Home Acervo Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1003, Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1997

Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1003, Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1997

Moacy Cirne

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Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede

Acervo: 04359

Data: 17 de setembro de 1997

Dimensões: 33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊSBalaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1003, Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1997. Poema Azul. Edição dedicada aos 30 anos do Poema Processo, articulando poesia visual, crítica política, memória cultural, cinema, música, teatro, literatura e acontecimentos históricos de 1967. A parte central apresenta a composição Poema Azul, de Moacy Cirne, formada pela palavra POEMA em letras cinzas e pela palavra AZUL em grandes caracteres vermelhos, acompanhada da indicação para ser mastigado ao som de Hermeto Pascoal. O trabalho explora a contradição entre palavra e cor, pois a palavra azul é apresentada visualmente em vermelho, criando tensão entre significado verbal e percepção cromática. A obra se insere na lógica experimental do Poema Processo, na qual o poema ultrapassa a leitura verbal e passa a operar por relações visuais, semânticas, gráficas e perceptivas.Na abertura, Cirne comenta um artigo de Arnaldo Jabor publicado na Folha de S.Paulo sobre a formação histórica e cultural brasileira, a contracultura, os hippies, a ditadura militar, as décadas de 1960 e a ideia de um Brasil marcado por contradições e por uma herança barroca e ibérica. Em seguida aparecem textos políticos intitulados Lei Eleitoral ou Lei Governamental e PSB Partido Socialista Brasileiro, nos quais Cirne critica a reforma eleitoral, Fernando Henrique Cardoso, o PFL e setores do Partido Socialista Brasileiro.A seção Memória, O que de mais importante aconteceu em 1967, reúne uma extensa cronologia cultural e política. São citados Terra em transe, de Glauber Rocha, Blow Up, de Michelangelo Antonioni, A guerra acabou, de Alain Resnais, A opinião pública, de Arnaldo Jabor, João Guimarães Rosa, John Coltrane, a Constituição brasileira durante a ditadura militar, Costa e Silva, manifestações estudantis, o Congresso da União Nacional dos Estudantes, o Grupo Oficina de José Celso Martinez Corrêa, O rei da vela, de Oswald de Andrade, o TUCA e a peça O e A, ligada a Roberto Freire, os quadrinhos underground de Robert Crumb e Gilbert Shelton, o livro Vanguarda e subdesenvolvimento, de Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto, a exposição Nova Objetividade Brasileira no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, a morte de Che Guevara, o tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil, Jacob do Bandolim, Jean Luc Godard, os Beatles e Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. A cronologia termina destacando a fundação simultânea do Poema Processo no Rio de Janeiro e em Natal e definindo o movimento como vanguarda antiliterária de elevada taxa informacional. Documento fundamental para pesquisas sobre Moacy Cirne, Poema Processo, poesia visual brasileira, Hermeto Pascoal, cultura de 1967, vanguardas brasileiras, cinema novo, tropicalismo, contracultura e história cultural do Brasil.SALSA TEXT IN ENGLISHBalaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1003, Rio de Janeiro, September 17, 1997. Poema Azul. An issue devoted to the 30th anniversary of Poema Processo, combining visual poetry, political criticism, cultural memory, cinema, music, theater, literature and historical events from 1967. The central section presents Poema Azul by Moacy Cirne, composed of the word POEMA in gray letters and the word AZUL in large red characters, accompanied by the indication that it should be chewed to the sound of Hermeto Pascoal. The work explores the contradiction between word and color because the word blue is visually presented in red, creating tension between verbal meaning and chromatic perception. The composition belongs to the experimental logic of Poema Processo, in which the poem moves beyond conventional verbal reading and operates through visual, semantic, graphic and perceptual relationships.In the opening section, Cirne comments on an article by Arnaldo Jabor published in Folha de S.Paulo concerning Brazilian historical and cultural formation, counterculture, hippies, the military dictatorship, the 1960s and the idea of Brazil as a country marked by contradictions and by a Baroque and Iberian heritage. Political texts titled Lei Eleitoral ou Lei Governamental and PSB Partido Socialista Brasileiro follow, in which Cirne criticizes electoral reform, Fernando Henrique Cardoso, the PFL and sectors of the Brazilian Socialist Party.The section Memória, O que de mais importante aconteceu em 1967, presents an extensive cultural and political chronology. It cites Terra em transe by Glauber Rocha, Blow Up by Michelangelo Antonioni, A guerra acabou by Alain Resnais, A opinião pública by Arnaldo Jabor, João Guimarães Rosa, John Coltrane, the Brazilian Constitution under the military dictatorship, Costa e Silva, student demonstrations, the Congress of the União Nacional dos Estudantes, Grupo Oficina led by José Celso Martinez Corrêa, O rei da vela by Oswald de Andrade, TUCA and the play O e A associated with Roberto Freire, underground comics by Robert Crumb and Gilbert Shelton, Vanguarda e subdesenvolvimento by Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto, the Nova Objetividade Brasileira exhibition at the Museu de Arte Moderna in Rio de Janeiro, the death of Che Guevara, tropicalismo associated with Caetano Veloso and Gilberto Gil, Jacob do Bandolim, Jean Luc Godard, the Beatles and Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. The chronology concludes by emphasizing the simultaneous foundation of Poema Processo in Rio de Janeiro and Natal and describing the movement as an antiliterary avant garde with a high informational rate. The document is a fundamental source for research on Moacy Cirne, Poema Processo, Brazilian visual poetry, Hermeto Pascoal, the culture of 1967, Brazilian avant garde movements, Cinema Novo, tropicalismo, counterculture and Brazilian cultural history.

TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSExemplar XII 1003 de Balaio Incomum, Folha Porreta, de Moacy Cirne, datado do Rio de Janeiro em 17 de setembro de 1997. A folha possui especial importância documental por relacionar diretamente as comemorações de 1967 a 1997 aos 30 anos do Poema Processo e por apresentar uma obra visual de Moacy Cirne intitulada Poema Azul.No alto da página aparece um comentário sobre Arnaldo Jabor. Cirne reconhece o cineasta de Tudo bem, O casamento e A opinião pública e comenta sua capacidade de produzir análises provocativas sobre o passado recente brasileiro. O texto reproduz ideias de um artigo de Jabor publicado na Folha de S.Paulo, no qual aparecem referências à divisão da história brasileira em décadas, aos hippies, à contracultura, à Revolução de 1964, à repressão de 1968, ao uso de LSD e à percepção de que a experiência brasileira teria sido marcada por uma recepção tardia e contraditória da contracultura internacional. O trecho termina com uma reflexão sobre um destino de barrocos ibéricos enganados, associando identidade brasileira, fracasso histórico, sonho e contradição.A parte central identifica claramente o período 1967 1997 e os 30 anos do Poema Processo. A composição Poema Azul apresenta a palavra POEMA em letras cinzas, cada caractere tratado como unidade gráfica autônoma, e logo abaixo a palavra AZUL em letras grandes de cor vermelha. O contraste entre o significado da palavra azul e sua realização cromática em vermelho constitui o principal mecanismo visual e semântico da peça. Abaixo aparece a indicação para ser mastigado ao som de Hermeto Pascoal, seguida da autoria Moacy Cirne. A expressão acrescenta uma dimensão sensorial e sonora ao poema, sugerindo leitura como ação corporal e aproximando poesia, música, cor e participação. A referência a Hermeto Pascoal amplia o campo da obra para a improvisação e a experimentação musical brasileira.Em Lei Eleitoral ou Lei Governamental, Cirne questiona uma proposta de lei eleitoral e afirma que sua aprovação seria uma vergonha, acusando o governo de buscar mecanismos de perpetuação no poder. Fernando Henrique Cardoso é citado diretamente. Em PSB Partido Socialista Brasileiro, Cirne distingue diferentes setores do partido e critica a atuação política de Miguel Arraes em Pernambuco, aproximando a crítica de sua oposição ao PFL, Antonio Carlos Magalhães e Fernando Henrique Cardoso.A seção Memória, O que de mais importante aconteceu em 1967, constitui uma síntese histórica extremamente relevante para compreender como Moacy Cirne interpretava o ano de fundação do Poema Processo três décadas depois. O texto registra o lançamento de Terra em transe, de Glauber Rocha, juntamente com Blow Up, de Antonioni, A guerra acabou, de Resnais, e A opinião pública, de Jabor. Registra ainda a morte de João Guimarães Rosa pouco depois de sua eleição para a Academia Brasileira de Letras e destaca John Coltrane como um dos maiores músicos de jazz de todos os tempos.No campo político, Cirne menciona a entrada em vigor de uma nova Constituição brasileira durante a ditadura, a ascensão de Costa e Silva, o endurecimento do regime, manifestações estudantis e a realização clandestina do Congresso da União Nacional dos Estudantes em São Paulo. No teatro, destaca o Grupo Oficina de José Celso Martinez Corrêa e a montagem de O rei da vela, de Oswald de Andrade, além da atuação do TUCA com O e A, obra associada ao psicanalista Roberto Freire.No campo internacional e das artes gráficas, a cronologia registra o surgimento dos comics underground nos Estados Unidos, mencionando Robert Crumb e Gilbert Shelton. Na literatura e na crítica, aparece Ferreira Gullar com Vanguarda e subdesenvolvimento e João Cabral de Melo Neto com suas Poesias completas. Nas artes visuais, é registrada a exposição Nova Objetividade Brasileira no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, evento central da vanguarda brasileira dos anos 1960.A cronologia registra ainda a morte de Che Guevara na Bolívia, o desenvolvimento do tropicalismo com Caetano Veloso e Gilberto Gil, o lançamento do disco Vibrações por Jacob do Bandolim, o filme A chinesa, de Jean Luc Godard, e o lançamento de Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band pelos Beatles. O último registro afirma que o Poema Processo foi fundado simultaneamente no Rio de Janeiro e em Natal e o caracteriza como vanguarda antiliterária de elevada taxa informacional.Essa última formulação é especialmente significativa para a história do movimento porque registra a maneira como Moacy Cirne, participante diretamente ligado ao Poema Processo, definia retrospectivamente sua natureza em 1997. O exemplar estabelece uma rede histórica entre Poema Processo, Cinema Novo, tropicalismo, Nova Objetividade Brasileira, teatro experimental, quadrinhos underground, jazz e contracultura. Constitui fonte primária de alta relevância para indexação sobre Moacy Cirne, Poema Azul, Poema Processo 1967 1997, Hermeto Pascoal, Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Falves Silva, poesia visual, poesia experimental, vanguarda antiliterária, Natal, Rio de Janeiro e história das vanguardas brasileiras.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHIssue XII 1003 of Balaio Incomum, Folha Porreta, by Moacy Cirne, dated Rio de Janeiro, September 17, 1997. The sheet has particular documentary importance because it directly connects the commemorations of the period from 1967 to 1997 with the 30th anniversary of Poema Processo and presents a visual work by Moacy Cirne titled Poema Azul.At the top of the page appears a commentary on Arnaldo Jabor. Cirne acknowledges the filmmaker of Tudo bem, O casamento and A opinião pública and comments on his ability to produce provocative analyses of Brazil's recent past. The text reproduces ideas from an article by Jabor published in Folha de S.Paulo, including references to the division of Brazilian history into decades, hippies, counterculture, the 1964 military takeover, the repression of 1968, LSD and the perception that Brazil experienced international counterculture in a delayed and contradictory way. The passage ends with a reflection on a destiny of deceived Iberian Baroque people, connecting Brazilian identity, historical failure, dreams and contradiction.The central section clearly identifies the period 1967 1997 and the 30th anniversary of Poema Processo. The composition Poema Azul presents the word POEMA in gray letters, with each character treated as an autonomous graphic unit, followed by the word AZUL in large red letters. The contradiction between the verbal meaning of blue and its chromatic realization in red constitutes the principal visual and semantic mechanism of the work. Below it appears the instruction that the poem should be chewed to the sound of Hermeto Pascoal, followed by the name Moacy Cirne. This phrase adds sensory and sonic dimensions to the poem and suggests reading as a bodily action, bringing together poetry, music, color and participation. The reference to Hermeto Pascoal expands the work toward Brazilian musical improvisation and experimentation.In Lei Eleitoral ou Lei Governamental, Cirne questions an electoral law proposal and argues that its approval would be shameful, accusing the government of seeking mechanisms for remaining in power. Fernando Henrique Cardoso is directly mentioned. In PSB Partido Socialista Brasileiro, Cirne distinguishes between different sectors of the party and criticizes the political position of Miguel Arraes in Pernambuco, relating this criticism to his opposition to the PFL, Antonio Carlos Magalhães and Fernando Henrique Cardoso.The section Memória, O que de mais importante aconteceu em 1967, provides an especially important historical synthesis for understanding how Moacy Cirne interpreted the founding year of Poema Processo three decades later. The text records the release of Terra em transe by Glauber Rocha together with Blow Up by Antonioni, A guerra acabou by Resnais and A opinião pública by Jabor. It also records the death of João Guimarães Rosa shortly after his election to the Brazilian Academy of Letters and identifies John Coltrane as one of the greatest jazz musicians of all time.In politics, Cirne mentions the implementation of a new Brazilian Constitution under the military dictatorship, the rise of Costa e Silva, the increasing authoritarianism of the regime, student demonstrations and the clandestine Congress of the União Nacional dos Estudantes in São Paulo. In theater, he highlights Grupo Oficina led by José Celso Martinez Corrêa and its production of O rei da vela by Oswald de Andrade, as well as TUCA and the play O e A associated with psychoanalyst Roberto Freire.In the international field and graphic arts, the chronology records the emergence of underground comics in the United States, mentioning Robert Crumb and Gilbert Shelton. In literature and criticism, Ferreira Gullar appears with Vanguarda e subdesenvolvimento and João Cabral de Melo Neto with his collected poetry. In the visual arts, the Nova Objetividade Brasileira exhibition at the Museu de Arte Moderna in Rio de Janeiro is recorded as a central event of the Brazilian avant garde during the 1960s.The chronology also records the death of Che Guevara in Bolivia, the development of tropicalismo with Caetano Veloso and Gilberto Gil, the release of the album Vibrações by Jacob do Bandolim, Jean Luc Godard's film A chinesa and the release of Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band by the Beatles. The final entry states that Poema Processo was founded simultaneously in Rio de Janeiro and Natal and characterizes it as an antiliterary avant garde with a high informational rate.This final formulation is especially significant for the history of the movement because it documents how Moacy Cirne, a participant directly connected with Poema Processo, retrospectively defined its nature in 1997. The issue establishes a historical network connecting Poema Processo, Cinema Novo, tropicalismo, Nova Objetividade Brasileira, experimental theater, underground comics, jazz and counterculture. It is a primary source of major importance for indexing Moacy Cirne, Poema Azul, Poema Processo 1967 1997, Hermeto Pascoal, Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Falves Silva, visual poetry, experimental poetry, antiliterary avant garde, Natal, Rio de Janeiro and the history of Brazilian avant garde movements.


Inglês

Balaio Incomum, Folha Porreta, Moacy Cirne, XII 1003, Rio de Janeiro, September 17, 1997

Dimensions: 13 x 8,5 in