Home Acervo Balaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1089, Ano XIII, quinta edição, datado de 30 de setembro de 1998

Balaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1089, Ano XIII, quinta edição, datado de 30 de setembro de 1998

Moacy Cirne

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Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede

Acervo: 04398

Data: 30 de Setembro de 1998

Dimensões: 33 x 21,5 cm

Texto Salsa em portuguêsBalaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1089, Ano XIII, quinta edição, datado de 30 de setembro de 1998. Esta versão apresenta uma composição visual colorida diretamente relacionada à história do Poema Processo e à produção de Neide Dias de Sá. Na parte inferior da página aparece a identificação Era uma vez um poema processo..., versão número 4, a partir de Poemãos, de Neide Dias de Sá, seguida pela autoria de Moacy Cirne. A legenda estabelece de maneira explícita uma relação entre a criação de Cirne e Poemãos, obra vinculada à pesquisa visual de Neide Dias de Sá e às experiências fundamentais do Poema Processo.A composição ocupa praticamente toda a superfície da página e é estruturada por linhas horizontais, verticais, diagonais e curvas, além de círculos, elipses, retângulos e formas abertas que se cruzam, se sobrepõem e criam diferentes zonas de tensão gráfica. O desenho constrói uma espécie de rede visual na qual não existe um único percurso de leitura. O observador pode seguir as linhas, acompanhar as formas circulares, identificar cruzamentos, intervalos e zonas de concentração, produzindo uma leitura espacial em vez de uma leitura exclusivamente verbal.Esta versão distingue se pela presença de áreas coloridas que introduzem pontos de intensidade dentro da estrutura predominantemente formada por linhas negras sobre fundo claro. Um retângulo vertical amarelo ocupa a região superior esquerda do campo central. Outros elementos amarelos aparecem distribuídos na parte inferior e lateral da composição, incluindo pequenas formas ovais e uma grande elipse situada à direita. Na parte inferior direita surge uma grande forma oval vermelha acompanhada por um pequeno elemento amarelo. O emprego seletivo do amarelo e do vermelho estabelece contrastes visuais e cria focos de atenção que reorganizam a circulação do olhar pela página.A distribuição dessas áreas coloridas não elimina a estrutura linear, mas atua sobre ela como outro sistema de informação visual. Linhas e cores convivem como signos independentes e complementares. A grande quantidade de elipses e círculos cria ritmos de expansão e repetição, enquanto retângulos e linhas ortogonais introduzem estruturas de contenção. Curvas livres atravessam áreas mais regulares e produzem uma tensão entre geometria, gesto, cálculo e improvisação.A legenda Era uma vez um poema processo... transforma a própria história do movimento em matéria de criação. A expressão Era uma vez aproxima a narrativa tradicional da memória de uma vanguarda artística iniciada em 1967. Ao mesmo tempo, a indicação versão número 4 reafirma um dos conceitos centrais do Poema Processo, a possibilidade de uma obra ser retomada, transformada, recriada e desenvolvida através de novas versões.A referência a Poemãos, de Neide Dias de Sá, é particularmente significativa. No contexto do Poema Processo, a versão não funciona apenas como reprodução de uma obra anterior, mas como operação criativa que estabelece relações entre autores, signos, estruturas e possibilidades de leitura. Moacy Cirne utiliza a obra de Neide Dias de Sá como ponto de partida para uma nova configuração visual, demonstrando a continuidade das práticas experimentais do movimento mais de trinta anos depois de seu surgimento.Balaio Incomum 1089 documenta a permanência do Poema Processo no final da década de 1990 e o diálogo continuado entre Moacy Cirne e Neide Dias de Sá. A peça articula poesia visual, arte gráfica, experimentação espacial, cor, geometria, signo, processo, versão, participação do observador e memória das vanguardas brasileiras. Constitui documento importante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos, Poema Processo, poesia visual brasileira, arte experimental, comunicação visual, semiótica, linguagem gráfica, processos de versão, vanguarda brasileira, história da poesia experimental e circulação independente de arte e poesia por meio do Balaio Incomum e da Folha Porreta.Salsa text in EnglishBalaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, number 1089, Year XIII, fifth edition, dated 30 September 1998. This version presents a colored visual composition directly connected with the history of Poema Processo and the work of Neide Dias de Sá. At the bottom of the page appears the identification Once upon a time there was a poema processo..., version number 4, based on Poemãos by Neide Dias de Sá, followed by the name of Moacy Cirne. The caption explicitly establishes a relationship between the creation of Cirne and Poemãos, a work connected with the visual research of Neide Dias de Sá and with fundamental experiments of Poema Processo.The composition occupies almost the entire surface of the page and is structured by horizontal, vertical, diagonal and curved lines, together with circles, ellipses, rectangles and open forms that cross and overlap, creating different zones of graphic tension. The drawing constructs a visual network in which there is no single reading path. The viewer may follow the lines, observe the circular forms, identify crossings, intervals and areas of concentration, producing a spatial reading rather than an exclusively verbal one.This version is distinguished by the presence of colored areas that introduce points of intensity within a structure otherwise dominated by black lines on a light background. A vertical yellow rectangle occupies the upper left area of the central field. Other yellow elements are distributed throughout the lower and lateral portions of the composition, including small oval forms and a large ellipse positioned on the right. In the lower right area appears a large red oval accompanied by a small yellow element. The selective use of yellow and red creates strong visual contrasts and establishes focal points that reorganize the movement of the eye across the page.These colored areas do not replace the linear structure but operate within it as another system of visual information. Lines and colors coexist as independent and complementary signs. The large number of ellipses and circles produces rhythms of expansion and repetition, while rectangles and orthogonal lines introduce structures of containment. Free curves cross more regular areas and create a tension between geometry, gesture, calculation and improvisation.The caption Once upon a time there was a poema processo... transforms the history of the movement itself into creative material. The expression Once upon a time connects the traditional language of storytelling with the memory of an artistic avant garde movement initiated in 1967. At the same time, the indication version number 4 reaffirms one of the central concepts of Poema Processo, the possibility that a work may be resumed, transformed, recreated and developed through new versions.The reference to Poemãos by Neide Dias de Sá is particularly significant. Within the context of Poema Processo, a version does not function merely as a reproduction of an earlier work but as a creative operation that establishes relationships among authors, signs, structures and possibilities of reading. Moacy Cirne uses the work of Neide Dias de Sá as a starting point for a new visual configuration, demonstrating the continuity of the experimental practices of the movement more than thirty years after its emergence.Balaio Incomum 1089 documents the persistence of Poema Processo at the end of the 1990s and the continuing dialogue between Moacy Cirne and Neide Dias de Sá. The piece brings together visual poetry, graphic art, spatial experimentation, color, geometry, sign, process, version, viewer participation and the memory of the Brazilian avant garde. It is an important document for research on Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental art, visual communication, semiotics, graphic language, processes of versioning, Brazilian avant garde movements, the history of experimental poetry and the independent circulation of art and poetry through Balaio Incomum and Folha Porreta.

Texto de observação em portuguêsDocumento impresso correspondente ao Balaio Incomum número 1089, Ano XIII, Folha Porreta, de Moacy Cirne, quinta edição, datado de 30 de setembro de 1998. A folha apresenta uma composição visual formada principalmente por linhas negras e por intervenções cromáticas em amarelo e vermelho. A legenda inferior identifica a obra como Era uma vez um poema processo..., versão número 4, a partir de Poemãos, de Neide Dias de Sá, com autoria de Moacy Cirne.A identificação impressa é fundamental para a catalogação porque estabelece uma relação documental direta entre Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos e o Poema Processo. O emprego da palavra versão possui relevância histórica dentro do movimento, no qual diferentes participantes podiam transformar uma proposição visual original e criar novos desdobramentos a partir de sua estrutura, de seus signos ou de seu princípio gerador.A composição apresenta grande concentração de linhas horizontais e verticais na metade superior, atravessadas por diagonais e curvas. Círculos e elipses aparecem em diferentes escalas e posições. Retângulos e estruturas lineares criam áreas semelhantes a módulos ou campos sobrepostos. Na metade inferior aumenta a presença de curvas e formas ovais, produzindo uma estrutura visual mais aberta e dinâmica.A cor aparece de maneira seletiva. Um retângulo vertical amarelo destaca se na região superior esquerda da composição. Uma grande elipse amarela encontra se à direita. Outras pequenas formas amarelas estão distribuídas na parte inferior. Uma grande elipse vermelha ocupa a região inferior direita e é acompanhada por uma pequena forma amarela. A economia cromática aumenta a intensidade desses elementos e estabelece contrastes com o desenho linear em preto.A leitura não depende de palavras organizadas em versos ou frases. O documento propõe uma leitura por deslocamento do olhar, relações espaciais, sobreposição, ritmo, direção, forma e cor. Essa organização está vinculada às pesquisas do Poema Processo sobre comunicação não verbal, estrutura visual, participação e abandono da dependência exclusiva da palavra como suporte poético.O caráter de versão também transforma a peça em documento de uma prática coletiva e intertextual. A obra original de Neide Dias de Sá é indicada como matriz para a intervenção de Moacy Cirne, permitindo compreender a criação como continuidade de um processo e não como objeto encerrado em uma forma definitiva. Essa lógica é fundamental para compreender a noção de processo presente no próprio nome do movimento.A presença desta composição no Balaio Incomum demonstra ainda que o periódico funcionava como espaço de circulação da memória e das práticas do Poema Processo décadas depois de 1967. Moacy Cirne utiliza a Folha Porreta não apenas para textos de crítica política, cinema e cultura, mas também para experiências gráficas diretamente relacionadas à vanguarda da qual participou.Para fins de pesquisa e indexação, o documento possui relação direta com Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos, Poema Processo, Balaio Incomum, Folha Porreta, poesia visual, poema visual, arte gráfica, versão, experimentação, cor, geometria, círculo, elipse, linha, comunicação visual, semiótica, participação, vanguarda brasileira, poesia experimental, arte brasileira do século XX e história do Poema Processo.Observation text in EnglishPrinted document corresponding to Balaio Incomum number 1089, Year XIII, Folha Porreta, by Moacy Cirne, fifth edition, dated 30 September 1998. The sheet presents a visual composition formed mainly by black lines with chromatic interventions in yellow and red. The lower caption identifies the work as Once upon a time there was a poema processo..., version number 4, based on Poemãos by Neide Dias de Sá, with the version attributed to Moacy Cirne.The printed identification is fundamental for cataloguing because it establishes a direct documentary relationship among Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos and Poema Processo. The use of the word version has particular historical importance within the movement, in which different participants could transform an original visual proposition and create new developments from its structure, signs or generative principle.The composition contains a dense concentration of horizontal and vertical lines in its upper half, crossed by diagonals and curves. Circles and ellipses appear in different sizes and positions. Rectangles and linear structures create areas resembling overlapping modules or visual fields. In the lower half, curved and oval forms become increasingly prominent, producing a more open and dynamic visual structure.Color is used selectively. A vertical yellow rectangle stands out in the upper left area of the composition. A large yellow ellipse appears on the right. Other smaller yellow forms are distributed throughout the lower area. A large red ellipse occupies the lower right region and is accompanied by a small yellow form. The restricted chromatic vocabulary intensifies these elements and creates strong contrast with the black linear drawing.Reading does not depend on words arranged as conventional verses or sentences. The document proposes reading through movement of the eye, spatial relationships, superimposition, rhythm, direction, form and color. This organization is closely connected with Poema Processo research into nonverbal communication, visual structure, participation and the rejection of exclusive dependence on words as the support of poetic experience.The status of the work as a version also transforms the piece into a document of collective and intertextual practice. The original work by Neide Dias de Sá is identified as the matrix for the intervention by Moacy Cirne, making it possible to understand creation as the continuation of a process rather than as an object fixed in a definitive form. This logic is fundamental to the concept of process contained in the name of the movement itself.The presence of this composition in Balaio Incomum also demonstrates that the periodical functioned as a space for the circulation of the memory and practices of Poema Processo decades after 1967. Moacy Cirne used Folha Porreta not only for texts on political criticism, cinema and culture, but also for graphic experiments directly connected with the avant garde movement in which he participated.For research and indexing purposes, the document is directly associated with Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos, Poema Processo, Balaio Incomum, Folha Porreta, visual poetry, visual poem, graphic art, version, experimentation, color, geometry, circle, ellipse, line, visual communication, semiotics, participation, Brazilian avant garde, experimental poetry, twentieth century Brazilian art and the history of Poema Processo.


Inglês

Balaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, number 1089, Year XIII, fifth edition, dated 30 September 1998.

Dimensions: 13 x 8,5 in