Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 893, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 14 de outubro de 1996.
Moacy Cirne
04294 - 14 de outubro de 1996. - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS
Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 893, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 14 de outubro de 1996. Intitulada O que Fazer, a folha constitui um documento de intervenção política, crítica cultural e participação intelectual no contexto brasileiro da década de 1990. O texto discute o futuro da universidade pública durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, critica o neoliberalismo e o capitalismo mundial, defende mobilização política e social e apresenta de maneira explícita o apoio de Moacy Cirne ao Partido dos Trabalhadores e ao chamado jeito petista de governar nas eleições municipais de 1996.
Na primeira parte, intitulada O que Fazer, Moacy Cirne pergunta o que acontecerá com a Universidade Pública brasileira sob o governo de Fernando Henrique Cardoso. O autor afirma que as opiniões sobre o tema são unânimes e manifesta o temor de que o governo federal procure destruir um dos patrimônios culturais mais importantes da sociedade brasileira. Essa ameaça é relacionada por Cirne ao neoliberalismo e ao capitalismo mundial.
A pergunta O que Fazer torna se o eixo político e intelectual do documento. Diante do cenário apresentado, Moacy Cirne afirma que não é possível permanecer de braços cruzados ou calado. Defende a necessidade de reagir por meio dos sindicatos, de ampliar a participação política, de atuar em partidos políticos de esquerda e de discutir com colegas e companheiros a situação do país.
O texto propõe uma atitude ativa diante da realidade brasileira. Estudar, pesquisar, trabalhar, ousar, amar e lutar são apresentados como ações necessárias. Cirne rejeita a passividade por meio de formulações contundentes e pergunta para que serve a consciência crítica e para que serve o conhecimento quando não são utilizados para enfrentar os problemas da sociedade.
Essa primeira parte possui especial importância para compreender a atuação intelectual de Moacy Cirne para além de sua conhecida produção sobre histórias em quadrinhos, poesia experimental e Poema Processo. O documento revela seu envolvimento direto com debates sobre educação pública, universidade, política, neoliberalismo, participação social e função crítica do conhecimento.
A segunda parte é identificada por Natal e pelo título Com Tesão, o Jeito Petista de Governar. Nela, Moacy Cirne apresenta uma defesa explícita de uma concepção política associada ao Partido dos Trabalhadores. O autor caracteriza esse modo de governar por ideias como tesão, generosidade, sonho, utopia, saber popular e competência administrativa.
Cirne menciona Porto Alegre, Santos e Angra dos Reis como exemplos de cidades brasileiras cujas populações poderiam reconhecer esse modo de administração. Para o autor, trata se de uma experiência democrática baseada na participação combativa dos cidadãos e na possibilidade de modificar a realidade social.
O texto associa mudança política a renovação, aprendizagem e aprofundamento da dimensão social. Moacy Cirne defende um modo de administrar a cidade que considera humano, inteligente, produtivo, culturalmente democrático e comprometido com a participação popular.
A data eleitoral de 15 de novembro ocupa posição importante no texto. Moacy Cirne afirma que Natal e outras seis capitais teriam naquela data uma oportunidade única de começar a mudar suas histórias. Essas histórias são descritas como compostas por lutas, dificuldades, vitórias, derrotas, avanços, recuos, problemas e esperanças renovadas.
A defesa de um novo Brasil aparece vinculada à justiça social, ao humanismo e a uma democracia autêntica. Cirne manifesta explicitamente seu apoio aos candidatos do PT no segundo turno das eleições municipais e afirma que Natal e outras cidades deveriam experimentar o que chama de raro sabor do jeito petista de governar.
Ao final, o autor acrescenta uma referência a São Paulo e à possibilidade de a cidade experimentar pela segunda vez uma administração de Luiza Erundina, esperando uma experiência mais amadurecida e participativa. A referência constitui dado relevante para situar o documento dentro das disputas políticas e eleitorais brasileiras de 1996.
A folha termina com duas formulações de caráter utópico e mobilizador. Em Natal, sonhar é acreditar no jeito petista de governar. Em seguida, Moacy Cirne afirma que ainda é possível sonhar com a utopia e com a alegria. A associação entre sonho, utopia, alegria e política sintetiza a posição defendida ao longo do documento.
Balaio Incomum XI 893 constitui, portanto, importante registro da dimensão política da produção independente de Moacy Cirne. A folha articula universidade pública, crítica ao neoliberalismo, defesa do conhecimento crítico, militância de esquerda, Partido dos Trabalhadores, eleições municipais, democracia participativa, justiça social, utopia e transformação do Brasil.
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TEXTO SALSA EM INGLÊS
Balaio Incomum, Folha Porreta, issue XI 893, a publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on October 14, 1996. Entitled O que Fazer, the sheet constitutes a document of political intervention, cultural criticism and intellectual participation within the Brazilian context of the 1990s. The text discusses the future of the public university during the government of Fernando Henrique Cardoso, criticizes neoliberalism and global capitalism, calls for political and social mobilization and explicitly presents Moacy Cirne's support for the Brazilian Workers Party and what he describes as the PT way of governing during the 1996 municipal elections.
In the first section, entitled O que Fazer, Moacy Cirne asks what will happen to the Brazilian public university under the government of Fernando Henrique Cardoso. He expresses the fear that the federal government may attempt to dismantle one of the most important cultural assets of Brazilian society. Cirne connects this threat with neoliberalism and global capitalism.
The question O que Fazer becomes the political and intellectual axis of the document. Faced with the situation he describes, Moacy Cirne argues that it is impossible to remain silent or passive. He advocates reacting through trade unions, increasing political participation, becoming active in left wing political parties and discussing the situation of the country with colleagues and companions.
The text proposes an active attitude toward Brazilian reality. Studying, researching, working, daring, loving and struggling are presented as necessary actions. Cirne rejects passivity through forceful formulations and asks what critical consciousness and knowledge are for if they are not used to confront the problems of society.
This first section is particularly important for understanding Moacy Cirne's intellectual activity beyond his widely recognized work on comics, experimental poetry and Poema Processo. The document reveals his direct engagement with debates concerning public education, universities, politics, neoliberalism, social participation and the critical function of knowledge.
The second section is identified with Natal and entitled Com Tesão, o Jeito Petista de Governar. Here Moacy Cirne explicitly defends a political conception associated with the Brazilian Workers Party. He characterizes this manner of governing through ideas such as enthusiasm, generosity, dreams, utopia, popular knowledge and administrative competence.
Cirne mentions Porto Alegre, Santos and Angra dos Reis as examples of Brazilian cities whose inhabitants could recognize this model of administration. For the author, it represents a democratic experience based on active citizen participation and on the possibility of transforming social reality.
The text connects political change with renewal, learning and a deeper commitment to social life. Moacy Cirne advocates a way of administering cities that he considers humane, intelligent, productive, culturally democratic and committed to popular participation.
The electoral date of November 15 occupies an important place in the text. Moacy Cirne states that Natal and six other state capitals would have a unique opportunity on that date to begin changing their histories. These histories are described as being composed of struggles, hardships, victories, defeats, advances, retreats, problems and renewed hopes.
The defense of a new Brazil is linked to social justice, humanism and authentic democracy. Cirne explicitly declares his support for PT candidates in the second round of the municipal elections and argues that Natal and other cities should experience what he calls the distinctive character of the PT way of governing.
At the end, the author adds a reference to São Paulo and to the possibility that the city could experience a second administration involving Luiza Erundina, expressing the hope for a more mature and participatory political experience. This reference is significant for situating the document within the Brazilian electoral disputes of 1996.
The sheet concludes with two formulations centered on political hope and utopia. In Natal, dreaming means believing in the PT way of governing. Moacy Cirne then states that it is still possible to dream with utopia and joy. The connection among dreams, utopia, joy and politics summarizes the position developed throughout the document.
Balaio Incomum XI 893 is therefore an important record of the political dimension of Moacy Cirne's independent production. The sheet connects the public university, criticism of neoliberalism, defense of critical knowledge, left wing political engagement, the Brazilian Workers Party, municipal elections, participatory democracy, social justice, utopia and the transformation of Brazil.
This document is relevant to research on Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 893, O que Fazer, Rio de Janeiro, October 14, 1996, Brazilian public universities, Fernando Henrique Cardoso, neoliberalism, capitalism, Brazilian Workers Party, PT, 1996 municipal elections, Natal, Rio Grande do Norte, Porto Alegre, Santos, Angra dos Reis, São Paulo, Luiza Erundina, Brazilian left wing politics, participatory democracy, social justice, Brazilian politics, Brazilian intellectual history, alternative press, independent publishing, Poema Processo and the political culture of the 1990s.
