Home Acervo Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 888, publicação organizada por Moacy Cirne no Rio de Janeiro em 8 de setembro de 1996.

Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 888, publicação organizada por Moacy Cirne no Rio de Janeiro em 8 de setembro de 1996.

Moacy Cirne

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04291 - 8 de setembro de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS

Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 888, publicação organizada por Moacy Cirne no Rio de Janeiro em 8 de setembro de 1996. A folha registra tiragem acumulada de 168.140 cópias e traz como tema principal Poemas e Mais Poemas, Dez Anos de Balaio, constituindo um documento comemorativo dos dez anos de circulação do projeto editorial e poético de Moacy Cirne.

A edição funciona como uma pequena antologia de poesia, reunindo autores brasileiros e estrangeiros, diferentes gerações, registros populares, poesia moderna, poesia contemporânea e traduções. Na página são identificados textos de Murilo Mendes, Cacaso, Moacy Cirne, Zé Limeira, Chico Doido de Caicó, Marot e La Fontaine. Na margem inferior também aparece o início de uma seção dedicada a Edmond Jabès, cuja continuação não está integralmente visível na imagem apresentada.

O primeiro núcleo apresenta Murilo Mendes e o poema A mulher do fim do mundo, indicado como proveniente de Metade pássaro, em O visionário. O texto trabalha imagens de forte caráter surreal e lírico, associando a figura feminina a roseiras, estátuas, poetas, luz, pedra, tempestade, sonhos e rio. A escolha evidencia o diálogo de Balaio Incomum com a tradição da poesia moderna brasileira e com uma escrita marcada pela invenção imagética.

Outro núcleo é dedicado a Cacaso. O poema apresentado parte de Meu coração e é identificado como pertencente a Poesia jovem, anos 70. A composição mobiliza referências políticas e sociais, utilizando imagens de ameaça, vigilância, violência e militarização. A presença de centuriões, sentinelas e referências ao território brasileiro amplia o sentido crítico e aproxima o texto da experiência histórica da geração que produziu poesia durante a ditadura militar.

Moacy Cirne participa da própria edição com um poema datado de 1996. A composição é construída pela repetição de formas possessivas e pelo desejo dirigido ao corpo, à paisagem, à memória e à linguagem. Horizontes, incêndios, crepúsculos, silêncios, gemidos, morangos, sonhos, desejos, planícies, auroras, acácias, luas, carnes e palavras formam uma sequência de imagens líricas e sensoriais. A inclusão de um poema autoral reforça a natureza simultaneamente editorial, crítica e criativa de Balaio Incomum.

A página apresenta ainda Zé Limeira, importante referência da poesia popular nordestina e do universo do absurdo poético. O texto combina personagens históricos, religiosos e geográficos de maneira deliberadamente anacrônica, reunindo Nossa Senhora, Ruy Barbosa, Judas, Noé, Princesa Isabel e o Novo Testamento. A lógica baseada em encontros impossíveis, alterações temporais e humor constitui uma característica essencial do imaginário associado a Zé Limeira.

Em diálogo direto com esse universo aparece Chico Doido de Caicó. Seu poema menciona Zé Limeira, Bodocongó, Campina, Caicó, Guarabira e Sapé, articulando referências do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Personagens religiosos e históricos surgem novamente em situações improváveis, incluindo Cristo, Princesa Isabel e referências ao xaxado. A inclusão desses poemas evidencia o interesse de Moacy Cirne pelas manifestações populares nordestinas e pelas formas poéticas fundadas no humor, no disparate e na oralidade.

A seção dedicada a Marot apresenta O monge e a velha, em tradução de José Paulo Paes. O poema emprega humor erótico e narrativa satírica envolvendo um monge e uma mulher junto ao rio. A publicação coloca essa tradição erótica e irreverente em contato com os demais registros poéticos reunidos na folha.

La Fontaine aparece com Epigrama, também em tradução de José Paulo Paes. O texto aborda amor, desejo, prazer e sexualidade de maneira direta e jocosa, reafirmando a abertura editorial de Balaio Incomum para uma poesia sem hierarquias rígidas entre cultura erudita, humor, erotismo, experimentalismo e tradição popular.

A reunião de Murilo Mendes, Cacaso, Moacy Cirne, Zé Limeira, Chico Doido de Caicó, Marot, La Fontaine e Edmond Jabès revela a amplitude cultural do projeto Balaio Incomum. A publicação aproxima modernismo, poesia marginal, poesia popular nordestina, poesia erótica, tradução literária e produção contemporânea, criando uma rede de referências que corresponde ao próprio conceito de balaio como espaço de mistura, circulação e encontro.

Documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, poesia brasileira, poesia visual, poesia experimental, Poema Processo, literatura marginal, poesia popular nordestina, Zé Limeira, Cacaso, Murilo Mendes, Chico Doido de Caicó, José Paulo Paes, Marot, La Fontaine, Edmond Jabès, literatura brasileira dos anos 1990, publicações independentes, periódicos alternativos e história da poesia no Brasil.

TEXTO SALSA EM INGLÊS

Balaio Incomum, Folha Porreta, issue XI 888, publication organized by Moacy Cirne in Rio de Janeiro on September 8, 1996. The sheet records a cumulative circulation of 168,140 copies and presents Poemas e Mais Poemas, Dez Anos de Balaio as its central theme, making it a commemorative document marking ten years of Moacy Cirne's editorial and poetic project.

The issue functions as a small poetry anthology, bringing together Brazilian and international authors, different generations, popular traditions, modern poetry, contemporary poetry and literary translation. The page identifies works by Murilo Mendes, Cacaso, Moacy Cirne, Zé Limeira, Chico Doido de Caicó, Marot and La Fontaine. At the lower edge there is also the beginning of a section dedicated to Edmond Jabès, although its continuation is not fully visible in the supplied image.

The first section presents Murilo Mendes and the poem A mulher do fim do mundo, identified as originating from Metade pássaro in O visionário. The poem develops strongly surreal and lyrical imagery, connecting the female figure with roses, statues, poets, light, stone, storms, dreams and the river. Its inclusion demonstrates the dialogue between Balaio Incomum and the tradition of Brazilian modern poetry.

Another section is dedicated to Cacaso. The poem begins with Meu coração and is identified as coming from Poesia jovem, anos 70. The composition mobilizes political and social references through images of threat, surveillance, violence and militarization. References to sentinels and Brazilian territory reinforce its critical dimension and connect the poem with the historical experience of a generation writing during the military dictatorship.

Moacy Cirne contributes a poem dated 1996. The composition is structured through repetition and desire directed toward body, landscape, memory and language. Horizons, fires, twilight, silence, dreams, desires, plains, dawns, trees, moons, bodies and words create a sequence of lyrical and sensory images. The inclusion of his own work reinforces the simultaneous editorial, critical and creative character of Balaio Incomum.

The page also presents Zé Limeira, an important figure associated with Northeastern Brazilian popular poetry and poetic absurdity. His text deliberately combines historical, religious and geographical figures in impossible chronological relationships, bringing together Nossa Senhora, Ruy Barbosa, Judas, Noah, Princess Isabel and the New Testament. This logic of impossible encounters, altered chronology and humor is central to the poetic universe associated with Zé Limeira.

In direct dialogue with this tradition appears Chico Doido de Caicó. His poem refers to Zé Limeira, Bodocongó, Campina, Caicó, Guarabira and Sapé, connecting places in Rio Grande do Norte and Paraíba. Religious and historical characters again appear in improbable situations, including Christ, Princess Isabel and references to xaxado. The inclusion of these poems demonstrates Moacy Cirne's interest in Northeastern Brazilian popular culture, oral traditions, humor and poetic absurdity.

The section devoted to Marot presents O monge e a velha in a translation by José Paulo Paes. The poem employs erotic humor and satirical narrative involving a monk and a woman beside a river. Its presence places an irreverent European poetic tradition in dialogue with the various forms of poetry assembled in the publication.

La Fontaine appears with Epigrama, also translated by José Paulo Paes. The text addresses love, desire, pleasure and sexuality in a direct and humorous manner, reaffirming the editorial openness of Balaio Incomum toward poetry without rigid divisions among high culture, humor, eroticism, experimentation and popular traditions.

The combination of Murilo Mendes, Cacaso, Moacy Cirne, Zé Limeira, Chico Doido de Caicó, Marot, La Fontaine and Edmond Jabès demonstrates the cultural breadth of the Balaio Incomum project. The publication connects Brazilian modern poetry, marginal poetry, Northeastern popular poetry, erotic poetry, literary translation and contemporary writing, creating a network of references consistent with the idea of a balaio as a space for mixture, circulation and encounter.

This document is relevant to research on Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, Brazilian poetry, visual poetry, experimental poetry, Poema Processo, marginal literature, Northeastern Brazilian popular poetry, Zé Limeira, Cacaso, Murilo Mendes, Chico Doido de Caicó, José Paulo Paes, Marot, La Fontaine, Edmond Jabès, Brazilian literature of the 1990s, independent publishing, alternative periodicals and the history of poetry in Brazil