Balaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1093, Ano XIII, publicado no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1998
Moacy Cirne
Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede
Acervo: 04401
Data: 29 de setembro de 1998
Dimensões: 33 x 21,5 cm
Texto Salsa em portuguêsBalaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1093, Ano XIII, publicado no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1998, com tiragem acumulada de 203.500 cópias. A edição reúne dois núcleos principais, a Pesquisa Databalaio para Assuntos Metafísicos e a Autobiografia Porreta, compondo uma página marcada pelo humor, pela sátira política, pela paródia cultural, pela invenção autobiográfica e pela crítica aos meios de comunicação e à vida pública brasileira no final da década de 1990.A Pesquisa Databalaio para Assuntos Metafísicos utiliza o formato de questionário de múltipla escolha para construir uma sequência de provocações humorísticas. As perguntas misturam política, religião, televisão, cultura de massas, drogas, comportamento, quadrinhos, literatura, celebridades e personagens públicos. A primeira questão pergunta qual seria a droga mais prejudicial à saúde e apresenta respostas que aproximam heroína, crack, coca cola, LSD, Fernando Henrique Cardoso e Antônio Carlos Magalhães. A associação converte nomes da política brasileira em elementos de uma sátira sobre poder, dependência, governo e comportamento social.A segunda pergunta procura identificar o pior político brasileiro de todos os tempos e aproxima figuras de diferentes momentos históricos, como Garrastazu Médici, Fernando Collor de Mello, Jânio Quadros, Castelo Branco, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney. O procedimento constrói uma genealogia satírica da política brasileira, aproximando ditadura militar, redemocratização, governos civis e disputas partidárias por meio de combinações deliberadamente absurdas.A terceira questão pergunta qual seria o religioso mais cretino do país e cita Eugênio Sales, Edir Macedo, Paulo Maluf no papel de César Maia e Fernando Henrique Cardoso no papel de Antônio Carlos Magalhães. A mistura de lideranças religiosas e figuras políticas reforça a crítica à religião institucionalizada, ao poder e à teatralidade da vida pública.A quarta pergunta apresenta repetidamente a revista Caras como opção para a revista mais infame publicada entre os brasileiros, fazendo da repetição um recurso de humor e crítica à cultura de celebridades. A quinta questão oferece diferentes deformações satíricas do nome de Fernando Henrique Cardoso para perguntar quem seria o político mais escroto do país. O efeito é construído pela manipulação verbal do nome presidencial e pela caricatura linguística.A sexta e a sétima perguntas tratam de preferências amorosas masculinas e femininas. São citadas as mulheres de Manara, personagens de quadrinhos, Sheila Carvalho, Ratinho, Margarida, Pato Donald, Batman, Harrison Ford e Márcia Goldschmidt. A justaposição de personagens fictícios, apresentadores de televisão, celebridades e referências eróticas reforça o caráter de colagem cultural e humorístico do Balaio.Ao final da pesquisa, Moacy Cirne apresenta um sistema de respostas que, conforme determinadas escolhas, permitiria ao leitor concorrer a uma assinatura do Balaio até o ano 2036, quando a publicação, segundo a piada, finalmente chegaria ao oitavo número. A ironia sobre a própria periodicidade e longevidade do jornal funciona como autorreferência e como comentário sobre a natureza independente e artesanal da publicação.A segunda grande seção da página, Autobiografia Porreta, apresenta uma autobiografia ficcional e paródica de Moacy Cirne. O autor afirma ter nascido em Jardim dos Caiçós, no sertão seridoense, 43 anos antes da invasão do Brasil pelos portugueses. Diz ser cabra da peste e parente de Lampião, Corisco, Antônio Silvino e Maria Bonita, afirmando ter aprendido com eles a ser poeta e cangaceiro. A construção mistura memória regional, história do Nordeste, cangaço, exagero, absurdo e identidade cultural.Na sequência, Cirne afirma ter vivido em Marte, Júpiter, Saturno e Solaris, ter se tornado amigo do rei e de Manuel Bandeira, ter dormido com as mulheres que desejou e ter conhecido personagens de universos históricos, religiosos, literários e ficcionais. Menciona o Criador, a Grande Explosão Fundante, Cristo, Bach, Mozart, Jesus e Carlos de Cima, articulando ciência, religião, música, literatura e invenção autobiográfica.A autobiografia também menciona a biblioteca de Jardim dos Caiçós, o big bang dos quadrinhos, a poesia, o poema do Rio Grande do Nordeste, São Saruê e outros temas ligados à trajetória intelectual e afetiva de Moacy Cirne. No final, o autor afirma que sua obra de maior sucesso é Os Lusíadas, durante anos equivocadamente atribuída a Luiz Vaz de Camões, concluindo que esse autor nunca teria existido segundo supostos documentos da história literária de Portugal. O encerramento transforma a tradição literária portuguesa em matéria de paródia e consolida o caráter deliberadamente falso, fantástico e humorístico da autobiografia.Balaio Incomum 1093 constitui documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Folha Porreta, Balaio Incomum, humor brasileiro, sátira política, política brasileira dos anos 1990, Fernando Henrique Cardoso, Antônio Carlos Magalhães, Garrastazu Médici, Fernando Collor de Mello, Jânio Quadros, Castelo Branco, José Sarney, Edir Macedo, Eugênio Sales, Paulo Maluf, César Maia, cultura de massas, televisão brasileira, revista Caras, quadrinhos, Manara, cangaço, Lampião, Corisco, Antônio Silvino, Maria Bonita, sertão do Seridó, Manuel Bandeira, Bach, Mozart, Os Lusíadas, Camões, poesia experimental, autobiografia ficcional, paródia literária, imprensa alternativa e produção intelectual ligada ao Poema Processo.Salsa text in EnglishBalaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, number 1093, Year XIII, published in Rio de Janeiro on 29 September 1998, with a cumulative circulation of 203,500 copies. The issue is organized around two main sections, the Databalaio Survey for Metaphysical Matters and the Porreta Autobiography, creating a page marked by humor, political satire, cultural parody, invented autobiography and criticism of the media and Brazilian public life at the end of the 1990s.The Databalaio Survey for Metaphysical Matters uses the format of a multiple choice questionnaire to construct a sequence of humorous provocations. The questions combine politics, religion, television, mass culture, drugs, behavior, comics, literature, celebrities and public figures. The first question asks which drug would be most harmful to health and presents answers that bring together heroin, crack, Coca Cola, LSD, Fernando Henrique Cardoso and Antônio Carlos Magalhães. The association transforms political names into elements of a satire about power, dependence, government and social behavior.The second question asks who would be the worst Brazilian politician of all time and combines figures from different historical periods, including Garrastazu Médici, Fernando Collor de Mello, Jânio Quadros, Castelo Branco, Fernando Henrique Cardoso and José Sarney. The procedure creates a satirical genealogy of Brazilian politics, connecting military dictatorship, democratic transition, civilian governments and party disputes through deliberately absurd combinations.The third question asks who would be the most ridiculous religious figure in the country and mentions Eugênio Sales, Edir Macedo, Paulo Maluf in the role of César Maia and Fernando Henrique Cardoso in the role of Antônio Carlos Magalhães. The mixture of religious leaders and political figures reinforces the criticism of institutional religion, power and the theatrical character of public life.The fourth question repeatedly presents the magazine Caras as the answer to the most infamous magazine published among Brazilians, using repetition as a device for humor and criticism of celebrity culture. The fifth question offers several satirical distortions of the name Fernando Henrique Cardoso in order to ask who would be the most offensive politician in the country. The effect is created through verbal manipulation of the presidential name and linguistic caricature.The sixth and seventh questions concern male and female romantic preferences. They mention the women of Manara, comic book characters, Sheila Carvalho, Ratinho, Margarida, Donald Duck, Batman, Harrison Ford and Márcia Goldschmidt. The juxtaposition of fictional characters, television presenters, celebrities and erotic references reinforces the character of cultural collage and humor typical of Balaio.At the end of the survey, Moacy Cirne presents a system of answers according to which certain choices would allow the reader to compete for a subscription to Balaio until the year 2036, when the publication, according to the joke, would finally produce its eighth issue. The irony about the publication itself functions as self reference and as a comment on the independent and handmade nature of the periodical.The second major section of the page, Porreta Autobiography, presents a fictional and parodic autobiography of Moacy Cirne. The author claims to have been born in Jardim dos Caiçós, in the Seridó hinterland, 43 years before the Portuguese invasion of Brazil. He describes himself as a cabra da peste and a relative of Lampião, Corisco, Antônio Silvino and Maria Bonita, stating that he learned from them how to become both poet and cangaceiro. The construction combines regional memory, Northeastern Brazilian history, cangaço, exaggeration, absurdity and cultural identity.Cirne then claims to have lived on Mars, Jupiter, Saturn and Solaris, to have become a friend of the king and of Manuel Bandeira, to have slept with the women he desired and to have known characters from historical, religious, literary and fictional universes. He mentions the Creator, the Founding Big Bang, Christ, Bach, Mozart, Jesus and Carlos de Cima, bringing together science, religion, music, literature and autobiographical invention.The autobiography also mentions the library of Jardim dos Caiçós, the big bang of comics, poetry, the poem of Rio Grande do Nordeste, São Saruê and other themes connected with the intellectual and emotional trajectory of Moacy Cirne. At the end, the author claims that his greatest success is Os Lusíadas, for many years mistakenly attributed to Luiz Vaz de Camões, concluding that this author never existed according to supposed documents of Portuguese literary history. The ending transforms the Portuguese literary tradition into material for parody and confirms the deliberately false, fantastic and humorous nature of the autobiography.Balaio Incomum 1093 is an important document for research on Moacy Cirne, Folha Porreta, Balaio Incomum, Brazilian humor, political satire, Brazilian politics of the 1990s, Fernando Henrique Cardoso, Antônio Carlos Magalhães, Garrastazu Médici, Fernando Collor de Mello, Jânio Quadros, Castelo Branco, José Sarney, Edir Macedo, Eugênio Sales, Paulo Maluf, César Maia, mass culture, Brazilian television, Caras magazine, comics, Manara, cangaço, Lampião, Corisco, Antônio Silvino, Maria Bonita, the Seridó region, Manuel Bandeira, Bach, Mozart, Os Lusíadas, Camões, experimental poetry, fictional autobiography, literary parody, alternative publishing and intellectual production associated with Poema Processo.
exto de observação em portuguêsDocumento impresso em preto e branco correspondente ao Balaio Incomum número 1093, Ano XIII, Folha Porreta, de Moacy Cirne, publicado no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1998. A página registra tiragem acumulada de 203.500 exemplares e reúne dois conjuntos textuais de grande interesse documental, a Pesquisa Databalaio para Assuntos Metafísicos e a Autobiografia Porreta.A primeira parte utiliza sete perguntas de múltipla escolha para construir uma sátira da política, religião, mídia, televisão e cultura de massas. São citados Fernando Henrique Cardoso, Antônio Carlos Magalhães, Garrastazu Médici, Collor de Mello, Jânio Quadros, Castelo Branco, José Sarney, Eugênio Sales, Edir Macedo, Paulo Maluf e César Maia. A presença desses nomes situa o documento dentro do debate político brasileiro dos anos 1990, mas também cria relações com a ditadura militar, a redemocratização e diferentes momentos da história política nacional.A pesquisa menciona ainda Caras, Manara, Sheila Carvalho, Ratinho, Margarida, Pato Donald, Batman, Harrison Ford e Márcia Goldschmidt. O cruzamento entre política, personagens de quadrinhos, televisão e celebridades revela uma das estratégias recorrentes de Moacy Cirne, a construção de uma montagem verbal em que referências de campos culturais distintos são colocadas lado a lado para produzir ironia, crítica e deslocamento de sentido.A Autobiografia Porreta ocupa a parte inferior da página e constitui uma forma de autobiografia inventada. Moacy Cirne funde dados ligados ao sertão seridoense com acontecimentos impossíveis, personagens históricos, cangaceiros, figuras religiosas, músicos, escritores e referências cósmicas. Jardim dos Caiçós, Lampião, Corisco, Antônio Silvino, Maria Bonita, Marte, Júpiter, Saturno, Solaris, Manuel Bandeira, Bach, Mozart, Cristo e o big bang aparecem em uma narrativa deliberadamente anacrônica e fantástica.O recurso ao cangaço e ao sertão do Seridó reforça elementos importantes da identidade cultural presente na obra de Moacy Cirne. Ao mesmo tempo, a incorporação de personagens universais, ciência, religião, música e literatura transforma a autobiografia em colagem de referências e em paródia do próprio gênero autobiográfico.O encerramento com Os Lusíadas e Luiz Vaz de Camões é particularmente significativo. Ao afirmar falsamente ser autor do poema e sugerir a inexistência de Camões, Moacy Cirne desloca um dos símbolos centrais do cânone literário em língua portuguesa. A passagem funciona como comentário humorístico sobre autoria, autoridade cultural, história literária e construção de cânones.A página apresenta, portanto, múltiplos níveis de leitura. Pode ser analisada como documento de imprensa alternativa, registro político, sátira eleitoral, crítica da mídia, autobiografia ficcional, humor nordestino, paródia literária e experimento de linguagem. Também se relaciona à trajetória de Moacy Cirne como poeta, crítico, pesquisador de quadrinhos, teórico e participante do Poema Processo.Para fins de catalogação e indexação, o documento deve ser associado a Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1998, Autobiografia Porreta, Pesquisa Databalaio para Assuntos Metafísicos, Fernando Henrique Cardoso, Antônio Carlos Magalhães, política brasileira, ditadura militar, cultura de massas, televisão, quadrinhos, Manara, cangaço, Lampião, Corisco, Antônio Silvino, Maria Bonita, Seridó, Manuel Bandeira, Bach, Mozart, Os Lusíadas, Luiz Vaz de Camões, autobiografia ficcional, sátira, paródia, poesia experimental, imprensa alternativa, humor brasileiro e Poema Processo.Observation text in EnglishBlack and white printed document corresponding to Balaio Incomum number 1093, Year XIII, Folha Porreta, by Moacy Cirne, published in Rio de Janeiro on 29 September 1998. The page records a cumulative circulation of 203,500 copies and brings together two textual groups of considerable documentary interest, the Databalaio Survey for Metaphysical Matters and the Porreta Autobiography.The first section uses seven multiple choice questions to construct a satire of politics, religion, media, television and mass culture. It mentions Fernando Henrique Cardoso, Antônio Carlos Magalhães, Garrastazu Médici, Collor de Mello, Jânio Quadros, Castelo Branco, José Sarney, Eugênio Sales, Edir Macedo, Paulo Maluf and César Maia. The presence of these names places the document within Brazilian political debate of the 1990s while also creating connections with the military dictatorship, democratic transition and different moments in national political history.The survey also mentions Caras, Manara, Sheila Carvalho, Ratinho, Margarida, Donald Duck, Batman, Harrison Ford and Márcia Goldschmidt. The crossing of politics, comic book characters, television and celebrities reveals one of the recurring strategies of Moacy Cirne, the construction of a verbal montage in which references from different cultural fields are placed side by side to produce irony, criticism and shifts in meaning.The Porreta Autobiography occupies the lower part of the page and constitutes a form of invented autobiography. Moacy Cirne combines elements connected with the Seridó hinterland with impossible events, historical characters, cangaceiros, religious figures, musicians, writers and cosmic references. Jardim dos Caiçós, Lampião, Corisco, Antônio Silvino, Maria Bonita, Mars, Jupiter, Saturn, Solaris, Manuel Bandeira, Bach, Mozart, Christ and the big bang appear within a deliberately anachronistic and fantastic narrative.The use of cangaço and the Seridó hinterland reinforces important elements of the cultural identity present in the work of Moacy Cirne. At the same time, the inclusion of universal figures, science, religion, music and literature transforms the autobiography into a collage of references and a parody of the autobiographical genre itself.The ending involving Os Lusíadas and Luiz Vaz de Camões is especially significant. By falsely claiming authorship of the poem and suggesting that Camões never existed, Moacy Cirne displaces one of the central symbols of the Portuguese language literary canon. The passage functions as a humorous commentary on authorship, cultural authority, literary history and the construction of canons.The page therefore presents multiple levels of interpretation. It may be studied as a document of alternative publishing, political record, electoral satire, media criticism, fictional autobiography, Northeastern Brazilian humor, literary parody and language experimentation. It is also connected with the trajectory of Moacy Cirne as poet, critic, comics researcher, theorist and participant in Poema Processo.For cataloguing and indexing purposes, the document should be associated with Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, Rio de Janeiro, 29 September 1998, Porreta Autobiography, Databalaio Survey for Metaphysical Matters, Fernando Henrique Cardoso, Antônio Carlos Magalhães, Brazilian politics, military dictatorship, mass culture, television, comics, Manara, cangaço, Lampião, Corisco, Antônio Silvino, Maria Bonita, Seridó, Manuel Bandeira, Bach, Mozart, Os Lusíadas, Luiz Vaz de Camões, fictional autobiography, satire, parody, experimental poetry, alternative publishing, Brazilian humor and Poema Processo.
Inglês
Balaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, number 1093, Year XIII, published in Rio de Janeiro on 29 September 1998
Dimensions: 13 x 8,5 in
