Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, X 847, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 26 de junho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 37

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 847, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 26 de junho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 37

Moacy Cirne

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04277 - 26 de junho de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 847, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 26 de junho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 37, e constitui uma peça especialmente relevante para a história da poesia experimental brasileira por reunir, em sua abertura, uma seleção de dez livros de poemas experimentais, seguida pela enquete Os melhores filmes com participações de Luiz Carlos Saroldi, João Baptista de Abreu, Leila Miccolis e Sady Bianchin. Literatura experimental, Poema Processo, poesia concreta, cinema, crítica cultural e humor aparecem articulados em uma única folha.

A seção Dez livros de poemas experimentais apresenta uma seleção de obras fundamentais da poesia brasileira do século XX. A lista é formada por A ave, de Wlademir Dias Pino, Cantaria barroca, de Affonso Ávila, Antologia mamaluca, de Sebastião Nunes, Poemics, de Álvaro de Sá, A luta corporal, de Ferreira Gullar, Viva vaia, de Augusto de Campos, Meia palavra, de José Paulo Paes, Poesia pois é poesia, de Décio Pignatari, Germens, de Hugo Mund Jr., e Sólida, de Wlademir Dias Pino.

A presença de A ave e Sólida coloca Wlademir Dias Pino em posição de destaque, sendo o único autor representado por dois títulos. A seleção também inclui Álvaro de Sá, figura central do Poema Processo, reforçando a ligação direta do documento com a história da poesia experimental e visual brasileira. Ao lado deles aparecem Augusto de Campos e Décio Pignatari, nomes fundamentais da poesia concreta, Ferreira Gullar, cuja trajetória atravessa experiências de vanguarda, Affonso Ávila, Sebastião Nunes, José Paulo Paes e Hugo Mund Jr. O conjunto configura um panorama pessoal de Moacy Cirne sobre livros que contribuíram para transformar as relações entre palavra, página, visualidade, estrutura gráfica, leitura e experimentação poética.

A lista possui importância particular para o estudo do pensamento crítico de Moacy Cirne. Cirne foi um dos participantes fundamentais do Poema Processo e sua escolha de A ave, Sólida e Poemics permite aproximar o exemplar das pesquisas sobre Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, poesia visual, poema objeto, livro de artista, experimentação gráfica e vanguardas poéticas brasileiras das décadas de 1950, 1960 e 1970.

Na seção Cinema, Os melhores filmes, a primeira contribuição é de Luiz Carlos Saroldi, do Rio de Janeiro, identificado como radialista e autor de peças teatrais. Sua seleção reúne Intolerância, de D W Griffith, O gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, A última gargalhada e Aurora, de F W Murnau, A idade do ouro, de Luis Buñuel, Luzes da cidade e Tempos modernos, de Charles Chaplin, Cidadão Kane e A marca da maldade, de Orson Welles, Casablanca, de Michael Curtiz, O tesouro de Sierra Madre e Uma aventura na África, de John Huston, Milagre em Milão, de Vittorio De Sica, Depois do vendaval, de John Ford, Cantando na chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen, Os brutos também amam, de George Stevens, Na estrada da vida, Noites de Cabíria e Amarcord, de Federico Fellini, Os sete samurais, de Akira Kurosawa, Dr. Fantástico e 2001 uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick, Liza, A comilança e Crônica do amor louco, de Marco Ferreri, Blade Runner, o caçador de androides, de Ridley Scott, e A excêntrica família de Antônia, de Marleen Gorris.

A segunda seleção é atribuída a João Baptista de Abreu, do Rio de Janeiro, identificado como jornalista e professor do Departamento de Comunicação da UFF. Sua relação inclui Dersu Uzala, de Akira Kurosawa, A noite americana, de François Truffaut, Tempos modernos, de Charles Chaplin, Novecento, primeira parte, de Bernardo Bertolucci, O discreto charme da burguesia, de Luis Buñuel, Amarcord, de Federico Fellini, A escolha de Sofia, de Alan J. Pakula, O baile, de Ettore Scola, Terra em transe, de Glauber Rocha, Memórias do cárcere e Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos, Gaijin, de Tizuka Yamasaki, Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, A história oficial, de Luis Puenzo, Esperança e glória, de John Boorman, O carteiro e o poeta, associado a Michael Radford, Blow Up, de Michelangelo Antonioni, O encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, Z, de Costa Gavras, e O garoto, de Charles Chaplin.

A presença de Terra em transe, Memórias do cárcere, Vidas secas e Gaijin documenta a importância do cinema brasileiro dentro da enquete de Balaio Incomun e aproxima o exemplar de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Tizuka Yamasaki. A lista de João Baptista de Abreu também registra sua ligação institucional com o Departamento de Comunicação da Universidade Federal Fluminense, aspecto importante para compreender o ambiente universitário e cultural em que Balaio circulava.

A terceira contribuição é de Leila Miccolis, do Rio de Janeiro, identificada como escritora de livros, teatro, cinema e televisão. Sua seleção inclui Feios, sujos e malvados, de Ettore Scola, A noite dos desesperados, de Sydney Pollack, O anjo exterminador, de Luis Buñuel, A noite americana, de François Truffaut, Cyrano de Bergerac, de Jean Paul Rappeneau, O encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, O salário do medo, de Henri Georges Clouzot, Tootsie, de Sydney Pollack, Marnie, confissões de uma ladra, de Alfred Hitchcock, Julieta dos Espíritos, de Federico Fellini, Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, Encurralado, de Steven Spielberg, A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese, Hair, de Milos Forman, A última noite de Boris Grushenko, de Woody Allen, Marvada carne, de André Klotzel, O bebê de Rosemary, de Roman Polanski, Alucinações do passado, de Adrian Lyne, Casablanca, de Michael Curtiz, e Dersu Uzala, de Akira Kurosawa.

A participação de Leila Miccolis amplia de modo significativo o interesse do documento para estudos sobre poesia, literatura alternativa e redes de vanguarda brasileiras. Sua presença em Balaio Incomun aproxima os circuitos literários, editoriais e cinematográficos que atravessavam a produção independente de Moacy Cirne durante os anos 1990.

A quarta seleção é atribuída a Sady Bianchin, do Rio de Janeiro, identificado como poeta e ator. O texto apresenta seus filmes acesos e inquietantes: Tempos modernos, de Charles Chaplin, A bela da tarde, de Luis Buñuel, Oito e meio, de Federico Fellini, Acossado, de Jean Luc Godard, Morangos silvestres, de Ingmar Bergman, Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, Z, de Costa Gavras, O encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, Rocco e seus irmãos, de Luchino Visconti, Cidadão Kane, de Orson Welles, O último tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, Luzes da ribalta, de Charles Chaplin, O anjo exterminador, de Luis Buñuel, e Morte em Veneza, de Luchino Visconti.

A folha termina com a seção Perguntas inocentes, composta por três perguntas de caráter irônico. Moacy Cirne pergunta se o leitor acredita em Papai Noel, se acredita que é possível morar no Sol e se acredita que PC Farias foi vítima de crime passional. A justaposição entre fantasia infantil, impossibilidade física e um episódio político brasileiro contemporâneo produz uma crítica por meio do absurdo e sintetiza a combinação de humor, política e provocação intelectual característica de Balaio Incomun.

Balaio Incomun X 847 é um documento central para pesquisas sobre Moacy Cirne e a história das vanguardas brasileiras porque registra, no mesmo suporte, referências diretas a Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Ferreira Gullar, Affonso Ávila, Sebastião Nunes, José Paulo Paes, Hugo Mund Jr., Leila Miccolis, Sady Bianchin, Luiz Carlos Saroldi e João Baptista de Abreu. O exemplar permite estabelecer relações com Poema Processo, poesia concreta, poesia visual, poesia experimental, livro de artista, crítica de cinema, Cinema Novo, cultura alternativa, Universidade Federal Fluminense, imprensa independente e redes intelectuais brasileiras do final do século XX.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 847, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 26 June 1996. The document belongs to the commemorative series 1986 1996 Ten Years of Balaio, number 37, and is particularly important for the history of Brazilian experimental poetry because its opening section presents a selection of ten books of experimental poems, followed by the survey The Best Films with contributions by Luiz Carlos Saroldi, João Baptista de Abreu, Leila Miccolis and Sady Bianchin. Experimental literature, Poema Processo, concrete poetry, cinema, cultural criticism and humor are brought together on a single sheet.

The section Ten books of experimental poems presents a selection of important works in twentieth century Brazilian poetry. The list includes A ave by Wlademir Dias Pino, Cantaria barroca by Affonso Ávila, Antologia mamaluca by Sebastião Nunes, Poemics by Álvaro de Sá, A luta corporal by Ferreira Gullar, Viva vaia by Augusto de Campos, Meia palavra by José Paulo Paes, Poesia pois é poesia by Décio Pignatari, Germens by Hugo Mund Jr., and Sólida by Wlademir Dias Pino.

The presence of A ave and Sólida gives Wlademir Dias Pino a prominent position as the only author represented by two titles. The selection also includes Álvaro de Sá, a central figure in Poema Processo, establishing a direct connection between the document and the history of Brazilian experimental and visual poetry. Alongside them are Augusto de Campos and Décio Pignatari, major figures of concrete poetry, Ferreira Gullar, whose trajectory crossed important avant garde experiences, as well as Affonso Ávila, Sebastião Nunes, José Paulo Paes and Hugo Mund Jr. Together these works form a personal panorama by Moacy Cirne of books that transformed relationships among word, page, visuality, graphic structure, reading and poetic experimentation.

The list is particularly important for studying the critical thought of Moacy Cirne. Cirne was a major participant in Poema Processo, and his selection of A ave, Sólida and Poemics connects this issue with research on Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, visual poetry, poem objects, artist books, graphic experimentation and Brazilian poetic avant gardes of the 1950s, 1960s and 1970s.

In the Cinema section, The Best Films, the first contribution is by Luiz Carlos Saroldi from Rio de Janeiro, identified as a radio professional and playwright. His selection includes Intolerance by D W Griffith, The Cabinet of Dr. Caligari by Robert Wiene, The Last Laugh and Sunrise by F W Murnau, L Age d Or by Luis Buñuel, City Lights and Modern Times by Charles Chaplin, Citizen Kane and Touch of Evil by Orson Welles, Casablanca by Michael Curtiz, The Treasure of the Sierra Madre and The African Queen by John Huston, Miracle in Milan by Vittorio De Sica, The Quiet Man by John Ford, Singin in the Rain by Gene Kelly and Stanley Donen, Shane by George Stevens, La Strada, Nights of Cabiria and Amarcord by Federico Fellini, Seven Samurai by Akira Kurosawa, Dr. Strangelove and 2001 A Space Odyssey by Stanley Kubrick, Liza, La Grande Bouffe and Tales of Ordinary Madness by Marco Ferreri, Blade Runner by Ridley Scott, and Antonia by Marleen Gorris.

The second selection is attributed to João Baptista de Abreu from Rio de Janeiro, identified as a journalist and professor in the Department of Communication at UFF. His list includes Dersu Uzala by Akira Kurosawa, Day for Night by François Truffaut, Modern Times by Charles Chaplin, Novecento, first part, by Bernardo Bertolucci, The Discreet Charm of the Bourgeoisie by Luis Buñuel, Amarcord by Federico Fellini, Sophies Choice by Alan J. Pakula, The Ball by Ettore Scola, Entranced Earth by Glauber Rocha, Memories of Prison and Barren Lives by Nelson Pereira dos Santos, Gaijin by Tizuka Yamasaki, Cinema Paradiso by Giuseppe Tornatore, The Official Story by Luis Puenzo, Hope and Glory by John Boorman, The Postman associated with Michael Radford, Blow Up by Michelangelo Antonioni, Battleship Potemkin by Sergei Eisenstein, Z by Costa Gavras, and The Kid by Charles Chaplin.

The presence of Entranced Earth, Memories of Prison, Barren Lives and Gaijin documents the importance of Brazilian cinema within the Balaio Incomun survey and connects the issue with Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos and Tizuka Yamasaki. João Baptista de Abreu is also identified through his institutional connection with the Department of Communication at Universidade Federal Fluminense, an important element for understanding the university and cultural environment in which Balaio circulated.

The third contribution is by Leila Miccolis from Rio de Janeiro, identified as a writer of books, theater, cinema and television. Her selection includes Ugly Dirty and Bad by Ettore Scola, They Shoot Horses Dont They by Sydney Pollack, The Exterminating Angel by Luis Buñuel, Day for Night by François Truffaut, Cyrano de Bergerac by Jean Paul Rappeneau, Battleship Potemkin by Sergei Eisenstein, The Wages of Fear by Henri Georges Clouzot, Tootsie by Sydney Pollack, Marnie by Alfred Hitchcock, Juliet of the Spirits by Federico Fellini, Cinema Paradiso by Giuseppe Tornatore, Duel by Steven Spielberg, The Last Temptation of Christ by Martin Scorsese, Hair by Milos Forman, Love and Death by Woody Allen, Marvada carne by André Klotzel, Rosemarys Baby by Roman Polanski, Jacobs Ladder by Adrian Lyne, Casablanca by Michael Curtiz, and Dersu Uzala by Akira Kurosawa.

The participation of Leila Miccolis significantly expands the relevance of the document for studies of poetry, alternative literature and Brazilian avant garde networks. Her presence in Balaio Incomun connects the literary, editorial and cinematic circuits that crossed Moacy Cirne's independent production during the 1990s.

The fourth selection is attributed to Sady Bianchin from Rio de Janeiro, identified as a poet and actor. The document presents his films described as vibrant and unsettling: Modern Times by Charles Chaplin, Belle de Jour by Luis Buñuel, Eight and a Half by Federico Fellini, Breathless by Jean Luc Godard, Wild Strawberries by Ingmar Bergman, Hiroshima mon amour by Alain Resnais, Black God White Devil by Glauber Rocha, Z by Costa Gavras, Battleship Potemkin by Sergei Eisenstein, Rocco and His Brothers by Luchino Visconti, Citizen Kane by Orson Welles, Last Tango in Paris by Bernardo Bertolucci, Limelight by Charles Chaplin, The Exterminating Angel by Luis Buñuel, and Death in Venice by Luchino Visconti.

The sheet ends with the section Innocent Questions, consisting of three ironic questions. Moacy Cirne asks whether the reader believes in Santa Claus, whether it is possible to live on the Sun, and whether PC Farias was the victim of a crime of passion. The juxtaposition of childhood fantasy, physical impossibility and a contemporary Brazilian political episode creates criticism through absurdity and summarizes Balaio Incomun's characteristic combination of humor, politics and intellectual provocation.

Balaio Incomun X 847 is a central document for research on Moacy Cirne and the history of Brazilian avant gardes because it records direct references to Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Ferreira Gullar, Affonso Ávila, Sebastião Nunes, José Paulo Paes, Hugo Mund Jr., Leila Miccolis, Sady Bianchin, Luiz Carlos Saroldi and João Baptista de Abreu. The issue establishes connections with Poema Processo, concrete poetry, visual poetry, experimental poetry, artist books, film criticism, Cinema Novo, alternative culture, Universidade Federal Fluminense, independent publishing and Brazilian intellectual networks of the late twentieth century.