Home Acervo Balaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1089, Ano XIII, publicado no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 1998

Balaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1089, Ano XIII, publicado no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 1998

Moacy Cirne

-Balaio+Incomun+,+Folha+Porreta+,+Moacy+Cirne+,+XIII-1089,+Rio+de+Janeiro+,+28+de+Setembro+de+1998,+Era+uma+vez+um+poema+Processo.jpg

Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede

Acervo: 04399

Data: 28 de setembro de 1998

Dimensões: 33 x 21,5 cm

Texto Salsa em portuguêsBalaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1089, Ano XIII, publicado no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 1998. A edição apresenta como eixo principal a composição Era uma vez um poema processo, de Moacy Cirne, articulada visualmente com elementos da série Poemãos, poema processo de Neide Dias de Sá. O documento estabelece uma relação direta entre dois nomes fundamentais do Poema Processo e constitui importante registro da permanência, da releitura e da circulação das experiências do movimento mais de trinta anos depois de seu lançamento em 1967.Na metade superior da página aparece uma composição gráfica de grande densidade formada por linhas horizontais, verticais, diagonais, curvas, círculos, elipses e estruturas retangulares sobrepostas. Um grande contorno oval envolve quase todo o conjunto, funcionando como campo visual que concentra e organiza a multiplicidade de sinais. No interior dessa estrutura aparece uma forma circular de textura intensa em preto e branco, semelhante a uma esfera coberta por pequenos signos irregulares. Ao lado encontra se um fragmento de texto impresso inclinado, incorporado como matéria gráfica e verbal dentro da composição.A presença desse fragmento textual não conduz a uma leitura linear convencional. O texto é parcialmente encoberto e atravessado por linhas, curvas e estruturas geométricas, passando a funcionar também como imagem. Essa integração entre palavra e visualidade aproxima a página de princípios centrais do Poema Processo, no qual a linguagem verbal pode perder sua função exclusivamente discursiva e participar de uma organização espacial e semiótica mais ampla.A composição superior recebe a legenda Era uma vez um poema processo, seguida pelo nome de Moacy Cirne. O título possui forte caráter histórico e autorreferencial. A expressão Era uma vez transforma a memória do movimento em narrativa e simultaneamente sugere continuidade, revisão e reativação. Não se trata apenas de recordar o Poema Processo como fato encerrado, mas de demonstrar sua capacidade de gerar novas leituras, versões e experiências visuais.Na metade inferior aparece uma imagem diretamente identificada pela legenda Da série Poemãos, poema processo de Neide Dias de Sá. A composição apresenta uma mão aberta preenchida por numerosos sinais gráficos semelhantes a escrita, códigos ou fragmentos de linguagem. No centro da palma encontra se o símbolo da paz. À direita da mão aparece novamente uma forma circular ou esférica preenchida por padrões irregulares em preto e branco, estabelecendo correspondência visual entre as partes superior e inferior da página.A mão funciona como elemento fundamental de comunicação visual. Ela associa corpo, gesto, escrita, signo, participação e ação. O preenchimento por sinais transforma a superfície corporal em campo de linguagem, enquanto o símbolo da paz introduz uma dimensão política, coletiva e comunicacional. A presença da esfera cria uma relação entre forma orgânica, textura, signo e espaço.A ligação entre a composição de Moacy Cirne e a série Poemãos de Neide Dias de Sá evidencia um procedimento característico do Poema Processo, baseado em diálogo, transformação, releitura, apropriação criativa e produção de versões. A página demonstra como uma proposição visual pode gerar novas relações sem depender de uma forma definitiva. A própria obra passa a ser entendida como processo aberto, capaz de novas configurações e interpretações.Balaio Incomum 1089 é documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos, Poema Processo, poesia visual brasileira, poema visual, arte experimental, comunicação visual, semiótica, linguagem gráfica, corpo e linguagem, participação, versão, releitura, apropriação, vanguarda brasileira, arte brasileira do século XX e circulação independente de poesia e arte. A folha também documenta o Balaio Incomum e a Folha Porreta como espaços de preservação ativa e atualização da memória do Poema Processo.Salsa text in EnglishBalaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, number 1089, Year XIII, published in Rio de Janeiro on 28 September 1998. The issue is centered on the visual composition Once upon a time there was a poema processo by Moacy Cirne, visually connected with elements from the Poemãos series, a poema processo by Neide Dias de Sá. The document establishes a direct relationship between two fundamental figures of Poema Processo and provides important evidence of the persistence, reinterpretation and circulation of the movement more than thirty years after its launch in 1967.The upper half of the page presents a highly dense graphic composition formed by horizontal, vertical and diagonal lines, curves, circles, ellipses and overlapping rectangular structures. A large oval contour surrounds almost the entire group, functioning as a visual field that concentrates and organizes the multiplicity of signs. Inside this structure appears a circular form with an intense black and white texture, resembling a sphere covered by small irregular signs. Beside it is an inclined fragment of printed text incorporated as both graphic and verbal material.The presence of this textual fragment does not lead to conventional linear reading. The text is partially covered and crossed by lines, curves and geometric structures, and therefore also functions as image. This integration of word and visuality connects the page with central principles of Poema Processo, in which verbal language may lose its exclusively discursive function and become part of a broader spatial and semiotic organization.The upper composition is identified by the caption Once upon a time there was a poema processo, followed by the name of Moacy Cirne. The title has a strong historical and self referential character. The expression Once upon a time transforms the memory of the movement into narrative while suggesting continuity, revision and reactivation. The work does not merely recall Poema Processo as a closed historical event but demonstrates its continuing ability to generate new readings, versions and visual experiments.In the lower half appears an image explicitly identified by the caption From the Poemãos series, poema processo by Neide Dias de Sá. The composition presents an open hand filled with numerous graphic signs resembling writing, codes or fragments of language. At the center of the palm appears the peace symbol. To the right of the hand appears another circular or spherical form filled with irregular black and white patterns, creating a visual correspondence between the upper and lower parts of the page.The hand functions as a fundamental element of visual communication. It associates body, gesture, writing, sign, participation and action. The filling of the hand with signs transforms the bodily surface into a field of language, while the peace symbol introduces a political, collective and communicational dimension. The sphere creates a relationship between organic form, texture, sign and space.The connection between the composition by Moacy Cirne and the Poemãos series by Neide Dias de Sá demonstrates a characteristic procedure of Poema Processo based on dialogue, transformation, reinterpretation, creative appropriation and the production of versions. The page shows how a visual proposition can generate new relationships without depending on a definitive form. The work itself is understood as an open process capable of new configurations and interpretations.Balaio Incomum 1089 is an important document for research on Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos, Poema Processo, Brazilian visual poetry, visual poems, experimental art, visual communication, semiotics, graphic language, body and language, participation, version, reinterpretation, appropriation, Brazilian avant garde movements, twentieth century Brazilian art and the independent circulation of poetry and art. The sheet also documents Balaio Incomum and Folha Porreta as spaces for the active preservation and renewal of the memory of Poema Processo.

Texto de observação em portuguêsDocumento impresso em preto e branco correspondente ao Balaio Incomum número 1089, Ano XIII, Folha Porreta, de Moacy Cirne, publicado no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 1998. A página possui especial interesse documental por reunir em uma mesma folha uma composição de Moacy Cirne intitulada Era uma vez um poema processo e uma imagem explicitamente identificada como pertencente à série Poemãos, poema processo de Neide Dias de Sá.A metade superior apresenta uma complexa montagem visual. Um grande contorno oval envolve uma rede de linhas, curvas, círculos, elipses e retângulos. No interior aparece uma esfera de textura irregular e um fragmento de texto impresso inclinado. O texto é incorporado ao desenho e parcialmente atravessado pelos elementos gráficos, reduzindo sua função de leitura contínua e convertendo a escrita em componente visual da composição.Essa organização cria um campo de leitura simultânea. O observador pode percorrer linhas, formas, palavras, cruzamentos e texturas em diferentes direções. A ausência de uma sequência única de leitura aproxima a peça das pesquisas do Poema Processo sobre estrutura, visualidade, informação, signo e comunicação não linear.Na parte inferior, a obra da série Poemãos de Neide Dias de Sá apresenta uma mão aberta preenchida por numerosos signos gráficos. Na palma destaca se o símbolo da paz. A mão associa corporeidade, gesto, linguagem e comunicação. À direita aparece uma esfera texturizada semelhante àquela utilizada na composição superior, estabelecendo continuidade visual entre a obra de Neide Dias de Sá e a intervenção de Moacy Cirne.A aproximação entre as duas imagens sugere um processo de diálogo e transformação. A esfera que reaparece, a linguagem gráfica e a organização espacial produzem relações entre matriz e versão, memória e atualização. Esse procedimento está diretamente relacionado à prática de versões característica do Poema Processo, na qual obras e estruturas visuais podiam ser retomadas e transformadas por diferentes participantes.A legenda inferior é fundamental para a catalogação e para a indexação histórica, pois identifica expressamente Neide Dias de Sá e a série Poemãos. A página registra, portanto, uma relação documental concreta entre Neide Dias de Sá e Moacy Cirne no interior da trajetória do Poema Processo.O documento possui alto interesse para estudos sobre a história do Poema Processo, poesia visual brasileira, experimentação gráfica, circulação de versões, relações entre palavra e imagem, comunicação não verbal, semiótica, participação, corpo, gesto, linguagem e memória das vanguardas brasileiras. Também demonstra a utilização do Balaio Incomum como suporte para experimentações visuais e para a preservação de relações históricas entre os participantes do movimento.Para fins de indexação, a peça deve ser associada a Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos, Era uma vez um poema processo, Poema Processo, Balaio Incomum, Folha Porreta, Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1998, poesia visual, poema visual, poesia experimental, arte gráfica, arte experimental, versão, releitura, signo, semiótica, mão, símbolo da paz, linguagem visual, comunicação visual, vanguarda brasileira e história da arte brasileira.Observation text in EnglishBlack and white printed document corresponding to Balaio Incomum number 1089, Year XIII, Folha Porreta, by Moacy Cirne, published in Rio de Janeiro on 28 September 1998. The page has particular documentary importance because it brings together on a single sheet a composition by Moacy Cirne titled Once upon a time there was a poema processo and an image explicitly identified as belonging to the Poemãos series, a poema processo by Neide Dias de Sá.The upper half presents a complex visual montage. A large oval contour surrounds a network of lines, curves, circles, ellipses and rectangles. Inside this field appears a sphere with an irregular texture and an inclined fragment of printed text. The text is incorporated into the drawing and partially crossed by graphic elements, reducing its role as continuous reading and transforming writing into a visual component of the composition.This organization creates a field of simultaneous reading. The viewer can follow lines, forms, words, intersections and textures in different directions. The absence of a single reading sequence connects the piece with Poema Processo research into structure, visuality, information, signs and nonlinear communication.In the lower section, the work from the Poemãos series by Neide Dias de Sá presents an open hand filled with numerous graphic signs. A peace symbol stands out in the palm. The hand connects corporeality, gesture, language and communication. To the right appears a textured sphere similar to the one used in the upper composition, establishing visual continuity between the work of Neide Dias de Sá and the intervention by Moacy Cirne.The relationship between the two images suggests a process of dialogue and transformation. The recurring sphere, graphic language and spatial organization create relationships between matrix and version, memory and renewal. This procedure is directly connected with the practice of versions characteristic of Poema Processo, in which visual works and structures could be resumed and transformed by different participants.The lower caption is fundamental for cataloguing and historical indexing because it explicitly identifies Neide Dias de Sá and the Poemãos series. The page therefore records a concrete documentary relationship between Neide Dias de Sá and Moacy Cirne within the history of Poema Processo.The document is highly relevant to research on the history of Poema Processo, Brazilian visual poetry, graphic experimentation, circulation of versions, relationships between word and image, nonverbal communication, semiotics, participation, body, gesture, language and the memory of Brazilian avant garde movements. It also demonstrates the use of Balaio Incomum as a support for visual experimentation and for the preservation of historical relationships among participants in the movement.For indexing purposes, the piece should be associated with Moacy Cirne, Neide Dias de Sá, Poemãos, Once upon a time there was a poema processo, Poema Processo, Balaio Incomum, Folha Porreta, Rio de Janeiro, 28 September 1998, visual poetry, visual poem, experimental poetry, graphic art, experimental art, version, reinterpretation, sign, semiotics, hand, peace symbol, visual language, visual communication, Brazilian avant garde and Brazilian art history.


Inglês

Balaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, number 1089, Year XIII, published in Rio de Janeiro on 28 September 1998.

Dimensions: 13 x 8,5 in