Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1026, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, outubro de 1997
Moacy Cirne
04375 - Outubro de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1026, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, outubro de 1997. Sob o título Nossas Preferências Musicais, a edição apresenta uma extensa seleção pessoal de gravações de jazz e música popular brasileira, organizada por Moacy Cirne como um panorama de suas referências musicais fundamentais. O documento funciona como fonte direta para a reconstrução de seu universo de escuta, de seus critérios de escolha e das relações entre música, crítica cultural, memória e formação intelectual.
A primeira parte é dedicada ao jazz e está organizada em três grupos de gravações. John Coltrane ocupa posição central, aparecendo com A Love Supreme, de 1964, Crescent, de 1964, My Favorite Things, de 1960, Blue Train, de 1957, Coltrane Live at the Village Vanguard, de 1961, além de participações em outras gravações. Essa recorrência demonstra a importância de Coltrane na formação musical de Moacy Cirne e o coloca entre os nomes centrais de sua discografia pessoal.
Miles Davis aparece com Kind of Blue, de 1959, em gravação com John Coltrane, Bill Evans e outros músicos, e com Birth of the Cool, gravado entre 1949 e 1950, com Gerry Mulligan e Max Roach. A presença dessas obras mostra o interesse de Cirne por diferentes momentos do jazz moderno, do bebop às experiências modais e às transformações que antecederam o cool jazz.
The Quintet Jazz at Massey Hall, de 1953, reúne Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Charles Mingus e Max Roach e aparece como uma das gravações essenciais da seleção. Saxophone Colossus, de 1956, de Sonny Rollins, também integra o primeiro grupo, evidenciando o interesse de Cirne pelos grandes saxofonistas do jazz moderno.
No segundo grupo aparecem novamente John Coltrane, Sonny Rollins, Duke Ellington, Charles Mingus e Bud Powell. Freedom Suite, de 1958, de Sonny Rollins, surge com Max Roach e outros músicos. Money Jungle, de 1962, reúne Duke Ellington, Charles Mingus e Max Roach. Pithecanthropus Erectus, de 1956, destaca Charles Mingus. The Amazing Bud Powell, de 1949, apresenta Bud Powell, enquanto My Favorite Things confirma a recorrência de Coltrane.
O terceiro conjunto amplia significativamente o panorama histórico. Charlie Parker aparece em Jazz at the Philharmonic 1946 e Jam Session, de 1952. Thelonious Monk é representado por The Unique Thelonious Monk, de 1956, e Genius of Modern Music, de 1951. Ornette Coleman aparece com Free Jazz, de 1960, acompanhado por Eric Dolphy, Charlie Haden e outros músicos. Eric Dolphy surge ainda com Out to Lunch, de 1964, com Freddie Hubbard e outros.
Duke Ellington aparece em Ellington at Newport, de 1956, com Paul Gonsalves, e em Sophisticated Lady, em registros da década de 1940. Art Tatum está presente com The Art Tatum Solo Masterpieces. Sonny Rollins aparece ainda em Tenor Madness, de 1956, com John Coltrane. Dave Brubeck surge com Time Out, de 1959, acompanhado por Paul Desmond. Dizzy Gillespie é lembrado por A Portrait of Duke Ellington, de 1960.
A seleção também recupera nomes fundamentais das origens e da consolidação do jazz, como Louis Armstrong e Billie Holiday. Armstrong aparece através de The Hot Fives, registros realizados entre 1925 e 1928, enquanto Billie Holiday surge com The Quintessential Billie Holiday, relacionado a gravações da primeira metade da década de 1940. Assim, Moacy Cirne constrói um arco histórico que vai das primeiras décadas do jazz aos processos de experimentação e ruptura dos anos 1950 e 1960.
A segunda parte da edição é dedicada à Música Popular Brasileira e também se organiza em três conjuntos. A seleção revela especial atenção ao choro, à música instrumental brasileira, ao samba, à canção popular e às experiências ligadas à Tropicália.
No primeiro grupo aparece Vivaldi e Pixinguinha, de 1980, de Radamés Gnattali com a Camerata Carioca, trabalho que aproxima tradição erudita e música popular brasileira. Jacob do Bandolim aparece com Vibrações, de 1967. Paulinho da Viola surge com Memórias Chorando, de 1976. Luperce Miranda é lembrado por História de um Bandolim, de 1974. Hermeto Pascoal aparece com A Música Livre de Hermeto Pascoal, de 1973.
No segundo grupo, Jacob do Bandolim retorna com Choros, Valsas, Tangos e Polcas, de 1959. Pixinguinha aparece com Som Pixinguinha, de 1971, acompanhado por Altamiro Carrilho e outros músicos. Radamés Gnattali e Camerata Carioca surgem novamente em Tributo a Jacob do Bandolim, de 1980.
Luiz Gonzaga é representado por 50 Anos de Chão, gravação associada ao período de 1947 a 1950. Waldir Azevedo aparece com Um Cavaquinho Acontece, de 1960. Canhoto da Paraíba surge com Pisando em Brasa, de 1993. Altamiro Carrilho aparece em Choros Imortais, de 1964.
Henrique Annes é citado juntamente com Oficina de Cordas de Pernambuco, registro de 1989. Nana Vasconcelos aparece com Saudades, de 1979. Paulo Moura é representado por ConSertão, de 1982, ao lado de Artur Moreira Lima e Heraldo do Monte. Radamés Gnattali e Camerata Carioca aparecem novamente em Uma Rosa para Pixinguinha, de 1983, com Elizeth Cardoso. Sivuca e Rosinha de Valença são lembrados em gravação de 1977. Caetano Veloso aparece com Velô, de 1984.
No terceiro conjunto, Paulinho da Viola retorna com Cartola Bate Outra Vez, de 1988, e Eu Canto Samba, também de 1988. Cantoria 2, de 1984, reúne Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai. Abel Ferreira aparece com Brasil, Sax e Clarineta, de 1976. Paulo Moura e Raphael Rabello surgem juntos em Dois Irmãos, de 1992.
Mistura e Manda, de 1983, reúne Paulo Moura, Joel Nascimento, Raphael Rabello e outros músicos. João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, de 1980, representa João Gilberto. Paulinho da Viola aparece ainda com Foi um Rio que Passou em Minha Vida, de 1970. Pixinguinha de Novo, de 1975, surge com Altamiro Carrilho e Carlos Poyares.
João Pernambuco, de 1982, é lembrado por meio de Antonio Adolfo e Nó em Pingo d Água. Tropicália, de 1968, aparece relacionada a Gilberto Gil e Caetano Veloso, consolidando a presença do movimento tropicalista dentro das preferências musicais de Cirne. A lista termina com Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto e Cia, de 1988 a 1990, de Henrique Cazes.
A folha XII 1026 permite compreender a amplitude musical de Moacy Cirne e a forte presença, em suas preferências, de John Coltrane, Miles Davis, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk, Charles Mingus, Duke Ellington, Sonny Rollins, Ornette Coleman, Eric Dolphy, Louis Armstrong, Billie Holiday, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali, Paulinho da Viola, Hermeto Pascoal, Luiz Gonzaga, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho, Paulo Moura, Raphael Rabello, João Gilberto, Gilberto Gil e Caetano Veloso.
Balaio Incomun XII 1026 constitui documento importante para pesquisas sobre Moacy Cirne, crítica musical, discografia, jazz, música popular brasileira, choro, samba, música instrumental, Tropicália, história da gravação musical e formação cultural de um dos principais nomes ligados ao Poema Processo e à crítica cultural brasileira.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1026, publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, October 1997. Under the title Our Musical Preferences, this issue presents an extensive personal selection of jazz and Brazilian popular music recordings, organized by Moacy Cirne as a panorama of his fundamental musical references. The document functions as a direct source for reconstructing his listening universe, his criteria of selection and the relationships between music, cultural criticism, memory and intellectual formation.
The first part is devoted to jazz and is organized into three groups of recordings. John Coltrane occupies a central position, appearing with A Love Supreme from 1964, Crescent from 1964, My Favorite Things from 1960, Blue Train from 1957 and Coltrane Live at the Village Vanguard from 1961, in addition to appearances on other recordings. This recurrence demonstrates the importance of Coltrane in the musical formation of Moacy Cirne and places him among the central names of his personal discography.
Miles Davis appears with Kind of Blue from 1959, recorded with John Coltrane, Bill Evans and other musicians, and with Birth of the Cool, recorded between 1949 and 1950, with Gerry Mulligan and Max Roach. The presence of these works shows Cirne's interest in different moments of modern jazz, from bebop to modal experimentation and the transformations that preceded cool jazz.
The Quintet Jazz at Massey Hall from 1953 brings together Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Charles Mingus and Max Roach and appears as one of the essential recordings in the selection. Saxophone Colossus from 1956 by Sonny Rollins is also included, demonstrating Cirne's interest in the major saxophonists of modern jazz.
In the second group, John Coltrane, Sonny Rollins, Duke Ellington, Charles Mingus and Bud Powell appear again. Freedom Suite from 1958 by Sonny Rollins includes Max Roach and other musicians. Money Jungle from 1962 brings together Duke Ellington, Charles Mingus and Max Roach. Pithecanthropus Erectus from 1956 highlights Charles Mingus. The Amazing Bud Powell from 1949 presents Bud Powell, while My Favorite Things confirms the recurring presence of Coltrane.
The third group significantly expands the historical panorama. Charlie Parker appears in Jazz at the Philharmonic 1946 and Jam Session from 1952. Thelonious Monk is represented by The Unique Thelonious Monk from 1956 and Genius of Modern Music from 1951. Ornette Coleman appears with Free Jazz from 1960, accompanied by Eric Dolphy, Charlie Haden and other musicians. Eric Dolphy also appears with Out to Lunch from 1964, with Freddie Hubbard and others.
Duke Ellington appears in Ellington at Newport from 1956 with Paul Gonsalves and in Sophisticated Lady with recordings from the 1940s. Art Tatum is represented by The Art Tatum Solo Masterpieces. Sonny Rollins also appears in Tenor Madness from 1956 with John Coltrane. Dave Brubeck is represented by Time Out from 1959 with Paul Desmond. Dizzy Gillespie appears through A Portrait of Duke Ellington from 1960.
The selection also recovers major figures from the origins and consolidation of jazz, including Louis Armstrong and Billie Holiday. Armstrong appears through The Hot Fives, recorded between 1925 and 1928, while Billie Holiday appears with The Quintessential Billie Holiday, associated with recordings from the first half of the 1940s. In this way, Moacy Cirne constructs a historical arc extending from the early decades of jazz to the experimental and disruptive developments of the 1950s and 1960s.
The second part of the issue is devoted to Brazilian Popular Music and is also organized into three groups. The selection reveals particular attention to choro, Brazilian instrumental music, samba, popular song and musical experiences connected with Tropicália.
The first group includes Vivaldi e Pixinguinha from 1980 by Radamés Gnattali with Camerata Carioca, a work connecting classical tradition and Brazilian popular music. Jacob do Bandolim appears with Vibrações from 1967. Paulinho da Viola is represented by Memórias Chorando from 1976. Luperce Miranda appears with História de um Bandolim from 1974. Hermeto Pascoal is represented by A Música Livre de Hermeto Pascoal from 1973.
In the second group, Jacob do Bandolim returns with Choros, Valsas, Tangos e Polcas from 1959. Pixinguinha appears with Som Pixinguinha from 1971, accompanied by Altamiro Carrilho and other musicians. Radamés Gnattali and Camerata Carioca appear again in Tributo a Jacob do Bandolim from 1980.
Luiz Gonzaga is represented by 50 Anos de Chão, associated with recordings from 1947 to 1950. Waldir Azevedo appears with Um Cavaquinho Acontece from 1960. Canhoto da Paraíba is represented by Pisando em Brasa from 1993. Altamiro Carrilho appears in Choros Imortais from 1964.
Henrique Annes is mentioned with Oficina de Cordas de Pernambuco in a 1989 recording. Nana Vasconcelos appears with Saudades from 1979. Paulo Moura is represented by ConSertão from 1982 with Artur Moreira Lima and Heraldo do Monte. Radamés Gnattali and Camerata Carioca appear again in Uma Rosa para Pixinguinha from 1983 with Elizeth Cardoso. Sivuca and Rosinha de Valença are represented by a 1977 recording. Caetano Veloso appears with Velô from 1984.
In the third group, Paulinho da Viola returns with Cartola Bate Outra Vez from 1988 and Eu Canto Samba from the same year. Cantoria 2 from 1984 brings together Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias and Xangai. Abel Ferreira appears with Brasil, Sax e Clarineta from 1976. Paulo Moura and Raphael Rabello appear together in Dois Irmãos from 1992.
Mistura e Manda from 1983 brings together Paulo Moura, Joel Nascimento, Raphael Rabello and other musicians. João Gilberto Prado Pereira de Oliveira from 1980 represents João Gilberto. Paulinho da Viola also appears with Foi um Rio que Passou em Minha Vida from 1970. Pixinguinha de Novo from 1975 appears with Altamiro Carrilho and Carlos Poyares.
João Pernambuco from 1982 is represented through Antonio Adolfo and Nó em Pingo d Água. Tropicália from 1968 appears associated with Gilberto Gil and Caetano Veloso, confirming the presence of the Tropicalist movement within Cirne's musical preferences. The list closes with Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto e Cia, recorded between 1988 and 1990, by Henrique Cazes.
Issue XII 1026 makes it possible to understand the breadth of Moacy Cirne's musical interests and the strong presence in his preferences of John Coltrane, Miles Davis, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk, Charles Mingus, Duke Ellington, Sonny Rollins, Ornette Coleman, Eric Dolphy, Louis Armstrong, Billie Holiday, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali, Paulinho da Viola, Hermeto Pascoal, Luiz Gonzaga, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho, Paulo Moura, Raphael Rabello, João Gilberto, Gilberto Gil and Caetano Veloso.
Balaio Incomun XII 1026 is an important document for research on Moacy Cirne, music criticism, discography, jazz, Brazilian popular music, choro, samba, instrumental music, Tropicália, the history of recorded music and the cultural formation of one of the major figures connected with Poema Processo and Brazilian cultural criticism.
