Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1013, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 20 de outubro de 1997.

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1013, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 20 de outubro de 1997.

Moacy Cirne

-Balaio+Incomun+,+Folha+Porreta+,+Moacy+Cirne+,+XII-1013,+Rio+de+Janeiro+,+20+Outubro+de+1997,+Poema+Processo+30+Anos.jpg

04368 - 20 de outubro de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1013, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 20 de outubro de 1997. Edição dedicada aos 30 anos do Poema Processo, movimento de vanguarda lançado em 1967 e fundamental para a poesia experimental brasileira. A folha reúne poesia visual, crítica cultural, cinema, universidade pública, política e reflexão sobre a esquerda brasileira, demonstrando a amplitude editorial e intelectual do projeto Balaio Incomun de Moacy Cirne.

No centro da página aparece Poema Processo, 30 anos, acompanhado do poemacorte de MoaCirne, datado de 1997. A composição visual explora repetição, sobreposição, cor, fragmentação e transformação gráfica da palavra poema, articulando princípios centrais do Poema Processo, como comunicação visual, estrutura, leitura não linear, montagem, serialidade e autonomia do signo. A assinatura MoaCirne associa diretamente Moacy Cirne à produção de poesia visual e às comemorações dos trinta anos do movimento.

A parte superior traz a convocação Vamos parar na próxima quarta, relacionada a uma paralisação marcada para quarta feira, dia 22. O texto posiciona se contra políticas públicas do governo federal, privatização da Universidade, reforma da Previdência e ausência de reajuste salarial após mais de mil dias, caracterizando a paralisação como justa e necessária. O registro documenta a presença da luta universitária e sindical no Balaio Incomun e sua relação com o ambiente político brasileiro dos anos 1990.

A edição reproduz ainda uma resposta do cineasta Luiz Rosemberg Filho a Syd Field, texto datado no Rio de Janeiro em 13 de outubro de 1997 e apresentado como resposta que a revista Veja teria preferido ignorar. Rosemberg critica a influência cultural de Hollywood, o empobrecimento do cinema brasileiro e determinados modelos teóricos de roteiro e produção cinematográfica. São mencionados Tonino Guerra, Jean Claude Carrière e Suso Cecchi d Amico como referências de outra tradição de criação cinematográfica. O texto aborda ainda indústria cultural, televisão, capitalismo, cultura de massa, autonomia criativa e o papel político e estético do cinema.

Outra seção apresenta Resposta ao Sr. Gustavo Franco, publicada no Jornal do Brasil do dia 15, assinada por Sonia Aguiar, jornalista, professora de jornalismo da Universidade Federal Fluminense e doutora em Comunicação pela ECO UFRJ. O texto contesta argumentos contra as universidades públicas gratuitas, discute a composição social de seus estudantes, qualidade do ensino público, mobilidade social, desigualdade, transporte e acesso à educação. Sonia Aguiar utiliza sua própria trajetória na educação pública para defender a importância social das instituições gratuitas.

A página contém também 30 anos do Programa Socialista para o Brasil. O texto relaciona a efeméride aos trinta anos do tropicalismo, de Terra em Transe, de O Rei da Vela pelo Grupo Oficina e do lançamento do Poema Processo. Recorda o Programa Socialista para o Brasil como documento da esquerda revolucionária e como referência para a Organização Revolucionária Marxista Política Operária, conhecida como POLOP, fundada em 1961, além de mencionar o Partido Operário Comunista e a Organização Comunista Marxista Leninista Política Operária. O documento defende uma transformação socialista da sociedade brasileira, com propriedade coletiva dos meios de produção e planejamento orientado pelas necessidades dos trabalhadores.

Balaio Incomun XII 1013 constitui importante documento para a história do Poema Processo, da poesia visual brasileira, de Moacy Cirne, da cultura universitária, do cinema brasileiro, da crítica à indústria cultural e dos debates políticos e socialistas da década de 1990. Integra uma rede documental que aproxima poesia experimental, comunicação visual, crítica cultural, educação pública, movimentos sociais e memória das vanguardas brasileiras.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1013, publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, October 20, 1997. This issue is dedicated to the 30th anniversary of Poema Processo, an avant garde movement launched in 1967 and a fundamental reference in Brazilian experimental poetry. The sheet brings together visual poetry, cultural criticism, cinema, public education, politics and reflections on the Brazilian left, demonstrating the broad editorial and intellectual scope of Moacy Cirne and his Balaio Incomun project.

At the center of the page is Poema Processo, 30 years, accompanied by a poemacorte by MoaCirne, dated 1997. The visual composition explores repetition, overlap, color, fragmentation and graphic transformation of the word poema, articulating central principles of Poema Processo such as visual communication, structure, nonlinear reading, montage, seriality and the autonomy of the sign. The signature MoaCirne directly connects Moacy Cirne with visual poetry and the celebrations marking thirty years of the movement.

At the top is the call Vamos parar na próxima quarta, concerning a work stoppage scheduled for Wednesday the 22nd. The text opposes federal government policies, the privatization of the University, pension reform and the lack of salary adjustments after more than one thousand days, describing the stoppage as both fair and necessary. It documents the presence of university and labor activism within Balaio Incomun and its relationship with the Brazilian political environment of the 1990s.

The issue also reproduces a response by filmmaker Luiz Rosemberg Filho to Syd Field, dated Rio de Janeiro, October 13, 1997, and presented as a response that Veja magazine preferred to ignore. Rosemberg criticizes the cultural influence of Hollywood, the weakening of Brazilian cinema and certain theoretical models of screenwriting and film production. Tonino Guerra, Jean Claude Carrière and Suso Cecchi d Amico are mentioned as references associated with another tradition of cinematic creation. The text also addresses the culture industry, television, capitalism, mass culture, creative autonomy and the political and aesthetic role of cinema.

Another section presents a response to Gustavo Franco, published in Jornal do Brasil on the 15th, written by Sonia Aguiar, journalist, journalism professor at Universidade Federal Fluminense and doctor in Communication from ECO UFRJ. The text challenges arguments against free public universities and discusses the social background of students, quality of public education, social mobility, inequality, transportation and access to education. Sonia Aguiar uses her own educational trajectory to defend the social importance of free public institutions.

The page also contains 30 years of the Programa Socialista para o Brasil. The text connects this anniversary with thirty years of Tropicalismo, Terra em Transe, O Rei da Vela performed by Grupo Oficina and the launching of Poema Processo. It recalls the Programa Socialista para o Brasil as an important document of the revolutionary left and as a theoretical reference for the Organização Revolucionária Marxista Política Operária, known as POLOP, founded in 1961, while also mentioning the Partido Operário Comunista and the Organização Comunista Marxista Leninista Política Operária. The document advocates a socialist transformation of Brazilian society based on collective ownership of the means of production and economic planning directed toward the needs of workers.

Balaio Incomun XII 1013 is an important document for the history of Poema Processo, Brazilian visual poetry, Moacy Cirne, university culture, Brazilian cinema, criticism of the culture industry and socialist and political debates during the 1990s. It belongs to a documentary network connecting experimental poetry, visual communication, cultural criticism, public education, social movements and the memory of Brazilian avant garde movements.