Balaio Incomun, Folha Porreta, X 852, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 3 de julho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 42
Moacy Cirne
04280 - 3 de julho de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 852, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 3 de julho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 42, e reúne teoria política, marxismo, anarquismo, pensamento revolucionário, filosofia, cinema, crítica cultural, participação de leitores e sátira política brasileira. A diversidade de assuntos revela a estrutura intelectual e provocadora de Balaio Incomun, publicação independente concebida por Moacy Cirne como espaço de circulação de ideias, repertórios culturais e comentário sobre a sociedade brasileira.
A abertura apresenta Dez obras políticas da maior importância, seleção que reúne textos fundamentais do pensamento político dos séculos XIX e XX. São relacionados Manifesto comunista, de 1848, de Karl Marx e Friedrich Engels, Pour Marx, de 1965, de Louis Althusser, O Estado e a revolução, de 1917, de Vladimir Lênin, Cadernos do cárcere, datados no documento de 1929 a 1937, de Antonio Gramsci, Relatório sobre Hunan, de 1927, de Mao Tsé Tung, Vigiar e punir, de 1975, de Michel Foucault, Questões de organização da socialdemocracia russa, de 1904, de Rosa Luxemburgo, A revolução traída, de 1936, de Leon Trotski, Sobre a ditadura do proletariado, de 1976, de Étienne Balibar, e Estatismo e anarquia, de 1873, de Mikhail Bakunin.
A lista constitui um panorama de diferentes tradições do pensamento revolucionário e crítico. Marx, Engels, Lênin, Gramsci, Mao, Rosa Luxemburgo e Trotski representam vertentes marxistas e socialistas. Althusser e Balibar ampliam o conjunto para debates filosóficos e teóricos do marxismo no século XX. Foucault introduz a análise das instituições disciplinares, do poder e da punição. Bakunin acrescenta a tradição anarquista. A seleção registra de maneira direta parte do repertório político e intelectual considerado relevante por Moacy Cirne em 1996.
Na seção Cinema, Os melhores filmes, aparece inicialmente a seleção de João Paulo Barreto Jr., do Rio de Janeiro, identificado como cinéfilo. Sua relação inclui Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais, O jovem Frankenstein, de Mel Brooks, O rei da comédia, de Martin Scorsese, Lolita, de Stanley Kubrick, Dodeskaden, de Akira Kurosawa, Lanternas vermelhas, de Zhang Yimou, Noivo neurótico, noiva nervosa, de Woody Allen, Week end à francesa, de Jean Luc Godard, Sorrisos de uma noite de amor, de Ingmar Bergman, Carrossel da esperança, associado a Jacques Tati, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, O encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, No tempo das diligências, de John Ford, A bela da tarde, de Luis Buñuel, A noite, de Michelangelo Antonioni, A marca da maldade, de Orson Welles, A guerra do fogo, de Jean Jacques Annaud, A viagem do Capitão Tornado, de Ettore Scola, O último imperador, de Bernardo Bertolucci, e Verdades e mentiras, de Orson Welles.
A segunda seleção cinematográfica é de Angela Marques, do Rio de Janeiro, identificada como poeta. Sua lista apresenta O encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, Verdades e mentiras, de Orson Welles, Sociedade dos Poetas Mortos, de Peter Weir, O passageiro, de Michelangelo Antonioni, O estranho caminho de Santiago, de Luis Buñuel, A fraternidade é vermelha, de Krzysztof Kieslowski, O tesouro de Sierra Madre, de John Huston, Audazes e malditos, de John Ford, Ivan, o terrível, de Sergei Eisenstein, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais, O grito, de Michelangelo Antonioni, Mon oncle, de Jacques Tati, Morangos silvestres, de Ingmar Bergman, Pierrot le fou, de Jean Luc Godard, Ano passado em Marienbad, de Alain Resnais, O carteiro e o poeta, associado a Michael Radford, Drácula, de Francis Ford Coppola, Cidadão Kane, de Orson Welles, e A última loucura de Mel Brooks, de Mel Brooks.
As duas listas reforçam recorrências importantes na enquete cinematográfica promovida por Moacy Cirne. Orson Welles, Alain Resnais, Sergei Eisenstein, Glauber Rocha, Michelangelo Antonioni, Luis Buñuel, Ingmar Bergman, Jean Luc Godard e outros nomes aparecem novamente entre os cineastas valorizados pelos participantes. O documento reúne cinema brasileiro, cinema soviético, nouvelle vague francesa, cinema italiano, cinema japonês, cinema norte americano e produções de diferentes períodos históricos.
A presença de Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, nas duas seleções deste número reforça o lugar do Cinema Novo brasileiro dentro da enquete. A recorrência de Cidadão Kane, Hiroshima, meu amor, O encouraçado Potemkin e outras obras ao longo dos números comemorativos permite compreender Balaio Incomun também como um levantamento coletivo de memória e preferência cinematográfica.
Na seção Em tempo, Moacy Cirne informa uma mudança importante no cronograma da enquete. Em razão do recesso escolar em setembro, o resultado final seria antecipado para agosto. Até 31 de julho de 1996, indicada como nova data, seriam recebidas as últimas listas e as respostas dos alunos que concorreriam a dez livros e um CD ao apontar os três diretores mais citados.
O texto anuncia que em 7 de agosto seria publicado um Balaio especial com o título Melhores filmes de nossas vidas. Na ocasião seria conhecido o nome do aluno vencedor, por sorteio ou pelo acerto da resposta. Esse registro permite reconstruir a organização temporal da enquete cinematográfica e mostra o envolvimento direto dos estudantes na série comemorativa Dez anos de Balaio.
Na parte inferior aparece Pesquisa Databalaio, com a pergunta Quem matou PC Farias. A seção emprega humor político, absurdo e paródia ao apresentar uma série de respostas deliberadamente provocadoras. Entre os nomes mencionados estão Fernando Collor de Mello, Virgulino Lampião, Ipojuca Pontes, Chico Anysio, Castor de Andrade, Antônio Carlos Magalhães, Eugênio Sales e Edir Macedo. O texto também faz referências à TV Globo, ao Departamento de Telenovelas, à Secretaria de Assuntos Cabalísticos em Maceió, à Casa da Dinda e à polícia alagoana.
A Pesquisa Databalaio deve ser compreendida como sátira editorial e não como atribuição factual de responsabilidade pelo caso PC Farias. Moacy Cirne utiliza nomes de políticos, religiosos, artistas e personagens da memória brasileira para construir uma enquete absurda sobre um episódio de enorme repercussão nacional. O recurso estabelece uma crítica à política, aos meios de comunicação e ao clima de especulação que envolvia a morte de Paulo César Farias em 1996.
O número X 852 apresenta assim uma combinação particularmente expressiva de teoria política, pensamento revolucionário, cinema e sátira da conjuntura brasileira. Marx, Engels, Althusser, Lênin, Gramsci, Mao, Foucault, Rosa Luxemburgo, Trotski, Balibar e Bakunin aparecem lado a lado com Glauber Rocha, Orson Welles, Eisenstein, Resnais, Buñuel, Antonioni, Godard, Bergman, Kubrick e outros cineastas, enquanto a Pesquisa Databalaio insere a publicação diretamente nos debates políticos e midiáticos do Brasil de 1996.
Balaio Incomun X 852 constitui fonte primária relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Dez anos de Balaio, marxismo, anarquismo, teoria política, Karl Marx, Friedrich Engels, Louis Althusser, Vladimir Lênin, Antonio Gramsci, Mao Tsé Tung, Michel Foucault, Rosa Luxemburgo, Leon Trotski, Étienne Balibar, Mikhail Bakunin, cinema brasileiro, Cinema Novo, Glauber Rocha, crítica cinematográfica, João Paulo Barreto Jr., Angela Marques, PC Farias, Fernando Collor de Mello, sátira política, humor, cultura brasileira e imprensa independente da década de 1990.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 852, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 3 July 1996. The document belongs to the commemorative series 1986 1996 Ten Years of Balaio, number 42, and brings together political theory, Marxism, anarchism, revolutionary thought, philosophy, cinema, cultural criticism, reader participation and Brazilian political satire. The diversity of subjects demonstrates the intellectual and provocative structure of Balaio Incomun, an independent publication conceived by Moacy Cirne as a space for the circulation of ideas, cultural repertoires and commentary on Brazilian society.
The opening section presents Ten political works of major importance, a selection bringing together fundamental texts of nineteenth and twentieth century political thought. The works listed are The Communist Manifesto, from 1848, by Karl Marx and Friedrich Engels, Pour Marx, from 1965, by Louis Althusser, The State and Revolution, from 1917, by Vladimir Lenin, Prison Notebooks, dated in the document from 1929 to 1937, by Antonio Gramsci, Report on Hunan, from 1927, by Mao Tse Tung, Discipline and Punish, from 1975, by Michel Foucault, Organizational Questions of Russian Social Democracy, from 1904, by Rosa Luxemburg, The Revolution Betrayed, from 1936, by Leon Trotsky, On the Dictatorship of the Proletariat, from 1976, by Étienne Balibar, and Statism and Anarchy, from 1873, by Mikhail Bakunin.
The list provides a panorama of different traditions of revolutionary and critical thought. Marx, Engels, Lenin, Gramsci, Mao, Rosa Luxemburg and Trotsky represent Marxist and socialist traditions. Althusser and Balibar extend the selection into philosophical and theoretical debates within twentieth century Marxism. Foucault introduces the analysis of disciplinary institutions, power and punishment. Bakunin adds the anarchist tradition. The selection directly records part of the political and intellectual repertoire considered significant by Moacy Cirne in 1996.
In the Cinema section, The Best Films, the first selection is by João Paulo Barreto Jr. from Rio de Janeiro, identified as a cinephile. His list includes Hiroshima mon amour by Alain Resnais, Young Frankenstein by Mel Brooks, The King of Comedy by Martin Scorsese, Lolita by Stanley Kubrick, Dodeskaden by Akira Kurosawa, Raise the Red Lantern by Zhang Yimou, Annie Hall by Woody Allen, Weekend by Jean Luc Godard, Smiles of a Summer Night by Ingmar Bergman, Carrossel da esperança associated with Jacques Tati, Black God White Devil by Glauber Rocha, Battleship Potemkin by Sergei Eisenstein, Stagecoach by John Ford, Belle de Jour by Luis Buñuel, La Notte by Michelangelo Antonioni, Touch of Evil by Orson Welles, Quest for Fire by Jean Jacques Annaud, The Voyage of Captain Fracassa by Ettore Scola, The Last Emperor by Bernardo Bertolucci, and F for Fake by Orson Welles.
The second cinematic selection is by Angela Marques from Rio de Janeiro, identified as a poet. Her list presents Battleship Potemkin by Sergei Eisenstein, F for Fake by Orson Welles, Dead Poets Society by Peter Weir, The Passenger by Michelangelo Antonioni, The Strange Path of Santiago by Luis Buñuel, Three Colors Red by Krzysztof Kieslowski, The Treasure of the Sierra Madre by John Huston, Audazes e malditos by John Ford, Ivan the Terrible by Sergei Eisenstein, Black God White Devil by Glauber Rocha, Hiroshima mon amour by Alain Resnais, Il Grido by Michelangelo Antonioni, Mon Oncle by Jacques Tati, Wild Strawberries by Ingmar Bergman, Pierrot le fou by Jean Luc Godard, Last Year at Marienbad by Alain Resnais, The Postman associated with Michael Radford, Dracula by Francis Ford Coppola, Citizen Kane by Orson Welles, and The Last Madness of Mel Brooks by Mel Brooks.
The two lists reinforce important recurring names within the film survey organized by Moacy Cirne. Orson Welles, Alain Resnais, Sergei Eisenstein, Glauber Rocha, Michelangelo Antonioni, Luis Buñuel, Ingmar Bergman, Jean Luc Godard and other filmmakers appear again among those valued by the participants. The document brings together Brazilian cinema, Soviet cinema, the French New Wave, Italian cinema, Japanese cinema, American cinema and films from different historical periods.
The presence of Black God White Devil by Glauber Rocha in both selections reinforces the position of Brazilian Cinema Novo within the survey. The recurrence of Citizen Kane, Hiroshima mon amour, Battleship Potemkin and other works throughout the commemorative issues also makes Balaio Incomun a collective record of cinematic memory and preference.
In the section Em tempo, Moacy Cirne announces an important change in the schedule of the survey. Because of the school recess in September, the final result would be brought forward to August. Until 31 July 1996, identified as the new deadline, the publication would receive the final lists and the answers from students competing for ten books and one CD by identifying the three most frequently cited directors.
The text announces that on 7 August a special Balaio would be published under the title Best Films of Our Lives. On that occasion the name of the winning student would become known, either through a drawing or through a correct answer. This information helps reconstruct the chronology of the cinematic survey and demonstrates direct student participation in the Ten Years of Balaio commemorative series.
At the bottom appears Pesquisa Databalaio with the question Who killed PC Farias. The section uses political humor, absurdity and parody by presenting deliberately provocative possible answers. The names mentioned include Fernando Collor de Mello, Virgulino Lampião, Ipojuca Pontes, Chico Anysio, Castor de Andrade, Antônio Carlos Magalhães, Eugênio Sales and Edir Macedo. The text also refers to TV Globo, its television drama department, a fictional Secretariat of Cabalistic Affairs in Maceió, Casa da Dinda and the police of Alagoas.
Pesquisa Databalaio should be understood as editorial satire rather than a factual attribution of responsibility for the PC Farias case. Moacy Cirne combines politicians, religious figures, artists and characters from Brazilian memory to construct an absurd survey about an episode that had enormous national repercussions. The device criticizes politics, mass media and the atmosphere of speculation surrounding the death of Paulo César Farias in 1996.
Issue X 852 therefore presents a particularly expressive combination of political theory, revolutionary thought, cinema and satire of contemporary Brazilian events. Marx, Engels, Althusser, Lenin, Gramsci, Mao, Foucault, Rosa Luxemburg, Trotsky, Balibar and Bakunin appear alongside Glauber Rocha, Orson Welles, Eisenstein, Resnais, Buñuel, Antonioni, Godard, Bergman, Kubrick and other filmmakers, while Pesquisa Databalaio places the publication directly within the political and media debates of Brazil in 1996.
Balaio Incomun X 852 is an important primary source for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Ten Years of Balaio, Marxism, anarchism, political theory, Karl Marx, Friedrich Engels, Louis Althusser, Vladimir Lenin, Antonio Gramsci, Mao Tse Tung, Michel Foucault, Rosa Luxemburg, Leon Trotsky, Étienne Balibar, Mikhail Bakunin, Brazilian cinema, Cinema Novo, Glauber Rocha, film criticism, João Paulo Barreto Jr., Angela Marques, PC Farias, Fernando Collor de Mello, political satire, humor, Brazilian culture and independent publishing in the 1990s.
