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Balaio Incomun, Folha Porreta, X 883, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 6 de agosto de 1996.

Moacy Cirne

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04289 - 6 de agosto de 1996. - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 883, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 6 de agosto de 1996. O documento apresenta o ensaio Sobre Os Melhores Filmes, texto crítico que comenta e interpreta os resultados da grande enquete cinematográfica promovida por Balaio Incomun e consolidada no número X 882. Mais do que apresentar preferências, Moacy Cirne discute cinefilia, formação de repertórios, crítica cinematográfica, cânone, participação dos leitores e diferenças entre uma pesquisa cultural independente e uma enquete realizada pela grande imprensa.

Moacy Cirne informa que a pesquisa de Balaio reuniu um universo de 174 cinéfilos. Segundo o texto, o grupo privilegiou em primeiro lugar poetas, artistas e escritores, que correspondiam a 40,22 por cento dos participantes. Em segundo lugar estavam professores de arte, comunicação e cinema, com 25,28 por cento. Para Cirne, a consistência crítica do resultado publicado no Balaio X 882 demonstrava a existência no Brasil de uma sensibilidade cinematográfica maior do que aquela reconhecida por muitos especialistas.

O autor caracteriza o leitor de Balaio como um leitor experiente, bem informado e politizado. Essa característica explicaria, em sua interpretação, o resultado da enquete, que colocou Cidadão Kane, de Orson Welles, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, e Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais, nas primeiras posições. Para Moacy Cirne, essa classificação não deveria causar surpresa, a não ser positivamente em alguns aspectos.

Como exercício comparativo, Cirne confronta a pesquisa de Balaio com uma enquete publicada pela Folha de S Paulo em maio de 1995, realizada com aproximadamente cem críticos e especialistas de diferentes partes do mundo. Ele ressalta que, mesmo considerando a relatividade de qualquer pesquisa sobre gosto cinematográfico, a lista de Balaio não ficaria atrás de outras amostragens do gênero. Também lembra que os críticos consultados pela Folha podiam indicar somente dez filmes, circunstância metodológica importante para compreender as diferenças entre os resultados.

Entre as diferenças, Cirne chama atenção para a presença expressiva do cinema japonês na pesquisa da Folha. Rashomon aparece em quarto lugar, Era uma vez em Tóquio em nono, e Os sete samurais em vigésimo quarto. Em contraste, nenhum filme japonês aparece entre as primeiras posições da classificação final de Balaio.

Outros títulos destacados por Cirne na lista da Folha são Aurora, em sétimo lugar, Ladrões de bicicleta, em vigésimo, L Atalante, em vigésimo terceiro, A paixão de Joana d Arc, em vigésimo quinto, e M, o vampiro de Düsseldorf, em vigésimo nono. A comparação permite visualizar diferenças concretas na composição dos dois cânones cinematográficos.

Moacy Cirne observa também que na classificação da Folha não havia filme brasileiro entre as posições de maior destaque. Ele chama atenção ainda para a ausência ou menor presença de obras de Michelangelo Antonioni, Luis Buñuel, Luchino Visconti, Alain Resnais e Pier Paolo Pasolini em relação ao repertório valorizado pelos leitores de Balaio.

Casablanca aparece como outro exemplo utilizado por Cirne. O filme ocupava a vigésima segunda posição na pesquisa da Folha e o autor considera essa colocação relativamente modesta. Apocalypse Now, classificado em oitavo lugar naquela pesquisa, também é comentado por Cirne, que reconhece sua importância, mas afirma existirem filmes melhores.

A regra do jogo, de Jean Renoir, constitui um caso especialmente discutido. O filme aparece em segundo lugar na pesquisa da Folha e em vigésimo quarto no Balaio. Moacy Cirne reconhece A regra do jogo como uma das grandes obras da história do cinema e considera que poderia ter alcançado posição superior em sua própria enquete se um número maior de participantes o conhecesse.

O texto apresenta então uma comparação direta entre os filmes presentes nas duas classificações. Cidadão Kane aparece em primeiro lugar nas duas pesquisas. O encouraçado Potemkin ocupa o quarto lugar no Balaio e o terceiro na Folha. Amarcord aparece em sexto e décimo. Acossado em sétimo e décimo segundo. 2001 uma odisseia no espaço em oitavo e décimo primeiro. Tempos modernos em décimo primeiro e décimo terceiro. Cantando na chuva em décimo quarto nas duas listas.

A marca da maldade aparece em décimo sétimo no Balaio e trigésimo na Folha. Oito e meio ocupa o décimo oitavo lugar no Balaio e o sexto na Folha. A grande ilusão aparece em vigésimo e vigésimo sétimo. Um corpo que cai ocupa o vigésimo segundo lugar no Balaio e o quinto na Folha. A regra do jogo aparece em vigésimo quarto no Balaio e segundo na Folha. Em busca do ouro ocupa o vigésimo quinto lugar no Balaio e o décimo sétimo na Folha.

Moacy Cirne identifica, portanto, treze filmes coincidentes entre as duas classificações. Em vez de considerar esse grupo como um cânone definitivo, pergunta se seriam realmente os maiores filmes da história do cinema e responde que não acredita nessa possibilidade de consenso absoluto.

Como contraponto, lembra obras como Hiroshima, meu amor, Morangos silvestres, Deus e o diabo na terra do sol, Vidas secas e Terra em transe. Também cita A aventura, Janela indiscreta, Pierrot le fou e No tempo das diligências, além de filmes que não apareceram simultaneamente no Balaio e na Folha, como Greed, O homem da câmera, Desencanto e O tesouro de Sierra Madre.

A presença de Deus e o diabo na terra do sol, Vidas secas e Terra em transe nesse argumento é especialmente significativa. O texto não trata o cinema brasileiro como complemento periférico de um cânone internacional. Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos aparecem integrados à discussão sobre as grandes obras da história cinematográfica, demonstrando a importância do Cinema Novo na cultura crítica representada pela enquete de Balaio.

Na parte inferior da folha Moacy Cirne começa uma análise cronológica dos resultados. Na lista final de Balaio aparecem dois filmes dos anos 1920, quatro dos anos 1930, um dos anos 1940, sete dos anos 1950, quatorze dos anos 1960, um dos anos 1970 e um dos anos 1980. A concentração de quatorze títulos nos anos 1960 demonstra o peso do cinema moderno na formação do repertório dos participantes.

O documento prossegue iniciando uma comparação com a distribuição cronológica da lista da Folha, mas a reprodução disponível termina antes da conclusão integral desse trecho. Por isso, os dados restantes não devem ser reconstruídos sem consulta à continuação ou ao documento original.

Balaio Incomun X 883 possui grande valor documental porque registra a reflexão de Moacy Cirne sobre a própria metodologia de uma pesquisa cultural. O autor não apenas apresenta resultados, mas analisa o perfil dos participantes, compara rankings, identifica diferenças de repertório, considera problemas de circulação das obras e questiona a possibilidade de estabelecer um cânone cinematográfico universal e definitivo.

O exemplar também funciona como continuação crítica de Balaio Incomun X 882, publicado na mesma data. Enquanto X 882 consolida numericamente os resultados de Os Melhores Filmes segundo os leitores do Balaio, X 883 interpreta esses dados e os confronta com uma pesquisa externa. Os dois documentos formam, portanto, um conjunto complementar para a história da cinefilia e da crítica cinematográfica brasileira.

Trata se de fonte primária relevante para pesquisas e indexação sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, X 883, Sobre Os Melhores Filmes, cinema, história do cinema, crítica cinematográfica, cinefilia brasileira, recepção cinematográfica, enquete de cinema, cânone cinematográfico, Folha de S Paulo, cinema brasileiro, Cinema Novo, Glauber Rocha, Deus e o diabo na terra do sol, Terra em transe, Nelson Pereira dos Santos, Vidas secas, Orson Welles, Cidadão Kane, Alain Resnais, Hiroshima meu amor, Sergei Eisenstein, O encouraçado Potemkin, Federico Fellini, Amarcord, Jean Luc Godard, Acossado, Stanley Kubrick, 2001 uma odisseia no espaço, Charles Chaplin, Tempos modernos, Alfred Hitchcock, Um corpo que cai, Jean Renoir, A regra do jogo, Luis Buñuel, Michelangelo Antonioni, Luchino Visconti, Pier Paolo Pasolini, cinema moderno, cultura cinematográfica e imprensa independente brasileira dos anos 1990.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 883, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 6 August 1996. The document presents the essay Sobre Os Melhores Filmes, a critical text interpreting the results of the major film survey organized by Balaio Incomun and consolidated in issue X 882. Rather than simply presenting preferences, Moacy Cirne discusses cinephilia, repertoire formation, film criticism, canon building, reader participation and differences between an independent cultural survey and a poll conducted by the mainstream press.

Moacy Cirne states that the Balaio survey involved 174 cinephiles. According to the text, poets, artists and writers represented 40.22 percent of participants and formed the largest group. Professors of art, communication and cinema were second with 25.28 percent. For Cirne, the critical consistency of the results published in Balaio X 882 demonstrated that Brazil possessed a cinematic sensitivity greater than that recognized by many supposed specialists.

The author describes the Balaio reader as experienced, well informed and politically aware. In his interpretation, this helps explain a result in which Citizen Kane by Orson Welles, Black God White Devil by Glauber Rocha and Hiroshima mon amour by Alain Resnais occupied the leading positions. For Moacy Cirne, the result should not have been surprising except in a positive sense.

Cirne then compares the Balaio survey with a poll published by Folha de S Paulo in May 1995 involving approximately one hundred critics and specialists from different parts of the world. Although he acknowledges the relativity inherent in any survey of cinematic taste, he argues that the Balaio results do not fall behind other surveys of the same kind. He also notes that the critics consulted by Folha were allowed to select only ten films, an important methodological difference between the two surveys.

Among the differences, Cirne emphasizes the strong presence of Japanese cinema in the Folha poll. Rashomon appears in fourth place, Tokyo Story in ninth and Seven Samurai in twenty fourth. By contrast, no Japanese film appears among the highest positions in the final Balaio ranking.

Other titles highlighted by Cirne in the Folha list include Sunrise in seventh place, Bicycle Thieves in twentieth, L Atalante in twenty third, The Passion of Joan of Arc in twenty fifth and M in twenty ninth. The comparison makes visible substantial differences in the composition of the two cinematic canons.

Moacy Cirne also observes that the Folha ranking contained no Brazilian film among its principal positions. He further notes the absence or reduced prominence of works by Michelangelo Antonioni, Luis Buñuel, Luchino Visconti, Alain Resnais and Pier Paolo Pasolini when compared with the repertoire favored by Balaio readers.

Casablanca provides another example in Cirne's argument. It occupied twenty second place in the Folha survey, a position he considered relatively modest. Apocalypse Now, ranked eighth in that survey, is also discussed. Cirne acknowledges its importance but states that there are better films.

The Rules of the Game by Jean Renoir receives particular attention. It ranked second in the Folha survey and twenty fourth in Balaio. Moacy Cirne recognizes The Rules of the Game as one of the great works in film history and suggests that it could have achieved a higher position in the Balaio survey if a greater number of participants had known the film.

The document then directly compares films appearing in both rankings. Citizen Kane is first in both surveys. Battleship Potemkin ranks fourth in Balaio and third in Folha. Amarcord appears sixth and tenth. Breathless appears seventh and twelfth. 2001 A Space Odyssey appears eighth and eleventh. Modern Times appears eleventh and thirteenth. Singin in the Rain occupies fourteenth place in both rankings.

Touch of Evil is seventeenth in Balaio and thirtieth in Folha. Eight and a Half is eighteenth in Balaio and sixth in Folha. Grand Illusion is twentieth and twenty seventh. Vertigo is twenty second in Balaio and fifth in Folha. The Rules of the Game is twenty fourth in Balaio and second in Folha. The Gold Rush is twenty fifth in Balaio and seventeenth in Folha.

Moacy Cirne therefore identifies thirteen films common to the two rankings. Rather than treating them as a definitive canon, he asks whether these would truly be the greatest films in cinema history and rejects the possibility of such an absolute consensus.

As a counterpoint he recalls works such as Hiroshima mon amour, Wild Strawberries, Black God White Devil, Barren Lives and Entranced Earth. He also mentions L Avventura, Rear Window, Pierrot le fou and Stagecoach, together with films that did not appear simultaneously in the Balaio and Folha lists, including Greed, Man with a Movie Camera, Brief Encounter and The Treasure of the Sierra Madre.

The presence of Black God White Devil, Barren Lives and Entranced Earth in this argument is particularly significant. Brazilian cinema is not treated as a peripheral addition to an international canon. Glauber Rocha and Nelson Pereira dos Santos are integrated directly into the discussion of major works in film history, demonstrating the importance of Cinema Novo within the critical culture represented by the Balaio survey.

In the lower section of the sheet Moacy Cirne begins a chronological analysis of the results. The final Balaio list contains two films from the 1920s, four from the 1930s, one from the 1940s, seven from the 1950s, fourteen from the 1960s, one from the 1970s and one from the 1980s. The concentration of fourteen films from the 1960s demonstrates the decisive importance of modern cinema in the repertoire of participants.

The document then begins a comparison with the chronological distribution of the Folha list, but the available reproduction ends before this passage is complete. The remaining data should therefore not be reconstructed without consulting the continuation or the original document.

Balaio Incomun X 883 has major documentary value because it records Moacy Cirne reflecting on the methodology of a cultural survey itself. He does not merely present results but analyzes the profile of participants, compares rankings, identifies differences in cultural repertoire, considers problems of film circulation and questions the possibility of establishing a universal and definitive cinematic canon.

The issue also functions as a critical continuation of Balaio Incomun X 882, published on the same date. While X 882 numerically consolidates the results of The Best Films According to Balaio Readers, X 883 interprets those figures and compares them with an external survey. The two documents therefore form a complementary group for the history of Brazilian cinephilia and film criticism.

This is an important primary source for research and indexing concerning Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, X 883, Sobre Os Melhores Filmes, cinema, film history, film criticism, Brazilian cinephilia, film reception, film surveys, cinematic canon formation, Folha de S Paulo, Brazilian cinema, Cinema Novo, Glauber Rocha, Black God White Devil, Entranced Earth, Nelson Pereira dos Santos, Barren Lives, Orson Welles, Citizen Kane, Alain Resnais, Hiroshima mon amour, Sergei Eisenstein, Battleship Potemkin, Federico Fellini, Amarcord, Jean Luc Godard, Breathless, Stanley Kubrick, 2001 A Space Odyssey, Charles Chaplin, Modern Times, Alfred Hitchcock, Vertigo, Jean Renoir, The Rules of the Game, Luis Buñuel, Michelangelo Antonioni, Luchino Visconti, Pier Paolo Pasolini, modern cinema, film culture and Brazilian independent publishing during the 1990s.