Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 933, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 19 de março de 1997, é um documento de intervenção poética, política e cultural que articula crítica social, poesia alternativa, erotismo, literatura e comentário sobre o Brasil dos anos 1990
Moacy Cirne
Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede
Acervo: 04312
Data: 19 de março de 1997
Dimensões: 33 x 21,5 cm
Texto Salsa em portuguêsBalaio Incomun, Folha Porreta, XI 933, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 19 de março de 1997, é um documento de intervenção poética, política e cultural que articula crítica social, poesia alternativa, erotismo, literatura e comentário sobre o Brasil dos anos 1990. A edição tem como texto principal Vocês Querem Pornografia, no qual Moacy Cirne desloca provocativamente o significado convencional da pornografia para empregá lo como metáfora de corrupção política, desigualdade social, fome, violência, tráfico de drogas, fascismo, preconceito e neoliberalismo.O texto inicia com uma crítica agressiva a Fernando Collor de Mello, nome associado pelo autor ao cenário político brasileiro recente. Cirne propõe que a verdadeira obscenidade social deve ser encontrada não no erotismo ou na poesia, mas na miséria, na fome e na guerra relacionada ao tráfico de drogas. Em seguida, caracteriza o fascismo e o preconceito como manifestações de uma pornografia social e política, reforçando a dimensão militante e libertária do Balaio Incomun.A crítica política prossegue com referências a Antônio Carlos Magalhães e Fernando Henrique Cardoso. Moacy Cirne relaciona essas figuras ao neoliberalismo que condenava e acrescenta como exemplos de obscenidade política o escândalo dos precatórios e a venda da Companhia Vale do Rio Doce. O documento constitui, assim, um registro direto das disputas políticas brasileiras da década de 1990 e das posições críticas assumidas por Cirne diante do governo, das privatizações, da concentração de poder e das desigualdades sociais.Em oposição ao cenário denunciado, Moacy Cirne define o próprio Balaio como espaço dedicado à poesia alternativa, à indignação, à ousadia, ao sonho, ao humor, à política, à aventura libertária e à informação cultural. Essa declaração funciona como uma síntese editorial da publicação e ajuda a compreender Balaio Incomun e Folha Porreta como instrumentos independentes de circulação de poesia, crítica cultural e pensamento político.A página incorpora ainda um Poema de Chico Doido de Caicó, composição de linguagem popular, irreverente e explicitamente erótica. O poema utiliza sexualidade, humor e exagero como mecanismos de liberdade verbal, estabelecendo referências geográficas e culturais relacionadas ao Rio Grande do Norte e ao Nordeste brasileiro, incluindo Caicó, o Grande Ponto, Mossoró e outros espaços citados no percurso imaginário do poema. A presença desse texto imediatamente após a crítica à pornografia institucional reforça o contraste proposto por Moacy Cirne entre erotismo literário e obscenidade política.Outro núcleo da página apresenta o poema Tudo, de Aricy Curvello, identificado como proveniente do livro Mais que os nomes do nada, publicado em São Paulo pela Editora do Escritor em 1996. O breve poema concentra sua reflexão na experiência do instante, naquilo que permanece e naquilo que passa, criando um contraponto lírico e condensado à intensidade política e satírica dos textos anteriores.A edição inclui também um fragmento de Cântico dos Cânticos, construído por meio das vozes Ele e Ela. O trecho recupera a tradição amorosa e sensual do texto bíblico, com imagens corporais, desejo, perfume, vinho e atração entre os amantes. Sua presença amplia a discussão sobre erotismo e sexualidade e estabelece uma relação entre poesia erótica, tradição literária e liberdade expressiva.Balaio Incomun XI 933 é uma fonte relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Poema Processo, poesia experimental, poesia alternativa, poesia erótica, literatura brasileira, contracultura, publicações independentes, crítica política e cultura brasileira dos anos 1990. O documento também reúne referências importantes a Fernando Collor de Mello, Antônio Carlos Magalhães, Fernando Henrique Cardoso, escândalo dos precatórios, privatização da Companhia Vale do Rio Doce, neoliberalismo, fascismo, preconceito, Chico Doido de Caicó, Aricy Curvello, Mais que os nomes do nada, Editora do Escritor e Cântico dos Cânticos, evidenciando a rede política, literária e cultural mobilizada por Moacy Cirne.Salsa text in EnglishBalaio Incomun, Folha Porreta, XI 933, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on March 19, 1997, is a document of poetic, political and cultural intervention combining social criticism, alternative poetry, eroticism, literature and commentary on Brazil during the 1990s. Its principal text is Vocês Querem Pornografia, in which Moacy Cirne provocatively shifts the conventional meaning of pornography and uses it as a metaphor for political corruption, social inequality, hunger, violence, drug trafficking, fascism, prejudice and neoliberalism.The text begins with an aggressive criticism of Fernando Collor de Mello, whose name is associated by the author with the recent Brazilian political landscape. Cirne proposes that true social obscenity should be found not in eroticism or poetry but in poverty, hunger and violence related to drug trafficking. He then describes fascism and prejudice as forms of social and political pornography, reinforcing the militant and libertarian dimension of Balaio Incomun.The political criticism continues through references to Antônio Carlos Magalhães and Fernando Henrique Cardoso. Moacy Cirne associates these political figures with the neoliberalism he opposed and adds the precatórios scandal and the sale of Companhia Vale do Rio Doce as examples of political obscenity. The document therefore provides direct evidence of Brazilian political disputes during the 1990s and of Cirne's critical position concerning government policies, privatization, concentrated political power and social inequality.In contrast with the reality he condemns, Moacy Cirne defines Balaio as a space devoted to alternative poetry, indignation, boldness, dreams, humor, politics, libertarian adventure and cultural information. This declaration functions as an editorial synthesis of the publication and helps characterize Balaio Incomun and Folha Porreta as independent instruments for the circulation of poetry, cultural criticism and political thought.The page also contains a Poema de Chico Doido de Caicó, written in popular, irreverent and explicitly erotic language. Sexuality, humor and exaggeration operate as forms of verbal freedom, while the poem incorporates geographical and cultural references connected with Rio Grande do Norte and northeastern Brazil, including Caicó, Grande Ponto, Mossoró and other places mentioned within its imaginary journey. Its position immediately after the political text reinforces Cirne's contrast between literary eroticism and institutional obscenity.Another section presents the poem Tudo by Aricy Curvello, identified as originating from the book Mais que os nomes do nada, published in São Paulo by Editora do Escritor in 1996. The brief poem concentrates on the experience of the present instant and on the relationship between what can be lived and what passes away, providing a lyrical and condensed counterpoint to the political and satirical intensity of the preceding material.The issue also contains a fragment of Cântico dos Cânticos structured through the alternating voices Ele and Ela. The passage draws upon the sensual and amorous tradition of the biblical Song of Songs through bodily imagery, desire, perfume, wine and attraction between lovers. Its inclusion expands the issue's exploration of eroticism and sexuality while connecting erotic poetry, literary tradition and freedom of expression.Balaio Incomun XI 933 is an important primary source for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Poema Processo, experimental poetry, alternative poetry, erotic poetry, Brazilian literature, counterculture, independent publishing, political criticism and Brazilian culture during the 1990s. The document also brings together important references to Fernando Collor de Mello, Antônio Carlos Magalhães, Fernando Henrique Cardoso, the precatórios scandal, the privatization of Companhia Vale do Rio Doce, neoliberalism, fascism, prejudice, Chico Doido de Caicó, Aricy Curvello, Mais que os nomes do nada, Editora do Escritor and Cântico dos Cânticos, revealing the broad political, literary and cultural network mobilized by Moacy Cirne.
Texto de observação em portuguêsDocumento datilografado identificado como Balaio Incomun, XI 933, Folha Porreta, de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 19 de março de 1997. A folha apresenta como núcleo principal o texto Vocês Querem Pornografia, intervenção política e satírica na qual Cirne utiliza a ideia de pornografia como metáfora para fenômenos sociais e políticos que considera obscenos.O texto menciona Fernando Collor de Mello e associa a verdadeira pornografia à miséria, à fome, à violência vinculada ao tráfico de drogas, ao fascismo e ao preconceito. Na sequência, critica o neoliberalismo e cita Antônio Carlos Magalhães e Fernando Henrique Cardoso. Também são mencionados o escândalo dos precatórios e a venda da Companhia Vale do Rio Doce, temas centrais do debate político e econômico brasileiro durante a década de 1990.Moacy Cirne estabelece em seguida uma definição programática do Balaio, apresentado como espaço de investimento na poesia alternativa, na indignação, na ousadia, no sonho, no humor, na política, na aventura libertária e na informação cultural. Essa passagem possui especial importância documental por explicitar princípios editoriais, culturais e políticos associados à publicação Balaio Incomun e Folha Porreta.A mesma folha reproduz um Poema de Chico Doido de Caicó, de conteúdo erótico explícito e linguagem popular. O texto articula sexualidade, humor, oralidade, exagero e referências geográficas nordestinas, incluindo Caicó, Grande Ponto e Mossoró. Sua inclusão estabelece um contraste deliberado entre o erotismo assumido pela poesia e aquilo que Moacy Cirne caracteriza como pornografia política e social.Também aparece o poema Tudo, de Aricy Curvello, acompanhado da referência bibliográfica ao livro Mais que os nomes do nada, São Paulo, Editora do Escritor, 1996. O poema apresenta uma formulação breve sobre viver o instante e sobre a passagem do tempo.Na parte inferior da folha encontra se um fragmento de Cântico dos Cânticos, apresentado por meio das vozes Ele e Ela e marcado por imagens amorosas e sensuais. O fragmento reforça a presença do erotismo literário como tradição poética e amplia a reflexão provocada pelo título principal da edição.Peça importante para estudos e indexação de Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Poema Processo, poesia experimental brasileira, poesia alternativa, poesia erótica, literatura marginal e independente, crítica cultural, política brasileira dos anos 1990, neoliberalismo, privatizações, Vale do Rio Doce, escândalo dos precatórios, fascismo, preconceito, Fernando Collor de Mello, Antônio Carlos Magalhães, Fernando Henrique Cardoso, Chico Doido de Caicó, Aricy Curvello, Mais que os nomes do nada, Editora do Escritor e Cântico dos Cânticos. O documento evidencia a forma como Moacy Cirne aproximava política, poesia, humor, erotismo, indignação e liberdade cultural em sua produção independente.Observation text in EnglishTypewritten document identified as Balaio Incomun, XI 933, Folha Porreta, by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, March 19, 1997. The principal section is entitled Vocês Querem Pornografia, a political and satirical intervention in which Cirne uses the concept of pornography as a metaphor for social and political phenomena he regarded as obscene.The text refers to Fernando Collor de Mello and associates true pornography with poverty, hunger, violence connected with drug trafficking, fascism and prejudice. It subsequently criticizes neoliberalism and mentions Antônio Carlos Magalhães and Fernando Henrique Cardoso. The precatórios scandal and the sale of Companhia Vale do Rio Doce are also cited, connecting the document directly with major political and economic debates in Brazil during the 1990s.Moacy Cirne then provides a programmatic definition of Balaio as a space committed to alternative poetry, indignation, boldness, dreams, humor, politics, libertarian adventure and cultural information. This passage has particular documentary importance because it explicitly records cultural, political and editorial principles associated with Balaio Incomun and Folha Porreta.The same sheet reproduces a Poema de Chico Doido de Caicó featuring explicitly erotic content and popular language. The composition combines sexuality, humor, orality, exaggeration and geographical references to northeastern Brazil, including Caicó, Grande Ponto and Mossoró. Its inclusion establishes a deliberate contrast between erotic expression in poetry and what Moacy Cirne characterizes as political and social pornography.The page also contains the poem Tudo by Aricy Curvello, accompanied by a bibliographical reference to the book Mais que os nomes do nada, São Paulo, Editora do Escritor, 1996. The poem offers a concise reflection on living the present instant and on the passage of time.At the bottom of the page is a fragment of Cântico dos Cânticos, presented through the voices Ele and Ela and characterized by sensual and amorous imagery. The fragment reinforces literary eroticism as part of a long poetic tradition and expands the conceptual discussion introduced by the principal text.This document is important for research and indexing related to Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Poema Processo, Brazilian experimental poetry, alternative poetry, erotic poetry, independent literature, cultural criticism, Brazilian politics during the 1990s, neoliberalism, privatization, Companhia Vale do Rio Doce, the precatórios scandal, fascism, prejudice, Fernando Collor de Mello, Antônio Carlos Magalhães, Fernando Henrique Cardoso, Chico Doido de Caicó, Aricy Curvello, Mais que os nomes do nada, Editora do Escritor and Cântico dos Cânticos. The document demonstrates how Moacy Cirne brought together politics, poetry, humor, eroticism, indignation and cultural freedom within his independent publishing practice.
Inglês
Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 933, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on March 19, 1997, is a document of poetic, political and cultural intervention combining social criticism, alternative poetry, eroticism, literature and commentary on Brazil during the 1990s.
Dimensions: 13 x 8,5 in
