Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 935, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 26 de março de 1997, é uma edição comemorativa dedicada aos trinta anos do Poema Processo, marco histórico da poesia experimental brasileira iniciado em 1967
Moacy Cirne
04314 - 26 de março de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 935, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 26 de março de 1997, é uma edição comemorativa dedicada aos trinta anos do Poema Processo, marco histórico da poesia experimental brasileira iniciado em 1967. A folha apresenta no cabeçalho a inscrição 1967 1997: 30 Anos de Poema Processo e transforma quase toda a página em uma composição visual, aproximando o próprio formato do Balaio das experiências gráficas, semióticas e intermediais que caracterizaram o movimento.
Diferentemente de outras edições de Balaio Incomun centradas em textos críticos, políticos ou literários, o número XI 935 privilegia a imagem. A página é ocupada por fragmentos gráficos ornamentais em preto e branco, distribuídos de maneira descontínua pelo espaço. As formas combinam curvas, espirais, linhas paralelas, arabescos, figuras antropomórficas e estruturas tipográficas fragmentadas, compondo uma organização que exige leitura visual e não apenas leitura verbal.
Essa estrutura é particularmente significativa no contexto do Poema Processo. O movimento desenvolvido no Brasil a partir de 1967 propôs a superação da dependência exclusiva da palavra e ampliou o campo do poema para códigos visuais, gráficos, espaciais e semióticos. Nesta edição comemorativa, Moacy Cirne não apenas menciona os trinta anos do movimento, mas utiliza a própria página como campo de experimentação, recuperando princípios ligados à visualidade, à fragmentação, à montagem, à estrutura e à participação ativa do leitor na construção do sentido.
Os elementos gráficos aparecem isolados uns dos outros e organizados em diferentes direções, criando uma espécie de percurso visual pela superfície da folha. Algumas formas sugerem letras ou fragmentos de caracteres, enquanto outras apresentam configurações híbridas nas quais desenho, ornamento e signo se confundem. O resultado aproxima a página da poesia visual e do poema objeto gráfico, substituindo a linearidade tradicional por uma leitura aberta e espacial.
A presença da inscrição comemorativa 1967 1997 situa claramente o documento dentro da memória histórica do Poema Processo. O ano de 1967 corresponde ao momento de emergência pública do movimento, enquanto 1997 assinala três décadas de sua trajetória e oferece a Moacy Cirne a oportunidade de reafirmar sua importância para a poesia experimental, para as vanguardas brasileiras e para a expansão do conceito de poema.
Moacy Cirne teve atuação fundamental na reflexão, divulgação e produção relacionada ao Poema Processo, especialmente no contexto do Rio Grande do Norte e das redes nacionais de poesia experimental. Sua produção crítica e poética contribuiu para documentar os debates sobre linguagem, comunicação, visualidade, estrutura, processo e ruptura com modelos literários tradicionais. Balaio Incomun tornou se, décadas depois das experiências iniciais do movimento, um espaço independente de preservação dessa memória e de continuidade de suas inquietações estéticas e culturais.
Balaio Incomun XI 935 deve ser compreendido tanto como documento comemorativo quanto como objeto de poesia visual. A ausência de um texto discursivo extenso e a predominância absoluta da composição gráfica reforçam a relação entre forma e conteúdo. A celebração dos trinta anos do Poema Processo ocorre, portanto, por meio de uma solução visual coerente com os fundamentos históricos do próprio movimento.
O documento possui especial relevância para pesquisas sobre Moacy Cirne, Poema Processo, poesia processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, vanguardas brasileiras, arte postal, publicações independentes, comunicação visual, semiótica, design experimental, poema visual, poema objeto, literatura experimental e história da arte brasileira. Também constitui registro documental das comemorações de 1997 pelos trinta anos do Poema Processo e da permanência de sua memória na produção independente de Moacy Cirne.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 935, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on March 26, 1997, is a commemorative issue dedicated to the thirtieth anniversary of Poema Processo, a landmark of Brazilian experimental poetry that emerged in 1967. The heading carries the inscription 1967 1997: 30 Anos de Poema Processo, while almost the entire page is transformed into a visual composition, bringing the format of Balaio itself close to the graphic, semiotic and intermedia experiments associated with the movement.
Unlike other issues of Balaio Incomun centered on critical, political or literary texts, issue XI 935 gives priority to the image. The page is occupied by ornamental black and white graphic fragments distributed discontinuously throughout the space. The forms combine curves, spirals, parallel lines, arabesques, anthropomorphic figures and fragmented typographic structures, producing an organization that calls for visual reading rather than exclusively verbal reading.
This structure is particularly significant within the context of Poema Processo. The Brazilian movement that emerged in 1967 proposed an expansion beyond exclusive dependence on words, extending the field of poetry toward visual, graphic, spatial and semiotic codes. In this commemorative issue, Moacy Cirne does not merely mention the thirtieth anniversary of the movement. He uses the page itself as an experimental field, recalling principles related to visuality, fragmentation, montage, structure and the active participation of the reader in constructing meaning.
The graphic elements appear separated from one another and oriented in different directions, creating a visual path across the surface of the sheet. Some forms suggest letters or fragments of characters, while others present hybrid configurations in which drawing, ornament and sign merge. The result brings the page close to visual poetry and the graphic poem object, replacing traditional linear reading with an open and spatial form of perception.
The commemorative inscription 1967 1997 clearly places the document within the historical memory of Poema Processo. The year 1967 corresponds to the public emergence of the movement, while 1997 marks three decades of its trajectory and provides Moacy Cirne with an opportunity to reaffirm its importance for experimental poetry, Brazilian avant garde practices and the expansion of the concept of the poem.
Moacy Cirne played a fundamental role in the reflection, dissemination and production connected with Poema Processo, particularly within the cultural context of Rio Grande do Norte and the national networks of experimental poetry. His critical and poetic production contributed to documenting debates involving language, communication, visuality, structure, process and the rupture with conventional literary models. Decades after the movement's initial experiments, Balaio Incomun became an independent space for preserving this memory and continuing its aesthetic and cultural concerns.
Balaio Incomun XI 935 can therefore be understood both as a commemorative document and as an object of visual poetry. The absence of an extensive discursive text and the predominance of graphic composition reinforce the relationship between form and content. The celebration of thirty years of Poema Processo is achieved through a visual solution consistent with the historical principles of the movement itself.
The document is especially relevant for research on Moacy Cirne, Poema Processo, process poetry, Brazilian visual poetry, experimental poetry, Brazilian avant gardes, mail art, independent publishing, visual communication, semiotics, experimental design, visual poem, poem object, experimental literature and Brazilian art history. It also constitutes documentary evidence of the 1997 commemoration of the thirtieth anniversary of Poema Processo and of the continuing presence of its memory within Moacy Cirne's independent production.
