Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 942, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 7 de abril de 1997, é uma edição comemorativa dedicada aos trinta anos do Poema Processo, movimento de vanguarda surgido no Brasil em 1967 e fundamental para a história da poesia experimental, da poesia visual e das pesquisas intersemióticas brasileiras.
Moacy Cirne
04321 - 7 de Abril de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 942, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 7 de abril de 1997, é uma edição comemorativa dedicada aos trinta anos do Poema Processo, movimento de vanguarda surgido no Brasil em 1967 e fundamental para a história da poesia experimental, da poesia visual e das pesquisas intersemióticas brasileiras. A inscrição 1967 1997, 30 anos de Poema Processo, aparece em destaque no alto da página e estabelece o documento como parte das ações de memória realizadas três décadas após o aparecimento público do movimento.
A edição é predominantemente visual e transforma a própria página do Balaio Incomun em espaço de montagem e experimentação. Moacy Cirne reúne fragmentos de poemas processo produzidos durante os anos 1960, organizando diferentes códigos gráficos, tipográficos e visuais em uma composição única. Em lugar de uma leitura exclusivamente verbal e linear, a folha propõe uma leitura espacial baseada em sinais, letras, figuras, diagramas, texturas, círculos, pontos, linhas e blocos de escrita.
A legenda localizada na parte inferior identifica quatro referências históricas do Poema Processo. São elas Olho, de Anchieta Fernandes, Signo, de Dailor Varela, fragmento de 12x9, de Álvaro de Sá, e Sobre Escrita, de Hugo Mund Jr. Essa identificação possui especial importância documental porque relaciona diretamente a composição comemorativa de 1997 a obras e autores participantes das experiências do Poema Processo durante a década de 1960.
Olho, de Anchieta Fernandes, aparece representado por uma estrutura formada por módulos quadrangulares nos quais pontos e linhas sofrem sucessivas transformações. A sequência estabelece relações entre posição, repetição, direção e configuração gráfica, produzindo um processo visual progressivo. O elemento final circular reforça a associação entre signo, percepção e olho, exemplificando a busca do Poema Processo por estruturas de comunicação que ultrapassam a palavra tradicional.
Signo, de Dailor Varela, integra a montagem por meio de elementos gráficos e simbólicos organizados em campos visuais. Letras, sinais, pequenos desenhos e formas esquemáticas aparecem articulados em uma estrutura que questiona os limites entre escrita, imagem e código. A obra evidencia a utilização do signo como unidade de construção poética e demonstra a aproximação do Poema Processo com questões de semiótica, comunicação visual e experimentação gráfica.
O fragmento de 12x9, de Álvaro de Sá, ocupa parte importante da composição. A obra emprega letras, símbolos, formas geométricas, pequenos desenhos e unidades distribuídas em módulos, compondo uma espécie de matriz visual. Álvaro de Sá, um dos nomes fundamentais do Poema Processo, trabalhou intensamente com sequências, estruturas, signos e relações entre informação e participação. A presença de 12x9 nesta edição de 1997 reforça sua importância para a memória histórica do movimento.
Sobre Escrita, de Hugo Mund Jr, surge integrada a uma extensa massa gráfica formada por letras e sinais repetidos, criando densidade visual e transformando a escrita em textura. A obra desloca a função convencional da linguagem escrita e aproxima texto, imagem e superfície gráfica. Nesse procedimento, escrever deixa de significar apenas transmitir frases e passa a produzir configuração, ritmo, matéria visual e informação.
A montagem central faz com que esses poemas deixem de aparecer como unidades isoladas e passem a dialogar dentro de uma nova composição editorial. Blocos de escrita são inclinados e sobrepostos, módulos visuais atravessam áreas textuais e círculos negros e claros criam pontos de tensão na superfície. Na parte inferior, uma grande área formada pela repetição de pequenos sinais estabelece uma textura que se expande pela página. O resultado funciona simultaneamente como homenagem histórica, arquivo visual e nova experiência poética.
A página exemplifica princípios fundamentais associados ao Poema Processo, como ruptura com a linearidade verbal, valorização do signo, exploração da espacialidade, utilização de códigos diversos, participação perceptiva do leitor, experimentação tipográfica e transformação do suporte gráfico em parte constitutiva do poema. A leitura acontece por relações entre estruturas visuais e não apenas por encadeamento de palavras.
O documento possui importância especial por ter sido organizado por Moacy Cirne, participante histórico e importante formulador crítico do Poema Processo. Trinta anos depois de 1967, Cirne recupera obras de Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Álvaro de Sá e Hugo Mund Jr, criando uma síntese visual da memória do movimento. Dessa maneira, Balaio Incomun XI 942 atua simultaneamente como publicação independente, documento comemorativo, instrumento de preservação e espaço de reativação da linguagem experimental.
A edição deve ser compreendida dentro do conjunto de Balaio Incomun produzido por Moacy Cirne em 1997 para recordar os trinta anos do Poema Processo. Essas páginas demonstram que o movimento continuava sendo tratado não apenas como acontecimento histórico encerrado, mas como referência ativa para pensar poesia, comunicação, imagem, signo, visualidade e experimentação no final do século XX.
Balaio Incomun XI 942 constitui fonte primária relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Poema Processo, trinta anos de Poema Processo, 1967, 1997, poesia visual brasileira, poesia experimental brasileira, poema processo, vanguarda brasileira, comunicação visual, semiótica, linguagem, signo, tipografia experimental, poesia intersemiótica, arte gráfica, publicações independentes, Anchieta Fernandes, Olho, Dailor Varela, Signo, Álvaro de Sá, 12x9, Hugo Mund Jr, Sobre Escrita e história das vanguardas brasileiras.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 942, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on April 7, 1997, is a commemorative issue dedicated to the thirtieth anniversary of Poema Processo, an avant garde movement that emerged in Brazil in 1967 and became fundamental to the history of Brazilian experimental poetry, visual poetry and intersemiotic research. The inscription 1967 1997, 30 anos de Poema Processo, appears prominently at the top of the page and establishes the document as part of the historical memory developed three decades after the public emergence of the movement.
The issue is predominantly visual and transforms the page of Balaio Incomun itself into a space for montage and experimentation. Moacy Cirne brings together fragments of process poems created during the 1960s and organizes different graphic, typographic and visual codes within a single composition. Instead of relying exclusively on verbal and linear reading, the sheet proposes a spatial reading based on signs, letters, figures, diagrams, textures, circles, points, lines and blocks of writing.
The caption at the bottom identifies four historical references from Poema Processo. They are Olho by Anchieta Fernandes, Signo by Dailor Varela, a fragment of 12x9 by Álvaro de Sá and Sobre Escrita by Hugo Mund Jr. This identification has particular documentary importance because it directly connects the commemorative composition of 1997 with works and authors involved in Poema Processo experiments during the 1960s.
Olho by Anchieta Fernandes is represented through a structure composed of square modules in which points and lines undergo successive transformations. The sequence establishes relationships among position, repetition, direction and graphic configuration, producing a progressive visual process. The final circular element strengthens the association among sign, perception and the eye and exemplifies the search within Poema Processo for structures of communication that move beyond traditional verbal language.
Signo by Dailor Varela is incorporated through graphic and symbolic elements organized into visual fields. Letters, signs, small drawings and schematic forms are articulated within a structure that challenges the limits between writing, image and code. The work demonstrates the use of the sign as a unit of poetic construction and reveals the relationship of Poema Processo with semiotics, visual communication and graphic experimentation.
A fragment of 12x9 by Álvaro de Sá occupies an important area of the composition. The work uses letters, symbols, geometric forms, small drawings and units distributed through modules, producing a type of visual matrix. Álvaro de Sá, one of the fundamental figures of Poema Processo, worked extensively with sequences, structures, signs and relationships between information and participation. The inclusion of 12x9 in this 1997 issue reinforces its significance for the historical memory of the movement.
Sobre Escrita by Hugo Mund Jr is incorporated into an extensive graphic mass composed of repeated letters and signs, creating visual density and transforming writing into texture. The work shifts written language away from its conventional function and brings text, image and graphic surface together. Writing no longer serves only to transmit sentences but also produces configuration, rhythm, visual material and information.
The central montage causes these poems to interact rather than remain isolated units. Blocks of writing are tilted and superimposed, visual modules cross textual areas and black and light circles create points of tension across the surface. In the lower section, a large area formed by repeated small signs creates a texture that expands across the page. The result functions simultaneously as historical tribute, visual archive and renewed poetic experiment.
The page exemplifies fundamental principles associated with Poema Processo, including the disruption of verbal linearity, emphasis on the sign, exploration of spatial organization, use of multiple codes, perceptual participation by the reader, typographic experimentation and the transformation of the graphic support into a constitutive part of the poem. Reading takes place through relationships among visual structures rather than exclusively through sequences of words.
The document has particular importance because it was organized by Moacy Cirne, a historical participant and major critical voice of Poema Processo. Thirty years after 1967, Cirne retrieves works by Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Álvaro de Sá and Hugo Mund Jr and creates a visual synthesis of the memory of the movement. Balaio Incomun XI 942 therefore functions simultaneously as an independent publication, commemorative document, instrument of preservation and space for reactivating experimental language.
The issue should be understood within the group of Balaio Incomun publications produced by Moacy Cirne in 1997 to commemorate thirty years of Poema Processo. These pages demonstrate that the movement continued to be treated not merely as a completed historical event but as an active reference for thinking about poetry, communication, image, signs, visuality and experimentation at the end of the twentieth century.
Balaio Incomun XI 942 is an important primary source for research on Moacy Cirne, Poema Processo, thirty years of Poema Processo, 1967, 1997, Brazilian visual poetry, Brazilian experimental poetry, process poetry, Brazilian avant garde, visual communication, semiotics, language, signs, experimental typography, intersemiotic poetry, graphic art, independent publishing, Anchieta Fernandes, Olho, Dailor Varela, Signo, Álvaro de Sá, 12x9, Hugo Mund Jr, Sobre Escrita and the history of Brazilian avant garde movements.
