Balaio Incomun, Folha Porreta, X 831, é uma publicação autoral de Moacy Cirne realizada no Rio de Janeiro em 1996. O exemplar integra a série comemorativa 1986 1996, Dez anos de Balaio, identificada nesta folha como número 21.
Moacy Cirne
04270 - 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 831, é uma publicação autoral de Moacy Cirne realizada no Rio de Janeiro em 1996. O exemplar integra a série comemorativa 1986 1996, Dez anos de Balaio, identificada nesta folha como número 21. A publicação reúne cinema político, crítica à política brasileira, listas de filmes escolhidos por intelectuais ligados à Universidade Federal do Rio de Janeiro e uma referência final ao poeta Mário Quintana. O documento evidencia a amplitude do pensamento crítico de Moacy Cirne e sua permanente articulação entre cinema, política, literatura, comunicação, cultura de massa e debate intelectual.
A primeira seção recebe o título Dez Grandes Filmes Políticos e apresenta uma seleção de obras consideradas por Cirne fundamentais para a relação entre cinema, história, revolução, autoritarismo e transformação social.
A lista começa com O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, de 1925, seguido de Outubro, também de Eisenstein, de 1927. Em terceiro lugar aparece O Fim de São Petersburgo, de Vsevolod Pudovkin, de 1927, e em quarto Tempestade sobre a Ásia, também de Pudovkin, de 1928.
A quinta posição é ocupada por La Hora de los Hornos, de Fernando Solanas, de 1968, importante referência do cinema político latino americano. Em seguida aparece One Plus One, de Jean Luc Godard, de 1968. A sétima posição é ocupada por Terra em Transe, de Glauber Rocha, de 1967, colocando o Cinema Novo brasileiro no centro da seleção política de Moacy Cirne.
Completam a relação Salò, de Pier Paolo Pasolini, de 1975, Memória do Subdesenvolvimento, de Tomás Gutiérrez Alea, de 1968, e Danton, O Processo da Revolução, de Andrzej Wajda, de 1982. A seleção articula cinema soviético, cinema latino americano, Cinema Novo, cinema francês, cinema italiano e cinema polonês, formando uma genealogia internacional de filmes relacionados a revolução, poder, luta política, colonialismo, autoritarismo e crítica social.
A presença de Terra em Transe entre os dez grandes filmes políticos é particularmente significativa. Moacy Cirne situa Glauber Rocha ao lado de Eisenstein, Pudovkin, Solanas, Godard, Pasolini, Alea e Wajda, reafirmando a importância internacional do Cinema Novo e do pensamento político presente na obra de Glauber.
A seção seguinte, intitulada Medíocres e Autoritários, apresenta um texto de crítica política ao governo brasileiro da época. Moacy Cirne menciona Fernando Henrique Cardoso, Bresser Pereira, Pedro Malan, José Serra e Paulo Renato, associando esses nomes às políticas econômicas, universitárias e trabalhistas então em discussão.
Cirne critica o neoliberalismo e o que considera tentativas de enfraquecimento do sindicalismo combativo. O texto estabelece uma comparação crítica entre determinadas práticas políticas daquele momento e a repressão exercida anteriormente pelos militares. A universidade pública também aparece como tema central, com críticas às ações que Cirne entendia como ameaças à instituição e à autonomia universitária.
O texto termina defendendo a continuidade da luta por cidadania e dignidade. A passagem constitui documento importante para compreender a posição política assumida por Moacy Cirne durante a década de 1990 e a maneira como Balaio Incomun funcionava também como espaço de intervenção crítica sobre acontecimentos contemporâneos.
A seção Cinema, Os Melhores Filmes apresenta inicialmente uma seleção de Maria Cristina Franco Ferraz, do Rio de Janeiro, identificada como professora do Departamento de Comunicação da UFRJ.
Entre suas escolhas aparecem Cidadão Kane, de Orson Welles, Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman, Viver, de Akira Kurosawa, Limite, de Mário Peixoto, No Tempo das Diligências, de John Ford, Uma Mulher é uma Mulher, de Jean Luc Godard, Alice nas Cidades, de Wim Wenders e A Lei do Desejo, de Pedro Almodóvar.
A seleção continua com Julius Caesar, de Joseph L. Mankiewicz, Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa, Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock, A Grande Ilusão, de Jean Renoir, O Incrível Exército de Brancaleone, de Mario Monicelli, As Férias do Sr. Hulot, de Jacques Tati e Cantando na Chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen.
Também aparecem Providence, de Alain Resnais, Intriga Internacional, de Alfred Hitchcock, A Paixão de Joana d Arc, de Carl Theodor Dreyer, Andrei Rublev, de Andrei Tarkovski, O Boulevard do Crime, de Marcel Carné, uma referência adicional a um filme de Jacques Tati e A Mulher do Lado, de François Truffaut.
A inclusão de Limite, de Mário Peixoto, é especialmente importante por colocar uma obra fundamental do cinema experimental brasileiro em diálogo com Welles, Bergman, Kurosawa, Godard, Wenders, Hitchcock, Renoir, Resnais, Dreyer, Tarkovski e Truffaut.
Outra seleção é atribuída a Afonso Henriques Neto, identificado como poeta e professor do Departamento de Comunicação da UFRJ. Entre suas escolhas aparecem Metrópolis, de Fritz Lang, Napoleão, de Abel Gance, Limite, de Mário Peixoto, O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, A Regra do Jogo, de Jean Renoir e Cidadão Kane, de Orson Welles.
A relação prossegue com Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini, Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman, Vagas Estrelas da Ursa, de Luchino Visconti, O Evangelho Segundo Mateus, de Pier Paolo Pasolini, O Deserto Vermelho, de Michelangelo Antonioni, Oito e Meio, de Federico Fellini e Pierrot le Fou, de Jean Luc Godard.
O cinema brasileiro reaparece com Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, e Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos. Também são relacionados Tempos Modernos, de Charles Chaplin, 25, associado na folha a Lucas e José Celso, Ano Passado em Marienbad e Hiroshima Meu Amor, de Alain Resnais, e O Anjo Exterminador, de Luis Buñuel.
A presença simultânea de Limite, Deus e o Diabo na Terra do Sol e Vidas Secas demonstra a valorização do cinema brasileiro dentro de uma perspectiva histórica internacional. Mário Peixoto, Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos são colocados em diálogo com Lang, Gance, Eisenstein, Renoir, Welles, Rossellini, Bergman, Visconti, Pasolini, Antonioni, Fellini, Godard, Chaplin, Resnais e Buñuel.
Na parte inferior da folha aparece uma pequena seção dedicada a Mário Quintana, contendo a formulação de que há um grande silêncio que está sempre à escuta. A presença de Quintana introduz uma dimensão poética e contemplativa depois das extensas discussões sobre cinema e política.
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 831 documenta a maneira como Moacy Cirne utilizava sua publicação como espaço simultaneamente crítico, cinematográfico, político e literário. A folha reúne Cinema Novo, cinema político internacional, crítica ao neoliberalismo, discussão sobre sindicalismo e universidade pública, cultura cinematográfica da UFRJ e poesia brasileira.
O exemplar constitui fonte relevante para pesquisas e indexação sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Dez anos de Balaio, cinema político, Cinema Novo, Glauber Rocha, Terra em Transe, Sergei Eisenstein, Vsevolod Pudovkin, Fernando Solanas, Jean Luc Godard, Pier Paolo Pasolini, Tomás Gutiérrez Alea, Andrzej Wajda, Fernando Henrique Cardoso, Bresser Pereira, Pedro Malan, José Serra, Paulo Renato, neoliberalismo, sindicalismo, universidade pública, UFRJ, Maria Cristina Franco Ferraz, Afonso Henriques Neto, Mário Peixoto, Limite, Nelson Pereira dos Santos, Mário Quintana, cinema brasileiro, crítica cultural e produção independente brasileira.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 831, is an authorial publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro in 1996. The issue belongs to the commemorative series 1986 1996, Dez anos de Balaio, and is identified on this sheet as number 21. The publication combines political cinema, criticism of Brazilian politics, film selections made by intellectuals connected with the Federal University of Rio de Janeiro and a final reference to poet Mário Quintana. The document demonstrates the breadth of Moacy Cirnes critical thought and his constant connection between cinema, politics, literature, communication, mass culture and intellectual debate.
The first section is entitled Dez Grandes Filmes Políticos and presents a selection of works considered fundamental to the relationship among cinema, history, revolution, authoritarianism and social transformation.
The list begins with Battleship Potemkin by Sergei Eisenstein from 1925, followed by October, also by Eisenstein, from 1927. The third film is The End of St. Petersburg by Vsevolod Pudovkin from 1927, followed by Storm Over Asia, also by Pudovkin, from 1928.
The fifth position is occupied by La Hora de los Hornos by Fernando Solanas from 1968, an important reference in Latin American political cinema. It is followed by One Plus One by Jean Luc Godard from 1968. The seventh position belongs to Terra em Transe by Glauber Rocha from 1967, placing Brazilian Cinema Novo at the center of Moacy Cirnes political film selection.
The list is completed by Salò by Pier Paolo Pasolini from 1975, Memories of Underdevelopment by Tomás Gutiérrez Alea from 1968 and Danton by Andrzej Wajda from 1982. The selection connects Soviet cinema, Latin American cinema, Cinema Novo, French cinema, Italian cinema and Polish cinema, creating an international genealogy of films concerned with revolution, power, political struggle, colonialism, authoritarianism and social criticism.
The presence of Terra em Transe among the ten major political films is particularly significant. Moacy Cirne places Glauber Rocha alongside Eisenstein, Pudovkin, Solanas, Godard, Pasolini, Alea and Wajda, reinforcing the international importance of Cinema Novo and the political thought present in Glaubers work.
The next section, entitled Medíocres e Autoritários, presents a critical text on Brazilian politics of the period. Moacy Cirne mentions Fernando Henrique Cardoso, Bresser Pereira, Pedro Malan, José Serra and Paulo Renato, connecting these figures with economic, university and labor policies then under debate.
Cirne criticizes neoliberalism and what he considers attempts to weaken militant trade unionism. The text establishes a critical comparison between certain contemporary political practices and repression previously exercised by the military. The public university is also a central subject, with criticism of actions Cirne regarded as threats to the institution and to university autonomy.
The text concludes by defending the continuation of struggles for citizenship and dignity. This passage is an important document for understanding Moacy Cirnes political position during the 1990s and the way Balaio Incomun also operated as a space for critical intervention in contemporary events.
The section Cinema, Os Melhores Filmes initially presents a selection by Maria Cristina Franco Ferraz from Rio de Janeiro, identified as a professor in the Department of Communication at UFRJ.
Her selections include Citizen Kane by Orson Welles, Wild Strawberries by Ingmar Bergman, Ikiru by Akira Kurosawa, Limite by Mário Peixoto, Stagecoach by John Ford, A Woman Is a Woman by Jean Luc Godard, Alice in the Cities by Wim Wenders and The Law of Desire by Pedro Almodóvar.
The selection continues with Julius Caesar by Joseph L. Mankiewicz, Seven Samurai by Akira Kurosawa, Rear Window by Alfred Hitchcock, Grand Illusion by Jean Renoir, The Incredible Army of Brancaleone by Mario Monicelli, Monsieur Hulots Holiday by Jacques Tati and Singin in the Rain by Gene Kelly and Stanley Donen.
Also included are Providence by Alain Resnais, North by Northwest by Alfred Hitchcock, The Passion of Joan of Arc by Carl Theodor Dreyer, Andrei Rublev by Andrei Tarkovsky, Children of Paradise by Marcel Carné, an additional reference to a film by Jacques Tati and The Woman Next Door by François Truffaut.
The inclusion of Limite by Mário Peixoto is particularly important because it places a fundamental work of Brazilian experimental cinema in dialogue with Welles, Bergman, Kurosawa, Godard, Wenders, Hitchcock, Renoir, Resnais, Dreyer, Tarkovsky and Truffaut.
Another selection is attributed to Afonso Henriques Neto, identified as a poet and professor in the Department of Communication at UFRJ. His choices include Metropolis by Fritz Lang, Napoleon by Abel Gance, Limite by Mário Peixoto, Battleship Potemkin by Sergei Eisenstein, The Rules of the Game by Jean Renoir and Citizen Kane by Orson Welles.
The list continues with Rome, Open City by Roberto Rossellini, Wild Strawberries by Ingmar Bergman, Vaghe Stelle dell Orsa by Luchino Visconti, The Gospel According to St. Matthew by Pier Paolo Pasolini, Red Desert by Michelangelo Antonioni, 8½ by Federico Fellini and Pierrot le Fou by Jean Luc Godard.
Brazilian cinema appears again with Deus e o Diabo na Terra do Sol by Glauber Rocha and Vidas Secas by Nelson Pereira dos Santos. Also listed are Modern Times by Charles Chaplin, 25, associated on the sheet with Lucas and José Celso, Last Year at Marienbad and Hiroshima Mon Amour by Alain Resnais and The Exterminating Angel by Luis Buñuel.
The simultaneous presence of Limite, Deus e o Diabo na Terra do Sol and Vidas Secas demonstrates the importance attributed to Brazilian cinema within an international historical perspective. Mário Peixoto, Glauber Rocha and Nelson Pereira dos Santos are placed in dialogue with Lang, Gance, Eisenstein, Renoir, Welles, Rossellini, Bergman, Visconti, Pasolini, Antonioni, Fellini, Godard, Chaplin, Resnais and Buñuel.
At the bottom of the sheet a brief section is dedicated to Mário Quintana and presents the idea that there is a great silence that is always listening. The presence of Quintana introduces a poetic and contemplative dimension after the extensive discussions of cinema and politics.
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 831 documents the way Moacy Cirne used his publication as a simultaneously critical, cinematic, political and literary space. The sheet brings together Cinema Novo, international political cinema, criticism of neoliberalism, debate about trade unionism and public universities, film culture at UFRJ and Brazilian poetry.
The issue is relevant for research and indexing on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Dez anos de Balaio, political cinema, Cinema Novo, Glauber Rocha, Terra em Transe, Sergei Eisenstein, Vsevolod Pudovkin, Fernando Solanas, Jean Luc Godard, Pier Paolo Pasolini, Tomás Gutiérrez Alea, Andrzej Wajda, Fernando Henrique Cardoso, Bresser Pereira, Pedro Malan, José Serra, Paulo Renato, neoliberalism, trade unionism, public universities, UFRJ, Maria Cristina Franco Ferraz, Afonso Henriques Neto, Mário Peixoto, Limite, Nelson Pereira dos Santos, Mário Quintana, Brazilian cinema, cultural criticism and independent Brazilian publishing.
