Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1029, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 1 de dezembro de 1997.

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1029, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 1 de dezembro de 1997.

Moacy Cirne

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04378 - 1 de dezembro de 1997. - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1029, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 1 de dezembro de 1997. A edição reúne comentários sobre eleições e convivência no ambiente universitário, defesa de uma atuação democrática no Departamento, divulgação de atividade comemorativa dos 30 anos do Poema Processo em Niterói, homenagem ao escritor e crítico de música Victor Giudice, protesto contra a censura ao filme Di de Glauber Rocha, reflexão sobre a seleção dos melhores filmes americanos e um texto satírico apresentado como mensagem psicografada de Chico Doido de Caicó.

O texto de abertura, Uma Lição de Bom Comportamento, registra a atuação do professor Luiz Alberto Sanz durante os dias da eleição para a chefia do Departamento. Moacy Cirne afirma que, ao contrário de interpretações apressadas, a conduta de Luiz Alberto Sanz teria sido exemplar e digna, apresentando seu comportamento como modelo de convivência acadêmica em um período marcado por disputas eleitorais e divergências entre professores.

Em A Casa Dividida, Cirne reconhece que as eleições revelaram um Departamento dividido entre seus professores. Apesar das diferenças, defende que todos deveriam desejar uma boa gestão da próxima chefia e reafirma compromissos com o saber, a democracia e a Universidade. O texto manifesta ainda o desejo de que os episódios mais agressivos da campanha eleitoral não se repetissem, encerrando com uma rejeição explícita às práticas consideradas baixas durante as semanas anteriores.

A seção Poetamça articula poesia, teatro, arte, música e dança e anuncia uma atividade para quarta feira, dia 3, na Estação Cantareira, em Niterói, a partir das 20 horas. O evento integra as comemorações dos 30 anos do Poema Processo e aparece sob a condução dos poetas Sady Bianchi e Graça Capes. O texto anuncia uma explosão de poesia na Praça São Domingos e apresenta o encontro como reação à rotina, ao conformismo e à acomodação cultural.

Esse registro possui particular importância para a história do Poema Processo porque documenta uma ação comemorativa realizada em 1997, trinta anos depois do lançamento do movimento em 1967. A presença de Niterói, Estação Cantareira, Praça São Domingos, Sady Bianchi e Graça Capes amplia a rede de pessoas, lugares e atividades associadas às comemorações do movimento e à circulação da poesia experimental no final da década de 1990.

Na seção Luto, Moacy Cirne registra a morte de Victor Giudice, apresentado como grande escritor e grande crítico de música. A nota evidencia a proximidade do Balaio Incomun com o universo literário e musical brasileiro e transforma o exemplar também em registro da recepção imediata da morte de Giudice no meio intelectual. Cirne contrapõe a perda do escritor a uma crítica política dirigida ao presidente Fernando Henrique Cardoso e a outras figuras do poder, mantendo o tom combativo característico de diversas edições do Balaio naquele período.

A seção 10 Anos sem Di trata da censura ao curta metragem Di, de Glauber Rocha. Segundo a folha, a proibição judicial da primeira obra curta sobre Di Cavalcanti continuava vigente e desafiava a paciência dos amantes da arte cinematográfica. Moacy Cirne critica o silêncio institucional diante do caso e recorda que 1997 marcava cem anos do nascimento de Di Cavalcanti e dez anos da censura ao filme de Glauber Rocha. O texto reivindica pelo menos uma nota pública de protesto.

Esse trecho constitui fonte relevante para pesquisas sobre Glauber Rocha, Di Cavalcanti, cinema brasileiro, censura cinematográfica, liberdade artística, memória cultural e história da recepção de filmes interditados no Brasil. A folha aproxima diretamente as figuras de Glauber Rocha e Di Cavalcanti e registra a permanência da controvérsia uma década depois da proibição.

Em Os 400 Melhores Filmes Americanos, Moacy Cirne comenta a seleção preliminar do American Film Institute destinada a definir os cem melhores filmes americanos de todos os tempos. Cirne considera problemática a lista inicial de quatrocentas produções e chama atenção para filmes importantes ausentes da relação, além de questionar a inclusão de obras essencialmente europeias apenas por possuírem participação de capital americano.

Entre os filmes mencionados aparecem Tabu, de Friedrich Wilhelm Murnau e Robert Flaherty, Sherlock Jr., de Buster Keaton, O Homem de Aran, de Robert Flaherty, Rio Bravo, de Howard Hawks, Johnny Guitar, de Nicholas Ray, O Grande Ditador, de Charles Chaplin, Macbeth, de Orson Welles, O Pirata, de Vincente Minnelli, O Segredo das Jóias, de John Huston, Vive se uma Só Vez, de Fritz Lang, Os Dez Mandamentos, de Cecil B. DeMille, Imitação da Vida, de Douglas Sirk, O Exorcista, de William Friedkin e Tubarão, de Steven Spielberg.

Cirne observa ainda que O Terceiro Homem, de Carol Reed, e O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, seriam antes de tudo filmes europeus, ainda que presentes em listas americanas por razões de financiamento. Também comenta traduções brasileiras de títulos de Charles Chaplin e John Huston, defendendo Em Busca do Ouro para The Gold Rush e lembrando Relíquia Macabra como título brasileiro de The Maltese Falcon.

A parte final apresenta Diretamente do Além, Mensagem Psicografada de Chico Doido de Caicó. Trata se de um texto satírico construído literariamente como se Chico Doido falasse depois da morte. O recurso da psicografia é utilizado de maneira humorística, irreverente e ficcional para comentar a adaptação teatral de sua figura, recordar a vida terrena e imaginar encontros no além.

A mensagem menciona o ator Leon Góes e a transformação de Chico Doido em personagem teatral. Também aparecem referências a São Francisco de Assis, Lampião Virgulino, Carlos Zéfiro, Berilo Wanderley, Zila Mamede, Câmara Cascudo, José Bezerra Gomes, Lima Barreto e Nelson Rodrigues, reunindo personagens históricos, escritores e figuras da cultura popular em uma composição deliberadamente absurda e humorística.

A presença de Zila Mamede, Câmara Cascudo, José Bezerra Gomes e outros nomes relacionados ao Rio Grande do Norte reforça a dimensão potiguar da publicação e a constante valorização de referências nordestinas por Moacy Cirne. O texto transforma memória literária, cultura popular, humor, teatro e imaginação em material de intervenção cultural.

Balaio Incomun XII 1029 constitui documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Universidade Federal Fluminense, UFF, Luiz Alberto Sanz, eleições departamentais, política universitária, ética acadêmica, Poema Processo, Poema Processo 30 anos, Niterói, Estação Cantareira, Praça São Domingos, Sady Bianchi, Graça Capes, Victor Giudice, Glauber Rocha, Di Cavalcanti, filme Di, censura cinematográfica, American Film Institute, cinema americano, cinema europeu, Buster Keaton, Robert Flaherty, Howard Hawks, Nicholas Ray, Charles Chaplin, Orson Welles, John Huston, Fritz Lang, Douglas Sirk, William Friedkin, Steven Spielberg, Carol Reed, Bernardo Bertolucci, Chico Doido de Caicó, Leon Góes, Zila Mamede, Câmara Cascudo, José Bezerra Gomes, cultura potiguar, teatro, poesia experimental, humor e crítica cultural.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1029, publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, December 1, 1997. This issue brings together commentary on elections and academic coexistence, the defense of democratic conduct within the university Department, an announcement of an event celebrating the 30th anniversary of Poema Processo in Niterói, a tribute to writer and music critic Victor Giudice, a protest against censorship of the film Di by Glauber Rocha, reflections on a selection of the best American films and a satirical text presented as a psychographed message from Chico Doido de Caicó.

The opening text, A Lesson in Good Behavior, records the conduct of Professor Luiz Alberto Sanz during the election for the leadership of the Department. Moacy Cirne states that, contrary to hasty interpretations, Luiz Alberto Sanz behaved in an exemplary and dignified manner, presenting his attitude as a model of academic coexistence during a period marked by electoral disputes and disagreements among professors.

In The Divided House, Cirne acknowledges that the election revealed a Department divided among its professors. Despite these differences, he argues that everyone should hope for good management by the next leadership and reaffirms commitments to knowledge, democracy and the University. The text also expresses the hope that the most aggressive episodes of the electoral campaign would not be repeated and ends with an explicit rejection of the practices considered degrading during the preceding weeks.

The section Poetamça combines poetry, theater, art, music and dance and announces an event for Wednesday the 3rd at Estação Cantareira in Niterói, beginning at 20 hours. The event forms part of the celebrations marking the 30th anniversary of Poema Processo and appears under the direction of the poets Sady Bianchi and Graça Capes. The text announces an explosion of poetry in Praça São Domingos and presents the gathering as a reaction against routine, conformity and cultural accommodation.

This record has particular importance for the history of Poema Processo because it documents a commemorative action held in 1997, thirty years after the movement was launched in 1967. The references to Niterói, Estação Cantareira, Praça São Domingos, Sady Bianchi and Graça Capes expand the network of people, places and activities associated with the anniversary celebrations and with the circulation of experimental poetry at the end of the 1990s.

In the section Mourning, Moacy Cirne records the death of Victor Giudice, presented as a major writer and music critic. The note demonstrates the connection of Balaio Incomun with Brazilian literary and musical culture and makes the issue an immediate record of the reception of Giudice's death within the intellectual environment. Cirne contrasts the loss of the writer with a political criticism of President Fernando Henrique Cardoso and other figures of power, maintaining the combative tone characteristic of several Balaio issues from this period.

The section 10 Years Without Di concerns the censorship of Di, the short film by Glauber Rocha. According to the sheet, the judicial prohibition of the film about Di Cavalcanti remained in force and continued to challenge the patience of cinema and art enthusiasts. Moacy Cirne criticizes the institutional silence surrounding the case and recalls that 1997 marked one hundred years since the birth of Di Cavalcanti and ten years since the censorship of Glauber Rocha's film. The text calls for at least a public statement of protest.

This passage is a relevant source for research on Glauber Rocha, Di Cavalcanti, Brazilian cinema, film censorship, artistic freedom, cultural memory and the history of banned films in Brazil. The sheet directly connects Glauber Rocha and Di Cavalcanti and records the persistence of the controversy a decade after the prohibition.

In The 400 Best American Films, Moacy Cirne comments on the preliminary selection by the American Film Institute intended to define the one hundred best American films of all time. Cirne considers the initial list of four hundred productions problematic and draws attention to important films absent from the selection, while also questioning the inclusion of essentially European works merely because they involved American capital.

Films mentioned include Tabu by Friedrich Wilhelm Murnau and Robert Flaherty, Sherlock Jr. by Buster Keaton, Man of Aran by Robert Flaherty, Rio Bravo by Howard Hawks, Johnny Guitar by Nicholas Ray, The Great Dictator by Charles Chaplin, Macbeth by Orson Welles, The Pirate by Vincente Minnelli, The Asphalt Jungle by John Huston, You Only Live Once by Fritz Lang, The Ten Commandments by Cecil B. DeMille, Imitation of Life by Douglas Sirk, The Exorcist by William Friedkin and Jaws by Steven Spielberg.

Cirne also observes that The Third Man by Carol Reed and Last Tango in Paris by Bernardo Bertolucci should primarily be considered European films, even when included in American lists because of financial participation. He also comments on Brazilian translations of titles by Charles Chaplin and John Huston, defending Em Busca do Ouro as the Brazilian title of The Gold Rush and recalling Relíquia Macabra as the Brazilian title of The Maltese Falcon.

The final section presents Directly from the Beyond, Psychographed Message from Chico Doido de Caicó. It is a satirical literary text constructed as though Chico Doido were speaking after death. The device of psychography is used in a humorous, irreverent and fictional way to comment on the theatrical adaptation of his persona, remember earthly life and imagine encounters in the afterlife.

The message mentions actor Leon Góes and the transformation of Chico Doido into a theatrical character. It also refers to São Francisco de Assis, Lampião Virgulino, Carlos Zéfiro, Berilo Wanderley, Zila Mamede, Câmara Cascudo, José Bezerra Gomes, Lima Barreto and Nelson Rodrigues, bringing together historical figures, writers and figures from popular culture in a deliberately absurd and humorous composition.

The presence of Zila Mamede, Câmara Cascudo, José Bezerra Gomes and other names connected with Rio Grande do Norte reinforces the Potiguar dimension of the publication and the recurring appreciation of Northeastern Brazilian references by Moacy Cirne. The text transforms literary memory, popular culture, humor, theater and imagination into material for cultural intervention.

Balaio Incomun XII 1029 is an important document for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Universidade Federal Fluminense, UFF, Luiz Alberto Sanz, departmental elections, university politics, academic ethics, Poema Processo, Poema Processo 30 years, Niterói, Estação Cantareira, Praça São Domingos, Sady Bianchi, Graça Capes, Victor Giudice, Glauber Rocha, Di Cavalcanti, film Di, film censorship, American Film Institute, American cinema, European cinema, Buster Keaton, Robert Flaherty, Howard Hawks, Nicholas Ray, Charles Chaplin, Orson Welles, John Huston, Fritz Lang, Douglas Sirk, William Friedkin, Steven Spielberg, Carol Reed, Bernardo Bertolucci, Chico Doido de Caicó, Leon Góes, Zila Mamede, Câmara Cascudo, José Bezerra Gomes, Potiguar culture, theater, experimental poetry, humor and cultural criticism.