Balaio Incomun, Folha Porreta, X 820, é uma publicação autoral de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 10 de maio de 1996.
Moacy Cirne
04266 - 10 de maio de 1996. - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 820, é uma publicação autoral de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 10 de maio de 1996. O exemplar integra a série comemorativa 1986 a 1996, Dez Anos de Balaio, identificada nesta folha como número 10. O documento combina memória editorial, dados de circulação da publicação Balaio, reflexão sobre Glauber Rocha, manifestação de solidariedade ao poeta Sebastião Nunes e uma seleção de vinte filmes elaborada para o cinéfilo Ângelo de Souza Matos. O conjunto constitui importante registro da atuação crítica, literária e editorial de Moacy Cirne nos anos 1990.
A primeira seção apresenta Os Dez Balaios com Maior Tiragem e oferece dados objetivos sobre a circulação de exemplares da publicação. O número 628, de 1994, intitulado PT e muito mais, aparece em primeiro lugar com 3.636 cópias. O número 571, de 1993, Chico Doido na ABL, alcançou 822 cópias. O número 614, de 1994, Ave Maria, teve 746 cópias. O número 710, de 1995, Balaio manifesto, registra 574 cópias.
A relação prossegue com o número 566, de 1993, Poetança, com 560 cópias. O número 171, de 1988, PTesão, aparece com 460 cópias. O número 593, de 1994, Mensagem de Chico Doido, também registra 460 cópias. O número 372, de 1992, Caicó, 1956, teve 440 cópias. O número 656, de 1994, Por um Brasil decente, alcançou 430 cópias. O número 364, de 1992, Coquetel nerdatov, aparece com 412 cópias.
Moacy Cirne registra ainda que a tiragem acumulada de Balaio até aquele momento alcançava 156.544 cópias. Essa informação é especialmente importante para compreender a dimensão da circulação independente do projeto editorial e demonstra que Balaio não funcionava apenas como experiência privada ou artesanal, mas como rede continuada de distribuição de textos, opiniões, poemas e referências culturais.
A segunda seção tem o título Primeiras Impressões sobre a Carta Bomba de Glauber. Moacy Cirne comenta uma carta de Glauber Rocha dirigida a Celso Amorim, datada de 1981 e divulgada posteriormente pelo suplemento Mais da Folha de S.Paulo. Cirne contrapõe o documento a uma entrevista de Bruno Tolentino publicada naquele ano pela revista Veja e considera que a carta de Glauber merecia reflexão crítica por aqueles interessados em pensar e problematizar as culturas brasileiras.
Cirne caracteriza a carta como polêmica, assim como considera polêmicos os filmes de Glauber Rocha. Mesmo reconhecendo acertos, equívocos e contradições, afirma que Glauber continuava vivo e presente. O comentário transforma o cineasta de Terra em Transe em referência ativa para o debate sobre cinema, cultura e pensamento brasileiro, reafirmando a importância de Glauber Rocha no repertório crítico de Moacy Cirne.
Outra seção, Nossa Solidariedade a Tião Nunes, trata do poeta mineiro Sebastião Nunes e de uma controvérsia envolvendo o suplemento Mais da Folha de S.Paulo. Cirne critica a reação do jornal diante da apropriação do suplemento realizada pelo poeta em 14 de janeiro e menciona ameaças de penalidades jurídicas. Sebastião Nunes é descrito como um dos nomes mais produtivos da poemação nacional.
Moacy Cirne reproduz e comenta a resposta de Tião Nunes, centrada na defesa da liberdade de criação e numa crítica à ideia de propriedade intelectual aplicada de maneira rígida ao campo artístico. A passagem aproxima apropriação, intervenção gráfica, poesia experimental, imprensa e crítica institucional, questões importantes para compreender o ambiente artístico e literário no qual Balaio circulava.
Na parte inferior aparece a seção Cinema, Os Melhores Filmes, dedicada a Ângelo de Souza Matos, do Espírito Santo, identificado como cinéfilo. A lista reúne vinte filmes considerados relevantes e constrói um panorama internacional da história do cinema.
A seleção começa com Depois do Vendaval, de John Ford, seguido de Cantando na Chuva, de Stanley Donen e Gene Kelly, Os Brutos Também Amam, de George Stevens, No Tempo das Diligências, de John Ford, A Grande Ilusão, de Jean Renoir, Luzes da Cidade, de Charles Chaplin, Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman, e A Marca da Maldade, de Orson Welles.
A relação prossegue com Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder, Rocco e Seus Irmãos, de Luchino Visconti, Rio Bravo, de Howard Hawks, Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, Asas do Desejo, de Wim Wenders, Querelle, de Rainer Werner Fassbinder, Decameron, de Pier Paolo Pasolini, Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, Acossado, de Jean Luc Godard, Testemunha de Acusação, de Billy Wilder, A Doce Vida, de Federico Fellini, e A Noite, de Michelangelo Antonioni.
A presença de Vidas Secas e Deus e o Diabo na Terra do Sol coloca o cinema brasileiro no mesmo campo de referência de cineastas como Ford, Chaplin, Renoir, Bergman, Welles, Wilder, Visconti, Hawks, Wenders, Fassbinder, Pasolini, Godard, Fellini e Antonioni. A seleção evidencia o interesse de Cirne pela história do cinema e sua valorização de obras marcadas por invenção formal, autoria e renovação da linguagem cinematográfica.
Na conclusão, Moacy Cirne anuncia que em setembro, quando Balaio completaria dez anos de atividades, seriam divulgados os resultados de uma enquete sobre os grandes filmes do cinema. O levantamento registraria as obras mais votadas e os diretores mais citados. Cirne esclarece que se tratava de uma pesquisa realizada entre cinéfilos, incluindo críticos, mas não exclusivamente entre críticos.
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 820 constitui documento de grande interesse para pesquisas sobre Moacy Cirne, história editorial de Balaio, circulação independente, Glauber Rocha, Celso Amorim, Sebastião Nunes, Folha de S.Paulo, suplemento Mais, poesia experimental, apropriação artística, cinema brasileiro, Cinema Novo, Nelson Pereira dos Santos, cultura de massa, crítica cultural e redes intelectuais brasileiras da década de 1990.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 820, is an authorial publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on 10 May 1996. The issue belongs to the commemorative series 1986 to 1996, Dez Anos de Balaio, and is identified as number 10. The document combines editorial memory, circulation data for Balaio, reflections on Glauber Rocha, a declaration of solidarity with poet Sebastião Nunes and a selection of twenty films prepared for film enthusiast Ângelo de Souza Matos. Together these elements provide an important record of Moacy Cirnes critical, literary and editorial activities during the 1990s.
The first section presents Os Dez Balaios com Maior Tiragem and provides objective information about the circulation of the publication. Issue 628 from 1994, entitled PT e muito mais, ranks first with 3,636 copies. Issue 571 from 1993, Chico Doido na ABL, reached 822 copies. Issue 614 from 1994, Ave Maria, had 746 copies. Issue 710 from 1995, Balaio manifesto, records 574 copies.
The list continues with issue 566 from 1993, Poetança, with 560 copies. Issue 171 from 1988, PTesão, appears with 460 copies. Issue 593 from 1994, Mensagem de Chico Doido, also records 460 copies. Issue 372 from 1992, Caicó, 1956, had 440 copies. Issue 656 from 1994, Por um Brasil decente, reached 430 copies. Issue 364 from 1992, Coquetel nerdatov, appears with 412 copies.
Moacy Cirne also records that the accumulated circulation of Balaio up to that moment had reached 156,544 copies. This information is particularly important for understanding the scale of the independent editorial project and demonstrates that Balaio functioned as a continuing network for the circulation of texts, opinions, poems and cultural references.
The second section is entitled Primeiras Impressões sobre a Carta Bomba de Glauber. Moacy Cirne discusses a letter written by Glauber Rocha to Celso Amorim, dated 1981 and later published by the Mais supplement of Folha de S.Paulo. Cirne contrasts the document with an interview given by Bruno Tolentino to Veja magazine and argues that Glaubers letter deserved serious critical reflection from those interested in Brazilian culture.
Cirne describes the letter as polemical, just as the films by Glauber Rocha were themselves polemical. Despite recognizing contradictions, mistakes and valid insights, he states that Glauber remained alive and present. The comment presents the director of Terra em Transe as an active reference for debates on cinema, culture and Brazilian thought.
Another section, Nossa Solidariedade a Tião Nunes, concerns Minas Gerais poet Sebastião Nunes and a controversy involving the Mais supplement of Folha de S.Paulo. Cirne criticizes the newspapers reaction to an appropriation of the supplement made by the poet on 14 January and refers to threats of legal penalties. Sebastião Nunes is described as one of the most productive figures in Brazilian poetic creation.
Moacy Cirne comments on Tião Nunes response, which defends creative freedom and questions rigid notions of intellectual property in artistic practice. The passage connects appropriation, graphic intervention, experimental poetry, the press and institutional criticism, all important themes within the artistic and literary environment in which Balaio circulated.
The lower section is entitled Cinema, Os Melhores Filmes and is dedicated to Ângelo de Souza Matos from Espírito Santo, identified as a film enthusiast. The selection contains twenty films and creates a broad international panorama of cinema history.
The list begins with The Quiet Man by John Ford, Singin in the Rain by Stanley Donen and Gene Kelly, Shane by George Stevens, Stagecoach by John Ford, Grand Illusion by Jean Renoir, City Lights by Charles Chaplin, Wild Strawberries by Ingmar Bergman and Touch of Evil by Orson Welles.
The selection continues with Some Like It Hot by Billy Wilder, Rocco and His Brothers by Luchino Visconti, Rio Bravo by Howard Hawks, Vidas Secas by Nelson Pereira dos Santos, Wings of Desire by Wim Wenders, Querelle by Rainer Werner Fassbinder, Decameron by Pier Paolo Pasolini, Deus e o Diabo na Terra do Sol by Glauber Rocha, Breathless by Jean Luc Godard, Witness for the Prosecution by Billy Wilder, La Dolce Vita by Federico Fellini and La Notte by Michelangelo Antonioni.
The inclusion of Vidas Secas and Deus e o Diabo na Terra do Sol places Brazilian cinema within the same critical constellation as Ford, Chaplin, Renoir, Bergman, Welles, Wilder, Visconti, Hawks, Wenders, Fassbinder, Pasolini, Godard, Fellini and Antonioni. The selection reflects Cirnes continuing interest in film history and in works defined by formal invention, authorship and transformation of cinematic language.
In the conclusion, Moacy Cirne announces that in September, when Balaio would complete ten years of activity, the results of a survey on the great films of cinema would be presented. The survey would identify the most frequently selected works and the most cited directors. Cirne explains that the research was being conducted among film enthusiasts, including critics, but not exclusively among professional critics.
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 820 is an important document for research on Moacy Cirne, the editorial history of Balaio, independent circulation, Glauber Rocha, Celso Amorim, Sebastião Nunes, Folha de S.Paulo, the Mais supplement, experimental poetry, artistic appropriation, Brazilian cinema, Cinema Novo, Nelson Pereira dos Santos, mass culture, cultural criticism and Brazilian intellectual networks of the 1990s.
