Balaio Incomun, Folha Porreta, X 848, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 1 de julho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 38
Moacy Cirne
04278 - 1 de julho de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 848, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 1 de julho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 38, e articula música, jazz, bibliografia especializada, cinema, crítica cultural e participação de escritores, jornalistas, poetas e intelectuais na enquete Os melhores filmes. O exemplar constitui importante registro das referências culturais mobilizadas por Moacy Cirne e da rede intelectual reunida em torno de Balaio Incomun durante os anos 1990.
A abertura apresenta Dez livros sobre jazz, seleção bibliográfica dedicada à história, aos criadores, à estética e à dimensão social do jazz. São relacionados Os grandes criadores de Jazz, de G. Arnaud e J. Chesnel, Obras primas do Jazz, de Luiz Orlando Carneiro, Guia do jazz, de Sérgio Karam, História social do jazz, de Eric J. Hobsbawm, Jazz, a autêntica música americana, de J. L. Collier, Jazz, de André Francis, O jazz como espetáculo, de Carlos Calado, O jazz do rag ao rock, de Joachim E. Berendt, No mundo do jazz, de François Billard, e Jazz, uma história em quatro tempos, de Roberto Muggiati.
A seleção demonstra o interesse de Moacy Cirne pela música como campo histórico e cultural e aproxima Balaio Incomun de autores brasileiros e estrangeiros dedicados ao estudo do jazz. A presença de Eric Hobsbawm é especialmente significativa pela abordagem social e histórica do gênero, enquanto Luiz Orlando Carneiro, Sérgio Karam, Carlos Calado e Roberto Muggiati documentam a recepção e a crítica do jazz no Brasil. O conjunto relaciona jazz, música popular, história cultural, crítica musical, cultura norte americana e circulação internacional de repertórios.
A seção Cinema, sob o título Os melhores filmes, apresenta inicialmente a opinião de Urbacy Faustino, do Rio de Janeiro, identificado como escritor e editor de Blocos Cultural. Sua seleção inclui Tomates verdes fritos, de Jon Avnet, Corpos ardentes, de Lawrence Kasdan, Atração fatal, de Adrian Lyne, Ligações perigosas, de Stephen Frears, Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, Bagdá Café, de Percy Adlon, Janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, My Fair Lady, de George Cukor, Don Juan de Marco, de Jeremy Leven, E.T., de Steven Spielberg, Terra estrangeira, de Walter Salles Jr. e Daniela Thomas, Banquete de casamento, de Ang Lee, O urso, de Jean Jacques Annaud, A prova, de Jocelyn Moorhouse, A dança dos vampiros, de Roman Polanski, Alucinações do passado, de Adrian Lyne, Silverado, de Lawrence Kasdan, Cantando na chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen, Casablanca, de Michael Curtiz, e Matador, de Pedro Almodóvar.
A segunda participação é de Alda de Almeida, do Rio de Janeiro, identificada como jornalista e redatora da Rádio MEC. Sua relação apresenta Mephisto, de István Szabó, Os pássaros, de Alfred Hitchcock, Novecento, de Bernardo Bertolucci, La luna, de Bertolucci, Adeus meninos, de Louis Malle, A história oficial, de Luis Puenzo, Missing, de Costa Gavras, Mulheres à beira de um ataque de nervos, de Pedro Almodóvar, Ana e os lobos, de Carlos Saura, O discreto charme da burguesia, de Luis Buñuel, O grande ditador, de Charles Chaplin, Dersu Uzala, de Akira Kurosawa, Amarcord, de Federico Fellini, A noite americana, de François Truffaut, Meu tio da América, de Alain Resnais, Meu tio, de Jacques Tati, Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos, A família, de Ettore Scola, Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, e Esperança e glória, de John Boorman.
A participação de Alda de Almeida documenta ainda a presença da Rádio MEC na rede cultural registrada por Balaio Incomun e reúne numa mesma seleção cinema europeu, latino americano, brasileiro, japonês e norte americano. A inclusão de Vidas secas reforça a presença de Nelson Pereira dos Santos e do cinema brasileiro na enquete organizada por Moacy Cirne.
Outra lista é atribuída a Paulo José Mendes, do Rio de Janeiro, identificado como contista. Entre suas escolhas aparecem O homem que matou o facínora, de John Ford, Noites de Cabíria e Amarcord, de Federico Fellini, Depois do vendaval, de John Ford, A um passo da eternidade, de Fred Zinnemann, Cabaret, de Bob Fosse, Vestígios do dia, de James Ivory, O anjo exterminador, de Luis Buñuel, Dublê de corpo, de Brian De Palma, Janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, Os melhores anos de nossas vidas, de William Wyler, Rastros de ódio, de John Ford, Matar ou morrer, de Fred Zinnemann, A marca da maldade e Cidadão Kane, de Orson Welles, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, Morangos silvestres, de Ingmar Bergman, Acossado, de Jean Luc Godard, e A bela da tarde, de Luis Buñuel.
A quarta contribuição é de Ricardo Alfaya, do Rio de Janeiro, identificado como poeta e escritor. Sua extensa relação inclui Sonhos, de Akira Kurosawa, Amadeus, de Milos Forman, Amarcord, de Federico Fellini, 2001 uma odisseia no espaço e Laranja mecânica, de Stanley Kubrick, Trafic, de Jacques Tati, Cidadão Kane, de Orson Welles, Terra em transe, de Glauber Rocha, Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues, Perdidos na noite, de John Schlesinger, Paris Texas e Asas do desejo, de Wim Wenders, Tempos modernos, de Charles Chaplin, Sociedade dos Poetas Mortos, de Peter Weir, Gritos e sussurros, de Ingmar Bergman, Esse obscuro objeto do desejo, de Luis Buñuel, Seção especial de justiça, de Costa Gavras, Decameron, de Pier Paolo Pasolini, A última sessão de cinema, de Peter Bogdanovich, Janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, Birdy, asas da liberdade, de Alan Parker, Metrópolis, de Fritz Lang, Je vous salue Marie, de Jean Luc Godard, A era do rádio, de Woody Allen, e American Graffiti, de George Lucas.
As quatro seleções ampliam o panorama cinematográfico construído ao longo da série Dez anos de Balaio. Alfred Hitchcock, Federico Fellini, Luis Buñuel, Orson Welles, Stanley Kubrick, Charles Chaplin, Ingmar Bergman, Jean Luc Godard, Akira Kurosawa, Glauber Rocha e diversos outros realizadores reaparecem como referências centrais de um cânone formado coletivamente pelos participantes da publicação.
Na parte inferior da folha aparece a seção Os melhores, reta final. Moacy Cirne informa que mais de setenta poetas, escritores, artistas, professores e cinéfilos em geral já haviam participado da enquete, indicando crítica e afetivamente seus filmes preferidos e aqueles considerados mais inquietantes. O registro revela a dimensão coletiva do projeto e transforma a sequência de Balaio Incomun em uma importante documentação da recepção cinematográfica entre intelectuais e artistas brasileiros em 1996.
Balaio Incomun X 848 demonstra a amplitude cultural do projeto editorial de Moacy Cirne, capaz de aproximar jazz, bibliografia musical, cinema brasileiro e internacional, literatura, jornalismo e cultura universitária. O documento constitui fonte primária relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, jazz, história do jazz, crítica musical, Eric Hobsbawm, Luiz Orlando Carneiro, Sérgio Karam, Carlos Calado, Roberto Muggiati, Rádio MEC, Urbacy Faustino, Alda de Almeida, Paulo José Mendes, Ricardo Alfaya, cinema brasileiro, Cinema Novo, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, crítica cinematográfica, Poema Processo, cultura experimental e imprensa independente brasileira da década de 1990.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 848, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 1 July 1996. The document belongs to the commemorative series 1986 1996 Ten Years of Balaio, number 38, and connects music, jazz, specialized bibliography, cinema, cultural criticism and the participation of writers, journalists, poets and intellectuals in the survey The Best Films. The issue is an important record of the cultural references mobilized by Moacy Cirne and of the intellectual network surrounding Balaio Incomun during the 1990s.
The opening section presents Ten books about jazz, a bibliographical selection devoted to the history, creators, aesthetics and social dimensions of jazz. The titles are Os grandes criadores de Jazz by G. Arnaud and J. Chesnel, Obras primas do Jazz by Luiz Orlando Carneiro, Guia do jazz by Sérgio Karam, História social do jazz by Eric J. Hobsbawm, Jazz, a autêntica música americana by J. L. Collier, Jazz by André Francis, O jazz como espetáculo by Carlos Calado, O jazz do rag ao rock by Joachim E. Berendt, No mundo do jazz by François Billard, and Jazz, uma história em quatro tempos by Roberto Muggiati.
The selection demonstrates Moacy Cirne's interest in music as a historical and cultural field and connects Balaio Incomun with Brazilian and international authors devoted to the study of jazz. The presence of Eric Hobsbawm is particularly significant because of his social and historical approach to the genre, while Luiz Orlando Carneiro, Sérgio Karam, Carlos Calado and Roberto Muggiati document the reception and criticism of jazz in Brazil. Together the books connect jazz, popular music, cultural history, music criticism, American culture and the international circulation of musical repertoires.
The Cinema section, entitled The Best Films, first presents the opinion of Urbacy Faustino from Rio de Janeiro, identified as a writer and editor of Blocos Cultural. His selection includes Fried Green Tomatoes by Jon Avnet, Body Heat by Lawrence Kasdan, Fatal Attraction by Adrian Lyne, Dangerous Liaisons by Stephen Frears, Cinema Paradiso by Giuseppe Tornatore, Bagdad Cafe by Percy Adlon, Rear Window by Alfred Hitchcock, My Fair Lady by George Cukor, Don Juan DeMarco by Jeremy Leven, E.T. by Steven Spielberg, Foreign Land by Walter Salles Jr. and Daniela Thomas, The Wedding Banquet by Ang Lee, The Bear by Jean Jacques Annaud, Proof by Jocelyn Moorhouse, The Fearless Vampire Killers by Roman Polanski, Jacobs Ladder by Adrian Lyne, Silverado by Lawrence Kasdan, Singin in the Rain by Gene Kelly and Stanley Donen, Casablanca by Michael Curtiz, and Matador by Pedro Almodóvar.
The second contribution is by Alda de Almeida from Rio de Janeiro, identified as a journalist and editor at Rádio MEC. Her list includes Mephisto by István Szabó, The Birds by Alfred Hitchcock, Novecento by Bernardo Bertolucci, La luna by Bertolucci, Au revoir les enfants by Louis Malle, The Official Story by Luis Puenzo, Missing by Costa Gavras, Women on the Verge of a Nervous Breakdown by Pedro Almodóvar, Ana and the Wolves by Carlos Saura, The Discreet Charm of the Bourgeoisie by Luis Buñuel, The Great Dictator by Charles Chaplin, Dersu Uzala by Akira Kurosawa, Amarcord by Federico Fellini, Day for Night by François Truffaut, My American Uncle by Alain Resnais, Mon Oncle by Jacques Tati, Barren Lives by Nelson Pereira dos Santos, The Family by Ettore Scola, Cinema Paradiso by Giuseppe Tornatore, and Hope and Glory by John Boorman.
Alda de Almeida's participation also documents the presence of Rádio MEC within the cultural network recorded by Balaio Incomun and brings European, Latin American, Brazilian, Japanese and American cinema into the same selection. The inclusion of Barren Lives reinforces the presence of Nelson Pereira dos Santos and Brazilian cinema within Moacy Cirne's survey.
Another list is attributed to Paulo José Mendes from Rio de Janeiro, identified as a short story writer. His choices include The Man Who Shot Liberty Valance by John Ford, Nights of Cabiria and Amarcord by Federico Fellini, The Quiet Man by John Ford, From Here to Eternity by Fred Zinnemann, Cabaret by Bob Fosse, The Remains of the Day by James Ivory, The Exterminating Angel by Luis Buñuel, Body Double by Brian De Palma, Rear Window by Alfred Hitchcock, The Best Years of Our Lives by William Wyler, The Searchers by John Ford, High Noon by Fred Zinnemann, Touch of Evil and Citizen Kane by Orson Welles, Black God White Devil by Glauber Rocha, Wild Strawberries by Ingmar Bergman, Breathless by Jean Luc Godard, and Belle de Jour by Luis Buñuel.
The fourth contribution is by Ricardo Alfaya from Rio de Janeiro, identified as a poet and writer. His extensive list includes Dreams by Akira Kurosawa, Amadeus by Milos Forman, Amarcord by Federico Fellini, 2001 A Space Odyssey and A Clockwork Orange by Stanley Kubrick, Trafic by Jacques Tati, Citizen Kane by Orson Welles, Entranced Earth by Glauber Rocha, Bye Bye Brasil by Cacá Diegues, Midnight Cowboy by John Schlesinger, Paris Texas and Wings of Desire by Wim Wenders, Modern Times by Charles Chaplin, Dead Poets Society by Peter Weir, Cries and Whispers by Ingmar Bergman, That Obscure Object of Desire by Luis Buñuel, Special Section by Costa Gavras, The Decameron by Pier Paolo Pasolini, The Last Picture Show by Peter Bogdanovich, Rear Window by Alfred Hitchcock, Birdy by Alan Parker, Metropolis by Fritz Lang, Hail Mary by Jean Luc Godard, Radio Days by Woody Allen, and American Graffiti by George Lucas.
The four selections broaden the cinematic panorama developed throughout the Ten Years of Balaio series. Alfred Hitchcock, Federico Fellini, Luis Buñuel, Orson Welles, Stanley Kubrick, Charles Chaplin, Ingmar Bergman, Jean Luc Godard, Akira Kurosawa, Glauber Rocha and many other filmmakers repeatedly emerge as central references within a collective film canon created by contributors to the publication.
At the bottom of the sheet appears the section The Best, final stretch. Moacy Cirne states that more than seventy poets, writers, artists, professors and cinephiles in general had already participated in the survey, critically and affectionately naming their favorite and most unsettling films. This information reveals the collective dimension of the project and transforms the Balaio Incomun sequence into significant documentation of film reception among Brazilian artists and intellectuals in 1996.
Balaio Incomun X 848 demonstrates the cultural breadth of Moacy Cirne's editorial project by bringing together jazz, music bibliography, Brazilian and international cinema, literature, journalism and university culture. The document is an important primary source for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, jazz, jazz history, music criticism, Eric Hobsbawm, Luiz Orlando Carneiro, Sérgio Karam, Carlos Calado, Roberto Muggiati, Rádio MEC, Urbacy Faustino, Alda de Almeida, Paulo José Mendes, Ricardo Alfaya, Brazilian cinema, Cinema Novo, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, film criticism, Poema Processo, experimental culture and Brazilian independent publishing during the 1990s.
