Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, número 1046, Ano XII, Rio de Janeiro, 1 de abril de 1998

Balaio Incomun, Folha Porreta, número 1046, Ano XII, Rio de Janeiro, 1 de abril de 1998

Moacy Cirne

-Balaio+Incomun+,+Folha+Porreta+,+Moacy+Cirne+,+XII-1046,+Rio+de+Janeiro+,+1o+de+Abril+de+1998,+Greve+por+tempo+indeterminado+a+partir+de+Amanha.jpg

Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede

Acervo: 04388

Data: 1 de abril de 1998

Dimensões: 33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊSBalaio Incomun, Folha Porreta, número 1046, Ano XII, Rio de Janeiro, 1 de abril de 1998, publicação de Moacy Cirne, com tiragem acumulada indicada de 195.800 cópias. A edição é dedicada à mobilização dos docentes da Universidade Federal Fluminense e ao debate sobre a greve nacional das Instituições Federais de Ensino Superior em 1998. O documento articula intervenção política, crítica ao governo Fernando Henrique Cardoso, defesa da universidade pública, sindicalismo docente, mobilização universitária, memória da ditadura militar e reivindicação de melhores condições para ensino, pesquisa, ciência e tecnologia.Na abertura, sob o título Greve por Tempo Indeterminado a Partir de Amanhã, Moacy Cirne informa que uma assembleia com aproximadamente 198 professores, realizada no dia anterior, com cerca de 87 por cento dos docentes votando contra, 9 por cento a favor e 4 por cento de abstenções, aprovou uma greve da categoria por tempo indeterminado a partir de 2 de abril de 1998. Cirne caracteriza a decisão como histórica e afirma que o governo vinha sacrificando os trabalhadores e os serviços públicos em diferentes níveis. O texto apresenta a paralisação como uma greve política construída pela participação de professores, alunos e funcionários.Moacy Cirne dirige crítica direta ao então presidente Fernando Henrique Cardoso de Mello e afirma que os docentes não aceitariam ser tratados como seres inferiores. O autor relaciona a mobilização de 1998 à tradição de resistência política brasileira, mencionando as lutas contra a ditadura militar e contra o governo Collor de Mello. A passagem possui valor documental por registrar o discurso de resistência existente no ambiente universitário brasileiro no final da década de 1990.A edição traz ainda uma seção em homenagem ao Dia da Mentira, na qual Moacy Cirne escolhe o que denomina Escrotéu Mentira Real do Ano para Fernando Henrique Cardoso de Mello, identificado pelo PFL na própria folha, e concede Menção Desonrosa a Paulo Maluf, Antonio Carlos Magalhães e Marcello Alencar. O trecho possui caráter satírico e deve ser compreendido como manifestação autoral e crítica de Cirne diante da conjuntura política brasileira.A parte mais extensa da página é Vale a Pena Fazer a Greve, apresentada como fragmentos de documento preparado pela ADUFF e pelo Comando de Mobilização. O texto discute as razões para uma greve nacional por tempo indeterminado dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior. Entre as questões levantadas estão a capacidade de pressionar o governo, sensibilizar a sociedade e transformar a greve em instrumento de luta política e sindical.O documento critica a política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, observando que a propaganda oficial da estabilidade da moeda convivia com crescimento do desemprego e perda de confiança entre servidores públicos e docentes universitários. O texto recorda a greve unificada dos servidores públicos federais de 1996 e a paralisação dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior que se seguiu, destacando a necessidade de unidade e combatividade para impedir o que os autores consideravam destruição da universidade pública.A análise afirma que a reforma da previdência atingia diretamente os docentes por meio de mudanças relacionadas às aposentadorias e que os cortes de verbas destinados à ciência e tecnologia provocavam efeitos sobre graduação, pós graduação, iniciação científica, pesquisa científica e pesquisa tecnológica. O documento relaciona, portanto, a greve não apenas a reivindicações salariais, mas também à defesa estrutural da universidade pública, da pesquisa e do sistema brasileiro de ciência e tecnologia.A entrada dos docentes da Universidade Federal Fluminense na greve é apresentada como manifestação de rejeição à situação da universidade e como caminho para ampliar a mobilização em unidade com o restante da categoria. A decisão é descrita como difícil e potencialmente sujeita a consequências sérias, mas a diretoria da ADUFF, a Seção Sindical e o Comando Local de Mobilização afirmam considerar a greve instrumento adequado para enfrentar os desafios vividos pelos professores.Balaio Incomun número 1046 constitui fonte relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Folha Porreta, Universidade Federal Fluminense, UFF, ADUFF, movimento docente, sindicalismo universitário, greve das Instituições Federais de Ensino Superior, greve universitária de 1998, governo Fernando Henrique Cardoso, políticas para o ensino superior, reforma da previdência, financiamento da ciência e tecnologia, universidade pública, movimento estudantil, mobilização de servidores públicos e história política brasileira dos anos 1990.SALSA TEXT IN ENGLISHBalaio Incomun, Folha Porreta, issue 1046, Year XII, Rio de Janeiro, April 1, 1998, published by Moacy Cirne, with an accumulated circulation indicated as 195,800 copies. This issue is devoted to the mobilization of professors at Universidade Federal Fluminense and to the debate surrounding the national strike of Brazil's Federal Higher Education Institutions in 1998. The document combines political intervention, criticism of the Fernando Henrique Cardoso government, defense of public universities, faculty unionism, university mobilization, memory of the military dictatorship and demands for improved conditions for teaching, research, science and technology.In the opening section, Greve por Tempo Indeterminado a Partir de Amanhã, Moacy Cirne reports that an assembly attended by approximately 198 professors, held the previous day, approved an indefinite strike beginning on April 2, 1998. The sheet records approximately 87 percent voting against, 9 percent in favor and 4 percent abstaining, while at the same time stating that the indefinite strike was approved. Cirne characterizes the decision as historic and argues that the government had been sacrificing workers and public services at several levels. The text presents the mobilization as a political strike to be built through the participation of professors, students and university employees.Moacy Cirne directly criticizes then president Fernando Henrique Cardoso de Mello and states that university professors should not accept being treated as inferior beings. He connects the mobilization of 1998 with a broader Brazilian tradition of political resistance by recalling struggles against the military dictatorship and against the Collor de Mello government. The passage has documentary importance as evidence of the political language circulating within Brazilian universities at the end of the 1990s.The issue also contains a section marking April Fools Day in which Moacy Cirne selects what he calls the Escrotéu Mentira Real do Ano for Fernando Henrique Cardoso de Mello, identified on the sheet with PFL, and gives a Menção Desonrosa to Paulo Maluf, Antonio Carlos Magalhães and Marcello Alencar. This passage has a satirical character and should be understood as Cirne's own critical commentary on Brazilian politics.The longest section of the page is Vale a Pena Fazer a Greve, presented as fragments from a document prepared by ADUFF and the Comando de Mobilização. The text discusses the reasons for a national indefinite strike by professors at the Instituições Federais de Ensino Superior. It asks whether the strike could pressure the government, raise public awareness and serve as an effective instrument of political and union struggle.The document criticizes the economic policy of the Fernando Henrique Cardoso government, arguing that official discourse concerning monetary stability coexisted with rising unemployment and declining confidence among public employees and university professors. It recalls the unified strike of federal public servants in 1996 and the subsequent strike by professors at Federal Higher Education Institutions, emphasizing the need for unity and militancy to prevent what the authors regarded as the destruction of the public university system.The analysis argues that pension reform directly affected professors through changes to retirement rules and that reductions in funding for science and technology had consequences for undergraduate teaching, graduate education, scientific initiation, scientific research and technological research. The strike is therefore presented not simply as a salary dispute but as a structural defense of public universities, research and Brazil's science and technology system.The decision by Universidade Federal Fluminense professors to join the strike is presented as a clear rejection of conditions within the university and as a means of expanding mobilization in unity with the broader professional category. The decision is described as difficult and potentially serious in its consequences, but the ADUFF leadership, the local union section and the Comando Local de Mobilização state that they regard the strike as an appropriate instrument for confronting the challenges facing university professors.Balaio Incomun issue 1046 is an important source for research on Moacy Cirne, Folha Porreta, Universidade Federal Fluminense, UFF, ADUFF, faculty movements, university unionism, strikes in Brazil's Federal Higher Education Institutions, the 1998 university strike, the Fernando Henrique Cardoso government, higher education policy, pension reform, science and technology funding, public universities, student mobilization, public employee movements and Brazilian political history in the 1990s.

TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSDocumento original pertencente à série Balaio Incomun, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1046, Ano XII, datado de 1 de abril de 1998, Rio de Janeiro. A folha informa tiragem acumulada de 195.800 cópias. O exemplar possui forte caráter político e sindical e documenta diretamente o ambiente de mobilização dos professores da Universidade Federal Fluminense durante a greve nacional das Instituições Federais de Ensino Superior.O título Greve por Tempo Indeterminado a Partir de Amanhã anuncia o início da paralisação em 2 de abril de 1998. A página registra uma assembleia com cerca de 198 professores e apresenta percentuais de votação. Há uma aparente inconsistência entre os percentuais impressos, com maioria indicada como contrária, e a afirmação de que a greve foi aprovada. Essa discrepância deve ser preservada como característica do documento original e pode resultar de erro de composição, impressão ou registro.O texto de abertura afirma que a decisão era histórica e apresenta o movimento como resposta a políticas governamentais consideradas prejudiciais aos trabalhadores e à universidade. A mobilização deveria envolver professores, alunos e funcionários. Moacy Cirne também recupera a memória das lutas contra a ditadura militar e contra Collor de Mello, inserindo a greve de 1998 em uma narrativa mais ampla de resistência política.A seção dedicada ao Dia da Mentira contém uma intervenção satírica dirigida a Fernando Henrique Cardoso de Mello, Paulo Maluf, Antonio Carlos Magalhães e Marcello Alencar. Essas formulações devem ser indexadas como opiniões e manifestações políticas de Moacy Cirne e não como descrições factuais sobre os personagens mencionados.Vale a Pena Fazer a Greve reproduz fragmentos de um documento preparado pela ADUFF e pelo Comando de Mobilização. O conteúdo registra os argumentos utilizados pelo movimento docente para justificar a greve nacional das Instituições Federais de Ensino Superior. A discussão abrange pressão política sobre o governo, capacidade de sensibilização da sociedade, perda salarial, desemprego, reforma da previdência, financiamento universitário, pesquisa científica, ciência e tecnologia e unidade nacional da categoria docente.O documento menciona a experiência da greve unificada dos servidores públicos federais de 1996 e a greve dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior. O texto sustenta que essas experiências demonstraram a necessidade de unidade e combatividade para enfrentar políticas consideradas destrutivas para a universidade pública.Especial atenção é dada às verbas para ciência e tecnologia, descritas como em trajetória descendente durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo o documento, os cortes atingiam bolsas e recursos destinados à pós graduação e à iniciação científica e afetavam diretamente a pesquisa científica e tecnológica. O argumento reforça a caracterização da greve como movimento em defesa de toda a estrutura acadêmica e não apenas de remuneração dos professores.A página registra a entrada dos docentes da UFF na greve como manifestação clara de insatisfação com a situação da universidade. A diretoria da ADUFF, sua Seção Sindical e o Comando Local de Mobilização aparecem como estruturas organizadoras da paralisação. O texto termina afirmando que a greve era considerada instrumento adequado para enfrentar os desafios da categoria e apresenta a expressão Os gritos são nossos.O exemplar é especialmente relevante para indexação de Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Greve por Tempo Indeterminado, Universidade Federal Fluminense, UFF, ADUFF, Andes, Instituições Federais de Ensino Superior, IFES, greve dos professores universitários, sindicalismo docente, movimento sindical brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, governo FHC, reforma da previdência, ciência e tecnologia, pesquisa científica, pós graduação, iniciação científica, universidade pública, educação superior, servidores públicos federais, ditadura militar, Collor de Mello e história das mobilizações universitárias brasileiras na década de 1990.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHOriginal document from the Balaio Incomun, Folha Porreta series by Moacy Cirne, issue 1046, Year XII, dated April 1, 1998, Rio de Janeiro. The sheet records an accumulated circulation of 195,800 copies. The issue has a strongly political and union oriented character and directly documents the atmosphere of mobilization among professors at Universidade Federal Fluminense during the national strike of Brazil's Federal Higher Education Institutions.The title Greve por Tempo Indeterminado a Partir de Amanhã announces the beginning of the strike on April 2, 1998. The page records an assembly attended by approximately 198 professors and presents voting percentages. There is an apparent inconsistency between the printed percentages, which indicate a majority voting against, and the statement that the indefinite strike was approved. This discrepancy should be preserved as a characteristic of the original document and may result from a composition, printing or recording error.The opening text describes the decision as historic and presents the movement as a response to government policies considered harmful to workers and the university. Professors, students and employees are called upon to participate. Moacy Cirne also invokes the memory of struggles against Brazil's military dictatorship and against Collor de Mello, placing the 1998 strike within a broader narrative of political resistance.The April Fools Day section contains a satirical intervention directed at Fernando Henrique Cardoso de Mello, Paulo Maluf, Antonio Carlos Magalhães and Marcello Alencar. These statements should be indexed as political opinions and satirical expressions by Moacy Cirne rather than as factual descriptions of the individuals mentioned.Vale a Pena Fazer a Greve reproduces fragments from a document prepared by ADUFF and the Comando de Mobilização. It records the arguments used by the faculty movement to justify the national strike of Federal Higher Education Institutions. The discussion covers political pressure on the government, public awareness, salary conditions, unemployment, pension reform, university funding, scientific research, science and technology and national unity among university professors.The document refers to the unified strike of federal public employees in 1996 and to the subsequent mobilization of professors at Federal Higher Education Institutions. According to the text, these experiences demonstrated the need for unity and militancy in opposing policies regarded as destructive to the public university system.Special attention is given to science and technology funding, described as declining during the Fernando Henrique Cardoso government. According to the document, reductions affected scholarships and funding for graduate education and scientific initiation and had direct consequences for scientific and technological research. This argument reinforces the presentation of the strike as a defense of the academic system as a whole rather than merely a dispute about professors' salaries.The page records the entry of UFF professors into the strike as a clear manifestation of dissatisfaction with conditions at the university. The ADUFF leadership, its union section and the Comando Local de Mobilização appear as organizational structures of the movement. The text concludes by presenting the strike as an appropriate instrument for confronting the challenges facing the category and includes the expression Os gritos são nossos.This issue is especially relevant for indexing Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Greve por Tempo Indeterminado, Universidade Federal Fluminense, UFF, ADUFF, Andes, Instituições Federais de Ensino Superior, IFES, university faculty strikes, faculty unionism, Brazilian labor movements, Fernando Henrique Cardoso, the FHC government, pension reform, science and technology, scientific research, graduate education, scientific initiation, public universities, higher education, federal public employees, the military dictatorship, Collor de Mello and the history of Brazilian university mobilization in the 1990s.


Inglês

Balaio Incomun, Folha Porreta, issue 1046, Year XII, Rio de Janeiro, April 1, 1998

Dimensions: 13 x 8,5 in