Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 934, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 25 de março de 1997, reúne poesia, erotismo, reflexão sobre identidade sexual e uma nova etapa da série Para Uma Discografia Amorosamente Porreta.

Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 934, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 25 de março de 1997, reúne poesia, erotismo, reflexão sobre identidade sexual e uma nova etapa da série Para Uma Discografia Amorosamente Porreta.

Moacy Cirne

-Balaio+Incomun+,+Folha+Porreta+,+Moacy+Cirne+,+XI-934,+Rio+de+Janeiro+,+25+de+Março+de+1997,+Mangue+Femea.jpg

04313 - 25 de Março de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 934, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 25 de março de 1997, reúne poesia, erotismo, reflexão sobre identidade sexual e uma nova etapa da série Para Uma Discografia Amorosamente Porreta. O documento constitui fonte relevante para o estudo da produção independente de Moacy Cirne, de sua atividade crítica e editorial e das relações entre literatura, música, cultura brasileira, jazz, choro e repertório erudito no ambiente intelectual ligado ao Poema Processo.

A página abre com Mangue Fêmea, poema de Arthur Soffiati, identificado como autor de Campos dos Goitacases, Rio de Janeiro, e com indicação de publicação em O Capital, número 51, Aracaju, Sergipe. O poema desenvolve uma reflexão sobre sexualidade, memória, corpo, fertilidade e identidade. A voz poética recorda que durante anos julgou o mangue apenas como masculino, associado à potência de fecundar a terra e à figura do pai protetor. Essa percepção é transformada por uma experiência sensorial marcada pelo cheiro das entranhas do mangue, relacionado à memória sexual, ao ferro oxidado, ao sangue pisado e ao sangue menstrual.

O poema conduz então a uma revelação simbólica. O mangue é apresentado simultaneamente como pai e mãe, homem e mulher, macho e fêmea. A condição hermafrodita do ambiente natural fascina o narrador, que destaca sua face feminina e sua força de sedução. Mangue Fêmea articula natureza, sexualidade, fertilidade, memória corporal e transformação da percepção, aproximando ecologia, erotismo e poesia.

A segunda parte da página apresenta Para Uma Discografia Amorosamente Porreta, identificada como parte 2 de 16. A série de Moacy Cirne prossegue com uma seleção pessoal de gravações consideradas essenciais, aproximando Wolfgang Amadeus Mozart, Antonio Vivaldi, Charlie Parker, John Coltrane, Luperce Miranda e Paulinho da Viola.

Cirne inicia esta etapa com as Sinfonias números 39 e 41 de Wolfgang Amadeus Mozart, em gravação da Teldec com Nikolaus Harnoncourt regendo a Chamber Orchestra of Europe. O autor observa que, para completar o célebre conjunto das três últimas sinfonias de Mozart, faltaria a Sinfonia número 40. Menciona ainda o livro As obras primas da música, de Jean Jacques Soleil e Guy Lelong, e recomenda também interpretações de Harnoncourt regendo a Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam. A passagem demonstra a atenção de Cirne às diferentes interpretações disponíveis para o repertório clássico.

A seguir aparece Le quattro stagioni, de Antonio Vivaldi, em edição Philips, interpretada por I Musici com Pina Carmirelli no violino. Moacy Cirne reconhece que Vivaldi é frequentemente criticado por especialistas, mas considera As quatro estações, de 1725, uma obra memorável. Recomenda igualmente a interpretação de Nikolaus Harnoncourt à frente do Concentus Musicus de Viena.

O jazz ocupa novamente posição central com The Quintet Jazz at Massey Hall, de Charlie Parker e outros músicos, edição Debut. Moacy Cirne caracteriza o registro como documento fonográfico de um dos mais célebres concertos da história do jazz, realizado no Massey Hall, em Toronto, Canadá, em 15 de maio de 1953. O encontro reuniu Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Charles Mingus e Max Roach, cinco nomes fundamentais da história do jazz. Cirne menciona peças do repertório como Perdido, Salt Peanuts, All the Things You Are, Wee, Hot House e A Night in Tunisia, apresentando o álbum como registro histórico de excepcional importância.

Blue Train, de John Coltrane, lançado pela Blue Note em 1957, é outro destaque da seleção. Cirne cita Blue Train, Moment's Notice, Locomotion, I'm Old Fashioned e Lazy Bird e considera o álbum uma das obras primas de Coltrane, definindo o disco como antológico e apropriado para uma audição atenta e prazerosa.

A música instrumental brasileira aparece com História de um Bandolim, de Luperce Miranda, em edição Marcus Pereira. A gravação original é indicada como sendo de 1974. Entre as músicas mencionadas estão Prelúdio em mi maior e Picadinho à baiana, do próprio Luperce Miranda, Gloria, de Pixinguinha, e Subindo ao céu, de Aristides Borges. Moacy Cirne qualifica o registro como simplesmente magistral, ressaltando a importância do bandolim e da tradição do choro brasileiro em sua discografia afetiva.

A folha também apresenta Memórias Chorando, de Paulinho da Viola, em edição EMI, originalmente de 1976 e posteriormente remasterizada para CD. Cirne considera o disco perfeito e recomenda sua audição cuidadosa. No trecho visível são mencionadas Nova Ilusão, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, Abre os teus olhos, de Paulinho da Viola, e Pra que mentir, associada a Vadico e Noel Rosa. A presença do álbum evidencia mais uma vez o lugar central do samba, do choro e da memória musical brasileira no universo cultural de Moacy Cirne.

Balaio Incomun XI 934 constitui documento importante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Poema Processo, poesia experimental, poesia brasileira, poesia erótica, ecologia, manguezais, Arthur Soffiati, crítica cultural, história da música, discografia, música clássica, jazz, choro, samba e música instrumental brasileira. A folha reúne referências a Arthur Soffiati, Wolfgang Amadeus Mozart, Nikolaus Harnoncourt, Chamber Orchestra of Europe, Jean Jacques Soleil, Guy Lelong, Concertgebouw de Amsterdam, Antonio Vivaldi, I Musici, Pina Carmirelli, Concentus Musicus Wien, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Charles Mingus, Max Roach, Massey Hall, John Coltrane, Blue Note, Luperce Miranda, Pixinguinha, Aristides Borges, Paulinho da Viola, Pedro Caetano, Claudionor Cruz, Vadico e Noel Rosa, formando um amplo mapa das referências poéticas, musicais e culturais mobilizadas por Moacy Cirne em março de 1997.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 934, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on March 25, 1997, brings together poetry, eroticism, reflections on sexual identity and a new installment of the series Para Uma Discografia Amorosamente Porreta. The document is an important source for the study of Moacy Cirne's independent production, his critical and editorial activity and the connections between literature, music, Brazilian culture, jazz, choro and the classical repertoire within the intellectual environment associated with Poema Processo.

The page opens with Mangue Fêmea, a poem by Arthur Soffiati, identified as an author from Campos dos Goitacases, Rio de Janeiro, with a publication reference to O Capital, number 51, Aracaju, Sergipe. The poem develops a reflection on sexuality, memory, the body, fertility and identity. The poetic voice recalls having regarded the mangrove for years only as masculine, associated with the power to fertilize the earth and with the image of a protective father. This perception changes through a sensory experience involving the smell of the mangrove, connected with sexual memory, oxidized iron, crushed blood and menstrual blood.

The poem then moves toward a symbolic revelation. The mangrove is presented simultaneously as father and mother, man and woman, male and female. Its hermaphroditic nature fascinates the narrator, who emphasizes its feminine aspect and seductive force. Mangue Fêmea thus brings together nature, sexuality, fertility, bodily memory and transformation of perception, connecting ecology, eroticism and poetry.

The second part of the page presents Para Uma Discografia Amorosamente Porreta, identified as part 2 of 16. Moacy Cirne continues his personal selection of essential recordings, bringing together Wolfgang Amadeus Mozart, Antonio Vivaldi, Charlie Parker, John Coltrane, Luperce Miranda and Paulinho da Viola.

Cirne begins this installment with Symphonies numbers 39 and 41 by Wolfgang Amadeus Mozart, released by Teldec and performed by Nikolaus Harnoncourt conducting the Chamber Orchestra of Europe. He notes that Symphony number 40 would be needed to complete Mozart's celebrated final group of three symphonies. He also mentions the book As obras primas da música by Jean Jacques Soleil and Guy Lelong and recommends performances by Harnoncourt conducting the Concertgebouw Orchestra of Amsterdam. The passage demonstrates Cirne's interest in comparing interpretations of the classical repertoire.

The selection continues with Le quattro stagioni by Antonio Vivaldi, released by Philips and performed by I Musici with Pina Carmirelli on violin. Moacy Cirne acknowledges the criticism sometimes directed at Vivaldi by specialists but considers The Four Seasons, dating from 1725, a memorable work. He also recommends the interpretation by Nikolaus Harnoncourt conducting Concentus Musicus Wien.

Jazz again occupies a central position with The Quintet Jazz at Massey Hall by Charlie Parker and other musicians, released on Debut. Moacy Cirne describes the recording as the document of one of the most celebrated concerts in jazz history, held at Massey Hall in Toronto, Canada, on May 15, 1953. The performance brought together Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Charles Mingus and Max Roach, five major figures in jazz history. Cirne mentions pieces including Perdido, Salt Peanuts, All the Things You Are, Wee, Hot House and A Night in Tunisia and presents the album as a historic recording of exceptional importance.

Blue Train by John Coltrane, released by Blue Note in 1957, is another major entry. Cirne cites Blue Train, Moment's Notice, Locomotion, I'm Old Fashioned and Lazy Bird and regards the album as one of Coltrane's masterpieces, describing it as an anthology level recording to be heard and experienced with particular pleasure.

Brazilian instrumental music is represented by História de um Bandolim by Luperce Miranda, released by Marcus Pereira. The original recording is identified as dating from 1974. Among the pieces mentioned are Prelúdio em mi maior and Picadinho à baiana by Luperce Miranda, Gloria by Pixinguinha and Subindo ao céu by Aristides Borges. Moacy Cirne describes the record as simply masterful, emphasizing the importance of the mandolin and the Brazilian choro tradition within his personal discography.

The page also presents Memórias Chorando by Paulinho da Viola, released by EMI, originally recorded in 1976 and later remastered for CD. Cirne considers it a perfect album and recommends attentive listening. In the visible section of the document he mentions Nova Ilusão by Pedro Caetano and Claudionor Cruz, Abre os teus olhos by Paulinho da Viola and Pra que mentir, associated with Vadico and Noel Rosa. The inclusion of this record once again demonstrates the central place of samba, choro and Brazilian musical memory in Moacy Cirne's cultural universe.

Balaio Incomun XI 934 is an important document for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Poema Processo, experimental poetry, Brazilian poetry, erotic poetry, ecology, mangroves, Arthur Soffiati, cultural criticism, music history, discography, classical music, jazz, choro, samba and Brazilian instrumental music. The sheet brings together references to Arthur Soffiati, Wolfgang Amadeus Mozart, Nikolaus Harnoncourt, Chamber Orchestra of Europe, Jean Jacques Soleil, Guy Lelong, Concertgebouw Orchestra of Amsterdam, Antonio Vivaldi, I Musici, Pina Carmirelli, Concentus Musicus Wien, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Charles Mingus, Max Roach, Massey Hall, John Coltrane, Blue Note, Luperce Miranda, Pixinguinha, Aristides Borges, Paulinho da Viola, Pedro Caetano, Claudionor Cruz, Vadico and Noel Rosa, creating a broad map of the poetic, musical and cultural references mobilized by Moacy Cirne in March 1997.