Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, número 1040, Ano XII, segunda edição, datado de 18 de março de 1998

Balaio Incomun, Folha Porreta, número 1040, Ano XII, segunda edição, datado de 18 de março de 1998

Moacy Cirne

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Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede

Acervo: 04384

Data: 18 de março de 1998

Dimensões: 33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊSBalaio Incomun, Folha Porreta, número 1040, Ano XII, segunda edição, datado de 18 de março de 1998, de autoria de Moacy Cirne. Esta edição reúne homenagem póstuma, humor brasileiro, memória linguística do Rio de Janeiro e história do futebol carioca, demonstrando a amplitude cultural característica da publicação independente organizada por Cirne.A abertura apresenta Samaral, breve homenagem a um poeta falecido. Moacy Cirne registra a partida de um companheiro de luta literária e ideológica e observa que, para muitos, partia também um companheiro de lutas dionisíacas. O texto encerra desejando boa viagem ao poeta. A nota possui caráter afetivo e memorialístico e documenta redes de amizade, convivência intelectual e militância cultural associadas ao universo de Moacy Cirne.Na seção Humor aparece Suplício Chinês, texto de Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo literário de Sérgio Porto. A narrativa apresenta um pequeno hotel de montanha que recebia hóspedes principalmente durante o verão. Durante o restante do ano, o estabelecimento permanecia tranquilo, com os funcionários convivendo em uma rotina quase sem acontecimentos. A situação muda quando um coronel político solicita o melhor quarto do hotel para a lua de mel de sua filha. O velho escrivão que ocupava habitualmente o quarto aceita mudar para uma acomodação vizinha. Durante a noite, o funcionário fica incomodado imaginando ruídos e acontecimentos no quarto dos recém casados. A história desenvolve uma sequência de expectativas e equívocos até chegar ao efeito cômico final envolvendo um hóspede chinês com dor de dente. O texto é identificado como pertencente a O Festival de Besteira que Assola o País, de 1966, obra fundamental da sátira política e de costumes criada por Stanislaw Ponte Preta.Outra seção, Gíria Carioca dos Anos 50, constitui um pequeno vocabulário histórico de expressões populares utilizadas no Rio de Janeiro durante a década de 1950. A relação registra expressões como é de chuá para algo ótimo, às pampas para muito, ficar a bangu e ficar a neném para estar sem nada, é fogo na roupa para uma situação complicada, sopa no mel para algo fácil, tirar uma fininha para se exibir, bafafá para confusão, ximbica para carro velho, matusquela para maluco, café pequeno para ninharia, passar um sabão para repreensão, parangolé para farra, ficar tiririca para ficar com raiva, de araque para algo falso, marcar touca para bobear, ter um Q para possuir charme, mocorongo para indivíduo sem importância, garota do barulho para alguém sensacional e ficar com uma pulga atrás da orelha para desconfiar. A seleção funciona como registro de memória urbana, oralidade, cultura popular e transformação histórica da língua portuguesa no Rio de Janeiro.Na parte final, a seção Memórias do Futebol VI apresenta O Campeão Carioca de 1926. Moacy Cirne relembra a campanha do São Cristóvão, campeão carioca daquele ano, destacando que o resultado surpreendeu muitos observadores. O texto registra vitórias do São Cristóvão sobre clubes como Botafogo, Fluminense, Vila Isabel, Vasco da Gama, Brasil, Sírio e Libanês, Bangu, América e Flamengo. Também registra empates e derrotas ocorridos durante a campanha. O Vasco da Gama terminou na segunda colocação e o Fluminense em terceiro lugar. A seção constitui registro da memória do Campeonato Carioca e da história do São Cristóvão de Futebol e Regatas.Balaio Incomun número 1040 permite relacionar Moacy Cirne a diferentes campos de pesquisa, entre eles poesia brasileira, cultura alternativa, humor, Stanislaw Ponte Preta, Sérgio Porto, literatura brasileira, gíria carioca, memória linguística, cultura do Rio de Janeiro, futebol carioca, São Cristóvão, Vasco da Gama, Fluminense e história cultural brasileira. O exemplar evidencia a prática editorial de Cirne de aproximar literatura, memória pessoal, humor, linguagem popular e futebol em uma mesma folha.SALSA TEXT IN ENGLISHBalaio Incomun, Folha Porreta, issue 1040, Year XII, second edition, dated March 18, 1998, by Moacy Cirne. This issue combines a memorial tribute, Brazilian humor, the linguistic memory of Rio de Janeiro and the history of Rio football, demonstrating the broad cultural scope characteristic of Cirne's independent publication.The opening section presents Samaral, a brief memorial tribute to a deceased poet. Moacy Cirne records the departure of a companion in literary and ideological struggles and adds that, for many people, he was also a companion in Dionysian experiences and struggles. The passage ends by wishing the poet a good journey. The text has an affectionate and memorial character and documents networks of friendship, intellectual coexistence and cultural activism connected to the world of Moacy Cirne.The Humor section reproduces Suplício Chinês by Stanislaw Ponte Preta, the literary pseudonym of Sérgio Porto. The narrative is set in a quiet mountain hotel that mainly received guests during the summer. For much of the year the establishment remained peaceful and its employees lived through an uneventful routine. The situation changes when a political colonel requests the hotel's best room for his daughter's honeymoon. An elderly court clerk who normally occupies that room agrees to move to a neighboring room. During the night he becomes increasingly disturbed while imagining noises and events taking place beside him. The story develops through misunderstandings and comic anticipation until reaching a humorous conclusion involving a Chinese guest suffering from toothache. The text is identified as originating from O Festival de Besteira que Assola o País, published in 1966, one of the major works of political and social satire created by Stanislaw Ponte Preta.Another section, Gíria Carioca dos Anos 50, presents a historical vocabulary of popular expressions used in Rio de Janeiro during the 1950s. The list includes é de chuá for something excellent, às pampas for a large amount, ficar a bangu and ficar a neném for having nothing, é fogo na roupa for something complicated, sopa no mel for something easy, tirar uma fininha for showing off, bafafá for confusion, ximbica for an old car, matusquela for a crazy person, café pequeno for something insignificant, passar um sabão for a reprimand, parangolé for a party, ficar tiririca for becoming angry, de araque for something false, marcar touca for making a mistake, ter um Q for having charm, mocorongo for an insignificant person, garota do barulho for someone sensational and ficar com uma pulga atrás da orelha for becoming suspicious. The section serves as a record of urban memory, oral culture, popular language and the historical transformation of Portuguese in Rio de Janeiro.The final section, Memórias do Futebol VI, contains O Campeão Carioca de 1926. Moacy Cirne recalls the campaign of São Cristóvão, the Rio de Janeiro football champion of that year, noting that the result surprised many observers. The text records victories by São Cristóvão against clubs including Botafogo, Fluminense, Vila Isabel, Vasco da Gama, Brasil, Sírio e Libanês, Bangu, América and Flamengo. It also records draws and defeats during the campaign. Vasco da Gama finished second and Fluminense finished third. The section is a valuable record of the history of the Campeonato Carioca and of São Cristóvão de Futebol e Regatas.Balaio Incomun issue 1040 connects Moacy Cirne with several fields of research including Brazilian poetry, alternative culture, humor, Stanislaw Ponte Preta, Sérgio Porto, Brazilian literature, Rio slang, linguistic memory, Rio de Janeiro culture, football history, São Cristóvão, Vasco da Gama, Fluminense and Brazilian cultural history. The issue demonstrates Cirne's editorial practice of bringing literature, personal memory, humor, popular language and football together on the same printed sheet.

TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSDocumento original pertencente à série Balaio Incomun, Folha Porreta, de Moacy Cirne, número 1040, Ano XII, segunda edição, datado de 18 de março de 1998. A folha apresenta quatro núcleos principais de conteúdo, a homenagem Samaral, o texto humorístico Suplício Chinês, a seção Gíria Carioca dos Anos 50 e Memórias do Futebol VI, dedicada ao campeão carioca de 1926.No alto da página encontra se Samaral. O pequeno texto informa a morte de um companheiro de luta literária e ideológica, descrito também como companheiro de lutas dionisíacas. A despedida termina com a expressão Boa viagem, poeta. A concisão da nota reforça seu caráter de homenagem pessoal e fornece um registro da dimensão afetiva das relações intelectuais mantidas por Moacy Cirne.Suplício Chinês é atribuído a Stanislaw Ponte Preta e identificado como texto publicado em O Festival de Besteira que Assola o País, em 1966. Stanislaw Ponte Preta era o pseudônimo de Sérgio Porto, escritor e humorista brasileiro conhecido por sua sátira dos costumes, da política e das contradições sociais do país. A presença desse texto em Balaio Incomun revela o interesse de Moacy Cirne pela tradição brasileira do humor crítico e pela combinação entre literatura e comentário social.A seção Gíria Carioca dos Anos 50 reúne dezenas de expressões populares e seus significados. Entre elas aparecem é de chuá, às pampas, ficar a bangu, ficar a neném, é fogo na roupa, sopa no mel, tirar uma fininha, bolacha, Mandrake, bárbaro, bafafá, ximbica, matusquela, café pequeno, pinoia, passar um sabão, parangolé, mixa, ficar tiririca, de araque, marcar touca, ter um Q, mocorongo, garota do barulho, muito angu pro meu fubá, ficar com uma pulga atrás da orelha e crente que está abafando. O repertório é importante como documento da fala urbana carioca, do humor verbal e da cultura cotidiana brasileira da década de 1950.Em Memórias do Futebol VI, Moacy Cirne recupera a campanha do São Cristóvão no Campeonato Carioca de 1926. A folha informa que o clube conquistou o campeonato surpreendendo muitos e registra resultados contra Botafogo, Fluminense, Vila Isabel, Vasco da Gama, Brasil, Sírio e Libanês, Bangu, América e Flamengo. São destacados resultados expressivos como as vitórias sobre o Flamengo por 5 a 0 e 5 a 1 e sobre o Brasil por 8 a 2 e 6 a 0. O texto informa ainda que o Vasco da Gama terminou como segundo colocado e o Fluminense como terceiro.Este exemplar possui interesse documental para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Samaral, Stanislaw Ponte Preta, Sérgio Porto, O Festival de Besteira que Assola o País, humor brasileiro, gírias cariocas, linguagem popular, memória cultural do Rio de Janeiro, futebol brasileiro, Campeonato Carioca de 1926, São Cristóvão de Futebol e Regatas, Vasco da Gama e Fluminense. A diversidade temática da página demonstra como Balaio Incomun funcionava simultaneamente como publicação literária, arquivo de memória, espaço de comentário cultural e veículo de circulação de referências históricas brasileiras.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHOriginal document from the Balaio Incomun, Folha Porreta series by Moacy Cirne, issue 1040, Year XII, second edition, dated March 18, 1998. The sheet contains four principal groups of material, the memorial text Samaral, the humorous narrative Suplício Chinês, the section Gíria Carioca dos Anos 50 and Memórias do Futebol VI, devoted to the Rio de Janeiro football champion of 1926.At the top of the page appears Samaral. The brief text records the death of a companion in literary and ideological struggles who is also described as a companion in Dionysian struggles. The farewell ends by wishing the poet a good journey. Its concise form reinforces the personal nature of the tribute and provides a record of the emotional dimension of Moacy Cirne's intellectual and cultural relationships.Suplício Chinês is attributed to Stanislaw Ponte Preta and identified as a text from O Festival de Besteira que Assola o País, published in 1966. Stanislaw Ponte Preta was the literary pseudonym of Sérgio Porto, a Brazilian writer and humorist recognized for his satire of politics, social behavior and the contradictions of Brazilian society. Its inclusion in Balaio Incomun demonstrates Moacy Cirne's interest in Brazilian traditions of critical humor and in the relationship between literature and social commentary.The section Gíria Carioca dos Anos 50 contains dozens of popular expressions and their meanings. These include é de chuá, às pampas, ficar a bangu, ficar a neném, é fogo na roupa, sopa no mel, tirar uma fininha, bolacha, Mandrake, bárbaro, bafafá, ximbica, matusquela, café pequeno, pinoia, passar um sabão, parangolé, mixa, ficar tiririca, de araque, marcar touca, ter um Q, mocorongo, garota do barulho, muito angu pro meu fubá, ficar com uma pulga atrás da orelha and crente que está abafando. This vocabulary is significant as documentation of urban speech, verbal humor and everyday Brazilian culture in Rio de Janeiro during the 1950s.In Memórias do Futebol VI, Moacy Cirne reconstructs the campaign of São Cristóvão in the 1926 Campeonato Carioca. The publication notes that the club won the championship to the surprise of many observers and records results against Botafogo, Fluminense, Vila Isabel, Vasco da Gama, Brasil, Sírio e Libanês, Bangu, América and Flamengo. Particularly striking results include victories over Flamengo by 5 to 0 and 5 to 1 and over Brasil by 8 to 2 and 6 to 0. The text also states that Vasco da Gama finished second and Fluminense third.This issue has documentary value for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Samaral, Stanislaw Ponte Preta, Sérgio Porto, O Festival de Besteira que Assola o País, Brazilian humor, Rio de Janeiro slang, popular language, cultural memory of Rio de Janeiro, Brazilian football, the 1926 Campeonato Carioca, São Cristóvão de Futebol e Regatas, Vasco da Gama and Fluminense. The variety of subjects illustrates how Balaio Incomun operated simultaneously as a literary publication, a memory archive, a forum for cultural commentary and a vehicle for preserving references from Brazilian cultural history.


Inglês

Balaio Incomun, Folha Porreta, issue 1040, Year XII, second edition, dated March 18, 1998

Dimensions: 13 x 8,5 in