Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, X 882, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 6 de agosto de 1996.

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 882, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 6 de agosto de 1996.

Moacy Cirne

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04288 - 6 de agosto de 1996. - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 882, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 6 de agosto de 1996. O documento apresenta os resultados da ampla enquete Cinema, Os melhores filmes, segundo os leitores do Balaio, organizada por Moacy Cirne a partir da participação de 174 cinéfilos. A folha constitui uma fonte excepcional para o estudo da recepção cinematográfica no Brasil dos anos 1990, reunindo dados quantitativos sobre filmes e diretores mais citados e registrando a presença expressiva do cinema brasileiro, do Cinema Novo e de obras modernas e experimentais.

O primeiro lugar da classificação é ocupado por Cidadão Kane, de Orson Welles, Estados Unidos, 1941. Em seguida aparecem Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, Brasil, 1964, Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais, França, 1959, O encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, União Soviética, 1925, Morangos silvestres, de Ingmar Bergman, Suécia, 1957, Amarcord, de Federico Fellini, Itália, 1973, Acossado, de Jean Luc Godard, França, 1959, 2001 uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick, Inglaterra, 1968, Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos, Brasil, 1963, e Blow Up, de Michelangelo Antonioni, produção ítalo britânica de 1966.

A presença de Deus e o diabo na terra do sol em segundo lugar é um dado de grande importância para a história da recepção do Cinema Novo. A obra de Glauber Rocha aparece à frente de diversos clássicos consagrados internacionalmente, demonstrando o peso do cinema brasileiro dentro do repertório cultural dos participantes da enquete de Balaio Incomun.

A classificação prossegue com Tempos modernos, de Charles Chaplin, Janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, Terra em transe, de Glauber Rocha, Cantando na chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen, Ano passado em Marienbad, de Alain Resnais, Rocco e seus irmãos, de Luchino Visconti, A marca da maldade, de Orson Welles, Oito e meio, de Federico Fellini, A aventura, de Michelangelo Antonioni, e A grande ilusão, de Jean Renoir.

Também aparecem entre os trinta primeiros Pierrot le fou, de Jean Luc Godard, Vertigo, também conhecido como Um corpo que cai, de Alfred Hitchcock, O anjo exterminador, de Luis Buñuel, A regra do jogo, de Jean Renoir, Em busca do ouro, de Charles Chaplin, O homem que matou o facínora, de John Ford, Blade Runner, o caçador de androides, de Ridley Scott, A bela da tarde, de Luis Buñuel, Teorema, de Pier Paolo Pasolini, e No tempo das diligências, de John Ford.

O conjunto forma um panorama expressivo do cânone cinematográfico compartilhado pelos leitores e colaboradores de Balaio Incomun. Cinema clássico norte americano, expressionismo, cinema soviético, nouvelle vague francesa, neorrealismo e cinema moderno italiano, cinema sueco, Cinema Novo brasileiro, cinema de autor e ficção científica aparecem lado a lado.

Além de Deus e o diabo na terra do sol, Vidas secas e Terra em transe, a folha apresenta uma relação específica dos filmes brasileiros mais citados. Entre eles estão Limite, de Mario Peixoto, Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, O bandido da luz vermelha, de Rogério Sganzerla, Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, Ganga bruta, de Humberto Mauro, O cangaceiro, de Lima Barreto, e São Bernardo, de Leon Hirszman.

Esse grupo possui especial relevância para a história do cinema brasileiro. Mario Peixoto, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Rogério Sganzerla, Humberto Mauro, Lima Barreto e Leon Hirszman representam diferentes momentos da modernização, experimentação e consolidação artística do cinema nacional. A enquete registra, portanto, uma memória cinematográfica brasileira que não se limita ao Cinema Novo, mas incorpora o cinema moderno, o cinema marginal e experiências anteriores fundamentais.

A folha apresenta ainda a classificação Os diretores mais citados. Orson Welles ocupa a primeira posição com 143 citações. Federico Fellini aparece com 135, Ingmar Bergman com 128, Luis Buñuel com 105, Jean Luc Godard com 102, Glauber Rocha com 100, Michelangelo Antonioni com 99, Alain Resnais com 98, Charles Chaplin com 96 e Akira Kurosawa com 81.

Na sequência aparecem Alfred Hitchcock com 79 citações, John Ford com 75, Luchino Visconti com 69, Stanley Kubrick com 68, Sergei Eisenstein com 64, Nelson Pereira dos Santos com 60, Jean Renoir com 51, Woody Allen com 49, Bernardo Bertolucci com 47 e Pier Paolo Pasolini também com 47.

O resultado de Glauber Rocha é especialmente significativo. Com 100 citações, ele aparece como o sexto diretor mais mencionado de toda a pesquisa, à frente de nomes como Antonioni, Resnais, Chaplin, Kurosawa, Hitchcock, Ford, Visconti, Kubrick e Eisenstein. Nelson Pereira dos Santos também ocupa posição expressiva, com 60 citações. Esses números demonstram a forte presença do cinema brasileiro no universo crítico dos participantes de Balaio Incomun.

O próprio documento informa que participaram da enquete 174 cinéfilos. Entre eles estavam 58 poetas e escritores, 12 artistas, 44 professores, 17 estudantes e 8 críticos de cinema, além de participantes de outras atividades. Essa composição revela que a pesquisa não foi limitada ao campo profissional da crítica cinematográfica, mas reuniu uma comunidade cultural ampla formada por escritores, artistas, acadêmicos, estudantes e espectadores interessados em cinema.

A enquete possui importância especial dentro da trajetória de Moacy Cirne. Participante do Poema Processo, crítico de quadrinhos, pesquisador da comunicação, escritor e estudioso da cultura de massa, Cirne transformou Balaio Incomun em instrumento de levantamento cultural e construção coletiva de repertórios. A classificação cinematográfica de X 882 permite observar quantitativamente os valores estéticos compartilhados por uma ampla rede de interlocutores.

A predominância de Welles, Fellini, Bergman, Buñuel, Godard, Glauber Rocha, Antonioni e Resnais aponta para um repertório fortemente marcado pelo cinema moderno e pelas experiências de transformação da linguagem cinematográfica. A alta posição de obras como Cidadão Kane, Deus e o diabo na terra do sol, Hiroshima, meu amor, O encouraçado Potemkin, Acossado, 2001 uma odisseia no espaço, Terra em transe, Ano passado em Marienbad e Blow Up confirma essa orientação.

Balaio Incomun X 882 constitui uma fonte primária fundamental para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, cinema, história do cinema, crítica cinematográfica, recepção cinematográfica, enquete de cinema, cinefilia brasileira, Cinema Novo, cinema brasileiro, Glauber Rocha, Deus e o diabo na terra do sol, Terra em transe, Nelson Pereira dos Santos, Vidas secas, Mario Peixoto, Limite, Joaquim Pedro de Andrade, Macunaíma, Rogério Sganzerla, O bandido da luz vermelha, Humberto Mauro, Ganga bruta, Lima Barreto, O cangaceiro, Leon Hirszman, São Bernardo, Orson Welles, Federico Fellini, Ingmar Bergman, Luis Buñuel, Jean Luc Godard, Michelangelo Antonioni, Alain Resnais, Charles Chaplin, Akira Kurosawa, Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, Sergei Eisenstein, cultura visual, Poema Processo e cultura brasileira dos anos 1990.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 882, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 6 August 1996. The document presents the results of the extensive survey Cinema, The Best Films According to Balaio Readers, organized by Moacy Cirne with the participation of 174 cinephiles. The sheet is an exceptional primary source for studying film reception in Brazil during the 1990s, providing quantitative information on the most frequently cited films and directors and documenting the strong presence of Brazilian cinema, Cinema Novo and modern and experimental filmmaking.

Citizen Kane by Orson Welles, United States, 1941, occupies first place in the ranking. It is followed by Black God White Devil by Glauber Rocha, Brazil, 1964, Hiroshima mon amour by Alain Resnais, France, 1959, Battleship Potemkin by Sergei Eisenstein, Soviet Union, 1925, Wild Strawberries by Ingmar Bergman, Sweden, 1957, Amarcord by Federico Fellini, Italy, 1973, Breathless by Jean Luc Godard, France, 1959, 2001 A Space Odyssey by Stanley Kubrick, United Kingdom, 1968, Barren Lives by Nelson Pereira dos Santos, Brazil, 1963, and Blow Up by Michelangelo Antonioni, an Italian and British production from 1966.

The position of Black God White Devil in second place is particularly important for the history of Cinema Novo reception. Glauber Rocha's film appears ahead of many internationally established classics, demonstrating the importance of Brazilian cinema within the cultural repertoire of participants in the Balaio Incomun survey.

The ranking continues with Modern Times by Charles Chaplin, Rear Window by Alfred Hitchcock, Entranced Earth by Glauber Rocha, Singin in the Rain by Gene Kelly and Stanley Donen, Last Year at Marienbad by Alain Resnais, Rocco and His Brothers by Luchino Visconti, Touch of Evil by Orson Welles, Eight and a Half by Federico Fellini, L Avventura by Michelangelo Antonioni, and Grand Illusion by Jean Renoir.

Also among the first thirty films are Pierrot le fou by Jean Luc Godard, Vertigo by Alfred Hitchcock, The Exterminating Angel by Luis Buñuel, The Rules of the Game by Jean Renoir, The Gold Rush by Charles Chaplin, The Man Who Shot Liberty Valance by John Ford, Blade Runner by Ridley Scott, Belle de Jour by Luis Buñuel, Teorema by Pier Paolo Pasolini, and Stagecoach by John Ford.

Together these films form a revealing panorama of the cinematic canon shared by Balaio Incomun readers and contributors. Classical American cinema, Soviet cinema, the French New Wave, modern Italian cinema, Swedish cinema, Brazilian Cinema Novo, auteur filmmaking and science fiction appear within the same cultural field.

In addition to Black God White Devil, Barren Lives and Entranced Earth, the sheet contains a specific list of other Brazilian films receiving significant numbers of citations. These include Limite by Mario Peixoto, Macunaíma by Joaquim Pedro de Andrade, The Red Light Bandit by Rogério Sganzerla, Memories of Prison by Nelson Pereira dos Santos, Ganga Bruta by Humberto Mauro, O cangaceiro by Lima Barreto, and São Bernardo by Leon Hirszman.

This group is particularly important for Brazilian film history. Mario Peixoto, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Rogério Sganzerla, Humberto Mauro, Lima Barreto and Leon Hirszman represent different moments in the modernization, experimentation and artistic consolidation of Brazilian cinema. The survey therefore records a Brazilian cinematic memory extending beyond Cinema Novo to modern cinema, marginal cinema and earlier foundational experiments.

The sheet also presents a ranking entitled The Most Frequently Cited Directors. Orson Welles occupies first place with 143 citations. Federico Fellini follows with 135, Ingmar Bergman with 128, Luis Buñuel with 105, Jean Luc Godard with 102, Glauber Rocha with 100, Michelangelo Antonioni with 99, Alain Resnais with 98, Charles Chaplin with 96 and Akira Kurosawa with 81.

They are followed by Alfred Hitchcock with 79 citations, John Ford with 75, Luchino Visconti with 69, Stanley Kubrick with 68, Sergei Eisenstein with 64, Nelson Pereira dos Santos with 60, Jean Renoir with 51, Woody Allen with 49, Bernardo Bertolucci with 47 and Pier Paolo Pasolini also with 47.

Glauber Rocha's result is particularly significant. With 100 citations, he is the sixth most frequently mentioned director in the entire survey, ahead of Antonioni, Resnais, Chaplin, Kurosawa, Hitchcock, Ford, Visconti, Kubrick and Eisenstein. Nelson Pereira dos Santos also occupies an important position with 60 citations. These figures demonstrate the strong presence of Brazilian cinema within the critical universe represented by Balaio Incomun.

The document itself states that 174 cinephiles participated in the survey. Among them were 58 poets and writers, 12 artists, 44 professors, 17 students and 8 film critics, together with participants from other professional and cultural backgrounds. This composition demonstrates that the survey was not limited to professional film criticism but involved a broader cultural community of writers, artists, academics, students and cinema enthusiasts.

The survey has particular importance within Moacy Cirne's intellectual trajectory. As a participant in Poema Processo, comics critic, communication researcher, writer and scholar of mass culture, Cirne transformed Balaio Incomun into an instrument for cultural mapping and collective repertoire building. The cinematic classification recorded in X 882 makes it possible to observe quantitatively the aesthetic values shared by a broad network of contributors.

The prominence of Welles, Fellini, Bergman, Buñuel, Godard, Glauber Rocha, Antonioni and Resnais points toward a repertoire strongly shaped by modern cinema and by experiments that transformed cinematic language. The high positions of Citizen Kane, Black God White Devil, Hiroshima mon amour, Battleship Potemkin, Breathless, 2001 A Space Odyssey, Entranced Earth, Last Year at Marienbad and Blow Up reinforce this orientation.

Balaio Incomun X 882 is a fundamental primary source for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, cinema, film history, film criticism, film reception, film surveys, Brazilian cinephilia, Cinema Novo, Brazilian cinema, Glauber Rocha, Black God White Devil, Entranced Earth, Nelson Pereira dos Santos, Barren Lives, Mario Peixoto, Limite, Joaquim Pedro de Andrade, Macunaíma, Rogério Sganzerla, The Red Light Bandit, Humberto Mauro, Ganga Bruta, Lima Barreto, O cangaceiro, Leon Hirszman, São Bernardo, Orson Welles, Federico Fellini, Ingmar Bergman, Luis Buñuel, Jean Luc Godard, Michelangelo Antonioni, Alain Resnais, Charles Chaplin, Akira Kurosawa, Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, Sergei Eisenstein, visual culture, Poema Processo and Brazilian culture in the 1990s.