Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, X 854, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 8 de julho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 44

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 854, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 8 de julho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 44

Moacy Cirne

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04282 - 8 de julho de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 854, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 8 de julho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 44, e reúne literatura de cordel, cinema, poesia, crítica cultural, cultura popular e referências à literatura brasileira. O exemplar é especialmente importante por colocar lado a lado clássicos da literatura de cordel, escolhas cinematográficas de professores ligados à Universidade Federal Fluminense e referências poéticas de Denizis Trindade e Murilo Mendes.

A abertura apresenta Dez clássicos da literatura de cordel, seleção que reúne obras fundamentais da tradição popular nordestina. São relacionados Viagem a São Saruê, de Manuel Camilo dos Santos, Romance do pavão misterioso, de José Camelo de Melo Resende, História da Imperatriz Porcina, de Francisco das Chagas Batista, A vida de Canção de Fogo e seu testamento, de Leandro Gomes de Barros, Os martírios de Genoveva, de Leandro Gomes de Barros, O assassino da honra ou A louca do jardim, de Caetano Cosme da Silva, Marina e o capitão do navio, de José Bernardo da Silva, Sacco e Vanzetti aos olhos do mundo, de João Martins de Ataíde, Os martírios de Rosa de Milão, de Teodoro Ferraz da Câmara, e História do valente sertanejo Zé Garcia, de João Melquíades Ferreira da Silva.

A seleção possui grande importância documental por registrar o interesse de Moacy Cirne pela literatura de cordel e pela cultura popular nordestina. O conjunto reúne autores fundamentais da poesia popular impressa, como Leandro Gomes de Barros, João Martins de Ataíde, José Camelo de Melo Resende, Francisco das Chagas Batista, João Melquíades Ferreira da Silva e outros nomes ligados à história editorial dos folhetos de cordel.

Viagem a São Saruê e Romance do pavão misterioso representam dois dos títulos mais conhecidos do repertório de cordel. A inclusão de Sacco e Vanzetti aos olhos do mundo demonstra ainda a capacidade dessa literatura de incorporar acontecimentos políticos e sociais internacionais ao universo narrativo popular brasileiro. A lista amplia as conexões de Balaio Incomun com poesia oral, cultura nordestina, folheto popular, xilogravura, memória coletiva e história da literatura brasileira.

Na seção Cinema, Os melhores filmes, aparece inicialmente a seleção de Antônio Joaquim Gonçalves Veloso, do Rio de Janeiro, identificado como professor do Departamento de Geografia da UFF e diretor da ADUFF. Sua relação apresenta O salário do medo, de Henri Georges Clouzot, O sol por testemunha, de René Clément, Férias em Paris, com Fernandel, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, E o vento levou, de Victor Fleming, Por quem os sinos dobram, associado a Sam Wood, Se meu apartamento falasse, de Billy Wilder, Dersu Uzala, de Akira Kurosawa, Duelo ao sol, de King Vidor, A ponte do Rio Kwai, de David Lean, Zorba, o grego, de Michael Cacoyannis, Tempos modernos, de Charles Chaplin, O belo Antônio, de Mauro Bolognini, Cidadão Kane, de Orson Welles, Entre Deus e o pecado, de Richard Brooks, O príncipe e a parisiense, de Laurence Olivier, Pepe, de George Sidney, O silêncio, de Ingmar Bergman, Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais, e Ano passado em Marienbad, também de Alain Resnais.

A identificação de Antônio Joaquim Gonçalves Veloso como professor da UFF e diretor da ADUFF acrescenta importância histórica ao documento, pois registra novamente a presença da Universidade Federal Fluminense e de sua rede docente na circulação de Balaio Incomun. Sua seleção aproxima cinema clássico norte americano, cinema europeu, cinema japonês e Cinema Novo brasileiro.

No centro da folha aparece o poema Medo de amar, de Denizis Trindade. O texto trabalha imagens de corpo, fragilidade, desequilíbrio, paixão e fogo. O poema é identificado como proveniente de Já, poesia crônica e conto, organização de Cairo de Assis Trindade, Rio de Janeiro, Gang Edições. A presença dessa referência bibliográfica amplia a documentação das redes de poesia contemporânea e publicação independente presentes em Balaio Incomun.

A seção Os melhores filmes continua com Alonso de Albuquerque, do Rio de Janeiro, identificado como professor do Departamento de Comunicação da UFF. Sua lista reúne Meu ódio será sua herança, de Sam Peckinpah, Tragam me a cabeça de Alfredo Garcia, também de Peckinpah, O tesouro de Sierra Madre, de John Huston, Tempo de violência, de Quentin Tarantino, Tempos modernos, de Charles Chaplin, Monsieur Verdoux, de Chaplin, Três homens em conflito, de Sergio Leone, Mulheres à beira de um ataque de nervos, de Pedro Almodóvar, Encurralado, de Steven Spielberg, Possessão, de Andrzej Zulawski, Glória feita de sangue, de Stanley Kubrick, Laranja mecânica, de Kubrick, O incrível exército de Brancaleone, de Mario Monicelli, A hora da zona morta, de David Cronenberg, Fargo, de Joel e Ethan Coen, Os duelistas, de Ridley Scott, O homem que queria ser rei, de John Huston, Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita, de Elio Petri, O abominável Dr Phibes, de Robert Fuest, e O professor aloprado, de Jerry Lewis.

A lista de Alonso de Albuquerque reúne western, cinema de autor, comédia, cinema político, horror, suspense, cinema moderno europeu e produções norte americanas contemporâneas. A presença de Sam Peckinpah, Stanley Kubrick, Sergio Leone, Pedro Almodóvar, David Cronenberg, Ridley Scott, John Huston e Elio Petri amplia o repertório da grande enquete cinematográfica organizada por Moacy Cirne em 1996.

Ao final da folha surge uma referência a Murilo Mendes com a frase É muito difícil saber pecar com profundidade, identificada como proveniente de O discípulo de Emaús, de 1945. A presença de Murilo Mendes conecta o documento à poesia modernista brasileira, ao aforismo, à reflexão espiritual e à tradição literária do século XX.

Balaio Incomun X 854 demonstra de modo exemplar a amplitude dos interesses de Moacy Cirne. A literatura de cordel aparece ao lado de cinema internacional, Cinema Novo, poesia contemporânea e Murilo Mendes, mostrando uma concepção cultural que rompe hierarquias entre literatura popular e erudita. O folheto de cordel, o cinema de Glauber Rocha, a poesia moderna e a cultura universitária ocupam o mesmo espaço editorial.

O documento constitui fonte primária relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, literatura de cordel, poesia popular, cultura nordestina, Manuel Camilo dos Santos, José Camelo de Melo Resende, Francisco das Chagas Batista, Leandro Gomes de Barros, Caetano Cosme da Silva, José Bernardo da Silva, João Martins de Ataíde, Teodoro Ferraz da Câmara, João Melquíades Ferreira da Silva, Antônio Joaquim Gonçalves Veloso, Alonso de Albuquerque, UFF, ADUFF, Denizis Trindade, Cairo de Assis Trindade, Murilo Mendes, cinema brasileiro, Cinema Novo, Glauber Rocha, crítica cinematográfica, cultura popular, poesia experimental, Poema Processo e imprensa independente brasileira dos anos 1990.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 854, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 8 July 1996. The document belongs to the commemorative series 1986 1996 Ten Years of Balaio, number 44, and brings together cordel literature, cinema, poetry, cultural criticism, popular culture and references to Brazilian literature. The issue is especially important because it places classics of Brazilian cordel literature alongside film selections by professors connected with Universidade Federal Fluminense and poetic references to Denizis Trindade and Murilo Mendes.

The opening section presents Ten classics of cordel literature, a selection of fundamental works from the Northeastern Brazilian popular tradition. The titles include Viagem a São Saruê by Manuel Camilo dos Santos, Romance do pavão misterioso by José Camelo de Melo Resende, História da Imperatriz Porcina by Francisco das Chagas Batista, A vida de Canção de Fogo e seu testamento by Leandro Gomes de Barros, Os martírios de Genoveva by Leandro Gomes de Barros, O assassino da honra ou A louca do jardim by Caetano Cosme da Silva, Marina e o capitão do navio by José Bernardo da Silva, Sacco e Vanzetti aos olhos do mundo by João Martins de Ataíde, Os martírios de Rosa de Milão by Teodoro Ferraz da Câmara, and História do valente sertanejo Zé Garcia by João Melquíades Ferreira da Silva.

The selection has considerable documentary importance because it records Moacy Cirne's interest in cordel literature and Northeastern Brazilian popular culture. It brings together major authors of popular printed poetry, including Leandro Gomes de Barros, João Martins de Ataíde, José Camelo de Melo Resende, Francisco das Chagas Batista, João Melquíades Ferreira da Silva and other figures connected with the publishing history of cordel booklets.

Viagem a São Saruê and Romance do pavão misterioso represent two of the best known works in the cordel repertoire. The inclusion of Sacco e Vanzetti aos olhos do mundo also demonstrates the ability of cordel literature to incorporate international political and social events into Brazilian popular narrative. The list expands the connections of Balaio Incomun with oral poetry, Northeastern culture, popular booklets, woodcut traditions, collective memory and the history of Brazilian literature.

In the Cinema section, The Best Films, the first selection comes from Antônio Joaquim Gonçalves Veloso of Rio de Janeiro, identified as a professor in the Department of Geography at UFF and a director of ADUFF. His list includes The Wages of Fear by Henri Georges Clouzot, Purple Noon by René Clément, Férias em Paris with Fernandel, Black God White Devil by Glauber Rocha, Gone with the Wind by Victor Fleming, For Whom the Bell Tolls associated with Sam Wood, The Apartment by Billy Wilder, Dersu Uzala by Akira Kurosawa, Duel in the Sun by King Vidor, The Bridge on the River Kwai by David Lean, Zorba the Greek by Michael Cacoyannis, Modern Times by Charles Chaplin, Il bell Antonio by Mauro Bolognini, Citizen Kane by Orson Welles, Entre Deus e o pecado associated with Richard Brooks, The Prince and the Showgirl by Laurence Olivier, Pepe by George Sidney, The Silence by Ingmar Bergman, Hiroshima mon amour by Alain Resnais, and Last Year at Marienbad by Alain Resnais.

The identification of Antônio Joaquim Gonçalves Veloso as a professor at UFF and a director of ADUFF adds historical importance to the document, as it once again records the presence of Universidade Federal Fluminense and its academic network within the circulation of Balaio Incomun. His selection connects classical American cinema, European cinema, Japanese cinema and Brazilian Cinema Novo.

At the center of the sheet appears the poem Medo de amar by Denizis Trindade. The text works with images of the body, fragility, imbalance, passion and fire. The poem is identified as coming from Já, poesia crônica e conto, organized by Cairo de Assis Trindade and published in Rio de Janeiro by Gang Edições. This bibliographical reference expands the documentation of contemporary poetry networks and independent publishing present in Balaio Incomun.

The Best Films section continues with Alonso de Albuquerque from Rio de Janeiro, identified as a professor in the Department of Communication at UFF. His list includes The Wild Bunch by Sam Peckinpah, Bring Me the Head of Alfredo Garcia by Peckinpah, The Treasure of the Sierra Madre by John Huston, Pulp Fiction by Quentin Tarantino, Modern Times by Charles Chaplin, Monsieur Verdoux by Chaplin, The Good the Bad and the Ugly by Sergio Leone, Women on the Verge of a Nervous Breakdown by Pedro Almodóvar, Duel by Steven Spielberg, Possession by Andrzej Zulawski, Paths of Glory by Stanley Kubrick, A Clockwork Orange by Kubrick, The Incredible Army of Brancaleone by Mario Monicelli, The Dead Zone by David Cronenberg, Fargo by Joel and Ethan Coen, The Duellists by Ridley Scott, The Man Who Would Be King by John Huston, Investigation of a Citizen Above Suspicion by Elio Petri, The Abominable Dr Phibes by Robert Fuest, and The Nutty Professor by Jerry Lewis.

Alonso de Albuquerque's list brings together westerns, auteur cinema, comedy, political cinema, horror, suspense, modern European cinema and contemporary American films. The presence of Sam Peckinpah, Stanley Kubrick, Sergio Leone, Pedro Almodóvar, David Cronenberg, Ridley Scott, John Huston and Elio Petri expands the repertoire of the major film survey organized by Moacy Cirne in 1996.

At the end of the sheet appears a reference to Murilo Mendes with the statement É muito difícil saber pecar com profundidade, identified as coming from O discípulo de Emaús, published in 1945. The presence of Murilo Mendes connects the document with Brazilian modernist poetry, aphoristic writing, spiritual reflection and twentieth century literary tradition.

Balaio Incomun X 854 demonstrates the breadth of Moacy Cirne's cultural interests. Cordel literature appears alongside international cinema, Cinema Novo, contemporary poetry and Murilo Mendes, revealing a conception of culture that challenges hierarchies between popular and established literature. Cordel booklets, the cinema of Glauber Rocha, modern poetry and university culture occupy the same editorial space.

The document is an important primary source for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, cordel literature, popular poetry, Northeastern Brazilian culture, Manuel Camilo dos Santos, José Camelo de Melo Resende, Francisco das Chagas Batista, Leandro Gomes de Barros, Caetano Cosme da Silva, José Bernardo da Silva, João Martins de Ataíde, Teodoro Ferraz da Câmara, João Melquíades Ferreira da Silva, Antônio Joaquim Gonçalves Veloso, Alonso de Albuquerque, UFF, ADUFF, Denizis Trindade, Cairo de Assis Trindade, Murilo Mendes, Brazilian cinema, Cinema Novo, Glauber Rocha, film criticism, popular culture, experimental poetry, Poema Processo and Brazilian independent publishing in the 1990s.