Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1004, Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1997. 1967 1997, 30 Anos de Poema Processo.
Moacy Cirne
Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede
Acervo: 04360
Data: 22 de setembro de 1997
Dimensões: 33 x 21,5 cm
TEXTO SALSA EM PORTUGUÊSBalaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1004, Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1997. 1967 1997, 30 Anos de Poema Processo. Edição dedicada à memória e à permanência do Poema Processo três décadas após sua criação. A parte central apresenta dois poemas visuais, Privatizar, de Joaquim Branco, Minas Gerais, datado de 1994, e Bundo, de Falves Silva, Rio Grande do Norte, datado de 1997. As obras são colocadas em diálogo como exemplos da continuidade da poesia visual e da atitude crítica vinculada ao movimento. Privatizar utiliza o contorno do território brasileiro, a palavra PRIVATIZAR e a imagem simplificada de um vaso sanitário, produzindo uma crítica gráfica às políticas de privatização e ao destino do patrimônio nacional. Bundo articula fotografia, fragmentos tipográficos, letras em diferentes escalas, formas gráficas e imagens corporais em uma montagem de caráter satírico, erótico e político. A disposição descontínua dos elementos impede uma leitura verbal convencional e transforma letras, imagem e corpo em unidades de informação visual.No alto da folha, Moacy Cirne publica uma lista satírica intitulada Os Dez Maiores Escrotos da Política Brasileira a partir de 1950, reunindo nomes ligados tanto à ditadura militar quanto à política institucional brasileira posterior. São citados Emílio Garrastazu Médici, Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Fernando Collor de Mello, Jânio Quadros, Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, João Figueiredo, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney. A presença dessa lista reforça o caráter de intervenção política de Folha Porreta e situa os poemas visuais dentro de uma crítica mais ampla ao autoritarismo, à estrutura de poder e à realidade política brasileira.O exemplar constitui documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Joaquim Branco, Falves Silva, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, crítica política, privatização, montagem gráfica, linguagem visual, semiótica, contracultura e vanguardas brasileiras. A indicação 1967 1997 confirma o contexto comemorativo dos 30 anos do Poema Processo e registra a permanência de seus procedimentos críticos e visuais na produção dos anos 1990.SALSA TEXT IN ENGLISHBalaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1004, Rio de Janeiro, September 22, 1997. 1967 1997, 30 Years of Poema Processo. An issue devoted to the memory and continuing relevance of Poema Processo three decades after its creation. The central section presents two visual poems, Privatizar by Joaquim Branco from Minas Gerais, dated 1994, and Bundo by Falves Silva from Rio Grande do Norte, dated 1997. The works are placed in dialogue as examples of the continuity of visual poetry and the critical attitude associated with the movement. Privatizar uses the outline of Brazilian territory, the word PRIVATIZAR and a simplified image of a toilet, producing a graphic criticism of privatization policies and the fate of national assets. Bundo combines photography, typographic fragments, letters of different scales, graphic forms and bodily imagery in a satirical, erotic and political montage. The discontinuous arrangement of the elements prevents conventional verbal reading and transforms letters, image and body into units of visual information.At the top of the sheet, Moacy Cirne publishes a satirical list titled Os Dez Maiores Escrotos da Política Brasileira a partir de 1950, bringing together figures associated both with the military dictatorship and with later Brazilian institutional politics. The names include Emílio Garrastazu Médici, Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Fernando Collor de Mello, Jânio Quadros, Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, João Figueiredo, Fernando Henrique Cardoso and José Sarney. The presence of this list reinforces the interventionist political character of Folha Porreta and places the visual poems within a broader criticism of authoritarianism, structures of power and Brazilian political reality.The issue is a relevant document for research on Moacy Cirne, Joaquim Branco, Falves Silva, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, political criticism, privatization, graphic montage, visual language, semiotics, counterculture and Brazilian avant garde movements. The indication 1967 1997 confirms the context of the 30th anniversary of Poema Processo and records the persistence of its critical and visual procedures in artistic production of the 1990s.
TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSExemplar XII 1004 de Balaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, datado do Rio de Janeiro em 22 de setembro de 1997. A folha traz no centro a indicação 1967 1997: 30 Anos de Poema Processo e apresenta duas obras visuais identificadas com seus autores, procedência e data. A primeira é Privatizar, de Joaquim Branco, Minas Gerais, 1994. A segunda é Bundo, de Falves Silva, Rio Grande do Norte, 1997.Privatizar apresenta o desenho esquemático do mapa do Brasil com a palavra PRIVATIZAR atravessando seu interior. Abaixo aparece uma representação de vaso sanitário acompanhada da indicação WC. A relação entre território nacional, privatização e imagem sanitária produz uma metáfora visual de caráter político e satírico. O poema reduz a quantidade de elementos para obter impacto imediato, utilizando palavra, mapa e pictograma como signos interdependentes. A composição aproxima poesia visual, cartum político e crítica econômica.A obra Bundo, de Falves Silva, apresenta estrutura mais densa e fragmentária. Uma fotografia de caráter corporal é cercada e parcialmente coberta por grandes letras, caracteres de estilos tipográficos variados, fragmentos de palavras e elementos visuais sobrepostos. Um olho aparece destacado na região central superior da montagem. Letras de grande dimensão ocupam as margens e atravessam a fotografia, enquanto outras imagens aparecem na área inferior. O procedimento transforma o corpo fotografado em campo de intervenção gráfica e cria uma leitura simultaneamente visual, tipográfica e semântica. A fragmentação impede a estabilização de uma frase única e aproxima o trabalho das estratégias do Poema Processo, nas quais a informação pode surgir de relações entre signos, imagens, cortes, deslocamentos e recombinações.No alto da folha encontra se a lista Os Dez Maiores Escrotos da Política Brasileira a partir de 1950. A lista constitui uma intervenção editorial explicitamente satírica de Moacy Cirne e apresenta, em sequência, Emílio Garrastazu Médici, Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Fernando Collor de Mello, Jânio Quadros, Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, João Figueiredo, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney. A presença conjunta de presidentes da ditadura militar, políticos civis e figuras do poder institucional revela o caráter de crítica política direta característico de Folha Porreta.A associação entre essa lista e os poemas de Joaquim Branco e Falves Silva produz uma página em que crítica política e poesia visual funcionam conjuntamente. O exemplar mostra que, nas comemorações dos 30 anos do Poema Processo, Moacy Cirne não apresenta o movimento apenas como episódio histórico de 1967, mas como linguagem crítica ainda capaz de responder a questões contemporâneas de 1997, entre elas privatização, poder político, autoritarismo, corpo, mídia e comunicação visual.O documento possui especial valor para indexação sobre Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XII 1004, Joaquim Branco, Privatizar, Falves Silva, Bundo, Poema Processo 1967 1997, 30 anos do Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, arte política, crítica à privatização, montagem gráfica, tipografia experimental, semiótica visual, Rio de Janeiro, Natal, Minas Gerais e cultura brasileira da década de 1990.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHIssue XII 1004 of Balaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, dated Rio de Janeiro, September 22, 1997. At the center of the sheet appears the indication 1967 1997: 30 Years of Poema Processo, followed by two visual works identified by author, place and date. The first is Privatizar by Joaquim Branco from Minas Gerais, dated 1994. The second is Bundo by Falves Silva from Rio Grande do Norte, dated 1997.Privatizar presents a schematic outline of the map of Brazil with the word PRIVATIZAR crossing its interior. Below it appears a representation of a toilet accompanied by the indication WC. The relationship between national territory, privatization and sanitary imagery creates a political and satirical visual metaphor. The poem reduces the number of elements in order to achieve immediate impact, using word, map and pictogram as interdependent signs. The composition brings visual poetry, political cartoon and economic criticism into the same field.Bundo by Falves Silva presents a denser and more fragmented structure. A bodily photographic image is surrounded and partially covered by large letters, characters in different typographic styles, word fragments and superimposed visual elements. An eye is emphasized in the upper central area of the montage. Large scale letters occupy the margins and cross the photograph, while other images appear in the lower section. The procedure transforms the photographed body into a field of graphic intervention and creates a reading that is simultaneously visual, typographic and semantic. Fragmentation prevents the stabilization of a single sentence and brings the work close to strategies associated with Poema Processo, in which information may arise through relationships among signs, images, cuts, displacements and recombinations.At the top of the sheet appears the list Os Dez Maiores Escrotos da Política Brasileira a partir de 1950. The list is an explicitly satirical editorial intervention by Moacy Cirne and presents Emílio Garrastazu Médici, Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Fernando Collor de Mello, Jânio Quadros, Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, João Figueiredo, Fernando Henrique Cardoso and José Sarney. The combined presence of presidents associated with the military dictatorship, civilian politicians and figures of institutional power reveals the direct political criticism characteristic of Folha Porreta.The association between this list and the visual poems by Joaquim Branco and Falves Silva creates a page in which political criticism and visual poetry operate together. The issue shows that during the 30th anniversary commemorations of Poema Processo, Moacy Cirne presented the movement not only as a historical event from 1967 but also as a critical language still capable of responding to contemporary issues in 1997, including privatization, political power, authoritarianism, the body, media and visual communication.The document has particular value for indexing Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XII 1004, Joaquim Branco, Privatizar, Falves Silva, Bundo, Poema Processo 1967 1997, 30 years of Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, political art, criticism of privatization, graphic montage, experimental typography, visual semiotics, Rio de Janeiro, Natal, Minas Gerais and Brazilian culture of the 1990s.
Inglês
Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1004, Rio de Janeiro, September 22, 1997. 1967 1997, 30 Years of Poema Processo.
Dimensions: 13 x 8,5 in
