years since Moacy Cirne arrived in Rio de Janeiro on March 12, 1967. The document combines personal memory, Poema Processo, visual arts, cinema, literature, comics, music, politics, resistance to the Brazilian military dictatorship, Universidade Federal Fluminense and major events in Brazilian culture from 1967 through the 1990s.
Moacy Cirne begins by emphasizing 1967 as a fundamental year. He records the foundation of Poema Processo in Rio de Janeiro and Rio Grande do Norte and also mentions Nova Objetividade Brasileira at the Museu de Arte Moderna in Rio de Janeiro. Bringing these events together situates Poema Processo within a moment of intense transformation in the Brazilian avant garde.
Cirne constructs a cultural panorama of 1967 through references to international and Brazilian cinema. The sheet mentions Chronicle of Anna Magdalena Bach by Jean Marie Straub and Danièle Huillet, La Chinoise by Jean Luc Godard and Terra em Transe by Glauber Rocha. In theater it mentions O e A, associated with TICA in São Paulo, and O Rei da Vela by Teatro Oficina.
Music also occupies a central position. Moacy Cirne records Tropicália with Caetano Veloso, Gilberto Gil and other artists and mentions Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band by the Beatles. In literature he highlights Quarup by Antonio Callado. The year 1967 is thus presented as a meeting point for experimental poetry, visual art, Cinema Novo, theater, popular music, international culture and Brazilian literature.
Cirne also remembers that Che Guevara, João Guimarães Rosa and John Coltrane died in 1967. The document refers to these deaths through the poetic expression that they became enchanted, bringing politics, literature and music together within an emotional memory of the period.
The central biographical event occurred on March 12, 1967, when Moacy Cirne arrived in Rio de Janeiro. He describes his arrival as that of a gaze from Rio Grande do Norte landing upon the large city, motivated by the desire to rediscover the world, engage in politics, make art and create strategies of invention.
From this arrival, the sheet develops into a personal chronology. Cirne explains that he intends to offer only a rapid assessment of the experiences that most directly affected him, without attempting to produce conventional memoir writing. His purpose is to remember experiences that were especially intense or illuminating.
Still in 1967, Moacy Cirne records his participation in the launching of Poema Processo. He refers to ideas associated with Gaston Bachelard and Louis Althusser and recalls seeing Terra em Transe and Blow Up by Michelangelo Antonioni. Cinema, theory and poetry appear as interconnected elements of his intellectual formation.
In 1968, Cirne remembers the March of the One Hundred Thousand, one of the major demonstrations against the Brazilian military dictatorship. He again mentions O Rei da Vela and O e A and records films such as Persona, 2001 and La Chinoise. He also mentions Mao and then the fear produced by AI 5, the institutional act that marked a major intensification of political repression.
In 1969, political activism appears explicitly. Cirne records his political participation and remembers films such as The Red Desert by Antonioni and One Plus One by Godard. Cinema remains integrated with political and existential experience.
Football also becomes part of his memory of Rio de Janeiro. Cirne mentions his first experiences at Maracanã and a historic match between Fluminense and Flamengo won by Fluminense by three goals to two. The presence of football shows how his cultural autobiography includes not only avant garde practices and politics but also popular passions of Rio de Janeiro.
In 1970, Moacy Cirne records the publication of his first book on comics in Brazil, A Explosão Criativa dos Quadrinhos, published by Vozes. The book is a fundamental reference in the history of Brazilian comics studies and confirms Cirne's pioneering role in the academic and critical legitimization of the medium.
During the same period, Cirne states that Althusser, Roland Barthes, Mao and Michel Foucault mobilized hearts and minds. This formulation demonstrates the importance of Marxist theory, semiology, structuralism and French philosophy within his intellectual repertoire.
In 1971, Moacy Cirne joined the Department of Communication at Universidade Federal Fluminense, UFF. This information is essential for understanding his academic trajectory and the relationship among university research, communication, comics, cinema, poetry and mass culture.
Cirne also records that he became editorial secretary of Revista de Cultura Vozes. The publication became another important space for his editorial and critical activity.
Among his cinematic memories of the period appears The Milky Way by Luis Buñuel. The recurrence of Antonioni, Godard, Bergman and Buñuel throughout Balaio demonstrates the structural importance of cinema within Moacy Cirne's intellectual formation.
In 1972, according to the chronology on the sheet, Poema Processo came to an end as an organized movement. This statement has major historiographical significance because it distinguishes the end of collective organization from the later continuation of research, works and relationships connected with the movement.
Cirne also records developments in alternative culture and comics, including O Balão from São Paulo and Zeferino by Henfil in Jornal do Brasil. The proximity between experimental poetry and alternative comics reveals the breadth of the cultural avant garde followed by the author.
In 1973, Cirne pays tribute to Pixinguinha, described as the great Pixinguinha. He also records events connected with PUC and Ex Poesia, demonstrating the continuation of experimental poetry circuits after the formal end of Poema Processo.
In 1974, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro appears again through a reference to Poemação. Alongside cultural activity, Cirne recalls that the dictatorship remained firmly in place, creating a contrast between artistic production and political repression.
The sheet contains a particularly powerful formulation concerning the years of lead. Cirne remembers the difficulty of the period and defines the dictatorship years as years of alternative literature, alternative culture and alternative resistance.
This association is fundamental to understanding his historical perspective. Experimental cultural production does not appear separated from politics. Poetry, comics, cinema, independent publishing and alternative culture are presented as forms of cultural resistance.
In 1975, Moacy Cirne mentions the debate series at Teatro Casa Grande and the murder of journalist Vladimir Herzog by the dictatorship. He also remembers that many other Brazilians had already been tortured and killed. The document therefore establishes an explicit memory of political violence under the military regime.
In 1976, cinema again occupies a central place through The Passenger by Michelangelo Antonioni. Cirne also records that several films continued to be censored, directly linking cinema, repression and cultural freedom.
In 1977, at Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Cirne records Assuntina das Américas by Luiz Rosemberg Filho and describes the experience as an impact. The reference documents the intellectual proximity between Moacy Cirne and Luiz Rosemberg Filho and their shared interest in experimental cinema and cultural intervention.
In 1978, the text refers to strikes and renewed hope for poetry. The passage situates the revival of social mobilization at the end of the decade and connects political transformation with cultural renewal.
The year 1979 appears as the year of amnesty, a decisive reference to the process of political opening in Brazil.
In 1980, Moacy Cirne records his entry into the Brazilian Workers Party and adds that political activism is necessary. This detail is particularly important for understanding his later political positions and the numerous partisan interventions published in Balaio Incomum during the 1990s.
Also in 1980, the document mentions Vivaldi and Pixinguinha with Radamés Gnattali and Camerata Carioca, once again demonstrating the breadth of Cirne's musical interests and his appreciation of encounters between classical and popular music.
In 1984, Cirne records a second marriage and also the Diretas political rally, associated with the idea that change is necessary. Private life and political history appear side by side, an essential characteristic of the memoir structure of this sheet.
In 1986, he records the birth of Ana Morena and the creation of Balaio. This information is fundamental to the chronology of the publication because it directly connects the beginning of Balaio with the year 1986.
In 1989, Moacy Cirne remembers Lula's presidential campaign, which he describes as exciting. The reference establishes a direct relationship with his activism in the Brazilian Workers Party and with political disputes during Brazil's redemocratization.
In 1990, he records the birth of Isadora and the publication of História e Crítica dos Quadrinhos Brasileiros, another major work in his theoretical production on comics.
In 1991, he mentions the launch of Chico Doido de Caicó in Balaio, connecting the publication with his Northeastern references, popular culture, humor and absurdist poetry.
In 1992, the campaign for the impeachment of Fernando Collor appears, with the politician's surname satirically altered in the document. This formulation confirms Moacy Cirne's recurring use of verbal humor and political satire.
The supplied photograph ends while the chronology continues, so later events cannot be completely recovered from this reproduction. A complete documentary transcription would require access to the continuation of the sheet.
Balaio Incomum XI 930 is an exceptional primary source for Moacy Cirne's intellectual biography. A single page brings together Poema Processo, Nova Objetividade Brasileira, Cinema Novo, Tropicália, Teatro Oficina, the Beatles, Antonio Callado, Che Guevara, Guimarães Rosa, John Coltrane, the March of the One Hundred Thousand, AI 5, comics, Universidade Federal Fluminense, Revista de Cultura Vozes, Museu de Arte Moderna, the military dictatorship, Vladimir Herzog, alternative culture, the Brazilian Workers Party, Diretas Já, Lula and the creation of Balaio itself.
Relevant indexing terms include Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 930, Rio de Janeiro, March 12, 1997, 30 Anos de Rio de Janeiro, Poema Processo, 1967, thirty years of Poema Processo, Nova Objetividade Brasileira, MAM Rio, Neide de Sá, Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Dailor Varela, Gaston Bachelard, Louis Althusser, Roland Barthes, Michel Foucault, Jean Luc Godard, Michelangelo Antonioni, Glauber Rocha, Ingmar Bergman, Luis Buñuel, Teatro Oficina, Tropicália, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Beatles, Antonio Callado, Che Guevara, João Guimarães Rosa, John Coltrane, March of the One Hundred Thousand, AI 5, Brazilian military dictatorship, Vladimir Herzog, UFF, Universidade Federal Fluminense, Revista de Cultura Vozes, Brazilian comics, Henfil, Luiz Rosemberg Filho, Brazilian Workers Party, PT, Diretas Já, Lula, Balaio and Brazilian culture from the 1960s through the 1990s.
