Balaio Incomun, Folha Porreta, número 1043, Ano XII, Rio de Janeiro, 26 de março de 1998
Moacy Cirne
Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede
Acervo: 04385
Data: 26 de março de 1998
Dimensões: 33 x 21,5 cm
TEXTO SALSA EM PORTUGUÊSBalaio Incomun, Folha Porreta, número 1043, Ano XII, Rio de Janeiro, 26 de março de 1998, publicação de Moacy Cirne. A edição tem como texto central Ouvindo Música Clássica e apresenta uma reflexão sobre escuta musical, formação de repertório, discografia, literatura, poesia, cinema, histórias em quadrinhos, cultura brasileira e crítica política e social. Moacy Cirne defende a música clássica, entendida em sentido amplo como música erudita, como expressão artística de grande intensidade e recomenda sua apreciação, divulgação e escuta atenta, procurando afastá la tanto do consumo superficial quanto de uma postura de ostentação cultural.O texto parte de uma matéria publicada pela Folha de S.Paulo em 24 de março de 1998, dedicada a cem obras de música clássica consideradas fundamentais. Moacy Cirne observa que a relação possuía valor para o leitor não iniciado, mas identifica uma ausência importante, a indicação de interpretações fonográficas capazes de revelar melhor a riqueza sonora das obras escolhidas. A partir dessa constatação, apresenta sugestões para iniciar uma discoteca de música clássica e registra intérpretes, conjuntos, orquestras, maestros, selos fonográficos e gravações.Entre as obras selecionadas aparecem Sequentiae, de Hildegard von Bingen, com Christopher Page e Gothic Voices na gravação A Feather on the Breath of God, pelo selo Hyperion; Vésperas, de Claudio Monteverdi, com Michel Corboz e Ensemble Vocal de Lausanne, pela Erato, e com John Eliot Gardiner, The Monteverdi Choir e Orchestra; A Paixão segundo São Mateus, de Johann Sebastian Bach, em gravações de Eugen Jochum com Concertgebouw Orchestra Amsterdam, de John Eliot Gardiner com The Monteverdi Choir e The English Baroque Soloists e de Otto Klemperer com Philharmonia Choir e Orchestra; O Cravo Bem Temperado, de Bach, interpretado por Gustav Leonhardt ao cravo e Glenn Gould ao piano; Sinfonia número 40, de Wolfgang Amadeus Mozart, com Bruno Walter e Columbia Symphony Orchestra e Otto Klemperer com Philharmonia Orchestra; Don Giovanni, de Mozart, sob Carlo Maria Giulini e Philharmonia Orchestra; Sinfonia número 9, de Ludwig van Beethoven, com Kurt Masur, Leipzig Radio Chorus e Leipzig Gewandhausorchester, e com Nikolaus Harnoncourt e Chamber Orchestra of Europe; Sonata Appassionata para piano, de Beethoven, nas interpretações de Wilhelm Kempff e Emil Gilels; Tristão e Isolda, de Richard Wagner, com Karl Böhm no Bayreuth Festival Chorus and Orchestra; e A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, nas gravações de Pierre Boulez com Cleveland Orchestra e Antal Dorati com Minnesota Symphony Orchestra.Cirne registra ainda as fontes usadas para construir sua seleção, combinando observações pessoais com publicações especializadas em música clássica e discografia. Entre as referências aparecem R. Conde, J. Stanley, J. Buckley, C. Pollard, M. Taylor e Luiz Paulo Horta, além de publicações como Gramophone Classical 1997 e Música Clássica em CD. Essa parte transforma Balaio Incomun em fonte documental para a história da recepção da música erudita e da cultura fonográfica no Brasil no final da década de 1990.Na segunda metade da página, sob o título Para Fugir da Mesmice e da Bostalidade, Moacy Cirne propõe uma espécie de mapa pessoal de preferências culturais, recomendando ver, ler, sentir e ouvir com máxima atenção. No campo musical aparecem Händel, Bach, Haydn, Mozart, Brahms, Beethoven, Schubert e Debussy, além de John Coltrane, Charlie Parker, Sonny Rollins, Miles Davis, Dizzy Gillespie, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Luiz Gonzaga, Paulinho da Viola, Hermeto Pascoal, Canhoto da Paraíba, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca, Elomar, Naná Vasconcelos, Altamiro Carrilho, Joel Nascimento, Henrique Cazes, Raphael Rabello, Radamés Gnattali e Caetano Veloso.Na poesia e literatura são citados Murilo Mendes, Manuel Bandeira, Nei Leandro de Castro, Carlito Azevedo, Afonso Henriques Neto, José Paulo Paes, Affonso Ávila, Angela Melim, Cacaso, Armando Freitas Filho, Joaquim Branco, Falves Silva, Clara Góes, Sebastião Uchoa Leite, Diva Cunha, Luís Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Sebastião Nunes, Charles Baudelaire, Federico García Lorca, Stéphane Mallarmé, E. E. Cummings, Arthur Rimbaud, Rainer Maria Rilke, Vladimir Maiakovski, Fernando Pessoa e Clemente Padín. Também são valorizados textos dadaístas, surrealistas e anarquistas e traduções realizadas por Augusto de Campos, José Paulo Paes e Manuel Bandeira.No cinema, Cirne recomenda filmes de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Sérgio Santeiro, Orson Welles, Luis Buñuel, Michelangelo Antonioni, Ingmar Bergman, Jean Luc Godard, Luchino Visconti, Vladimir Carvalho e Luiz Rosemberg. Nos quadrinhos são destacados Moebius, Will Eisner, Winsor McCay, George Herriman, Hugo Pratt, Guido Crepax, Corben, Robert Crumb, Henfil e Luiz Gê. Também são recomendados os programas de arte, cinema e teatro do Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro.Em contraposição a essas referências, Moacy Cirne apresenta uma lista do que considera necessário evitar, incluindo a política associada a Fernando Henrique Cardoso de Mello, Antonio Carlos Magalhães e Paulo Maluf, determinados produtos da indústria musical, a literatolice associada a Paulo Coelho, Jorge Amado em sua fase posterior e Jô Soares, manifestações de patriotismo, o comportamento de parte da crônica esportiva, a televisão popular representada por Ratinho, Gugu, Márcia, Faustão e, em algumas ocasiões, Silvio Santos, além do fanatismo religioso e de práticas pseudocristãs. A página evidencia o caráter de Balaio Incomun como publicação pessoal, crítica, ensaística e culturalmente combativa, articulando música clássica, música popular brasileira, jazz, poesia, cinema, quadrinhos, política e crítica da cultura de massa.SALSA TEXT IN ENGLISHBalaio Incomun, Folha Porreta, issue 1043, Year XII, Rio de Janeiro, March 26, 1998, published by Moacy Cirne. The central text is Ouvindo Música Clássica and offers a reflection on musical listening, repertoire building, recorded music, literature, poetry, cinema, comics, Brazilian culture and political and social criticism. Moacy Cirne defends classical music, understood broadly as art music, as an artistic expression of great intensity and recommends attentive listening, appreciation and circulation while rejecting both superficial consumption and cultural ostentation.The text begins with a feature published by Folha de S.Paulo on March 24, 1998 devoted to one hundred works of classical music considered fundamental. Cirne considers the selection useful for readers beginning to explore the repertoire but identifies an important omission, the lack of recommended recorded interpretations capable of revealing the full sonic richness of the selected works. He therefore proposes suggestions for starting a classical music collection and records performers, ensembles, orchestras, conductors, record labels and recordings.Among the works selected are Sequentiae by Hildegard von Bingen, with Christopher Page and Gothic Voices in A Feather on the Breath of God on Hyperion; Vespers by Claudio Monteverdi, with Michel Corboz and Ensemble Vocal de Lausanne on Erato and with John Eliot Gardiner, The Monteverdi Choir and Orchestra; Saint Matthew Passion by Johann Sebastian Bach in recordings by Eugen Jochum with Concertgebouw Orchestra Amsterdam, John Eliot Gardiner with The Monteverdi Choir and The English Baroque Soloists and Otto Klemperer with Philharmonia Choir and Orchestra; The Well Tempered Clavier by Bach, performed by Gustav Leonhardt on harpsichord and Glenn Gould on piano; Symphony number 40 by Wolfgang Amadeus Mozart with Bruno Walter and Columbia Symphony Orchestra and Otto Klemperer with Philharmonia Orchestra; Don Giovanni by Mozart under Carlo Maria Giulini with Philharmonia Orchestra; Symphony number 9 by Ludwig van Beethoven with Kurt Masur, Leipzig Radio Chorus and Leipzig Gewandhausorchester and with Nikolaus Harnoncourt and Chamber Orchestra of Europe; the Appassionata Sonata for piano by Beethoven in performances by Wilhelm Kempff and Emil Gilels; Tristan und Isolde by Richard Wagner with Karl Böhm and the Bayreuth Festival Chorus and Orchestra; and The Rite of Spring by Igor Stravinsky in recordings by Pierre Boulez with Cleveland Orchestra and Antal Dorati with Minnesota Symphony Orchestra.Cirne also records the sources used to construct his selection, combining personal observations with specialized publications on classical music and recorded performance. References include R. Conde, J. Stanley, J. Buckley, C. Pollard, M. Taylor and Luiz Paulo Horta, as well as publications such as Gramophone Classical 1997 and Música Clássica em CD. This section makes Balaio Incomun a useful document for research into the reception of classical music and recorded culture in Brazil during the late 1990s.In the second half of the page, under the title Para Fugir da Mesmice e da Bostalidade, Moacy Cirne creates a personal map of cultural preferences and recommends seeing, reading, feeling and listening with maximum attention. In music he names Händel, Bach, Haydn, Mozart, Brahms, Beethoven, Schubert and Debussy, together with John Coltrane, Charlie Parker, Sonny Rollins, Miles Davis, Dizzy Gillespie, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Luiz Gonzaga, Paulinho da Viola, Hermeto Pascoal, Canhoto da Paraíba, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca, Elomar, Naná Vasconcelos, Altamiro Carrilho, Joel Nascimento, Henrique Cazes, Raphael Rabello, Radamés Gnattali and Caetano Veloso.In poetry and literature the page cites Murilo Mendes, Manuel Bandeira, Nei Leandro de Castro, Carlito Azevedo, Afonso Henriques Neto, José Paulo Paes, Affonso Ávila, Angela Melim, Cacaso, Armando Freitas Filho, Joaquim Branco, Falves Silva, Clara Góes, Sebastião Uchoa Leite, Diva Cunha, Luís Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Sebastião Nunes, Charles Baudelaire, Federico García Lorca, Stéphane Mallarmé, E. E. Cummings, Arthur Rimbaud, Rainer Maria Rilke, Vladimir Mayakovsky, Fernando Pessoa and Clemente Padín. Cirne also values Dadaist, Surrealist and anarchist texts and translations by Augusto de Campos, José Paulo Paes and Manuel Bandeira.In cinema, Cirne recommends films by Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Sérgio Santeiro, Orson Welles, Luis Buñuel, Michelangelo Antonioni, Ingmar Bergman, Jean Luc Godard, Luchino Visconti, Vladimir Carvalho and Luiz Rosemberg. In comics he highlights Moebius, Will Eisner, Winsor McCay, George Herriman, Hugo Pratt, Guido Crepax, Corben, Robert Crumb, Henfil and Luiz Gê. He also recommends the art, cinema and theatre programs of Centro Cultural Banco do Brasil in Rio de Janeiro.In contrast with these references, Cirne presents a list of what he considers necessary to avoid, including politics associated with Fernando Henrique Cardoso de Mello, Antonio Carlos Magalhães and Paulo Maluf, certain products of the popular music industry, literary culture associated with Paulo Coelho, Jorge Amado in his later phase and Jô Soares, forms of patriotism, aspects of Brazilian sports journalism, popular television represented by Ratinho, Gugu, Márcia, Faustão and on some occasions Silvio Santos, as well as religious fanaticism and practices he characterizes as pseudo Christian. The page demonstrates Balaio Incomun as a personal, critical, essayistic and culturally combative publication bringing together classical music, Brazilian popular music, jazz, poetry, cinema, comics, politics and criticism of mass culture.
TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSDocumento original pertencente à série Balaio Incomun, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1043, Ano XII, datado de 26 de março de 1998, Rio de Janeiro. O exemplar apresenta como núcleo principal Ouvindo Música Clássica, seguido pela seção Para Fugir da Mesmice e da Bostalidade. A folha funciona simultaneamente como ensaio, guia de escuta, discografia comentada, inventário de referências culturais e manifestação crítica de Moacy Cirne.Ouvindo Música Clássica parte de uma matéria da Folha de S.Paulo publicada em 24 de março de 1998 sobre cem obras de música clássica. Cirne considera importante a divulgação desse repertório, sobretudo para leitores iniciantes, mas critica a ausência de recomendações de intérpretes e gravações. A partir dessa lacuna, cria suas próprias sugestões discográficas. Entre os compositores aparecem Hildegard von Bingen, Claudio Monteverdi, Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Richard Wagner e Igor Stravinsky.Entre os intérpretes, maestros, conjuntos e orquestras citados estão Christopher Page, Gothic Voices, Michel Corboz, Ensemble Vocal de Lausanne, John Eliot Gardiner, The Monteverdi Choir, The English Baroque Soloists, Eugen Jochum, Concertgebouw Orchestra Amsterdam, Otto Klemperer, Philharmonia Choir, Philharmonia Orchestra, Gustav Leonhardt, Glenn Gould, Bruno Walter, Columbia Symphony Orchestra, Carlo Maria Giulini, Kurt Masur, Leipzig Radio Chorus, Leipzig Gewandhausorchester, Nikolaus Harnoncourt, Chamber Orchestra of Europe, Wilhelm Kempff, Emil Gilels, Karl Böhm, Bayreuth Festival Chorus and Orchestra, Pierre Boulez, Cleveland Orchestra, Antal Dorati e Minnesota Symphony Orchestra. Também aparecem selos como Hyperion, Erato, Philips, Archiv, EMI, Harmonia Mundi, CBS, Deutsche Grammophon, Sony e Mercury.A seção Para Fugir da Mesmice e da Bostalidade constitui importante síntese do universo cultural de Moacy Cirne em 1998. Sua lista de referências aproxima música clássica, jazz, choro, música popular brasileira, poesia moderna, poesia experimental, cinema de autor, quadrinhos e cultura alternativa. Na música popular e instrumental aparecem Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Luiz Gonzaga, Paulinho da Viola, Hermeto Pascoal, Canhoto da Paraíba, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca, Elomar, Naná Vasconcelos, Altamiro Carrilho, Joel Nascimento, Henrique Cazes, Raphael Rabello, Radamés Gnattali e Caetano Veloso. No jazz são destacados John Coltrane, Charlie Parker, Sonny Rollins, Miles Davis e Dizzy Gillespie.A relação de poetas é particularmente relevante para pesquisas sobre as referências literárias de Moacy Cirne e sobre suas conexões com a poesia experimental brasileira e internacional. São mencionados Murilo Mendes, Manuel Bandeira, Nei Leandro de Castro, Carlito Azevedo, Afonso Henriques Neto, José Paulo Paes, Affonso Ávila, Angela Melim, Cacaso, Armando Freitas Filho, Joaquim Branco, Falves Silva, Clara Góes, Sebastião Uchoa Leite, Diva Cunha, Luís Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Sebastião Nunes, Baudelaire, Lorca, Mallarmé, Cummings, Rimbaud, Rilke, Maiakovski, Fernando Pessoa e Clemente Padín. A presença de Falves Silva e Clemente Padín aproxima o documento das redes de poesia experimental, Poema Processo e produção visual e conceitual latino americana.Cirne também destaca textos dadaístas, surrealistas e anarquistas, além das traduções de Augusto de Campos, José Paulo Paes e Manuel Bandeira. No cinema aparecem Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Sérgio Santeiro, Orson Welles, Luis Buñuel, Michelangelo Antonioni, Ingmar Bergman, Jean Luc Godard, Luchino Visconti, Vladimir Carvalho e Luiz Rosemberg. Nos quadrinhos são lembrados Moebius, Will Eisner, Winsor McCay, George Herriman, Hugo Pratt, Guido Crepax, Corben, Robert Crumb, Henfil e Luiz Gê. O Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, também é destacado por sua programação de arte, cinema e teatro.A seção de rejeições registra posições pessoais e críticas de Moacy Cirne diante da política brasileira, da televisão, da cultura de massa, do patriotismo, do jornalismo esportivo e do fanatismo religioso. São mencionados Fernando Henrique Cardoso de Mello, Antonio Carlos Magalhães, Paulo Maluf, Paulo Coelho, Jorge Amado, Jô Soares, Ratinho, Gugu, Márcia, Faustão e Silvio Santos. O caráter opinativo dessas passagens deve ser compreendido como expressão autoral de Moacy Cirne e como documento de sua visão crítica da sociedade brasileira no final da década de 1990.O exemplar é especialmente relevante para indexação de Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Ouvindo Música Clássica, discografia clássica, música erudita, Johann Sebastian Bach, Beethoven, Mozart, Wagner, Stravinsky, Hildegard von Bingen, Monteverdi, Glenn Gould, Gustav Leonhardt, John Eliot Gardiner, Nikolaus Harnoncourt, Pierre Boulez, jazz, música popular brasileira, poesia experimental, Poema Processo, Falves Silva, Clemente Padín, Augusto de Campos, cinema brasileiro, histórias em quadrinhos, crítica cultural e cultura brasileira dos anos 1990.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHOriginal document from the Balaio Incomun, Folha Porreta series by Moacy Cirne, issue 1043, Year XII, dated March 26, 1998, Rio de Janeiro. The principal section is Ouvindo Música Clássica, followed by Para Fugir da Mesmice e da Bostalidade. The sheet functions simultaneously as an essay, listening guide, annotated discography, inventory of cultural references and critical statement by Moacy Cirne.Ouvindo Música Clássica responds to a Folha de S.Paulo feature published on March 24, 1998 concerning one hundred works of classical music. Cirne recognizes the importance of introducing this repertoire to new listeners but criticizes the absence of recommendations for specific performers and recordings. He therefore creates his own discographic guide. The composers represented include Hildegard von Bingen, Claudio Monteverdi, Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Richard Wagner and Igor Stravinsky.Performers, conductors, ensembles and orchestras named in the document include Christopher Page, Gothic Voices, Michel Corboz, Ensemble Vocal de Lausanne, John Eliot Gardiner, The Monteverdi Choir, The English Baroque Soloists, Eugen Jochum, Concertgebouw Orchestra Amsterdam, Otto Klemperer, Philharmonia Choir, Philharmonia Orchestra, Gustav Leonhardt, Glenn Gould, Bruno Walter, Columbia Symphony Orchestra, Carlo Maria Giulini, Kurt Masur, Leipzig Radio Chorus, Leipzig Gewandhausorchester, Nikolaus Harnoncourt, Chamber Orchestra of Europe, Wilhelm Kempff, Emil Gilels, Karl Böhm, Bayreuth Festival Chorus and Orchestra, Pierre Boulez, Cleveland Orchestra, Antal Dorati and Minnesota Symphony Orchestra. Record labels mentioned include Hyperion, Erato, Philips, Archiv, EMI, Harmonia Mundi, CBS, Deutsche Grammophon, Sony and Mercury.Para Fugir da Mesmice e da Bostalidade provides an important synthesis of Moacy Cirne's cultural universe in 1998. His references connect classical music, jazz, choro, Brazilian popular music, modern poetry, experimental poetry, auteur cinema, comics and alternative culture. Musicians named include Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Luiz Gonzaga, Paulinho da Viola, Hermeto Pascoal, Canhoto da Paraíba, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca, Elomar, Naná Vasconcelos, Altamiro Carrilho, Joel Nascimento, Henrique Cazes, Raphael Rabello, Radamés Gnattali and Caetano Veloso. Jazz figures include John Coltrane, Charlie Parker, Sonny Rollins, Miles Davis and Dizzy Gillespie.The list of poets is particularly significant for research into Moacy Cirne's literary references and his connections with Brazilian and international experimental poetry. The page names Murilo Mendes, Manuel Bandeira, Nei Leandro de Castro, Carlito Azevedo, Afonso Henriques Neto, José Paulo Paes, Affonso Ávila, Angela Melim, Cacaso, Armando Freitas Filho, Joaquim Branco, Falves Silva, Clara Góes, Sebastião Uchoa Leite, Diva Cunha, Luís Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Sebastião Nunes, Baudelaire, Lorca, Mallarmé, Cummings, Rimbaud, Rilke, Mayakovsky, Fernando Pessoa and Clemente Padín. The presence of Falves Silva and Clemente Padín connects the document with networks of experimental poetry, Poema Processo and Latin American visual and conceptual production.Cirne also values Dadaist, Surrealist and anarchist writings and translations by Augusto de Campos, José Paulo Paes and Manuel Bandeira. Filmmakers cited include Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Sérgio Santeiro, Orson Welles, Luis Buñuel, Michelangelo Antonioni, Ingmar Bergman, Jean Luc Godard, Luchino Visconti, Vladimir Carvalho and Luiz Rosemberg. Comics artists include Moebius, Will Eisner, Winsor McCay, George Herriman, Hugo Pratt, Guido Crepax, Corben, Robert Crumb, Henfil and Luiz Gê. Centro Cultural Banco do Brasil in Rio de Janeiro is also recommended for its art, cinema and theatre programming.The section devoted to cultural and political rejection records Moacy Cirne's personal positions concerning Brazilian politics, television, mass culture, patriotism, sports journalism and religious fanaticism. Names mentioned include Fernando Henrique Cardoso de Mello, Antonio Carlos Magalhães, Paulo Maluf, Paulo Coelho, Jorge Amado, Jô Soares, Ratinho, Gugu, Márcia, Faustão and Silvio Santos. These statements should be understood as expressions of Cirne's own critical viewpoint and as documentary evidence of his interpretation of Brazilian society in the late 1990s.This issue is especially relevant for indexing Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Ouvindo Música Clássica, classical discography, classical music, Johann Sebastian Bach, Beethoven, Mozart, Wagner, Stravinsky, Hildegard von Bingen, Monteverdi, Glenn Gould, Gustav Leonhardt, John Eliot Gardiner, Nikolaus Harnoncourt, Pierre Boulez, jazz, Brazilian popular music, experimental poetry, Poema Processo, Falves Silva, Clemente Padín, Augusto de Campos, Brazilian cinema, comics, cultural criticism and Brazilian culture of the 1990s.
Inglês
Balaio Incomun, Folha Porreta, issue 1043, Year XII, Rio de Janeiro, March 26, 1998
Dimensions: 13 x 8,5 in
